Notas iniciais
38 leitores! Nossa! Uau! Mais do que eu esperava e - tão somente pelo "fato desse fato" alegre, postarei dois capítulos hoje! Meu final de semana foi incrível, estou moída de tanto dançar, ainda estou com sono e de ressaca! Rá.
Vamos ao capítulo?
E não esqueçam. Comentem!

CAPÍTULO V


Draco já tinha acendido a churrasqueira, deixando-a pronta para grelhar o bifes do jantar, e agora estava sentado no terraço tomando outra taça de vinho branco quando Hermione e Lily se juntaram a ele. Lily estava muito engraçadinha e Hermione estava ainda mais bonita, com as pernas bronzeadas expostas e um vestido de seda que se ajustava a ela nos lugares certos.

Ou, dependendo do ponto de vista, em todos os lugares errados. Admitiu Draco tristemente ao contemplar aqueles ombros nus bronzeados e o início dos seios.

Tinha sido um erro beijar Hermione, Draco reconhecia agora. Mas era só o mais recente dos muitos erros que cometera em relação a ela — deixar-se apaixonar por ela fora definitivamente o pior de todos.

O loiro crispou os lábios ao levantar os olhos para ela.

— Sirva-se de vinho. — ele ofereceu quando Hermione se sentou à outra ponta da mesa. — Como está Gina?

— Muito bem! — Hermione respondeu com ar distante, servindo-se de vinho e sem a menor intenção de contar a resposta da irmã quando Hermione reclamou sobre a chegada de Draco.

“Segure a sua onda.”, tinha sido o comentário de Gina.

Porém não era a onda que Hermione tinha de segurar — era a zombaria de Draco e seu próprio ressentimento contra ele. “Já é hora de vocês dois superarem isso” tinha sido a resposta de Gina a essa queixa.


Não era um conselho muito útil quando Hermione ainda sentia o antagonismo entre ela e Draco ardendo sobre a polidez superficial.

Não que Draco parecesse muito preocupado com isso. Na verdade, parecia lindo, vestindo um jeans desbotado ajustado às suas pernas fortes e uma camisa azul do mesmo tom de seus olhos azuis acinzentados, os cabelos úmidos afastados daquela feição esnobe e aristocrática herdada do pai inglês. Hermione tinha escolhido cuidadosamente o vestido para esta noite, sabendo que precisava de toda a sua autoconfiança para enfrentar Draco depois da cena ardente na cozinha. Também tinha prendido os cabelos no alto da cabeça deixando o pescoço e o ombros nus, e apenas um gloss rosado nos lábios.

Lábios que ainda vibravam com a força do beijo de Draco.

— Mamãe mandou dizer “Oiiieee”, tio Draco. — Lily falou alegremente.

— É mesmo? — replicou ele em voz arrastada.

— É. E lhe deseja sucesso no festival de cinema.

— Ela foi muito atenciosa. — Draco respondeu num tom suave a Lily, mas no fundo tencionava dizer pessoalmente a Gina algumas coisas assim que Lily estivesse na cama. — Será que titia Hermione sabe fazer uma salada? — ele brincou levantando-se para virar os bifes na churrasqueira.

Lily deu uma risadinha.

— Titia Hermione fez omeletes ontem a noite.

— É mesmo? — Draco ergueu as sobrancelhas loiras ironicamente. — Obviamente, ela é uma mulher muito pren­dada! — ele acrescentou, com um olhar de soslaio provocante para a "titia Hermione".

Lily nem percebeu o insulto intencional à tia e foi arru­mar a mesa na área externa para os três.

Mas Hermione percebeu, e seu olhar furioso mostrava a Draco que não achou nenhuma graça no comentário dele.

Draco retribuiu com um sorriso irônico, o olhar de Hermione por vários segundos antes de voltar a atenção para os bi­fes. O problema era Hermione ser linda demais para ele — ou para qualquer outro homem! — era impossível olhá-la sem querer leva-la para a cama.

E isso era algo que jamais aconteceria de novo, Draco disse a si mesmo, apesar de ter gostado de beijá-la naquela tarde. Não... foi mais do que gostar — e, desde então, queria re­petir essa experiência.

Oito anos, droga! E, horas depois de revê-la, o corpo de Draco ardia com o desejo despertado mais cedo e não realizado.

— Como vai Gina realmente? — ele perguntou, assim que Lily foi para a cozinha pegar os talheres.

Hermione sacudiu os ombros.

— Ela acha que o especialista vai interna-la amanhã se a pressão não baixar.

Draco percebeu preocupação na voz de Hermione.

— Ela não passou mal assim com Lily, não é?

— Que eu saiba, não. — Hermione franziu a testa. — Não passei muito tempo na Inglaterra nos últimos tempos, Draco — explicou.

Ele torceu os lábios com desprezo.

— Ocupada demais ganhando fama em Hollywood, imagino.

— É onde Ronald morava, Draco — ela disse defensiva­mente, ao perceber um tom de censura. — É onde ele traba­lhava. Era natural que eu trabalhasse lá também.

Realmente, este homem parecia achar que tudo que ela fazia, tudo que dizia, era suspeito — especialmente se isso lhe permitisse fazer algum comentário cortante.

— Lembro-me de que antes você dizia que seu amor maior era o palco — disse ele roucamente. — Eu até falei em me mudar para a Inglaterra por uns tempos, quando você aceitou o papel em Sonhos de Uma Noite de Verão.

Hermione franziu a testa de forma pesarosa. Sim, Draco tinha falado em ficar temporariamente na Inglaterra. Mas isso foi antes de ele ficar entediado com o relacionamento deles e ter um caso com outra mulher.

Ela crispou os lábios.

— Para poder ficar comigo e com todas as outras mulhe­res apaixonadas arfando à sua porta! — ela comentou sarcasticamente. — Com licença, Draco — acrescentou, levantando-se abruptamente. — Tenho de fazer uma salada.


(...)


O jantar não foi uma refeição descontraída, Hermione reconhe­ceu tristemente. Felizmente Lily, estava tranquilizada pela con­versa ao telefone com a mãe e tinha voltado ao normal. Sua tagarelice preencheu o silêncio entre Draco e Hermione. Os dois mal se falaram durante o jantar.

Draco pediu licença para dar um telefonema enquanto Hermione botava Lily na cama, prolongando o máximo possível o tempo passado no quarto da sobrinha, antes de se reunir a Draco no terraço. Finalmente foi lá fora. Ele contemplava os últimos raios vermelhos do sol poente no céu que escurecia rapidamente.

Hermione hesitou à porta, pouco à vontade com o ar de inti­midade que o cercava.

— Sente-se, Hermione — ele ordenou, sem se virar. Ela ofegou.

— Como você... ?

— Seu perfume — ele explicou, voltando-se para ela.

— Deixe de indecisão, Hermione, e venha se sentar.

Os olhos dela se arregalaram, indignados, com aquele tom autoritário.

— Você sempre foi arrogante, Draco. Tenho certeza de que, como diretor, exerce muita autoridade, mas posso lhe garantir...

— Pelo amor de Deus, sente-se, Hermione! — Ele se virou para fita-la, os olhos azuis cintilando na semiescuridão.

— Quero conversar com você sobre Gina — acrescentou impacientemente ao vê-la imóvel à porta.

— Oh. Está bem — ela se sentou na cadeira mais afastada dele. — Era com ela que conversava ao telefone agora?

— É bom saber que todos aqueles anos de casamento com Ronald Weasley não embotaram completamente a sua in­teligência.

— Draco...

— Quer se calar e escutar pelo menos uma vez na vida, Hermione? — ele se levantou e moveu-se irrequieto até a beira do terraço. — Falei com Harry. Aparentemente Gina, por motivos óbvios, estava deliberadamente minimizando a situação quando falou com você e Lily... — sua expressão era séria. — Estão preocupados com os bebês agora e também com Gina, e o médico tenciona interna-la amanhã e fazer uma cesariana.

Hermione levantou-se de um salto.

— Vou providenciar minha volta com Lily imediata­mente...

— Essa é a última coisa que Harry quer que faça! — Draco virou-se rapidamente para ela. — Hermione, ele não tem a me­nor ideia do resultado da operação para Gina e os bebês e a última coisa que deseja é que Lily volte para a Inglaterra e fique presa no meio dessa incerteza. Mesmo que a operação seja um sucesso, Gina e os bebês terão de ficar no hospital por vários dias, então há tempo de sobra para você chegar lá depois que ela voltar para casa. Uma gravidez de gêmeos nunca é fácil.

"Mesmo que a operação seja um sucesso" foi o único ponto que Hermione registrou... Ela engoliu em seco.

— Hã... Quais são as chances dos três ficarem bem?

Draco não estava apreciando nada esta conversa. Sabia que as irmãs, tendo perdido os pais num acidente de carro há dez anos, tinham permanecido unidas emocionalmente, embora morando em continentes diferentes durante anos. Foi devido à união entre as irmãs que Draco conheceu Gina e Harry...

— Hermione...

— Só me responda, por favor, Draco — ela disse, tensa, os olhos avelãs brilhando de lágrimas, as mãos apertadas nervosamente.

Sob outras circunstâncias, Draco a teria tomado nos bra­ços e confortando-a. Mas depois do que acontecera entre eles mais cedo, Draco nem ousava tocar em Hermione de novo.

Em vez disso, ficou onde estava, longe dela, com uma expressão distante.

— Harry acha que há uma boa chance de tudo dar certo para os três...

— Graças a Deus! — Hermione respirou aliviada, relaxando os ombros. — Mas...? — ela acrescentou, percebendo que Draco não tinha contado tudo que Harry dissera.

Draco fez uma careta.

— Também perguntou se nós dois ficaríamos aqui com Lily até ele saber exatamente o que está acontecendo.

E, se Hermione pensava que se sentia mais feliz do que ela com esse pedido, estava completamente enganada. — A ideia é nós distrairmos Lily pelo menos nos próximos dois dias, para que ela não tenha muito tempo para telefonar, ou pensar no que está acontecendo em casa.

Hermione pestanejou.

— Harry quer que fiquemos juntos? — ela repetiu, incrédula.

Draco apertou a boca diante daquele tom.

— Posso ser civilizado quanto a isso, se você também puder, Hermione.

Para Hermione, não era uma questão de serem "civilizados". Ela havia esperado que ela e Draco finalmente pudessem ter a conversa sensata sobre a partida de um deles. De preferência, esta noite.

O pedido de Harry, porém, tinha aniquilado essa ideia, e o cunhado pedia-lhe que permanecesse com Draco. Bem, ob­viamente não só com Draco — se Lily não estivesse ali, Harry nem precisaria fazer tal pedido.

Hermione sabia perfeitamente bem que Draco seria a presença dominante nos próximos dias; e era óbvio que os dois não podiam nem estar no mesmo país sem brigar.

Ao mesmo tempo, porém, ela reconhecia que Harry tinha razão; depois de apenas algumas horas, Hermione podia ver a harmonia entre Draco e Lily, e só estar com ele já havia aliviado o humor introspectivo dela. Que aquelas mesmas horas tenham sido um purgatório para Hermione realmente nem devia ser considerado, quando o que interessava a todos era a paz de espírito de Lily.

Mesmo assim...

Ela franziu a testa.

— Você realmente tem de ficar aqui na vila para fazermos isso?

Eu sou o proprietário, Hermione! — Draco lembrou-lhe, irritado.

Ela deu de ombros.

— Então, talvez eu devesse me hospedar em um hotel...

— Quer parar de ser tão infantil? — Draco a interrom­peu vigorosamente. — Ou será que não confia em si mesma para ficar sozinha aqui comigo só por uns dois dias? — ele zombou.

Os olhos dela brilhavam de raiva quando ela imediata­mente respondeu com todo o sarcasmo de que era capaz.

— Não se lisonjeie, Draco.

— Ah, é, esqueci — sua boca se retorceu de desgosto. — Você teve tantos amantes nos últimos anos que provavel­mente queria ter uma folga por algumas semanas!

— Não tive nenhum amante durante o meu casamento! — Hermione protestou veementemente.

Ele deu de ombros.

— Não foi o que o Weasley disse dez meses atrás.

— Ele estava zangado, inventando coisas — Hermione se de­fendeu.

— Claro que estava...

— Não use esse tom condescendente comigo, Draco — ela disse furiosa. — Não tive nenhum caso durante o meu casa­mento com Ronald!

As sobrancelhas de Draco se ergueram.

— Não está protestando um pouco demais, Hermione? — ele provocou baixinho.

Ela sacudiu a cabeça.

— Estou apenas tentando explicar que Ronald estava perturbado quando fez aquelas acusações, porque eu o abandonei — ela levantou o queixo. — Além do mais, Draco, os seus próprios relacionamentos numerosos no decorrer dos anos não foram um segredo muito bem guardado. — ela o desafiou.

Assim como o seu relacionamento clandestino oito anos atrás com sua co-estrela, Pansy Parkinson, não tinha permane­cido secreto como ele desejava...

— A diferença é que não sou casado — ele salientou.

— Não, você nunca se comprometeu, não é Draco? — ela disse desdenhosamente.

— Não, se era para terminar com uma esposa infiel como você. — ele retrucou roucamente.

— Não escutou nada do que eu disse?!

— Oh, escutei, Hermione — ele rosnou. — Só que tenho gran­de dificuldade em acreditar em sua afirmação de inocência!

Hermione engoliu em seco.

— Você adora me ofender, não é, Draco?

Não, droga, Draco não sentia nenhum prazer em falar sobre os outros homens com quem, segundo o Weasley, Hermione havia se envolvido enquanto casada. Em sua opinião, se o brilho do casamento tinha se apagado, se Hermione estava infeliz com o Weasley, — como agora parecia certo — então ela devia ter se separado, não ter uma série de amantes para compensar essa infelicidade.

Draco apertou os lábios.

— Estaremos aqui não por mim, nem por você, Hermione — ele rosnou. — É por uma menina de seis anos que precisamos distrair, para que Harry possa se dedicar a Gina e aos bebês.

Ele tinha razão. Hermione sabia disso. Draco a abalara, fa­lando sobre as coisas ditas com raiva por Ronald, quando ela lhe dissera que ia deixa-lo, acusações pelas quais ele se desculpara em particular. Tarde demais, naturalmente, pois a imprensa já havia divulgado alegremente as mentiras, e não estava disposta a publicar um desmentido.

Também era desconcertante perceber que a afeição de Draco por sua sobrinha era tanta que ele estava disposto a continuar ali com Hermione, quando obviamente preferiria não ficar.

— Você tem razão. — ela admitiu. — Estou disposta a... Tentar deixar de lado nossas diferenças, se você estiver.

Os dentes muito brancos de Draco brilharam na semiescuridão num sorriso sem humor.

— Declarar uma trégua, quer dizer?

— Parar com os insultos e as recriminações, quero dizer — Hermione lhe disse firmemente.

Ele deu de ombros.

— Vou me comportar, se você fizer o mesmo.

— Então está combinado. Pelo bem de Lily, tentaremos manter uma aparência harmoniosa, pelo menos nos próxi­mos dois dias.

Draco inclinou a cabeça, concordando.

— Pelo bem de Lily.

Hermione levantou-se e hesitou à porta.

— E não haverá nenhuma repetição do... Do que aconteceu na cozinha mais cedo — ela acrescentou roucamente, ainda inconformada por ter se entregado tão facilmente — com tal avidez — quando Draco a tomou nos braços e a beijou.

— Ah! Isso agora é outra coisa, Hermione — Draco dobrou os braços sobre o peito largo, contemplando-a com olhos zombeteiros. — Afinal, talvez você não consiga manter as mãos longe de mim.

— Só nos seus sonhos, Draco — ela escarneceu.

— Talvez. Veremos, não é...?

Não, não "veriam", Hermione resolveu, retirando-se enfureci­da para o seu quarto na frente da casa.

Uns dois dias, era só o que isso seria. E, certamente, ela conseguiria evitar qualquer situação comprometedora com Draco por um tempo tão curto... Não conseguiria?

(...)


Notas finais
=)