Challenge Of Passion
7 Capítulo VII - Paparrazzo
Notas iniciais
beijos
CAPÍTULO VII
— Siga-o, Draco! — Hermione gritou ansiosamente, quando o homem viu Draco se aproximando e fugiu pela porta dos fundos do restaurante.
Draco não precisava de estímulo — tinha toda intenção de correr atrás daquele homem.
— Cuide de Lily! — ele disse antes de sair correndo pela porta dos fundos, também.
Porém, por mais que Draco procurasse pela rua e em várias lojas, não conseguiu encontrá-lo. Sabia onde se achava o carro azul, e estava em dúvida se devia ou não ir diretamente ao estacionamento, na esperança de chegar lá antes do homem. Mas sua principal preocupação tinha de ser Lily e Hermione, então voltou para o restaurante.
— Eu o perdi — Draco fechou a cara quando Hermione o olhou, com o rosto acinzentado e as mãos trêmulas, abraçando Lily fortemente.
— Tenho quase certeza de que não é o que você pensa, Hermione — ele acrescentou, tranquilizador. — Explicarei mais tarde. — lançou-lhe um olhar de advertência antes de se agachar ao lado de Lily. — Tudo bem princesa Lily? — perguntou suavemente.
— Podemos almoçar agora, tio Draco? — ela perguntou, esperançosa.
Ele riu.
— Claro que podemos. Tudo bem com você, Hermione? — levantou os olhos para ela.
Hermione estava abalada demais para responder imediatamente.
Não tinha nem percebido que havia algo de errado até Draco se levantar e correr para o restaurante. Então viu o homem falando com Lily.
Um homem que lhe parecia estranhamente familiar.
— Tudo ótimo. — ela respondeu distraidamente, já que Lily não estava assustada.
Ao contrário de Hermione. Era o pesadelo de qualquer pai ou mãe. Só tinham tirado os olhos de Lily por cerca de um minuto. E se...
— Realmente não é o que pensa — Draco a tranquilizou baixinho, segurando de leve seu braço enquanto voltavam para a mesa. — Pelo menos, tenho quase certeza de que não é. — ele acrescentou seriamente.
— Tem de me dar uma explicação melhor do que essa, Draco. E se ele tivesse levado Lily? Jamais me perdoaria se...
— Nem pense nisso! — Draco apertou seu braço. — Eu jamais teria deixado isso acontecer.
Hermione acreditou.
Depois de tudo que acontecera entre eles, do jeito como Draco tinha se mostrado infiel como namorado, Hermione ainda assim acreditou nele implicitamente quando garantiu que manteria Lily segura...
Draco desejava ter tanta certeza disso quanto ela. Antes, porém de descobrir quem era o homem do carro azul e por que ele os seguira quase o dia inteiro, ele realmente não tinha noção de quem devia proteger.
Lily... Ou Hermione?
Lily lhe deu parte da resposta.
— Acho que aquele homem era um de seus fãs, tio Draco. — ela disse.
— Por que acha isso, Lily? — ele perguntou notando que Hermione continuava muito abalada com o ocorrido. Mesmo assim, Draco não podia deixar de admirar o fato de que ela tentava agir como se tudo estivesse normal.
— Ele me perguntou se você era Draco Malfoy. — Lily exclamou alegremente.
Draco, de testa franzida, olhou para Hermione antes de falar.
— E o que você disse, Lily?
— Disse que era. — acenou com a cabeça. — Porque é, não é?
— Sim. — Draco concordou, sorrindo. — É exatamente quem sou, para mal dos meus pecados.
— Depois, ele perguntou o nome de minha mamãe.
— Sua... Mamãe? — Draco repetiu lentamente, com outra olhada para Hermione.
— Mmm — Lily sorriu travessamente. — Eu disse que era Gina. Porque é, não é? — acrescentou, satisfeita.
— Lily...
— Não entende, tio Draco? Aquele homem pensava que titia Hermione fosse a minha mamãe! — e riu da peça que tinha pregado no homem.
Sim, Draco entendia melhor do que Lily, na verdade. Assim como sabia que Hermione entendia também.
— Era um repórter! — Hermione falou pela primeira vez desde que voltaram para a mesa, começando a transformar sua agitação em raiva ao perceber que Lily não corria perigo nenhum. Simplesmente fora usada para fornecer informações ao homem sobre Hermione e Draco.
— Suspeitava que fosse — Draco admitiu muito sério.
Hermione arregalou os olhos.
— Você suspeitava? Ele estava no supermercado hoje de manhã! — ela disse, lembrando que o homem lhe pareceu familiar. Também se lembrou da distração de Draco mais cedo ao observar o repórter entrando no carro!
Apertou a boca.
— Há quanto tempo sabia que ele estava nos seguindo?
— Agora não, Hermione — ele disse rispidamente.
— Mas...
— Disse que agora não. — ele ordenou asperamente. Hermione apertou os lábios enquanto o olhava furiosa por trás dos óculos escuros.
Draco sabia que o homem os seguia. Sabia, droga, e nem tinha lhe avisado.
(...)
— Pelo amor de Deus, acalme-se — disse Draco impacientemente cerca de uma hora mais tarde sentado com ela na areia de uma praia isolada. Lily construía castelos à beira da água.
— Me acalmar?! — repetiu Hermione furiosa encarando-o. — Você sabia que o homem estava nos seguindo. Sabia, Draco, e não me disse nada! — respirava agitadamente.
— Sabia que você reagiria assim. — ele retrucou. — Olhe, não se preocupe, está bem? Vou dar uns telefonemas quando voltar à vila, e...
— Oh, vai dar uns telefonemas. — Hermione repetiu sarcasticamente. — Tudo bem, então. O arrogante Draco Malfoy vai dar "uns telefonemas" e todos podemos dormir sossegados em nossas camas...
— Nem todos, Hermione. — ele a interrompeu. Ela amarrou a cara.
— Não estou disposta a ouvir suas indiretas no momento, Draco.
— Então está disposta a quê? — ele a desafiou baixinho.
Ela arregalou os olhos quando viu a intenção nos dele.
— Nem pense em... — ela se interrompeu abruptamente quando Draco tirou-lhe os óculos escuros antes de sua boca baixar-se violentamente sobre a dela.
Hermione o beijou com violência igual.
Furiosamente.
Todas as emoções das duas últimas horas estavam naquele beijo.
O terror absoluto ao ver aquele homem falando com Lily.
O alívio quando pôde segurar a menina protetoramente.
Em seguida, a raiva ardente, quase intolerável que sentia por Draco por nem dizer a ela que achava que estavam sendo seguidos.
Como ele ousava?
Como ousava?!
Ela afastou violentamente a boca e o empurrou.
— Achei que lhe disse que este... Este tipo de coisa não se repetiria! — ela falou, com raiva.
— E que tipo de coisa seria essa, Hermione? — ele zombou. Hermione respirou com agitação.
— Tenho certeza de que o seu charme letal geralmente silencia as mulheres, Draco. — ela debochou, as faces coradas e os olhos brilhando febrilmente. — Mas...
— Meu charme é realmente letal, Hermione? — ele interrompeu.
— Não para mim. — ela negou, continuando a olhá-lo com fúria.
O sorriso diabólico dele negava isso.
— Todas as evidências indicam o contrário, minha querida Hermione.
— Não sou sua "querida" nada — ela retrucou veementemente. — E não me interessa o que prometeu a Harry ontem. — sacudiu a cabeça. — Agora que sabemos que um repórter nos achou...
— Ou achou você. — ela estreitou os olhos.
— Foi você quem o repórter reconheceu...
— Se ele for mesmo um repórter. — Draco deu de ombros.
— Que seja! — disse Hermione com rispidez. — É você quem ele está seguindo, Draco. O que significa que você tem de ir embora...
— Já lhe disse que não vou a lugar nenhum. — Draco replicou firmemente.
Não tencionara beijar Hermione novamente. Mas não tinha conseguido se controlar. Ela ficava mais linda ao olhá-lo com tanta fúria. Tão desejável.
Hermione tinha razão. Ele devia ir embora. Devia se afastar o máximo possível da tentação que ela ainda — incrivelmente! — representava.
Porém, depois do incidente no restaurante, Draco sabia que tinha ainda mais motivos para ficar. Se o homem que os seguira fosse um paparazzo, não desistiria por ter sido enxotado por Draco. O homem agora sabia exatamente quem Draco era e, apesar do que Lily dissera sobre sua "mamãe", Draco sabia que o homem logo descobriria quem Hermione era também.
E tinha certeza de que Hermione já sabia disso...
Ele retorceu a boca tristemente.
— E só um repórter, Hermione...
— Que logo será seguido por outros! — ela salientou, elevando a voz agitada. — Lily e eu estávamos indo muito bem antes de sua chegada.
— Claro que estavam — Draco disse, sarcástico.
— E isso quer dizer o quê?
Draco percorreu-a lentamente com os olhos.
— Lily é uma grande garota, mas você... Você está magra demais, Hermione. Tem olheiras porque não dorme direito. Está com os nervos à flor da pele. — suspirou desgostoso. — Não diria que isso é "estar indo muito bem", e você?
— Acho que já lhe disse antes que quando quiser saber a sua opinião, eu peço...
— Não, Hermione, vai ouvi-la, querendo ou não! — ele disse vigorosamente sentando na areia ao seu lado para segurar-lhe o queixo e virar o rosto para ele.
— O que aconteceu com a Hermione Granger que conheci e amei?
— Amou, Draco? — ela riu incrédula. — Você nem conhece o significado dessa palavra! — seu olhar o desafiava.
Draco continuou a olhá-la sem palavras por vários segundos antes de soltá-la abruptamente, sabendo que não ia atingi-la desse jeito. Se é que restava alguma coisa da antiga Hermione para atingir...
Hermione o olhava com uma fúria frustrada. Draco não a amou. Se amasse, ela não teria ido à suíte dele naquele dia oito anos atrás e encontrado uma mulher nua em sua cama.
— Esta praia é um pouco diferente daquela em que uma vez andamos à meia-noite, não é? — ele perguntou em voz rouca.
Hermione o olhou cautelosamente, sem saber como reagir a esse comentário.
Sabia exatamente a que praia ele se referia, é claro. Assim como se lembrava com clareza do que aconteceu no final do passeio. Ficou surpreendida por Draco se lembrar, depois de tanto tempo...
— Lembro que destruí um par de sapatos muito bons caminhando sobre pedregulhos e rochas — ela disse calmamente.
— Valeu a pena. — Draco murmurou baixinho. Sim, valeu mesmo, porém...
— Já voltou lá alguma vez? — Draco perguntou.
— Ao Caribe?
Ela apenas ouvira falar inúmeras vezes do Caribe antes de ir para lá durante a filmagem de A Love for All Time. Era o lugar perfeito para a história de amor pós-guerra na qual Draco era o ator principal. Hermione foi a coadjuvante e Pansy Parkinson a atriz principal.
Uma situação que, infelizmente, repetiu-se na vida real.
— Procuro não me recordar de erros passados. — ela disse, com indiferença proposital.
— Fazia um frio danado na praia naquela noite, não fazia? — ele disse, ignorando aquele aparente desinteresse dela no assunto.
Até acharem o modo ideal de se aquecerem...
— Draco...
— A vida parecia bem mais simples naquele tempo, também. — ele continuou, melancolicamente.
Os olhos dela se arregalaram.
— Mais simples?
Ele fez que sim com a cabeça.
— Éramos só você e eu...
— E Pansy. — Hermione disse secamente. — Não esqueçamos a bela e voraz Pansy.
Draco apertou a boca.
— Esqueci dela há muitos anos. — Hermione sorriu com ironia.
— Como é conveniente ter uma memória tão... Complacente.
Ele estreitou os olhos e sua voz ficou gélida.
— Pansy não significou nada para mim.
— Alguma mulher já significou alguma coisa para você, Draco? — Hermione perguntou furiosamente.
Como ele podia ficar ali e alegar que Pansy não significou nada para ele?
A outra mulher estava nua no quarto dele naquele dia, com os cabelos desfeitos e — aquele aspecto — aquele aspecto de satisfação sonolenta por ter feito amor com Draco, que havia visto tantas vezes em seu próprio rosto no espelho.
O olhar dele ficou velado.
— Só uma. — ele murmurou, sua mensagem óbvia enquanto ele a olhava com firmeza.
— Oh, por favor! — Hermione resmungou com repugnância, levantando-se e afastando-se dele. — Não sou mais aquela ingênua de 20 anos, Draco. Então, nem pense em tentar sua rotina de sedução comigo novamente.
— Não é uma rotina, droga...
— Claro que é! — Ela se virou para ele, enraivecida. — Você chegou de lancha em Douglas Bay naquele dia, parecendo um príncipe inglês e estremeceu as bases de todas as mulheres da ilha, inclusive as minhas.
Hermione lembrava como se fosse ontem: estava à janela de seu quarto de hotel observando a chegada de um barco e depois uma lancha deixou o barco, e o homem à roda do leme — em um porte perfeitamente aristocrático — era claramente o lindo e loiro Draco Malfoy.
Hermione caiu de amores pela impetuosidade sombria e vigorosa de Draco antes mesmo de ser apresentada a ele uma hora mais tarde.
E não ia cair novamente.
Nunca.
— Vou nadar — disse abruptamente.
Draco ficou olhando Hermione correr pela areia e mergulhar na água e apertou as mãos ao ver como o branco do biquíni acentuava o bronzeado de sua pele. Pele lisa e sedosa que ele ainda sentia nas palmas das mãos.
Hermione tinha toda razão; não era mais aquela a ingênua de 20 anos. Assim como ele já não era o homem de 22 anos deslumbrado pela beleza dela, assim que a conheceu.
Mas parte dele desejava que ainda fosse...
(...)
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