Challenge Of Passion

10 Capítulo X - Irresistivelmente


Notas iniciais
Mais um! E depois só mais um. Ah, não sei se falei mas a fic é móh curtinha, então daqui a pouco a bichinha acaba!

CAPÍTULO X

Que diabos acha que está fazendo?

Hermione estava sentada na cama lendo — ou fingindo que lia — quando Draco irrompeu inesperadamente em seu quar­to. Uma olhada rápida no relógio de pulso mostrou que pas­sara da meia hora desde que ele dissera estar esperando por ela no terraço.

Ela havia pensado em se deitar na cama, apagar a luz e fingir que estava dormindo quando ele viesse à sua procura — como sabia que viria — mas resolveu que seria muita falta de dignidade; Draco não era o tipo de homem de se virar e sair novamente e era mais do que capaz de acen­der a luz antes de arrancá-la da cama com ela chutando e gritando.

Então, tinha removido a maquiagem e tomado um banho de chuveiro antes de vestir uma camisola de seda diáfana, com apenas uma tira de renda sobre os seios evitando que fosse completamente transparente. Depois, tinha ficado diante do espelho, escovando os cabelos até se espalharem, brilhantes e agora lisos, sobre os ombros e costas abaixo.

Suas armas de guerra, ela decidiu zangada, ao arrumar os travesseiros antes de ficar sentada na cama esperando cada vez mais tensa.

No entanto, ela não parecia tensa quando olhou para Draco, que estava à porta, olhando-a furiosamente. Já não vestia mais o paletó do terno nem a gravata, e os dois primeiros bo­tões da camisa estavam abertos, revelando os pelos dourados e sedosos do peito.

Hermione reprimiu um arrepio íntimo ao reconhecer como ele parecia sombrio e perigoso. Mas sorriu alegre e interrogativamente.

— Estou lendo um livro, naturalmente.

Cada vez mais carrancudo, entrou no quarto com movi­mentos predatórios antes de estacar ao lado da cama.

— Fiquei esperando lá fora por mais de meia hora — ele rosnou.

Hermione quase podia sentir aquela raiva, e soube, pelo nervo que pulsava no maxilar cerrado dele, que a raiva estava mui­to perto da superfície.

Ela deu de ombros e deixou o livro de lado, na cama.

— Decidi que estava cansada demais para continuarmos conversando hoje à noite, Draco.

— Você...! — Draco interrompeu o que ia dizer e respirou fundo para se controlar. Como o seu pai, Draco tinha um temperamento volátil. Temperamento que quase sem­pre mantinha sob controle. Só Hermione, tinha o poder de esticar esse controle até o limite.

Ele pegou o livro cuidadosamente e o colocou na mesinha de cabeceira antes de se sentar na beirada da cama.

— Ambos sabemos que conversar era a última coisa que eu tinha em mente quando pedi que me encontrasse lá fora — ele disse baixinho.

— É mesmo? — ela continuou a olhá-lo sem pestanejar.

— É — ele admitiu agradavelmente. — Bom esse livro?

— Muito bom — ela confirmou lentamente, não tão sere­na agora. Draco viu sua testa se franzir de leve.

— Sobre o que é? — Draco esticou a mão e pegou o livro para poder ler a capa de trás. — Estranho... — ele disse, botan­do o livro de volta. — Jamais diria que você gosta de livros sobre assassinatos.

Ela sorriu.

— Este é sobre uma mulher que mata o marido quando descobre que ele a traía.

— Hum. Interessante. — Draco comentou calmo, prendendo o olhar dela no seu. — Mas aposto que ela é presa no final. Todos são.

— Nem todos — respondeu Hermione secamente. — Se não se importar, Draco...? Estou mesmo muito cansada — ergueu uma sobrancelha castanha.

Draco queria agarrá-la pelos ombros e sacudi-la. Qualquer coisa que provocasse uma faísca de emoção! Ele tinha fica­do mais irritado a cada minuto que se passava quando estava lá fora esperando por ela, sabendo que mais cedo Hermione o desejara tanto quanto ele a ela.

Ao olhá-la agora, porém, não viu nada daquela mulher suavemente desejável que ele beijava fazia tão pouco tempo. Em vez disso, via uma mulher cujas barreiras estavam im­plantadas tão firmemente que era impossível saber o que se passava em sua cabeça. Ele estreitou os olhos.

— Ver Weasley novamente hoje reacendeu em você uma centelha de emoção por ele? Foi isso?

Ela piscou, espantada.

— Está sendo completamente ridículo, Draco — deu uma olhada intencional. — Agora, se não se importa, pode sair? Estou realmente muito cansada...

— Hermione — Draco pronunciou seu nome baixinho, mas foi o bastante para silenciá-la.

O olhar de Hermione ficou incerto quando ela se conscienti­zou de como era perigoso ficarem juntos no seu quarto.

Muito perigoso.

Não que ela achasse, nem por um instante que Draco usa­ria de força para conseguir o que queria. E por que deveria, quando sabia que bastava tocá-la para provocar nela uma reação apaixonada?

Talvez ela devesse ter apagado a luz e fingido que estava dormindo, afinal.

— Ronald e eu estamos divorciados, Draco — ela lem­brou-lhe.

— Isso não significa que não possa ainda estar apaixona­da por ele.

Ela suspirou.

— Você obviamente não me conhece bem se acredita nis­so. Mas você nunca me conheceu bem, não é?

— Pensei que conhecesse — ele murmurou.

Os olhos dela lampejaram.

— E pensou errado, não é?

Sim, realmente estava errado sobre Hermione oito anos atrás, Draco reconheceu sombriamente. Tão errado.

Naquele tempo. E agora...

Levantou-se abruptamente.

— Tem razão, Hermione. Isso foi uma péssima ideia. Vou dei­xá-la voltar a ler o seu livro.

— Obrigada — ela disse rispidamente.

Draco parou para olhá-la da porta com um sorriso autocrítico.

— Provavelmente deveria agradecê-la por me impedir de cometer mais um erro em relação a você. — porém a ânsia em seu corpo lhe dizia que gratidão era a última coisa que realmente sentia...

Os olhos de Hermione cintilaram sombriamente.

— Faço de conta que agradeceu.

— Boa noite, Hermione.

— Boa noite, Draco.

Draco deu-lhe um último olhar demorado antes de sair do quarto e da vila, saindo da casa e respirando fundo o ar per­fumado da noite, os olhos atraídos para a piscina cuja água convidativa refletia tremulamente o luar.

Ele nem hesitou arrancando a roupa ao chegar ao terraço inferior, antes de mergulhar na água refrescante.

(...)

Hermione percebeu, entorpecida, que estava chorando. Lá­grimas que queimavam a pele ao escorrerem pelo rosto pálido.

Enxugou as lágrimas impaciente, saindo da cama, inquie­ta demais para sequer pensar em dormir, andando para cima e para baixo, confinada no quarto.

Tinha de sair dali.

Precisava de ar.

De um espaço para respirar.

A vila estava escura, em silêncio absoluto, enquanto ela passava pela sala e saía para o terraço onde o silêncio era rompido pelo coaxar de centenas de sapos.

De alguma forma, aquele som familiar acalmou-a e ela sorria ao descer os degraus para o terraço inferior, onde o coaxar dos sapos era ainda mais alto.

Draco boiava na parte rasa da piscina, observando Hermione se aproximando. Parecia quase fantasmagórica ao luar, com os pés descalços, a camisola transparente contra a nudez do seu corpo, o rosto oval pálido contrastando com o cabelo castanho.

Não havia dúvida de que ignorava a presença dele na água quando com um sorriso, ela esticou os braços e virou o rosto para o luar, os cílios compridos sombreando o rosto quando ela baixou as pálpebras.

Era Afrodite.

A deusa do amor.

Draco ficou sem ar ao olhá-la, vendo os seios empinados sob o tecido transparente da camisola, a cintura estreita, quadris suavemente recurvados, um triângulo visível entre as coxas.

O corpo enrijeceu, reagindo àquela beleza, sua resolução anterior desmanchando-se em pó e ele soube que, apesar de tudo, ainda queria fazer amor com ela.

Hermione levantou as pálpebras ao ouvir outro ruído além do coaxar dos sapos e virou-se lentamente para a origem do ru­mor arregalando os olhos ao ver Draco saindo vagarosamente da piscina.

Um Draco completamente nu, com água escorrendo pelo corpo, com uma ereção evidente caminhando devagar para ela. O olhar dele prendia o seu enquanto a tomava nos braços. Depois, ele baixou a cabeça e sua boca apossou-se da dela.

Beijaram-se avidamente, profundamente, lábios e línguas buscando-se, sorvendo, devorando, enquanto os dedos de Hermione se enredavam no dourado sedoso dos cabelos de Draco suas pernas se entrelaçando, seus corpos se apertando.

Hermione gemeu ao sentir Draco arriar as alcinhas da camisola Sentiu a mão fria dele contra sua carne ardente e arqueou as costas num convite quando, como descreveu naquela tarde, ele segurou um de seus seios para acariciar com o polegar macio o mamilo eriçado, inundando-a com um calor que a percorria da cabeça aos pés.

Draco beijava-a demoradamente nos lábios, saboreando-a, sua mão ainda acariciando-a quando levantou a cabeça para olhá-la. Os olhos dela estavam semicerrados, a respiração suave e leve, um ligeiro rosado nas bochechas.

O olhar de Draco escureceu quando ele o baixou até onde a mão a segurava, vendo o arredondado perfeito dos seios nus com bicos rosados, cheios e apertados ao se empinarem para ele num convite tentador.

Draco abaixou a cabeça para passar a língua úmida em vol­ta dos mamilos excitados, fechando os lábios sobre o bico rosado e sugando forte ao ouvi-la gemer. Acariciou-o com a língua, enquanto os dedos continuavam excitando o outro bico rosado.

Depois, posicionou as mãos em torno daquela cintura fina, ergueu Hermione e puxou-a por cima dele para se deliciar com aqueles seios, lambendo, sugando, sentindo os espas­mos sacudindo o corpo enquanto mordiscava delicadamente aquela carne excitada antes de, mais uma vez, sugá-la fundo para dentro do calor de sua boca.

Tirou uma das mãos da cintura de Hermione para erguer a camisola acima das pernas e coxas lisas, buscando e final­mente achando o centro da excitação dela.

Hermione já estava úmida, as coxas se separando para que a tocasse ali, afagando e acariciando-a antes de sua mão descer mais e ele sondar delicadamente a umidade com um dedo, depois dois, penetrando-a, apossando-se dela ao sentir a umidade crescente contra suas estocadas rápidas e fortes.

Ele deu um último beijo demorado no mamilo rijo antes de se abaixar, ajoelhando-se a seus pés enquanto os lábios e a língua percorriam a brancura sedosa de sua cintura e de seu ventre, sondando levemente o umbigo antes de se abaixarem mais ainda. Os quadris de Hermione se arquearam numa súplica muda, quando a língua de Draco moveu-se di­retamente contra o botão duro aninhado entre a pele lisa e sedosa do vértice entre as suas pernas e ele sentiu sua reação, sa­boreando-a, sugando aquele botão dentro da boca até Hermione ofegar.

Hermione estava perdida.

Estava perdida desde o instante em que a boca de Draco tinha tocado seus lábios, suas mãos a acariciaram, aquelas mãos e aqueles lábios hábeis que agora a levavam ardentemente, impiedosamente, a um clímax que a dominou tão depressa, tão violentamente, que ela só conseguia se agarrar aos ombros dele, entregue, quando o prazer começou bem dentro dela, sua respiração agora um arfar débil e soluçante. O prazer cresceu, aumentou, consumindo-a, atirando-a num turbilhão de sensações que pareciam intermináveis enquan­to Draco continuava sugando e sua língua a acariciava com avidez e voracidade.

Os seus dedos agarravam os cabelos dele, prendendo-o a ela, enquanto ela gemia o seu nome chegando ao ápice e ele esgotava cada vestígio de prazer do corpo dela inteiramente submisso.

Hermione queria ainda mais, ansiava por mais, queria sentir aquele prazer de novo, tanto quanto precisava de Draco enter­rado bem fundo nela, e gemeu de desapontamento quando ele se levantou e se afastou. Draco não podia deixá-la agora.

Esticou a mão, vendo os olhos de Draco se fecharem quan­do seus dedos se apertaram em torno dele. Ele parecia aço envolto em veludo, e ela percorreu os dedos por todo o seu comprimento, a outra mão envolvendo e segurando-o, acariciando-o ritmicamente, ouvindo os gemidos de Draco, en­quanto os lábios dela faziam uma trilha úmida em seu peito, descendo para o centro da excitação dele.

Os joelhos de Draco quase cederam quando Hermione se ajoe­lhou diante dele e ele sentiu aqueles lábios se fecharem em sua volta antes de ela, muito lentamente, puxá-lo bem fundo no calor úmido da boca, e apertou forte os ombros dela enquanto ela aumentava o ritmo da tortura lenta tomando-o profundamente, para depois afastá-la, ao sentir que se descontrolava.

— Ainda não, Hermione — ele murmurou rouco, enquanto a erguia e a afastava de si.

Não por não gostar daquela boca ou daquela língua aveludada e acariciante afagando e saboreando toda a sua ereção. Na verdade, gostava demais, e corria o perigo de se soltar e se derramar como um menino inexperiente. E ainda não tinha se saciado de Hermione. Não a tinha tocado, beijado, acariciado o bastante para satisfazer oito anos de desejo ávido reprimido.

Ela ficou imóvel enquanto Draco arriava completamente sua camisola, deixando-a cair aos seus pés, os seios peque­nos e firmes quando ele baixou a cabeça e beijou-os lentamente, um por um, antes de afastá-la de si para olhar delicado a nudez. Era a mulher mais linda que já conhecera. Tão delicada e, no entanto, tão completa e perfeitamente feminina, a pele macia e sedosa cor de magnólia, com aqueles seios de bicos rosados tão empinados que ele sentia desejo só de olhá-los.

Draco ergueu-a nos braços e sentou-se na espreguiçadeira com as pernas em volta dele e o calor entre aquelas coxas tentando-o, enquanto sua ereção rija movia-se, irrequieta, contra tamanho calor.

— Ponha-me dentro de você, Hermione — Draco gemeu. — Bem, bem fundo!

— Logo — Hermione prometeu, esfregando-se nele, molhando-o, dando prazer a ambos, juntando sua excitação à dele, os mamilos ansiosos acariciando os pelos macios do peito de Draco enquanto ela se aproximava de outro clímax.

A mão de Draco moveu-se entre eles, e ela gemeu alto quando ele encontrou o botão endurecido, escorregando sua­vemente os dedos para dentro com estocadas cada vez mais fortes e rápidas. Hermione quase soluçou de prazer quando atin­giu o clímax, repetidamente.

— Agora, Draco — ela gemeu. — Quero você dentro de mim agora! — ela implorou, erguendo-se ligeiramente para tomá-lo na mão e esfregar a ponta do membro rijo contra sua umidade, ouvindo os gemidos de Draco enquanto excita­va a ambos até não aguentarem mais. Ela se abriu para ele, tomando-o dentro dela lentamente, o olhar prendendo o dele enquanto a penetrava a cada centímetro de puro prazer.

Draco sentia-se quase enlouquecer enquanto Hermione lenta­mente envolvia com o corpo sua ereção intumescida. Sentiu os tremores do clímax recente dela, e ansiava por mergulhar bem fundo nela, forte e rapidamente, sentindo a necessidade ardente de se liberar, mas, ao mesmo tempo, querendo prolongar aquele momento para sempre.

Ele gemeu, fechando os olhos de novo quando Hermione começou a cavalgá-lo lentamente, com os joelhos apoia­dos na espreguiçadeira para poder elevar o corpo até quase a ponta do membro de Draco, para depois mergulhar outra vez. De novo. E de novo. Cavalgando-o cada vez mais de­pressa. Mais forte. Os quadris dando estocadas, afogando-o em sensações até ele sentir a primeira onda de sua libe­ração. Então suas mãos se moveram instintivamente para os quadris dela, agarrando-a, prendendo-a enquanto ele mergulhava numa fúria cada vez maior fazendo com que Hermione não resistisse à sensação de ser invadida tão ferozmente pelo loiro e mais uma vez ela gozou. A sua intimidade apertando o membro rígido de Draco, fazendo-o ter um nível maior de prazer quando sentiu os espasmos de Hermione em torno de si, e ele golpeou-a mais forte, impacientemente até cair para trás, enfraquecido, enquanto ela continuava a sugar cada gota de seu corpo.

A neblina do desejo se dissipava e o ar frio da noite es­friava o calor ardente no corpo de Hermione. E ela gemeu bai­xinho quando percebeu exatamente o que tinham acabado de fazer.

Isso não era real, ela reconheceu dolorosamente. Essa loucura com Draco, aquela intimidade entre os dois, isso não era real. Nunca havia sido...

— Hermione...? — Draco perguntou, rouco, ao sentir que ela se retraía.

Isso não era real, ela disse a si mesma novamente, e co­meçou a tremer. Sacudiu a cabeça.

— Nunca mais poderemos fazer isso novamente, Draco — sua voz tremia, emocionada.

— Por que diabos não? — ele perguntou, desapontado.

— Eu... Nós não podemos! — Hermione gritou, nem sabendo como ia escapar disso com dignidade.

Minutos antes, estava em êxtase, completamente enlouquecida, mas agora via isso tal como era. Uma atração pu­ramente física — pelo menos para Draco. Hermione temia muito que, para ela— como há oito anos — era algo completa­mente diferente.

Ela fitou Draco, arregalando os olhos horrorizada ao per­ceber que, apesar de tudo, ainda era apaixonada por ele.

Será que algum dia tinha deixado de amá-lo?

Não, não tinha, Hermione reconheceu desanimada. Draco tinha sido seu primeiro amor, e também o último. Mas ele não pôde retribuir o seu amor quando estavam juntos antes e também não era amor que Draco sentia por ela agora. Tinha cometido muitos erros na vida, mas não ia cometer o maior deles agora, iludindo-se ao pensar que poderia ser diferente.

Levantou-se e se afastou dele, virando-se para pegar a camisola.

— Acho que é hora de eu voltar lá para dentro. Sozinha. — ela acrescentou abruptamente.

— Hermione? — Draco levantou-se, esticou a mão e agarrou o seu braço, virando-a para encará-lo enquanto a examinava minuciosamente.

Que diabos tinha acabado de acontecer?

Minutos atrás, sentia que Hermione estava tão louca para fa­zer amor quanto ele e agora ela simplesmente ia embora? Draco sacudiu a cabeça, confuso.

— O que está acontecendo, Hermione? Por que estava tão ar­dente, tão louca num minuto e depois voltou a ser a donzela de gelo outra vez? Fui só um sexo rápido para você? É isso?

Ela franziu a testa, magoada.

— Não foi assim...

— A mim, parece exatamente isso — ele disse, em voz rascante.

Ela deu de ombros.

— Eu... Fiquei curiosa, só isso.

— Você ficou curiosa! — ele repetiu, num tom perigoso. Ela concordou com a cabeça.

— Para ver se aquela atração física realmente ainda existia.

Draco estreitou os olhos perigosamente.

— E?

— Obviamente ainda existe — ela admitiu, em voz seca. — Mas isso não significa que tenhamos de fazer algo mais sobre isso.

Ele retorceu a boca ironicamente.

— Já satisfez a sua curiosidade. É isso?

— Eu... Foi um erro. Um erro que seria melhor não repe­tirmos, não acha? — seu rosto parecia muito mais pálido ao luar.

Não, Draco certamente não achava! Nem podia acreditar que Hermione estava descartando o que acontecera tão calmamente como ela queria que acreditasse. Simplesmente não tinha a menor ideia do motivo de ela estar agindo assim. Com qualquer outra mulher, diria que estava fugindo, assustada, da profundidade da reação química de­les, mas sabia que não podia ser isso, pois sempre tinha sido assim entre eles. Desde sua primeira noite juntos, a paixão deles tinha sido descontrolada assim.

— Não, não acho que foi um erro e também não é o que você realmente acredita, Hermione — ele disse rispidamente.

Por um instante, ela pareceu surpresa, e depois deu uma risada incrédula.

— É estranho, Draco, eu realmente não ligo a mínima para o que você acha.

— Não?

— Não. — ela insistiu, enquanto calmamente vestia a camisola. — É apenas sua própria arrogância que o faz dizer o contrário.

— Você... — Draco reprimiu uma imprecação. — Está brincando com fogo, Hermione. — ele avisou asperamente.

— Mas é justamente isso, Draco. Brinquei e não quero mais brincar. — deu de ombros. — Talvez Ronald tenha ra­zão, afinal e meus gostos ficaram mais sofisticados com o passar dos anos. Certamente não pretendo nunca cometer o mesmo erro duas vezes — ela acrescentou.

Draco respirou, irado.

— Espero que tenha o mesmo bom senso em relação ao Weasley, então — ele rosnou.

— O que isso tem a ver com Ronald?

Draco retorceu a boca num sorriso frio.

— Caso não tenha notado, esse homem quer você de volta.

— Não é a mim que Ronald quer, Draco — ela o contra­disse.

— O que quer dizer? — perguntou ele rispidamente.

— Não interessa — Hermione suspirou, cansada. — Já é mui­to tarde, Draco e tenho certeza de que Lily vai acordar bem cedo amanhã.

Draco a perscrutou por alguns segundos demorados, um olhar que Hermione devolveu sem pestanejar. Sem emoção. A mulher apaixonada que ele segurou nos braços há pouco ti­nha desaparecido por completo por trás daquela fachada de indiferença tranquila.

Mas agora era óbvio para Draco que não passava de uma fachada e ficou mais determinado do que nunca a penetrá-la. No momento, porém, sabia que Hermione estava farta. Farta de Ronald Weasley. Farta dele. Se ele tentasse pressioná-la, ela se retrairia ainda mais por trás daquela barreira que ergueu em volta de suas emoções.

Forçou-se a relaxar os ombros e sorriu ligeiramente.

— Está bem, Hermione. — fez um gesto com a cabeça. — Durma bem, sim? — acrescentou tristemente, sabendo que ele não teria tal sorte.

Ela parecia um pouco incerta ao olhá-lo cautelosamente.

— Eu... Sim. Você também. — ele fez uma careta.

— Acho que vou nadar mais um pouco para me acalmar.

— Boa noite, então.

— Boa noite, Hermione — ele repetiu roucamente.

Draco permaneceu ali, de pé, observando-a subir os de­graus antes de desaparecer dentro da vila.

Ficou ali por mais alguns instantes, ponderando essa últi­ma conversa, imaginando exatamente o que Hermione quis dizer com aquele último comentário sobre Weasley...

(...)

Notas finais
Beijos! E comentem!