Notas iniciais
Agora vislumbro o fim!

CAPÍTULO XIII


Draco alcançou Hermione na calçada lá fora tentando pegar um táxi.

— Adiantaria se eu pedisse desculpas?

Hermione virou-se ao ouvir a voz de Draco atrás dela e o olhou furiosamente na semiescuridão.

— Nem um pouco. — ela o informou com frieza antes de se virar para procurar um táxi livre sentindo-se completa­mente cônscia do fato de Draco estar ali ao seu lado.

— Hermione, pelo menos me deixe levá-la em casa...

— E dar-lhe outra chance de me humilhar? — ela disse rispidamente. — Prefiro andar. — e começou a fazer exa­tamente isso.

Draco a acompanhou.

— Hermione, você ainda não comeu quase nada...

— E isso é culpa de quem? — ela o acusou parando de re­pente, fervilhando de raiva. — Saí para jantar com você com­pletamente contra a minha vontade... E olhe como eu estava certa! — Sacudiu a cabeça com impaciência. — Encare, Draco, você e eu não temos absolutamente mais nada para dizer um ao outro.

Draco discordava totalmente; a quantidade de coisas que nunca disseram um ao outro daria para lotar um estádio de futebol. Respirou fundo.

— Antigamente, nos comunicávamos sem palavras...

— É disso que se trata, Draco? — ela o desafiou. — Se tudo que quer é ir para a cama comigo novamente por que não diz? — os seios subiam e desciam, acompanhando sua respiração agitada.

Porque não era tudo que ele queria, droga! Ainda não sa­bia, porém, o que era que queria. Só sabia que agora que estivera com ela novamente, não queria passar mais oito anos sem ver Hermione ou falar com ela.

— E se for? — ele disse, em voz rascante. Ela o fitou por alguns segundos tensos.

— Ótimo — disse finalmente. — Vamos voltar ao meu apartamento e fazer sexo, está bem?

Draco ficou imóvel, franzindo a testa.

Ele desejava mesmo Hermione. Queria fazer amor lenta e ca­rinhosamente com ela. Mas não assim. Nunca assim.

Ela parou alguns metros adiante dele e virou-se para en­cará-lo, as sobrancelhas castanhas erguidas numa interrogação zombeteira.

— Mudou de ideia, Draco? — ela escarneceu.

Ele sacudiu a cabeça.

— Isso não parece você, Hermione.

— Achei que tínhamos concordado que você realmente não me conhece! — ela zombou. — Última chance, Draco — ela acrescentou. — Uma oferta que só se recebe uma vez na vida. — seus olhos cintilavam.

Não de raiva, mas de lágrimas, Draco percebeu, horrori­zado.

Hermione sabia que estava prestes a se descontrolar. Que se essa conversa continuasse por muito tempo ela ia acaba chorando como uma idiota completa. O que era ridículo Era uma mulher de 28 anos, recém-divorciada, pelo amor de Deus! A maioria das mulheres em sua posição ficariam mais do que felizes de ser convidadas para uma noite de sexo descomplicado com Draco Malfoy!

Mas Hermione não era "a maioria das mulheres" e, amando Draco como agora reconhecia que amava, também não seria sexo descomplicado para ela...

— Acabou-se o tempo — ela anunciou com falsa alegria, quando Draco não respondeu à sua oferta. — Teve a sua chan­ce e você... — ela se interrompeu de repente quando Draco se aproximou para envolvê-la nos braços e segurá-la carinhosa­mente, o que a surpreendeu.

Um soluço se prendeu no fundo de sua garganta, en­quanto ela deixava a cabeça cair no ombro de Draco e as lá­grimas começaram a rolar, quentes, pelo seu rosto. Depois, braços a envolveram... Foi quando Hermione começou a soluçar perdidamente.

— Sinto muito, Hermione — ele gemeu entre os cabelos dela. — Sinto tanto!

As desculpas de Draco só a faziam chorar mais forte, lágri­mas profundas e sofridas, que ela não deixara cair durante os últimos dez meses. Provavelmente porque sabia que, quando começasse, não conseguiria parar.

As lágrimas fluíam como um rio agora, encharcando completamente a frente da camisa de Draco, enquanto ele continuava a abraçá-la.

Chorava pela perda de Draco oito anos atrás.

Chorava pelos anos de casamento com Ronald.

Chorava pelo fim daquele casamento.

Chorava pela solidão que estava tão impregnada nela que ameaçava dominá-la por completo.

Mas, finalmente, não havia mais lágrimas e Hermione perce­beu exatamente onde estava — nos braços de quem estava chorando.

Os de Draco Malfoy.

O homem que tinha partido o seu coração tão cruelmente no passado, e tinha, sem querer — sem se importar? — mol­dado aqueles oito anos de separação...

Começou a se libertar dos braços dele, enxugando as lá­grimas ao se endireitar evitando o olhar dele.

— Bem, isso foi um pouco... Embaraçoso, não foi? — deu uma risada insegura, franzindo a testa ao ver seu gloss man­chando a frente da camisa branca de Draco. — Sinto muito por isso. — Tentou, inutilmente, limpar a mancha antes de se afastar. — Se não sair na lavagem, diga-me e lhe darei outra...

— Hermione.

— É de seda, certo? — Hermione continuou. — Mas temo que você tenha de me dizer o seu tamanho. Lembro que uma vez...

— Hermione, pare, por favor — Draco interrompeu-a firme­mente, com a cara amarrada.

Ela o fitou com um olhar cauteloso, os olhos vermelhos e inchados das lágrimas que verteram, as faces manchadas e o nariz ligeiramente vermelho.

Nunca pareceu mais linda para Draco...

Após uma pausa interminável ela finalmente murmurou cautelosamente:

— Caso não tenha percebido, Draco, eu já parei.

Ele sorriu, pesaroso.

— Percebi.

Ela franziu ligeiramente a testa.

— E... ?

— Você realmente precisa comer esta noite. Então, que tal pegarmos comida chinesa a caminho do seu apartamento? — ele deu de ombros. — É o mínimo que posso fazer depois de me comportar tão mal e estragar o seu jantar. — acrescen­tou persuasivamente, quando ela arregalou os olhos. — Po­demos comprar comida só para um, se você preferir. — ele ofereceu, enquanto Hermione o olhava desconfiada.

— Se for uma refeição para dois, o que vai acontecer depois?

Draco apertou a boca.

— Depois, vou embora. — disse brevemente. — Que in­ferno, Hermione, só porque não tenho alguém na minha vida no momento, não significa que passo cada hora acordado ten­tando inventar um jeito de me enfiar na sua cama! — acres­centou, vendo-a hesitar.

Bem, não todas as horas acordado... Mas Draco tinha de admitir — pelo menos para si mesmo! — que não tinha pen­sado em muitas outras coisas desde que chegou à vila dois dias atrás e reencontrou Hermione. Isso tinha piorado depois que tiveram uma noite de amor ardente na véspera.

— Não imaginei que passasse. — ela disse secamente. Ele ergueu as sobrancelhas loiras.

— Não?

— Não.

— Está bem, então. Vamos pegar comida chinesa para um ou para dois?

Ela precisava examinar sua cabeça por cogitar em prolon­gar esta noite com Draco. No entanto, estava pensando nisso...

Sem dúvida, os dois acabariam brigando novamente antes do final da noite. Parecia a única coisa que faziam ultima­mente. No entanto, Hermione sentia certa relutância em dizer um adeus final a ele...

— Comida para dois. — ela decidiu enfim. — Provavelmente vou me arrepender disso também, mas...

— Você nunca soube quando parar de falar. — Draco co­mentou, enquanto iam para o carro.

Ela estreitou os olhos.

— Já estou começando a me arrepender...

— Por favor, apenas entre no carro, Hermione. — ele instruiu, abrindo a porta para ela, sem a menor intenção de discutir antes de comerem.

Sem dúvida, o caso seria outro depois.


(...)

— Então vai voltar a trabalhar, afinal? E no teatro? — Draco não conseguia esconder sua surpresa enquanto os dois, senta­dos no tapete da sala de Hermione, comiam diretamente das caixas e tomavam o vinho tinto que ela havia servido mais cedo.

Ela havia sugerido que esquentassem os pratos e arrumas­sem a mesa, mas Draco vetou a ideia, optando por este jantar mais informal.

— Começo a ensaiar em pouco menos de duas semanas e estreio daqui a três. — Hermione acenou com a cabeça e esticou a mão para pegar um camarão.

Draco se pegou observando-a, enquanto ela levantava os pauzinhos e habilmente jogava a comida na boca.

Ele sempre amara a boca de Hermione. Os lábios polpudos o jeito como se levantavam nos cantos. Sua maciez quando ele os beijava...

— Estou realmente ansiosa para começar. — ela acrescen­tou, antes de lamber o molho daqueles lábios deliciosos.

Draco afastou os olhos sabendo que era só a maneira como estava sentado de pernas cruzadas no tapete que evitava que Hermione visse a reação puramente física dele à provocação de sua boca.

Ele concordou com a cabeça.

— Lembro-me de você dizendo, anos atrás, que o teatro era o seu primeiro amor. Mas é trabalho duro, e rende pouco dinheiro...

— Não estou interessada no dinheiro, Draco. — Hermione virou-se impaciente. — Quero o imediatismo do teatro. O surto de adrenalina a cada noite antes de pisar no palco pela primeira vez. — ela sacudiu cabeça, os olhos brilhando. — Não há nada igual.

Draco viu que para Hermione, não havia mesmo. Ele ainda se lembrava daquele surto de adrenalina também. Só ficou surpreso por, após anos estrelando sucessos de bilheteria cada vez mais populares — e ganhando milhões — ela realmente voltar às exigências cansativas do trabalho teatral, com pouco retorno monetário.

— Talvez eu vá à sua noite de estreia. — ele murmurou.

Hermione lançou a ele um olhar penetrante.

— Por quê?

— Por que não?

De fato, esta hora passada com ele tinha sido muito agradável, depois das últimas 48 horas tensas.

Mas a última coisa que Hermione precisava era saber que Draco estaria na plateia na primeira noite de sua volta ao tea­tro após uma interrupção de quase oito anos.

E se ela estivesse péssima?

Fazer filmes era totalmente diferente de trabalhar no pal­co e Hermione já estava nervosa o bastante, sem a pressão adi­cional de saber que Draco estaria na plateia, observando-a.

— Prefiro que não vá, Draco.

Ele franziu a testa, irritado.

— E por que diabos não? — perguntou asperamente.

— Por que você se incomodaria? Só pelo prazer de me ver quebrar a cara?

— Isso é uma tremenda injustiça, Hermione, e você sabe dis­so! — Draco protestou.

— Não, não sei, Draco — Hermione sacudiu a cabeça. — Não somos mais realmente amigos, então por que diabos você ia querer estar no teatro na minha noite de estreia?

Os olhos dele estavam gélidos.

— E se eu apenas quisesse desejar-lhe sucesso?

— Um ramo de flores já seria suficiente, não acha?

Não, Draco não achava. Droga, ele queria vir a Londres dali a três semanas e assistir à sua estreia.

Ela parecia ter 18 anos novamente, o rosto quase sem maquiagem, com os cabelos presos por uma tira no alto da cabeça, deixando nu e vulnerável seu pescoço gracioso.

A raiva de Draco dissipou-se tão depressa como surgiu.

— As rosas amarelas ainda são as suas flores prediletas? — ele perguntou rouco.

Hermione o olhou, espantada.

— Eu... Sim. Sim, são ainda.

Ele retorceu a boca, zombando de si mesmo.

— Pensou que me esqueci.

— Eu... — ela se interrompeu para umedecer os lábios com a ponta da língua.

— Já faz oito anos, Draco — salientou.

Oito ou oitenta, Draco jamais se esqueceria de qualquer deta­lhe que esta mulher gostasse ou não. Tanto na cama, como fora dela.

Ela sorriu provocante.

— Muitas outras mulheres passaram por sua...

— Hermione. — Draco a advertiu rispidamente.

— ...Vida, desde então — ela continuou. Draco aprisionou o olhar dela.

— E eu não saberia lhe dizer qual a flor preferida de ne­nhuma delas. — ele confessou baixinho.

Hermione pestanejou, completamente desorientada pela ma­neira como a atmosfera entre eles se modificara passando de raiva para tensão sensual.

Ela sacudiu a cabeça molhando os lábios nervosamente.

— Não faça isso, Hermione! — Draco gemeu.

— Não faça o quê? — ela mal respirava, enquanto a cabe­ça de Draco se encaixava lentamente sobre a sua.

— Isso... — ele murmurou, enrouquecido, enquanto a lín­gua acariciava suavemente os lábios dela, leve, eroticamente, provocando nela um calor bem no fundo do ventre enquanto Draco prosseguia com a carícia.

Hermione fechou os olhos, entregando-se àquele ardor que se espalhava até as coxas e fazia os seios intumescerem e latejarem, enquanto a língua de Draco mergulhava, tentadora, em seus lábios entreabertos.

Ela gemeu baixinho, lá no fundo da garganta, enquanto os lábios de Draco lentamente sorviam e saboreavam os seus e ele a puxava mais para perto de seu peito rijo. As mãos de Hermione se ergueram por vontade própria para poderem emara­nhar os dedos nos cabelos fartos de Draco, enquanto ele apro­fundava o beijo com voracidade.

Draco não fazia ideia de quanto tempo ele e Hermione ficaram se beijando profundamente, avidamente, os seios dela aper­tados contra ele, enquanto uma de suas mãos movia-se sob a maciez do suéter para acariciar-lhe as costas, a pele como seda aveludada sob o seu toque.

Isso, porém, não era o bastante; ele precisava beijar aquela pele aveludada, queria espalmar-lhe os seios e ado­rá-los com os lábios e a língua até ouvir aqueles ruídos na garganta de Hermione que lhe diziam que ela estava prestes a explodir.

Droga... Desejava ter naquele momento as pétalas de dú­zias de rosas amarelas para espalhar no tapete antes de deitar o corpo nu de Hermione nele, separando-lhe as pernas e mergu­lhando sua ereção latejante dentro daquela umidade quente.

Em vez disso, porém, quando Draco tentava se deitar com ela no tapete, viu-se cercado pelo cheiro e pelas caixas de sobras de comida chinesa.

Interrompeu o beijo e levantou a cabeça vendo as caixi­nhas ofensivas.

— Droga! — resmungou, frustrado.

— Acho que chow mein de frango não é tão atraente quanto chantilly, não é?

Draco virou-se devagar e olhou para Hermione, curvando a boca num sorriso ao ver o brilho cheio de senso de humor nos olhos dela.

— Acho que podemos tentar...

— Não, não podemos! — Hermione protestou, rindo, virando-se de lado para se afastar da comida e levando Draco consigo de modo que agora estava deitada sobre o peito dele. — Isto é nojento! — Ela estremeceu só de pensar naquele macarrão frio contra a pele, ficando séria ao olhar para baixo e ver Draco, cujos olhos ardiam de desejo. — Não estou certa de que isto seja uma boa ideia, Draco — ela sussurrou.

Ele ergueu a mão e a espalmou sobre o seu rosto, enquan­to o polegar acariciava-lhe o lábio inferior.

— Viva corajosamente — ele a incentivou.

Isso talvez também não fosse uma boa ideia quando já havia passado os últimos oito anos vivendo com as consequências da última vez em que tinha agido impulsivamente.

— Hermione, você pensa demais... — Draco gemeu, vendo a incerteza evidente dela.

— Primeiro falo demais, agora penso demais também...?

— Às vezes é isso mesmo, sim...

— Bem, um de nós precisa pensar, não acha? — ela per­guntou.

— Você está deliberadamente tentando provocar uma dis­cussão. — ele disse devagar. — Por que será, Hermione? Por que precisa distanciar-me de você?

— Você não está nada distante neste momento. — os seios de Hermione estavam apertados contra o peito de Draco, as pernas estiradas entre as suas, com a rigidez da ereção dele empurrando suas coxas ardentes...

Mas o momento tinha passado, juntamente com o elo tênue entre eles que temporariamente permitira que Hermione es­quecesse todas as razões pelas quais não devia se abandonar ali assim com Draco.

— Não estou tentando provocar uma discussão. — ela ro­lou para longe dele e sentou-se com os braços em volta dos joelhos dobrados. — Só não quero cometer outro erro em relação a você. — ela explicou.

Draco sentou-se devagar, os olhos prendendo os dela.

— Não acho que fomos um erro da primeira vez.

Ela deu de ombros.

— Você tem o direito à sua opinião, é claro.

Ele estreitou os olhos.

— Exatamente por que você terminou tudo entre nós, Hermione?

Ela sacudiu a cabeça, impaciente.

— Não é um pouco tarde para nós dois termos esta conversa?

— Pelo contrário, acho que ainda é tempo. — ele argumentou secamente.

Ela suspirou.

— Você sabe exatamente por que parei de sair com você.

— Queria se casar com Weasley...

— Você e eu tínhamos nos separado antes de eu sequer sair para jantar com ele! — ela se defendeu calorosamente.

— Você rompeu comigo na hora do almoço e saiu com Weasley naquela mesma noite! — Draco elevou a voz também. — Fui fazer compras pela manhã e, quando nos encontramos para almoçar, você disse que não queria mais me ver, precisava ficar livre para se concentrar na carreira! — fechou a cara. — Considerando que saiu com Weasley naquela mesma noite, ficou noiva dele três dias depois e casou-se três sema­nas mais tarde, sua concentração deve ter sido incrível! — Hermione ofegou com o insulto.

— Não tente virar isso contra mim, Draco.

— E a quem mais devo culpar?

— Se eu fosse você, tentaria examinar seu caso com Pansy Parkinson! — ela o acusou, levantando-se para andar para de um lado para o outro, agitada. — Você até passou a tarde do meu casamento na cama com ela!

Draco amarrou a cara sombriamente.

— Bem, é claro que não iria ao seu casamento para dese­jar-lhe felicidades... — interrompeu-se para olhá-la atenta­mente. — Como diabos soube como passei aquela tarde?

Hermione olhou-o furiosamente.

— Como acha que eu soube?

— Não faço ideia... — parou e olhou-a incredulamente. — Pansy contou a você?

Hermione concordou num gesto da cabeça.

— Foi a desculpa dela quando chegou atrasada e desgrenhada na recepção do casamento.

Draco sacudiu a cabeça.

— Não posso acreditar que ela... Por que diabos faria isso?

Pela mesma razão por que dissera a Hermione, três semanas antes, que ela e Draco tinham um caso já fazia tempo: porque era verdade!

Na manhã em que Draco alegava ter saído para fazer com­pras, Hermione havia terminado a filmagem cedo e resolveu ir para a suíte de Draco no hotel, levando um choque quando porta foi aberta por Pansy Parkinson, completamente nua, descabelada, com a cama desarrumada atrás dela. A comi­seração de Pansy tinha sido insuportável enquanto con­tava a Hermione que Draco queria falar com ela sobre os dois, mas que, sabendo que Hermione se achava apaixonada, estava preocupado com a reação dela, temendo que fizesse algu­ma tolice.

Hermione tinha resolvido poupá-lo desse problema, rompen­do com ele, por si mesma.

Calmamente.

Friamente.

E depois fez uma estupidez completa!

Fazia semanas que Ronald convidava Hermione para jantar com ele, e, quando convidou Hermione novamente naquela noi­te, ela aceitou. Ainda naquele estado de espírito exaltado de "vou mostrar a Draco", também aceitou a proposta de casa­mento precipitada três dias mais tarde...

Hermione agora franzia a testa.

— Eu realmente prefiro não continuar falando em seu caso com Pansy, Draco...

— Não houve nenhum caso com Pansy, droga! — ele disse asperamente. — De fato, passei a tarde de seu casa­mento na cama com Pansy, mas foi a primeira e última vez...

— Estava acontecendo semanas antes do meu casamento! — Hermione o acusou, elevando a voz agitadamente.

— O quê? Hermione, não tive nenhum caso com Pansy Parkinson antes de seu casamento! — Draco fechou a cara.

— Ela contou uma história completamente diferente.

O olhar de Draco agora estava incerto.

— Contou?

— É! Agora quer, sair, por favor, Draco? — ela pediu tensamente. — Essa conversa toda está me dando dor de cabeça.

Draco a olhou intensamente. A testa franzida, a tensão re­fletida naqueles olhos castanho-escuros, o rosto abatido e pálido e a linha fina e infeliz da boca, tudo isso confirmava que ela realmente estava com dor de cabeça.

Mas ele não podia deixar isso como estava.

— Hermione, tem de acreditar em mim...

— Draco, não tenho de fazer nada quando se trata de você — ela o interrompeu. — É minha política jamais fa­lar no passado. — acrescentou firme, quando ele tentou falar novamente. — Isso não leva a nada senão a abrir ve­lhas feridas...

— E se essas feridas nunca tivessem se fechado? — ele perguntou.

Ela sorriu, zombeteira.

— Sinto muito desapontá-lo, Draco, mas me curei de você há muito tempo.

— Não me referia às suas feridas, Hermione...

Hermione ficou imóvel e agora olhava atentamente para Draco.

Ele parecia sério e determinado, com uma impaciência subjacente — certamente não parecia nem um pouco tão de­solado ou de coração partido quanto ela sentiu naquela ma­nhã oito anos atrás quando descobriu que ele estava tendo um caso com Pansy Parkinson.

E toda a conversa do mundo não poderia mudar isso.

— É tarde demais para falarmos nisso, Draco — ela in­sistiu. — Agora tenho minha própria vida e você tem a sua e nossas vidas não têm nada em comum. — ela disse, com muita firmeza.

— Ainda nos desejamos...

— Está falando em sexo novamente, Draco. — Hermione o in­terrompeu. — E admito que a atração sexual ainda existe. — ela concordou. — Mas a verdade é que não quero nenhum tipo de relacionamento em minha vida agora, sexual ou qual­quer outro — ela acrescentou friamente.

A certeza absoluta em seu tom revelava a Draco que ela estava convicta do que dizia.

E isso o deixava precisamente ande?

Em relação a Hermione, obviamente em lugar nenhum.

Porém, não significava que Draco não descobriria exata­mente o que acontecera com eles no passado. Porque essa conversa com Hermione definitivamente lhe dizia que havia coi­sas sobre aquela época que ele desconhecia. Não que isso fosse mudar o que Hermione sentia por ele agora, mas ele queria — não, precisava! — saber, droga! Respirou fundo.

— Então, isso é um adeus, Hermione.

— Parece que sim — ela disse brevemente.

Ele sorriu, pesaroso.

— Amigos geralmente se beijam na despedida.

Hermione sorriu, tensa.

— Achava que acabamos de concordar que nós dois ja­mais poderemos ser amigos.

Draco sacudiu a cabeça.

— Você não pode pensar seriamente que pretendo nunca mais vê-la de novo. — só de pensar nisso ele sentia um nó no coração.

Ela sorriu forçado.

— Você sobreviveu sem me ver por oito anos, Draco. Como acha que conseguimos isso, afinal? — ela refletiu. — Quan­do ambos morávamos em Los Angeles e frequentávamos o mesmo grupo de atores amigos e conhecidos?

Draco sabia exatamente como tinha evitado qualquer en­contro — sempre que sabia que Hermione e Ronald estariam numa festa ou numa premiação, ele evitava comparecer, pois a ideia de vê-los juntos o deixava nauseado.

— Inacreditável, não é? — ele reconheceu secamente. Um milagre, Hermione pensava.

Tinha passado o primeiro ano do casamento com Ronald tremendo de medo de, acidentalmente, se encontrar frente a frente com Draco. Mas quando meses e, depois anos passa­ram sem um reencontro, ela havia tirado isso da cabeça.

Só para reencontrá-lo oito anos depois, numa vila no sul da França.

— Incrível — ela repetiu e depois deu um olhar sugestivo para Draco.

Ele acenou com a cabeça.

— É hora de eu ir. — ele disse. — Mas tenho certeza de que não vão se passar mais oito anos antes de nos encontrar­mos novamente, Hermione. — ele prometeu enrouquecido.

Ela olhou para Draco espantada.

— Tem?

Draco deu de ombros.

— Se não antes, certamente vamos nos encontrar no bati­zado de Alvo e James.

— É claro — ela reconheceu formalmente. — Vou acom­panhá-lo até a porta.

Draco parou à porta.

— Realmente foi bom revê-la, Hermione.

— Claro que foi. — ela replicou secamente. Ele retorceu a boca.

— O cinismo não lhe fica bem. — ela deu de ombros.

— É um pouco difícil ser diferente, quando... Esqueça — ela disse alegremente. — Tenha um bom voo de retorno para Cannes amanhã. — acrescentou cortesmente.

Draco não tinha a menor intenção de voltar a Cannes no dia seguinte. Não quando Pansy Parkinson, a pessoa com quem estava determinado a falar, estava em Los Angeles.

— Obrigado. — Draco disse, reservadamente.

— De nada.

— Hermione...

— Tenho certeza de que você geralmente não leva tanto tempo para se despedir, Draco! — Hermione disse rispidamente já com os nervos à flor da pele.

Esta noite já havia sido bastante difícil sem a tensão adi­cional deste adeus demorado.

— Não. — ele admitiu. — Mas isso não é realmente um adeus, Hermione. — disse, passando um dedo pelo rosto dela an­tes de finalmente ir.

Hermione fechou depressa a porta antes de se recostar nela, enfraquecida.

Aceitava o fato de que não havia jeito de escapar de ser madrinha dos sobrinhos sem magoar Gina e Harry. Nem podia esperar que Draco mudasse de ideia quanto a ser padrinho dos garotos também. Mas o batizado seria dali a semanas, talvez meses. — tempo bastante para Hermione reconstruir suas defesas contra Draco que agora estavam em ruínas.

Assim esperava...



Notas finais
Beijos!