Celestial Cross
5 Toque
Enquanto o calendário passa, o dia chega. Era uma manhã quente, do nível de não andar descalço na rua, eu e meus irmãos estávamos numa praça aproveitávamos o dia, não sei se era final de semana ou feriado, o que importava é:
— Meu Deus, que calor. Zephyr tem dinheiro com você? – minha irmã disse
— Tenho R$20.00, não vou te comprar um balão – retrucou Zephyr
— Balão? Não, não, isso não mata calor, eu quero gelo e um sorvete, quem sabe?
— Sorvete? – Zephyr solta uma pequena risada – Claro, se o Capple for lá.
Zephyr deu um tapa nas minhas costas e falou para comprar 3 de chocolate. Meu corpo somente respondeu com trêmulos, e se ele não tiver? Se não me ver? Será que ele acha que não tenho dinheiro? Eu não queria decepcionar eles então fui e ao tentar fazer os pedidos, minha voz simplesmente não saia e o sorveteiro parecia estar indo embora. Até que alguém gritou o meu pedido, um rapaz loiro de olhos verdes usava uma roupa de esquimó por algum motivo, tinha uma pulseira de bronze com uma jóia azul escura. Ele tentou me entregar, mas corri enquanto o chamava de “tarado” ... na minha cabeça.
Parei perto de um lago para recuperar o fôlego, o estranho simplesmente me aguardava lá.
— Wow, eu não esperava que você correria mana — diz o estranho — talvez não tenha sido uma boa aproximação hahahaha
O silêncio ecoa no ar.
— Você é bem calada em? Então... — o estranho continua — ...você percebeu algo estranho? Uma pressão esquisita? ou quem sabe um evento sobrenatural?
O retorno do silêncio, dessa vez mais intenso do que nunca.
— Desculpa acho que é meio grosso já chegar assim com papo meio torto com uma garota sem se quer falar o próprio nome, prazer eu sou Aqua, qual o seu nome chuchu? — ele estendeu a mão
Sempre me confundiram com uma garota, tenho hormônios como eles não entendo o porquê. Não uso nenhuma roupa feminina, além de saias. Então decidir deixar claro ao estranho.
— M-Meu n-nome ... é-é-é Ca-Capple, e eu sou na verdade um garo... — Estendi de maneira lenta minha mão.
— Nome estranho, bom quem sou eu pra questionar hahaha, enfim preciso que venha comigo. Você não é mais humano- ele me interrompe abruptamente quando eu iria falar algo de extrema importância
Não sou humano, não era a primeira vez que alguém me falava isso... Naquele momento, meu coração almejava estar na zona de conforto de que somente felicidade preenchia os meus dias, não importava o que esse cara falasse, pelo menos tentaria dar uma de desentendido.
— N-não s-sou? a-acho q-que p-pegou a pe-pe-ssoa errada
— Olha, não sou bom em explicação, mas confie em mim, também passei por isso, ora somos celestiais. Fazemos parte do plano dos Deuses
— Celestiais... Deuses... Até que eu s-suspeitava que quem sabe, algo estivesse estranho comigo, m-mas m-eus ir...
— Esqueça-os — Aqua diz isso e me choca — sua vida está acima disso, seu propósito é dar a vida a algo muito maior e...
— Ca-cala a boca, e-eu n-não n-não...
— Qualé? esperava algo mais tranquilo... Aff... Você não me dá alternativa...
Uma rápida rasteira me derruba no chão, olho em direção a Aqua que parecia preparar uma bola d’água em suas mãos? Eu me levanto pois queria continuar ao lado deles ao menos mais um pouco, ele lança furiosamente e continuamente os jatos. Continuo em pé enquanto minhas roupas se tornam trapos. Minhas pernas começaram a tremer furiosamente como se estivessem dormentes, andei em direção ao estranho enquanto segurava seu ataque. Quando estou perto dele, meu corpo chuta o braço dele.
— Beleza, é uma celestial com poderes elétrico, era só o que me faltava, não ache que eu vou deixar minha guarda baixa só porque você é linda — Diz Aqua com um tom confiante
— O que foi isso? Meu corpo só agiu... Eu posso fazer isso? Por que eu fiz isso? e ei eu não sou uma garota! — pensei
Nesse momento Aqua desaparece, só consigo ouvir os passos dele, tentei acompanhar ele e chutá-lo de maneira voluntária, mas eu caia e quando acertava ele só se defendia ou me jogava no chão. Quando menos percebi, levei um soco em meu estômago e acordei em outro dia.
— Cadê aquela pressão? Hmm, sinto uma fenda... Essa garota cria fendas interdimensionais? Parece que aquela fada estava certa, afinal de contas, minha chefe vai adorar essa notícia- Aqua finaliza com uma risada bem confiante.
Estranhamente, essa fala apareceu em minha mente, aparentava ser um sonho com consequência dessa vez. Começo a pensar sobre o que aconteceu, tentei digerir melhor e quando menos percebi proferi as seguintes palavras:
— Do infinito rubro... trouxe a forma que o coração almeja, o desejo sai de suas possibilidades e encontra com a porta da realidade. O desejo trará uma nova forma de defesa, será nomeada como Gradus Stabilis, que sua velocidade corte qualquer barreira. Sua característica é que quanto mais energia acumular através de movimentos com meus pés, mais potentes ficarão meus chutes, todavia o peso que traz é um problema!
Não entendi o que “desejo”, “infinito rubro” ou “se tornar real” queria dizer, nem ao menos porque essas palavras foram ditas, era como se fosse algo natural um simples hábito como sempre errar uma palavra específica, um vício de linguagem. Levantei-me da cama em que acordei, não olhei ao redor, somente fugi do quarto pela janela e fui em direção ao parque.
Fiquei horas procurando onde ficaria o local nesse outro ‘dia’, quando finalmente encontrei deitei-me em um banco esperando, pensei seriamente em praticar, mas não sabia nem como fazer isso e nem ao menos meu corpo conseguia responder isso. Lutei contra o sono e somente descansei, até chegar a hora em que Aqua aparecesse novamente, não tinha nenhuma garantia concreta, somente o pressentimento... o pressentimento direto do vermelho.
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