Notas iniciais
Se continuar nesse ritmo acabo postando tudo hoje. Vou viajar amanhã pra um lugar sem internet, então fico torcendo que para quem ler a fic, que goste!

(...)

CAPÍTULO XI

— Bondade sua juntar-se a nós — disse Draco secamente, quando Hermione apareceu no terraço onde ele e Lily tomavam o café da manhã.

— Bom dia, Lily. — Hermione ignorou completamente a zombaria de Draco, sentando-se ao lado da sobrinha e se servindo de café. — Sabia que estavam de pé — ela disse. — Ouço vocês conversando há horas.

— Isso foi antes ou depois de sairmos para comprar o café da manhã? — Draco escarneceu.

— Isso importa? — perguntou Hermione alegremente.

Tinha sido acordada pelos sussurros altos de Lily, já fa­zia pelo menos duas horas e as respostas igualmente audí­veis de Draco indicavam que Lily não estava sozinha, então simplesmente puxou o edredom sobre a cabeça e voltou a dormir.

Suspirou, satisfeita, ao contemplar a tranquilidade do vale.

— Mais um dia lindo!

— Vamos voltar para casa hoje, titia Hermione! — Lily já não podia mais conter sua excitação.

Hermione ergueu sobrancelhas interrogativas para Draco, antes de sorrir, perplexa, para a sobrinha.

— Vamos...?

Lily assentiu com a cabeça, os olhos verde esmeralda brilhando e o rosto corado.

— Queria acordá-la há horas para contar, mas o tio Draco não me deixou.

— O que realmente disse, Lily, foi que mulheres de ida­de avançada como a sua tia precisam de todo o sono de beleza que puderem ter. — Draco corrigiu, zombando.

Hermione tinha imaginado como Draco e ela iam se encarar de novo depois do incidente perto da piscina na véspera — ago­ra sabia. O sarcasmo estava, obviamente na ordem do dia.

Ela sorriu docemente.

— E eu achei que tínhamos concordado ontem que na idade avançada de 30 anos, quem precisava do sono de bele­za era você. — Essa afirmação era desmentida pela aparên­cia de Draco, magro e perigosamente atraente numa camiseta branca e jeans desbotados.

Lily virou-se para fitar Draco de olhos arregalados.

— Tem mesmo 30 anos, tio Draco?

Draco acenou tristemente com a cabeça na direção de Hermione ao ouvir o tom de assombro na voz de Lily.

— Lily, benzinho, quando ficar mais velha você per­ceberá que os homens são como vinhos finos... Melhoram quando amadurecem.

— Ou ficam azedos como vinagre — Hermione comentou com leveza.

E sem sinceridade no caso de Draco, reconheceu no íntimo. Ele tinha mesmo alguma coisa em comum com vinho fino, como a noite anterior comprovara bem demais — os últimos oito anos o havia tornado ainda mais inebriante.

Ele a fitou com olhos azuis provocativos.

— Acho que a titia Hermione está confundindo os seus vinhos. — disse em voz arrastada.

E bastava daquela conversa, Hermione decidiu firmemente.

— Então... Partimos mais tarde hoje? — ela perguntou.

Draco continuou a desafiá-la com os olhos por mais alguns instantes antes de concordar com a cabeça.

— Harry ligou de manhã. Gina e os pequenos Alvo e James irão receber alta amanhã cedo.

O rosto de Hermione se iluminou e ela pousou a caneca na mesa para abraçar Lily.

— Que notícia maravilhosa!

Draco se aproveitou da distração de Hermione para observar sua aparência. Parecia calma esta manhã, com um vestido de verão curto, as pernas nuas e sedosas. Rosto sem maquiagem a não ser por um gloss rosado nos lábios.

Lábios que ainda pareciam ligeiramente machucados pela violência do amor deles na véspera.

O coração se apertou. Droga, tinha prometido a si mesmo que não pensaria na noite passada! Pelo menos não até entre­gar Lily sã e salva a Gina e Harry...

Hermione ainda sorria, olhando-o do outro lado da mesa.

— Quais são os planos de viagem que organizou para Lily e sua titia?

— Para nós três. — Draco corrigiu.

O sorriso de Hermione sumiu.

— Mas você ainda não pode partir...

— Posso fazer o que me der na cabeça, Hermione. — Draco fechou a cara.

— E o festival de cinema?

— O que tem? — Hermione deu de ombros.

— Pensei que precisasse estar presente para receber o seu prêmio.

Se eu for premiado, meu diretor-assistente pode rece­bê-lo. — Draco disse, despreocupado. — O mais importante é levar você e Lily de volta à Inglaterra.

— Sou perfeitamente capaz de conduzir Lily e a mim mesma de volta para a Inglaterra, muito obrigada...

— Já providenciei um jato particular para nos levar hoje à tarde. — ele a interrompeu abruptamente num tom que não admitia réplica.

Hermione fechou a cara.

— Mas eu vim de carro...

— Também já providenciei para que busquem o seu carro e o levem de volta à Inglaterra.

Ela ergueu as sobrancelhas diante de tamanha arrogância.

— Eu realmente gostaria de levar o meu próprio carro de volta, se você não se importar...

— Não me importo nem um pouco. — disse Draco em voz arrastada. — Mas talvez queira olhar isto antes de tomar uma decisão definitiva quanto à volta... — empurrou uma pilha de jornais para ela.

Hermione olhou os jornais, e seus olhos se arregalaram quan­do viu o primeiro de todos, com uma foto dela e de Draco sorrindo um para o outro, sentados juntos à mesa na praça de Grasse.

Hermione ficou muito quieta, puxando o tablóide mais perto. Embora nem fosse preciso para ler a manchete em letras gar­rafais e ver a foto:

"HERMIONE GRANGER E DRACO MALFOY ENCONTRAM O AMOR NO SUL DA FRANÇA!"

Nada sutil.

"Mais fotos e história na página três", dizia a nota menor, abaixo daquela foto condenatória.

Que história? Foi essa a pergunta incrédula de Hermione. Até ela e Draco voltarem à vila na véspera não havia história nenhuma...

Oh, não... !

Hermione empalideceu quando chegou à página três e suspi­rou aliviada quando viu que a "história" apenas consistia de mais fotos dela e Draco juntos, em Grasse, na véspera.

— Aquele homem não tirou nenhuma foto de mim, titia Hermione. — disse Lily, indignada.

— Não tirou, amor? — Hermione respondeu, distraída, pas­sando para o próximo jornal.

Este e os outros quatro, todos tinham fotos dela e de Draco chegando juntos à festa em Cannes.

Nem um único daqueles repórteres tivera a iniciativa de segui-los de volta à vila ontem à noite, na esperança de tirar fotos íntimas dos dois juntos. Graças a Deus!

Ela e Draco ficavam bonitos juntos, ela percebeu, aborre­cida. De saltos bem altos, ela ornava com a altura dele e os cabelos loiros e a pele alva de Draco faziam um contraste perfeito com o tom castanho dela. Os dois estavam bem juntos e Draco segurava seu cotovelo com um sorriso confiante nos lábios.

As aparências enganam, Hermione decidiu firmemente, afastando o jornal e olhando para Draco do outro lado da mesa.

— E isso prova o quê... ?

Deus, como ficava linda bancando a orgulhosa, Draco ad­mitiu com admiração. Embora faltasse a ela um pouco de percepção.

— Acho óbvio! Se você aparecer em qualquer lugar hoje ficará cercada de jornalistas.

— Que inferno! — ela fez uma careta.

— Continua insistindo em não ir de avião conosco hoje Hermione? — ele arqueou as sobrancelhas interrogativamente.

Hermione não queria ir a lugar nenhum com Draco, nem na­quela tarde nem em hora nenhuma. Mas também não era es­túpida para recusar a oferta, quando a alternativa certamente seria o pesadelo que Draco acabava de descrever.

Suspirou, resignada.

— A que horas devemos estar prontas para partir? — os olhos dele brilharam de satisfação.

— Às 14h está bem. Nós... Quem diabos é esse? — fran­ziu a testa, levantando-se e olhando furiosamente para um carro que subia a estrada particular da vila.

Hermione levantou-se ao seu lado com uma sensação de de­sânimo, achando que sabia exatamente quem era. Ou outro repórter atrevido. Ou, mais provavelmente, Ronald...

Ele deixara três mensagens no celular dela durante a noite.

Hermione não retornara nenhuma dessas ligações. Para quê? Talvez ainda sentisse alguma culpa em relação a Ronald, pois sempre achava que sua falta de amor por ele contribuíra para o vício pelo jogo, mas nem toda a culpa do mundo poderia mudar o fato de que ambos sabiam que seu casamento tinha acabado.

— Quer que eu lide com a situação se for outro repórter? — Draco perguntou muito sério, virando-se para fitar Hermione quando ela não respondeu.

Ela estava olhando muito fixamente para o carro que su­bia devagar a estrada de serviço e seus olhos castanhos esta­vam sombrios.

— Hermione...? — ele insistiu.

Ela respirou fundo antes de se virar para ele.

— Eu... Você se importaria de levar Lily até a piscina? — ela resmungou.

— Por que eu levaria...

— Porque acho que nosso visitante é Ronald — ela expli­cou, desanimada.

Ronald Weasley ali?

Draco voltou a atenção para o carro estreitando os olhos, tentando identificar a pessoa ao volante. Sim. Era mesmo Weasley.

Olhou para Hermione.

— Quer falar com ele?

— Não muito — ela fez uma careta.

— Então, não fale — disse Draco, em voz rascante.

Ela deu um sorriso tristonho.

— Não é tão simples assim, Draco.

— É sim, Hermione — Draco acenou com a cabeça. — Real­mente é.

Ela o olhou perplexa.

— Talvez para você, Draco — ela suspirou. — Mas eu ja­mais consegui ser tão cruel.

Ele deu de ombros.

— Às vezes é preciso ser cruel para ser bondoso — ele disse tristemente.

— Como você foi comigo há oito anos? — ela o desafiou.

Draco apertou a boca diante dessa acusação.

— Acho que não estávamos falando de nós dois.

— Não, claro que não. — ela respondeu imediatamente. — Esqueça o que eu disse.

Draco não tinha certeza se queria esquecer. Havia ficado tão atônito quando Hermione terminou com ele tão inespera­damente para logo em seguida, anunciar seu noivado com Weasley que os dois nunca conversaram sobre o fim abrupto de seu relacionamento.

Agora provavelmente não era o momento de discutirem isso...

— Está bem, Hermione. — ele concordou. — Fale com Weasley se acha necessário. Mas, ao primeiro sinal de pro­blemas, volto aqui para enfiar os dentes dele pela garganta abaixo.

Hermione o fitou por alguns instantes antes de rir incredulamente.

— Realmente acho que isso não será necessário, Draco, mas obrigada pelo oferecimento.

— Acredite, será um prazer.

Que estranho justamente Draco se oferecer como seu de­fensor, Hermione pensava, enquanto ia ao encontro de Ronald. Embora não pretendesse nunca lhe pedir ajuda, Hermione, mes­mo assim, apreciava a ironia da situação.

Seu sorriso triste, no entanto, logo se transformou em re­signação quando ela se aproximou de Ronald.

...

De quanto precisa desta vez, Ronald? — perguntou, desanimada.

(...)

— Então, o que ele queria?

Hermione estava arrumando a mala, virou-se com uma ex­pressão cautelosa para olhar Draco encostado na soleira da porta.

Ela se endireitou.

— Realmente não acho que isso seja da sua conta. — Ele ergueu uma sobrancelha loira.

— Acho que vai descobrir, Hermione, que não ligo a mínima para o que você acha que é ou não da minha conta.

Draco tinha passado os últimos 15 minutos ao lado da pis­cina, observando, por trás dos óculos escuros a conversa entre Hermione e o ex-marido, tentando analisar pela linguagem corporal deles exatamente o que se passava. Mas não conse­guiu captar muita coisa.

Esperava que Hermione se juntasse a ele e Lily ao lado da piscina assim que Weasley partisse, mas ela havia desaparecido dentro da vila.

Para fazer as malas, ao que parece...

— Então? — ele insistiu, impaciente. Hermione franziu a testa.

— Sinto muito, Draco, mas não vou contar nada... — in­terrompeu-se, arregalando os olhos quando Draco atravessou o quarto em três passos largos e ficou a apenas centímetros dela. Ela engoliu em seco.

— Você não devia estar lá fora com Lily?

— Lily está excitadíssima com a ideia de voltar para casa e não quer mais nadar. Foi para o quarto se vestir.

Hermione não tinha a menor intenção de contar a Draco o mo­tivo da visita de Ronald.

— Você também não devia arrumar as malas se vamos sair para o aeroporto daqui a duas horas? — ela salientou desejando, no íntimo, que Draco não ficasse tão perto assim, pois isso a enervava muito.

Draco sacudiu a cabeça.

— Acho a visita de Weasley muito mais interessante que fa­zer malas.

— Realmente?

— Sim... Realmente. — Draco concordou arrastado. — Você fez um comentário muito intrigante ontem à noite...

— Apenas um? — ela retrucou, fingindo-se decepciona­da. — E eu aqui achando que sou muito mais interessante que isso.

Draco sorriu com admiração, apreciando o modo como Hermione procurava mudar de assunto. Mas ele não tinha a me­nor intenção de deixá-la conseguir isso.

— Ora, não se preocupe, você é extremamente interes­sante — ele lhe garantiu. — Mas ontem insinuou que não é em você que Weasley está interessado. Então, se não é você, o que seria?

O sorriso dela se desvaneceu e o olhar ficou cauteloso.

— Realmente não posso discutir isso com você, Draco...

— Ah, mas realmente pode, Hermione — Draco insistiu baixi­nho, com um olhar imperioso.

Ela sacudiu a cabeça.

— Não sem trair uma confidencia. — ela disse deter­minada.

Os olhos de Draco se arregalaram.

— Uma confidencia do Weasley? — Draco murmurou, incré­dulo. — Você se divorciou desse homem há meses! — ele a fez se lembrar.

— É mesmo. — ela admitiu firmemente. — Mas isso não significa que tenho de odiá-lo, não é? Ou discutir seus as­suntos particulares com alguém que ele considera... — interrompeu-se, de testa franzida.

— Que ele considera... ?

— Deixe para lá. — disse Hermione apressadamente. — Ronald e eu estamos divorciados, mas eu não o odeio — insistiu.

Como poderia odiar quando ainda se sentia res­ponsável por tudo que dera errado entre eles? Não podia. Porém, sem contar a Draco toda a história de seu casamento, o fato de ter se casado com Ronald ainda apaixonada por ele, não podia nem começar a explicar seus sentimentos de culpa...

— Por que se dar ao trabalho de se divorciar dele se vai voltar correndo cada vez que ele acenar com o dedinho? — perguntou Draco asperamente.

Os olhos dela brilharam sombriamente.

— Não é assim.

— Então, como diabos é? — perguntou Draco incrédulo.

— Ontem à noite você deu a impressão de que encontrar-se com Weasley era um suplício para você e, no entanto hoje vocês dois pareciam estar tendo uma conversa agradável juntos.

Hermione considerara um suplício reencontrar Ronald, porque tinha esperança de que, quando ela terminou o casamento, isso finalmente o levaria a dar um jeito na bagunça em que se transformara a vida dele. Aqueles telefonemas ontem à noite, a visita de hoje pedindo-lhe dinheiro novamente — tudo isso lhe dizia que esse não era o caso.

Porém, sem revelar tudo para Draco — o que não tinha a menor intenção de fazer —, nunca iria convencê-lo disso. Ronald conseguira esconder de todos, durante anos o seu vício pelo jogo e Hermione certamente não poderia traí-lo agora. Nem mesmo para convencer Draco de que não havia nada entre ela e Ronald.

Principalmente não para convencer Draco de que não havia nada entre ela e Ronald. A noite passada tinha lhe mostrado com muita clareza sua suscetibilidade perigosa em relação a Draco...

— Realmente prefiro que você fique fora de minha vida, Draco.

— E se eu disser que prefiro ficar nela? — ele a desafiou.

— Isso é ridículo...

— Concordo. — Draco a interrompeu.

Hermione fechou a cara para ele.

— Podemos parar com este jogo de palavras?

Ele ergueu as sobrancelhas loiras.

— Em que outro tipo de jogo está pensando?

Ela bufou impaciente.

— Não gosto de nenhum tipo de jogo. Mesmo quando eu era criança, sempre levava a pior.

Draco sorriu com admiração.

— Gosto de você quando está irritadinha assim, Hermione.

— Não quero que goste de mim, Draco! — ela insistiu, afastando-se para continuar a arrumação da mala.

Draco continuou a contemplá-la com os olhos contraídos por um longo tempo.

Ela não parecia muito perturbada pela visita de Ronald Weasley. Mais resignada do que outra coisa.

Porém, resignada com o quê?

(...)

Notas finais
Beijos!