Challenge Of Passion
8 Capítulo VIII - Evocando Imagens
Notas iniciais
CAPÍTULO VIII
— Acho que está sendo absolutamente ridículo, Draco — disse-lhe Hermione furiosamente, enquanto pendurava as toalhas e os biquínis na corda esticada nos fundos da vila. Lily estava lá dentro vendo desenhos animados.
Tinham todos tomado banho e trocado de roupa depois de voltarem da praia. Hermione vestia uma blusa solta sobre jeans justos, os cabelos úmidos retorcidos e presos no alto da cabeça, o rosto completamente sem maquiagem.
Parecia ter dezoito anos, Draco decidiu impaciente. Embora isso não a impedisse de ser tão teimosa que dava vontade de sacudi-la até os dentes baterem.
Seus olhos se estreitaram numa advertência.
— Se não concordar em me acompanhar a Cannes, então também não vou. — ele repetiu calmamente.
— Esqueça a minha última afirmação... O seu comportamento é positivamente juvenil! — Hermione olhava-o furiosamente. — Não vou se você não for. — ela zombou. — Você tem de ir a Cannes esta noite, Draco... Eu não preciso.
— Não tenho de ir a lugar algum até descobrir a identidade do homem que falou com Lily — Draco assegurou-lhe, teimoso também.
Ele havia ligado para vários conhecidos da imprensa, mas até o presente momento ninguém tinha oferecido uma história sobre ele e Hermione. Ligariam para Draco se oferecessem.
Ele admitia que seu humor não era dos melhores depois daquelas lembranças do tempo que passaram juntos no Caribe. Mas a recusa inflexível dela de acompanhá-lo em Cannes esta noite apenas aumentava a frustração de Draco, que já estava exacerbada pela tensão sexual que se tornava cada vez mais insuportável.
Ela suspirou.
— E de nada adiantaram "uns telefonemas".
— Se ele for um repórter, então saberemos até amanhã. — Draco salientou. — Só disse se ele for um repórter, Hermione — completou, quando ela deu um gemido doloroso, sacudindo a cabeça.
— Ambos sabemos o que ele é. Acha que tirou fotos também?
— Se for bom no que faz, é claro que tem fotos. — não adiantava nem tentar mentir, Draco sabia, quando os jornais de amanhã contariam sua própria história, incluindo sem dúvida, especulações loucas sobre o relacionamento deles.
Podia imaginar tudo: fotos dele e de Hermione comprando comida, andando em Grasse com Lily, sentados à mesa na praça defronte do restaurante.
Tudo aconchegante e doméstico.
Ilusoriamente.
Qualquer um que tivesse ouvido uma única conversa entre ele e Hermione saberia a verdade — eles nem conseguiam falar sobre o tempo sem começar uma discussão!
— Não vejo nada nem um pouco engraçado nesta situação, Draco! — Hermione disse rispidamente ao ver o sorriso triste dele. — O motivo do meu aborrecimento é bastante óbvio, depois de toda a publicidade após o meu divórcio de Ronald. — ela fez uma careta. — Mas tenho certeza de que deve haver alguém em sua vida que também não vai se divertir com fotos de nós dois juntos.
Já fazia meses que Hermione não folheava as revistas da moda que continham esse tipo de fofoca, então não fazia ideia se Draco estava envolvido com alguém no momento. Mas provavelmente estava.
Ele retorceu a boca, irônico.
— Duvido que alguém da minha família se preocupe com isso.
Hermione suspirou.
— Não estava falando em sua família, e você sabe disso.
Draco as vezes falava na família quando estavam juntos. Do pai inglês que tinha visitado a América quando estudante e se apaixonou pela filha loura de olhos azuis de um rancheiro do Texas. Os dois se casaram assim que se formaram e agora administravam aquele rancho, juntamente com irmão mais moço de Draco, Itan Malfoy. Draco sorriu maliciosamente.
— Estou bem ciente disso, Hermione — disse em voz arrastada. — E, não duvido muito que fotos nossas incomodem alguém mais além de nós dois.
— Que pena. — ela replicou falsamente.
Draco ficou sério.
— Hermione, jamais a teria beijado ontem à noite se estivesse envolvido com outra pessoa.
Ela ergueu uma sobrancelha cética.
— Realmente?
— Droga, Hermione...
— Draco, não tenho a menor intenção de começar outra discussão — ela disse cansada. — Apenas aceite que não vou a Cannes com você hoje...
— Por que diabos não?
— Primeiro, porque não quero ir. Segundo, porque não trouxe nada apropriado para vestir e terceiro, porque estou esperando que Harry retorne uma das minhas ligações.
Tinha feito duas. Uma no restaurante, que caiu na caixa postal e outra na praia, quando deixou uma mensagem pedindo que Harry ligasse assim que possível, para dar notícias de Gina.
Estava com o celular lá fora agora, na esperança de que ele ligasse logo.
Draco amarrou a cara.
— Primeiro, eu não ligo a mínima para o que você quer. Não vou sair e deixar você e Lily sozinhas aqui. Segundo, pode ir nua que nem me importo. E terceiro é para isso que servem os celulares! — ele quase rosnou.
— Não precisa gritar! E já lhe disse que não me tocasse novamente, Draco! — os olhos de Hermione lampejaram uma advertência vendo os dedos que tinham se enrolado em seus braços como tiras de aço.
Com a respiração agitada, Draco a encarou por vários segundos demorados.
— Você faria um santo perder a paciência, Hermione!
— Então não corre perigo, não é? — ela disse cruelmente. — Disse-lhe para largar meu braço, Draco. — levantou os olhos para encará-lo com firmeza.
O próprio ar parecia paralisado entre eles, não se ouvia nada senão a respiração deles ao continuarem aquela batalha silenciosa de vontades, os rostos a apenas centímetros de distância enquanto os olhos azuis prendiam os castanhos.
Hermione sentiu-se derretendo por dentro com a proximidade de Draco, aqueles dedos envolvendo seu braço e provocando ondas que despertavam seus seios e coxas.
Só Draco tinha sido capaz de fazê-la sentir-se assim com apenas um olhar. Só ele fora capaz de fazê-la ficar com desejo apenas ao toque da mão dele em sua pele.
Mão que Draco agora deixava cair enquanto o olhar continuava mantendo o dela cativo.
— Sabe o que quero fazer com você neste momento? — ele murmurou.
Hermione umedeceu os lábios secos, incapaz de falar ou fugir daquele olhar hipnotizante.
— Se não quer que eu a toque, então deixe-me dizer-lhe tudo que tenho imaginado fazer com você... — Draco disse roucamente. — Coisas loucas, maravilhosas.
— Draco...
— Coisas eróticas e lindas... — ele continuou impiedosamente, os olhos brilhando com o desejo que já não controlava. — Está vendo aquele muro atrás de você...? Sim, aquele muro — ele confirmou quando Hermione deu uma olhada rápida para o muro baixo de pedra. — Quero tirar seu jeans e sua calcinha antes de sentá-la em cima do muro e me ajoelhar na sua frente. Quero desabotoar vagarosamente a sua blusa e desnudar seus seios para poder tocá-los, beijá-los, lambê-los, sugá-los para dentro do calor de minha boca...
— Draco...! — o gemido que Hermione pretendeu que fosse de protesto saiu como uma súplica dolorosa para que ele continuasse, a pele se sensibilizando apenas com as palavras dele, com a imagem evocativa que ele criava, os mamilos se endurecendo contra o tecido macio da blusa e um calor úmido se empoçando entre as suas coxas.
Os olhos dele estavam mais escuros.
— Depois, quero beijá-la lentamente, descendo até o umbigo. — a voz era baixa e hipnótica. — Quero mergulhar a língua, saboreando você antes de descer mais, para separar suas pernas, abrindo-as para mim e encontrar seu próprio cerne com meus lábios e minha língua. Ainda me lembro de seu sabor ali, Hermione. Tão doce e quente... — ele gemeu.
— Draco, precisa parar com isso agora! — ela disse, engasgada, ardendo toda agora, ansiando pelas coisas descritas tão eloquentemente.
— Por que, Hermione? — Seu olhar ainda prendia o dela. — Estou apenas falando, contando o que gostaria de fazer com você.
Hermione sentia cada uma daquelas imagens. Cada uma delas. Sentia as mãos e os lábios dele em seus seios, sugando seus mamilos, a boca quente e líquida passando por seu ventre ao se mover mais para baixo, saboreando a poça de umidade ali, acariciando-a com a língua, sugando suavemente sua carne excitada e levando-a a um clímax violento. Sentia tudo isso com a mesma força como sentia o sol batendo sobre eles.
Assim como se imaginava tocando Draco, as mãos escorregando amorosamente pela largura de seus ombros e torso nus, os lábios percorrendo o mesmo caminho, beijando-o, acariciando-o, enquanto ela descia lentamente até a rigidez da ereção dele, lábios e língua saboreando-o ao tomá-lo na boca, e sentindo a reação dele a essas carícias, ouvindo seus gemidos de desejo, sua necessidade de se liberar...
Por que tudo tinha dado errado entre eles oito anos atrás? — ela se perguntou dolorosamente. Por que, quando o amava tanto ela não tinha sido suficiente para ele?
Essas eram perguntas que Hermione fizera a si mesma no decorrer dos anos. As respostas eram óbvias demais.
Com a perspectiva de um mês de filmagem no Caribe — uma lugar lindo, mas numa área muito mais erma e escondida da ilha que oferecia muito pouco em termos de diversão para um homem sensual como Draco Malfoy, Hermione provavelmente foi uma conquista fácil, uma diversão no que poderia ter sido um período tedioso para ele quando não estava filmando.
Era verdade que o relacionamento deles tinha continuado por mais tempo depois que todos voltaram a Londres para completarem a filmagem. Hermione geralmente passava as noites com ele na sua suíte de cobertura no hotel.
Mas, em algum momento, Hermione não percebeu que Draco estava cansado do relacionamento. Sabia, é claro, o motivo de não ter notado: seu próprio amor por Draco a cegara completamente para todo o resto.
Certamente fora cega ao fato de que a atenção de Draco tinha passado para Pansy Parkinson, com quem ele queria compartilhar a cama. E ele estava tão determinado a fazer isso que nem teve tempo de dizer a Hermione que desocupasse a cama antes de colocar Pansy Parkinson nela.
Hermione certamente não podia se deixar seduzir e ser a "diversão" de Draco no sul da França agora.
...
Quais seriam os pensamentos que passavam pela cabeça de Hermione, Draco imaginou ao examiná-la atentamente. Fossem quais fossem, faziam-na franzir a testa.
— Você e o Weasley eram felizes juntos? — ele perguntou com voz áspera.
Ela arregalou os olhos.
— Acho que não...
— Não vai lhe fazer mal me contar isso, não é Hermione? — Draco insistiu, sabendo que o momento íntimo tinha terminado. Por hora...
Ela sacudiu a cabeça.
— Não tem lido os jornais nos últimos dez meses, Draco?
Ele deu de ombros.
— Pela minha experiência, eles raramente contam a verdade.
Ela deu uma risada de puro cinismo.
— Essa tem sido a minha experiência também.
— Então?
— Eu não lhe perguntei sobre nenhum de seus relacionamentos nos últimos oito anos, então por que diabos devo responder às suas perguntas sobre o meu casamento com Ronald?
— Pode perguntar. — Draco convidou.
— Eu... — Hermione interrompeu-se quando o celular começou a tocar. — Pode ser Harry. — disse roucamente.
— Então é melhor você atender, não é? — ele disse rispidamente antes de se virar, enfiando as mãos nos bolsos.
Droga, todas as vezes em que ele e Hermione chegavam perto de se entenderem, alguma coisa ou alguém os interrompia.
Ele mesmo não entendia por que diabos queria respostas para essas perguntas. Talvez fosse por causa daquelas lembranças nesta tarde, de quando se conheceram no Caribe, quando a ligação entre eles tinha parecido tão instantânea e exclusiva...
Como agora mesmo, também parecia que...
Ou talvez fosse porque o fim repentino de seu relacionamento com Hermione, três meses mais tarde sempre lhe pareceu um assunto inacabado...
Um dia pareciam estar completamente unidos e no dia seguinte ela lhe dizia que estava tudo acabado, usando frases ocas, como "ambos precisamos de nosso próprio espaço" e "foi bom enquanto durou, mas agora acabou", enquanto saía de sua vida.
Frases que só fizeram sentido para Draco quando, naquela mesma noite, Hermione saiu para jantar com o produtor do filme, e, algumas semanas mais tarde, casou-se com ele.
Para magoá-lo ainda mais, foi até mesmo convidado para o casamento! Draco tinha dispensado o convite e passado o fim de semana na cama com Pansy Parkinson.
Mas estar ali com Hermione assim, falando com ela, tocando-a novamente, imaginar fazer amor com ela, parecia ter liberado todas aquelas lembranças antigas, as boas, bem como as ruins.
Metade dele queria puni-la agora ao contar-lhe como faria amor com ela, e a outra queria punir a si mesmo por ainda desejá-la. Ainda estava rijo com essas imagens, sua ereção latejando, descontrolada...
...
— Gina teve os bebês!!! — Hermione disse atrás dele. — Dois menininhos! Gina está ótima! — ela continuou, emocionada. — Os bebês... Alvo e James... estão numa incubadora, mas Harry parece bastante esperançoso de que irão ficar bem também... — ela parou e enterrou o rosto nas mãos começando a chorar.
— Mas isso é bom, não é? — Draco franziu a testa e desta vez não teve outra opção senão tomá-la nos braços.
Hermione não sabia por que chorava. De alívio, provavelmente. Estava tão preocupada com Gina e os bebês!
Porém não era só isso, ela sabia. O estresse de estar ali com Draco, falando com ele, ouvindo-o descrever como seria fazerem amor, sentindo cada carícia e toque dos lábios dele em seu corpo, também a afetava muito. Ver-se nos braços dele não estava ajudando nada a dissipar esse efeito.
Ela se endireitou, evitando o olhar perscrutador de Draco, enquanto enxugava as lágrimas e se afastava dele.
— A notícia é bem melhor do que eu esperava. — ela concordou.
Ele estreitou os olhos.
— Harry quer que você e Lily voltem para a Inglaterra agora?
— Só daqui a alguns dias até ele ter certeza absoluta... — Hermione sacudiu a cabeça. — Tenho de dar a boa notícia a Lily. — ela disse, virando-se.
— Hermione?
Ela baixou as pálpebras brevemente antes de se voltar para olhá-lo, cautelosa.
— Sim?
O olhar de Draco era zombeteiro.
— Agora só há duas razões para você não ir a Cannes comigo esta noite.
Ela respirou fundo.
— Draco, você não faz ideia da avalanche de publicidade que provocaríamos se aparecêssemos juntos em público.
Draco deu um sorriso lastimoso.
— Acho que faço uma boa ideia. Além disso, com uma aparição nos jornais de amanhã, provavelmente nos depararemos com um fait accompli. — ele apertou a boca severamente. — Talvez eu prefira cortar a jogada do sujeito, aparecendo em público com você hoje à noite acabando com a pretensa exclusividade dele amanhã.
Isso fazia sentido, Hermione reconheceu de má vontade...
Sua resolução de não acompanhá-lo estava enfraquecendo, Draco notou satisfeito ao vê-la hesitar. E ele estava determinado que ela fosse e estava convicto quando disse a Hermione que não podia continuar se escondendo assim. Sim, seu divórcio tinha sido desagradável e muito público, mas ela precisava voltar a ter alguma perspectiva na vida.
Com o que se passara entre eles, por que diabos ele se importaria com o que Hermione fizesse agora ou no futuro?
Não devia se importar.
E, no entanto, sabia que se importava...
— Então? — insistiu.
Hermione suspirou, sabendo que ele não desistiria.
— Está bem, vou... Perguntar a Lily o que ela quer fazer...
— Covarde — disse Draco baixinho.
Ela levantou o queixo com os olhos lampejando sombriamente.
— Você não sabe nada de mim, Draco. Nada! — ela disse, zangada.
Ele deu de ombros.
— Então prove que estou enganado, Hermione e venha comigo esta noite.
Ela retorceu a boca num sorriso irônico.
— Garanto que você vai lamentar sua insistência mais do que eu...
Ele ergueu uma sobrancelha loira.
— Estou disposto a me arriscar, se você estiver.
Será que ela estaria disposta? Entendia a lógica da proposta de Draco. O aparecimento deles juntos à noite acabaria com a exclusividade de qualquer história que o tal repórter publicasse. Só que até mesmo a ideia de aparecer em público com Draco, cônscia dele como estava agora, parecia mais um pesadelo para Hermione.
— Perguntarei a Lily. — ela repetiu firmemente. — Se ela quiser ir, então iremos.
Draco percebeu, pelo tom de voz, que essa seria a melhor resposta que ia receber naquele momento.
— Está bem. — ele suspirou. — Vá falar com Lily agora para eu saber se terei ou não de ligar e dar uma desculpa pela minha ausência esta noite.
Draco nem tentou seguir Hermione para dentro da vila. Em vez disso, sentou-se em uma cadeira no terraço precisando de alguns minutos de repouso para controlar um desejo latejante... Por ela.
O que parecia impossível, quando praticamente podia sentir o seu sabor na ponta de sua língua...
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