Challenge Of Passion
9 Capítulo IX - Ronald Weasley
Notas iniciais
CAPÍTULO IX
— Tem de acreditar em mim Hermione, quando lhe digo que não fazia a menor ideia de que Weasley havia sido convidado esta noite.
Hermione sabia pela seriedade da expressão dele, que dizia mesmo a verdade.
Não que ela tivesse duvidado; os dois tiveram suas diferenças no passado, Draco havia sido insensível aos sentimentos dela, mas nunca tinha se mostrado vingativo. E trazê-la propositalmente a esta festa em Cannes, sabendo que Ronald estaria presente, teria sido uma vingança de Draco.
Até o momento, tinha sido uma noite surpreendentemente agradável. Hermione encontrou vários conhecidos antigos e conversou com eles e Lily estava absolutamente fascinada por tudo, apontando as pessoas que conhecia dos filmes e pela televisão.
Atravessaram uma multidão de fotógrafos lá fora, naturalmente, uma experiência que Hermione achou bem menos desagradável do que imaginava. Draco tinha segurado firmemente o seu braço e, sorrindo, rechaçou a maioria das perguntas pessoais enquanto procurava o homem que os seguira. Não estava lá, Draco informou a ela quando entravam na tenda enorme na praia de Cannes onde acontecia a festa.
Sem dúvida o homem achava que tinha o bastante para uma reportagem exclusiva.
E provavelmente tinha...
Hermione decidiu firmemente tirá-lo da cabeça — juntamente com aquela conversa erótica com Draco. Assim que percebeu que estava se divertindo, tendo se reaproximado de vários amigos que não via desde sua volta a Londres.
Até que olhou para a entrada da tenda e viu Ronald aparecendo, atrasado.
— Talvez ele não tenha sido convidado — ela suspirou, sabendo que Ronald era bem capaz de ter penetrado na festa se soubesse que Hermione estava ali, visto que ela havia evitado todos os esforços anteriores dele para vê-la ou falar com ela.
— Quer ir embora? — Draco perguntou.
Queria?
De fato, rever Ronald assim, tão inesperadamente, foi um choque, mas se ela saísse agora pareceria que estava fugindo de uma situação embaraçosa. Pior, ela mesma sentiria como se estivesse fugindo.
— Não, não quero ir embora — ela respondeu firmemente. — Vamos continuar circulando, humm? — ela sugeriu tensamente escorregando a mão sob o braço dele.
— Por mim, está ótimo — Draco disse, olhando-a com aprovação.
Apesar de alegar que não tinha roupa apropriada, Hermione estava deslumbrante num vestido preto de corte reto que lhe dava uma aparência de elegância clássica. Os cabelos castanhos soltos e sedosos em volta dos ombros, os olhos escuros e luminosos, no rosto levemente bronzeado, os lábios com um brilho vermelho ousado.
E talvez ela precisasse dessa pintura de guerra antes do fim da noite, Draco admitiu, desanimado ao ver Ronald Weasley encaminhando-se para eles.
O ex-marido parou diante de Hermione com um sorriso suave e autoconfiante.
— Não fazia ideia que você estaria aqui esta noite, Hermione — ele a cumprimentou com leveza. — Parece que me recordo de você ter dito que odiava este tipo de evento, não? — ele acrescentou, zombeteiro.
Hermione retribuiu o sorriso, enquanto apertava mais o braço de Draco e enfiava as unhas na manga do smoking dele.
— Abri uma exceção hoje — ela respondeu calmamente.
O olhar de Draco se estreitou ao ver como Weasley olhava para Hermione, tão calorosamente. Draco não se surpreendeu ao perceber que seus próprios sentimentos em relação ao ex dela estavam longe de ser amistosos.
Podia entender a atração dela pelo homem, claro. PoisWeasley não só era incrivelmente rico e poderoso, como também era alto e de porte atlético. Embora já com mais de 30 e muitos anos, tinha um rosto ainda jovem e bonito, e cabelos ruivos ligeiramente grisalhos nas têmporas.
Sim, Draco entendia por que Hermione tinha se sentido atraída por ele. E talvez ainda sentisse o mesmo, apesar do divórcio recente...?
Hermione tinha certeza de que os joelhos tremiam tanto que até batiam um contra o outro! Nem lhe ocorrera que Ronald talvez estivesse ali naquela noite, pois certamente não teria vindo.
E, no entanto...
Esse primeiro encontro que ela evitara apesar das tentativas repetidas de Ronald, tinha de acontecer algum dia, então por que não acabar logo com isso?
A culpa que carregava por tanto tempo em relação a Ronald por ser incapaz de amá-lo, mas também incapaz de abandoná-lo justamente por essa culpa, e o fato de que ela talvez fosse a razão do vício dele pelo jogo já não lhe parecia tão pesada. Ronald tinha uma ótima aparência e obviamente sobrevivia muito bem sem ela.
Talvez ele tivesse realmente conseguido se livrar do vício que ameaçara arruiná-lo...
— Por que será que você abriu uma exceção hoje? — Ronald virou-se para fitar Draco, o olhar verde musgo interrogativo.
Hermione virou-se para incluir Draco na conversa.
— Você conhece Draco, naturalmente...?
— É claro — Ronald acenou a cabeça brevemente, mas nenhum dos dois ensaiou um aperto de mão.
Hermione não conseguia evitar de comparar as diferenças entre os dois homens ali tão próximos. Draco, um loiro-dourado e atraente, Ronald, um ruivo muito sofisticado e autoconfiante.
Porém as expressões de antipatia dos dois eram idênticas, os olhos azuis duros chocando-se com o verde-aço.
— Devo dizer que esperava que fosse um pouco mais... Digamos, original na sua escolha de amante, Hermione — Ronald desafiou, olhando para Draco. — Esperava ter ensinado você a exercitar um gosto um pouco mais exigente.
Hermione perdeu a respiração diante desse insulto deliberado e sentiu a tensão no braço sob a sua mão, quando Draco também percebeu o ataque direto de Ronald.
Ronald jamais gostara de seu envolvimento com Draco oito anos atrás, considerando Draco parte dos "selvagens" que na época dominavam Hollywood. Draco, porém, tinha amadurecido, tornando-se um oponente temível e perigoso nos anos seguintes, e parecia tão sofisticado quanto Ronald esta noite, de traje a rigor, camisa branca e gravata borboleta vermelha.
Ela sorriu confiante para o ex-marido.
— Nunca houve nada de errado com o meu gosto.
— Realmente.
— É, realmente — Hermione repetiu baixinho. — Agora, se nos der licença...
— Está muito linda esta noite, Hermione — disse Ronald calorosamente.
— Eu... Obrigada — ela franziu a testa, com um olhar de censura.
— Tenho certeza de que Malfoy concorda comigo, não é, Malfoy? — ele acrescentou, com um olhar zombeteiro.
Draco nunca tinha sentido tanta vontade de esmurrar outro homem como agora. Não que fosse fazer isso. Primeiro, porque isso não levaria a nada, senão ao alívio de sua própria raiva deste homem apenas por ele olhar Hermione calorosamente. Segundo, não daria ao Weasley a satisfação de saber o quanto isso o incomodava.
Ele soltou o braço da mão de Hermione e o passou em volta de sua cintura, puxando-a para o seu lado.
— Em minha experiência, Hermione fica linda em qualquer... Ocasião. — ele disse provocador.
Esta conversa estava saindo de controle, Hermione decidiu impacientemente. E isso era ridículo, pois ela e Ronald já estavam divorciados e ela não tinha absolutamente nenhum relacionamento com Draco.
— Por mais agradável que seja esta conversa — seu tom sugeria o contrário —Acho que gostaria de tomar ar lá fora, Draco. — ela o olhou autoritária.
Draco fez um gesto breve com a cabeça.
— É claro...
— Tio Ronald?
Hermione havia se esquecido completamente de Lily até aquele momento e agora ela juntava-se a eles, depois de falar com o jovem ator que lhe apresentaram quando ela pediu para conhecê-lo.
— Lily? — Ronald ergueu as sobrancelhas, surpreso, virando-se para a antiga sobrinha.
Lily sorria para ele, muito à vontade, parecendo absolutamente adorável num vestidinho amarelo.
— Titia Hermione não disse que você estaria aqui também.
— É, imagino que não. — replicou Ronald com uma olhadela triste na direção de Hermione. — Não tinha ideia que isso fosse uma reunião de família. Posso esperar ver Gina e Harry também?
Hermione deu-lhe um olhar repressor. Gina e Harry nunca tinham feito segredo de que não gostavam de Ronald, nem o aprovavam, não como esposo para Hermione, embora gostassem dele como pessoa.
— Não, somos só nós três — Hermione respondeu intencionalmente.
— Hmm — ele murmurou enigmaticamente. — É muito bom revê-la, Hermione — ele acrescentou, a voz rouca. — Nós dois precisamos conversar...
— Acho que não, Ronald — Hermione o interrompeu com firmeza; ela e Ronald não tinham absolutamente nada a dizer um ao outro. Tinham passado meses, anos, tentando resolver seus problemas, inutilmente.
Ele esticou a mão e agarrou seu braço.
— Diga-me onde está hospedada, Hermione, e eu...
— Tire a mão dela, Weasley! — rosnou Draco com os dentes cerrados.
Ronald lançou-lhe um olhar de pura antipatia.
— Não se meta, Malfoy...
— Vou contar até três...
— E depois o quê? — Ronald o desafiou. — Isto não é absolutamente da sua conta...
— Estou fazendo ser da minha conta — disse Draco num tom letal.
— Por favor, não, Draco — Hermione pôs a mão no braço dele, com um olhar suplicante, antes de se virar para o ex-marido. — Ambos sabemos que nada restou para dizermos, Ronald, e certamente não aprecio a maneira como está chamando atenção para nós. — acrescentou, percebendo os olhares curiosos em sua direção. — Acho que é hora de partirmos, Draco.
— Telefono para você — Ronald disse alto, atrás dela.
Draco virou-se para lançar-lhe um olhar gélido, cerrando os punhos ao lado do corpo, quando viu o olhar quase desesperado no rosto de Weasley, enquanto contemplava Hermione.
— Realmente temos de ir? — Lily estava decepcionada. — Não estou nem um pouco cansada — ela garantiu.
Draco riu e soltou a cintura de Hermione para pegar Lily no colo.
— Titia Hermione precisa de seu sono de beleza — ele disse provocante.
Lily virou-se para olhar a tia.
— É impossível a titia Hermione ficar ainda mais linda do que já é. — ela informou orgulhosamente.
Realmente Draco teve de reconhecer, desanimado. Hermione era absolutamente deslumbrante. Confiante. Desejável.
— Então talvez eu precise do meu sonho de beleza. — ele disse tristemente.
— Você é muito mais bonito do que o tio Ronald. — Lily disse, com franqueza inocente.
Draco olhou para Hermione, imaginando como ela aceitava essa comparação, mas foi incapaz de ler qualquer coisa em sua fisionomia controlada, quando Hermione enfrentou seu olhar tranquilamente.
— Também gosto mais de você do que do tio Ronald. — continuou Lily — Ele nunca brincou comigo como você.
Hermione achou que essa conversa já havia ido longe demais. Mesmo concordando inteiramente com tudo que Lily disse.
A beleza clássica de Draco era muito mais atraente do que a urbanidade sofisticada de Ronald. E, apesar de suas diferenças, assim como Lily, Hermione também gostava muito mais de Draco do que de Ronald...
— Todas as lisonjas do mundo não vão impedir que a gente vá embora, mocinha. — brincou com a sobrinha.
(...)
Lily caiu no sono no banco traseiro, assim que deixaram para trás as luzes brilhantes de Cannes.
— E ainda disse que não estava cansada — Hermione murmurou. Suspirou fundo. — Não posso dizer que lamento por isso ter acabado! — Recostou-se pesadamente no encosto e fechou os olhos.
Draco deu uma olhada rápida, franzindo a testa, notando mais uma vez, o ar frágil de Hermione.
— Foi a primeira vez que você e Weasley se encontraram depois do divórcio? — ele perguntou.
— Foi.
— Lamento que tenha sido de um jeito tão público. — Draco fez uma careta.
— Eu, não — Hermione virou a cabeça para olhá-lo. — Obrigada pelo apoio — disse, em voz trêmula.
Draco apertou a boca, imaginando, mais uma vez, como Hermione realmente se sentia por ter visto Weasley de novo... Deu de ombros.
— Weasley não me deixou a menor escolha.
— Não — Hermione concordou tristemente. — Mas lhe agradeço, mesmo assim.
Draco não conseguiu pensar em nada para dizer em resposta ao comentário, enquanto voltavam para a vila em silêncio.
Um silêncio tenso, quase expectante, pois até o ar entre eles parecia crepitar com uma tensão enervante que parecia elétrica de tão intensa.
— Vou carregá-la para dentro — Draco ofereceu ao estacionar o carro e sair para tirar Lily do banco de trás.
— Obrigada — murmurou Hermione.
O que tinha acontecido entre eles no carro ainda agora?
Porque algo havia acontecido. Algo tão tangível que Hermione quase podia esticar a mão e tocar naquilo. Podia esticar a mão e tocar em Draco.
Assim como sabia que ele queria tocá-la.
— Estarei esperando lá fora no terraço depois que acabar de colocar Lily na cama. — ele disse bem baixinho, endireitando-se após deitar Lily nos lençóis frescos.
Hermione o fitou muda. O olhar examinando a arrogância dura e legível de seu rosto.
— Draco... — ela se interrompeu com olhos arregalados, quando Draco chegou tão perto que seus corpos quase se tocavam, a tensão crepitante que sentira no carro se intensificando quando seus olhares se encontraram e se prenderam.
Hermione mal conseguia respirar. Draco nem tentava esconder o desejo que ardia naqueles olhos azuis, o mesmo daquela tarde quando lhe descrevera todas as carícias que desejava fazer com ela.
Ele ergueu a mão, sua palma prendendo-lhe o queixo enquanto o polegar se movia delicadamente pelo seu lábio inferior. Hermione instintivamente abriu os lábios com a suavidade daquela carícia, sentindo os mamilos endurecerem e incharem sob o vestido.
O tempo parecia parar.
Nem um ruído, nem um movimento de ar os perturbava.
Só o que existia naquele momento era Draco e essa percepção louca que esquentava o seu sangue nas veias e fazia sua pele arder de desejo pelas carícias dele, alisando, espalmando, excitando.
Ela não conseguiu se mover quando Draco começou a baixar a cabeça para a sua, e ficou sem ar quando os lábios dele se moveram suavemente, sedutoramente, contra os seus. Ele já não a tocava de nenhum outro jeito, mas a prendia ali apenas com aqueles lábios excitantes, enquanto lentamente a sorvia e a saboreava.
Hermione não fazia ideia de quanto tempo durou aquele beijo. Nem queria saber ao retribuí-lo fervorosamente.
Hermione tinha um sabor maravilhoso, Draco pensou ansiosamente. Quente. Sedoso. Inebriante.
Sentiu as coxas se contraírem e deliciava-se com o prazer inebriante de beijá-la. Nada mais. Apenas a maciez daqueles lábios contra os seus, enquanto ambos se saciavam.
Claro que isso não era o bastante. Draco queria mais. Muito mais.
Ele ergueu a cabeça para olhar Hermione, sabendo, pelo rosto enrubescido e pelo ardor em seus olhos, que estava tão excitada quanto ele.
— Quero tanto você, Hermione — ele gemeu roucamente. — Não me deixe esperando muito tempo lá fora, sim?
Não deixá-lo...
Ele achava que os dois...? Que iam...? Draco achava que sua reação ao beijo dele era um convite para que os dois fossem lá fora e fizessem amor do jeito que ele já descrevera mais cedo? E depois, o quê? Mais alguns dias da mesma coisa, antes de voltar para o mundo dele e ela retornar ao seu?
A realidade despertou Hermione como uma rajada de ar frio e ela só conseguia fitá-lo enquanto algo murchava e morria em seu íntimo. Alguma esperança... Algum sonho antigo relembrado...
Mas este era Draco Malfoy, lembrou a si mesma. O mesmo homem que tinha se apoderado de seu coração oito anos atrás e depois o rejeitara quando se entediou dela e passou para outra conquista. Assim como se cansaria dela novamente depois de fazerem amor.
Outra vez, não. Hermione disse a si mesma firmemente. Nunca mais deixaria o coração dominar sua cabeça.
— Estarei lá fora. — Draco sussurrou, passando um dedo lento e carinhoso pelo seu rosto, antes de se virar e sair calmamente do quarto.
Hermione ficou imóvel como uma estátua.
Sentia-se como uma estátua naquele instante.
Uma figura de mármore frio na qual nenhuma emoção, nenhuma sensação, existia.
Nem mesmo dor...
(...)
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