CelleXty Saga - Temporada II

5 À luz dos caninos brancos


Outono de 2000....

Arquivo Confidencial — Instituto Xavier

Sujeito(s): Folkhen / Basco Khassan Markel / Danielle Moonstar (Miragem) / Ivan (Tornado) / Cassiopéia / Alcateia Lycan

Status: Expansão de Ameaça Nacional — Conflito Ativo em São Paulo


O vento que soprava sobre o litoral gaúcho não era natural. Em pleno verão, uma frente fria avançou sobre Torres como um presságio fora de época, congelando praias, calando veranistas e espalhando uma sensação de abandono que não combinava com fevereiro. Foi ali que Folkhen, de volta às suas origens rio-grandenses, iniciou uma investigação que o levaria por meses através de estradas litorâneas, vilas esquecidas e cidades que pareciam cochichar segredos ao cair da noite. Cada pista era um fragmento desconexo — frio intenso, mortos que se levantavam de tumbas, homens-lobo vistos à luz da lua, pessoas trajando roupas estranhas, corpos encontrados rígidos como estátuas de gelo.

— Isso não é fenômeno climático... — murmurava ele, analisando relatos e mapas rabiscados. — Tem alguém por trás disso.

As histórias o conduziram até Capão Novo, a poucos quilômetros de Capão da Canoa, onde o medo já não era sussurro, mas rotina. Entre os 62 mil habitantes, o terror ganhara nome próprio. Portas trancadas antes do pôr do sol, igrejas lotadas, pescadores jurando ter visto sombras caminhando sobre o mar congelado. Folkhen sabia que não enfrentava um evento isolado. Havia algo maior, algo que conectava frio, morte e criaturas que não deveriam existir. E ele pretendia encontrar o epicentro daquela anomalia.

Enquanto isso, a milhares de quilômetros dali, em São Paulo, Basco Khassan Markel recebia uma visita que trouxe ecos de outro tempo. Danielle Moonstar, a Miragem, surgia na EBX com o mesmo olhar determinado dos dias em que lutaram juntos como Novos Mutantes nos Estados Unidos. O reencontro foi breve, mas carregado de memória. Miragem agora fazia parte da FLM (Frente de Libertação Mutante), um grupo paramilitar de mutantes mais radicais em suas ideologias.

— Ainda liderando revoluções silenciosas, Khassan? — provocou ela, com um meio sorriso.

— Alguém precisa manter o mundo inteiro de pé — respondeu ele.

Moonstar viera em busca de dois jovens da equipe mais jovem de mutantes conhecida como Geração X: Suplício, dona de garras afiadas e passado nebuloso, e Sangue-Rubro, capaz de transformar o próprio sangue em arma. Ambos haviam sido trazidos clandestinamente para a América do Sul por traficantes de mutantes. Com auxílio de Isabelle, Ivan e do próprio Basco, a dupla foi localizada dias depois em um depósito subterrâneo na Rua 25 de Março. O resgate foi rápido e cirúrgico. Suplício seguiu com Danielle, mas Sangue-Rubro decidiu permanecer no Brasil e deixou São Paulo com rumo desconhecido. Antes de partir, Danielle fez um convite.

— A FLM precisa de você. Fazemos o que os X-Men não ousam fazer.

— Meu lugar é aqui — respondeu Basco, firme. — O Brasil está à beira de algo perigoso e precisam de mim por aqui.

A despedida foi sincera, mas havia a sensação de que seus caminhos voltariam a se cruzar.


Algum tempo depois, os sonhos de Isabelle tornaram-se mais densos que o próprio ar. Sete sombras a cercavam em visões fragmentadas, e em cada pesadelo a equipe tombava diante delas. Não havia rostos, apenas silhuetas envoltas em escuridão.

-Seria algo do presente ou uma premonição? — questionava-se, ao despertar suado.

Pensou em procurar Nevoeiro, talvez Ivan, mas antes que pudesse organizar seus pensamentos, a realidade rompeu o silêncio com violência. Criaturas invadiram o Aeroporto de Congonhas, explodindo aviões nos hangares e espalhando pânico entre milhares de passageiros. Era sexta-feira. O saguão estava lotado.

— Madalena, Lígia, Gerson. Comigo. Agora! — Ordenou Tornado.

Quando chegaram, encontraram o caos materializado. Uma alcateia de Lycans avançava sobre pistas e terminais. E acima deles, numa das plataformas elevadas, Cassiopéia observava. Forte. Imponente. Cabelos negros ao vento, cicatrizes marcando a pele parda como troféus de guerra.

A antiga CelleXty erguia os braços e, com um único bater de palmas, liberava uma explosão de luz e pulso magnético que varreu o aeroporto.

A cegueira temporária foi coletiva. Gritos ecoaram.

— Começamos pelo símbolo — declarou Cassiopéia, a voz amplificada pelo caos. — Nada chama mais atenção do que um aeroporto em chamas.

Lídia mergulhou na mente dos civis, espalhando calma e direcionando rotas de fuga. Madalena e Gerson correram para as pistas, tentando conter as feras que avançavam rumo aos hangares. Ivan posicionara-se diante da própria Cassiopéia.

— Você recrutou isso tudo? — perguntou Ivan, tentando ganhar tempo.

— Recrutei o que vocês ignoraram — respondeu ela, fria. — Os Lycans vagavam esquecidos nos túneis desde o confronto de vocês com Althy e Igon. Eu apenas lhes dei propósito.

As criaturas rugiram em uníssono, como se respondessem ao comando invisível da mutante. O céu sobre Congonhas parecia mais escuro, embora ainda fosse dia. Sob a luz branca dos caninos expostos, São Paulo testemunhava o início de uma nova guerra — uma guerra que Cassiopéia planejara por meses, observando cada passo dos CelleXtys, aguardando o momento exato para transformar medo em espetáculo.