Deitei-me na grama próxima, e observei com mais atenção o colar, o balançava, parecia brilhar quando apontava para a caverna. Talvez tivesse alguma conexão de lá, quando o usei ele tinha mostrado mais detalhes de lá, poderia ser chamado por algo ou alguém. Durante minhas reflexões, uma pedra grande cai ao meu lado, rapidamente rolo para o lado.

— P-pierrot, p-podia t-ter me... — ao me virar, vejo que não era uma das loucuras dele, era uma outra pessoa — Q-quem é você?

Uma figura encapuzada de pé me encarando com olhos verdes, que estranhamente brilhavam bastante, era impossível ver o seu rosto ao seu lado havia pedras flutuando ao seu lado.

— Vendo o seu rosto posso confirmar – a figura começa a falar – Você não é o demônio dos olhos carmesim...

Olhos vermelhos, parece que aquele dragão me ajudou a sair de uma situação complicada, trocando a suas cores.

— Mas é um celestial, sem dúvidas... Não existem humanos nesse universo

Nesse momento, uma bola de lã vai em direção a figura, ela não olha só pega no meio do ar... A energia na bola se dissipa. Pierrot vai rapidamente em direção da figura, porém uma das pedras responde a altura o que faz ele cair no meio do ar.

— O dia não combina comigo, essa noite, nos veremos novamente, por favor se prepare bem... — ele olha em direção a floresta – Ya e Yu, vamos recuar por hora

Em um piscar de olhos, eles desapareceram. Pierrot aparentava estar surpreso, e a pedra parecia ter lhe ferido bastante.

— Conhece esses caras? – diz um pouco ofegante

— N-não... Sinceramente, t-tem u-umas p-pessoas e-estranhas m-me p-perseguindo...

— Talvez seja uma boa oportunidade para deixar o treino mais prático, não é? – retorna a sua face confiante de sempre

— C-com certeza n-não

— Qual o problema? Se algo dê errado o seu “mestre” vai dar uma pancada bem forte no oponente

— E-esse n-não é o p-problema... É q-que n-não q-quero machucá-los...

— Seu “mestre” já mostrou como controlar a Aura, é só lembrar que vai funcionar

— L-lembro de d-dor e f-fome

— Vamos lá, você aprendeu mais que isso com o seu “mestre”

— Já pedi pra parar com isso – grito com ele, em seguida fico vermelho – D-desculpe

O tom do clima vai de preocupação para constrangimento, não sabia o que falar para melhorar o astral de Pierrot. Muitas coisas ocorriam ao mesmo tempo e precisava organizar as ideias... Sinceramente o que mais me incomodava era a sensação estranha que não paro de sentir.

— P-pierrot, s-sei que pode parecer d-de repente, m-mas p-podemos d-dar uma pausa

— Preciso me recompor... Vai lá

Retorno à caverna da cachoeira, a joia parecia bem mais importante naquele momento do que a estranha figura, sentia que as duas coisas se correlacionavam. Ao investigar vi que ela era bem mais profunda, andei pela escuridão guiado apenas pela sorte...

No final dela vejo um campo enorme com uma bela cabana e uma senhora em uma cadeira de balanço. Me aproximo, vejo que a senhora usando roupas de velório, tinha cabelos e olhos vermelhos, a cor era semelhante a aquela que coloria os meus, costurava algo e para ao me ver.

— Filho, é você? Já te disse que tinha que me separar de vo... – a voz dela me dava um déjà-vu, era uma voz bem cansada e meio chorosa.

— D-desculpe s-só e-estou de p-passagem

— Seus olhos me lembram o dele, apesar das cores rosa e verde, posso claramente ver... — ela continua – Entendo, me responda o que é você?

— Que tipo de pergunta é essa? — mesmo tentando resistir, a minha alma convenceu a minha voz de ignorar a mente, algo semelhante com quando agi de maneira estranha com Pierrot – Eu sou apenas alguém... perdido, sendo arrastado para milhares de lugares sem nenhuma explicação, até mesmo esse lugar apenas caminhei até aqui

— É isso que você sente?

— Até agora não tive nenhum controle de minha... — dessa vez consigo resistir essa vontade, colocando de volta as ideias no papel — Não, q-qual a r-razão de quase ter c-contado c-coisas tão d-delicadas?

— Me diga você, estou apenas esperando o meu filho. Finalmente pude voltar para casa, mas ele não está aqui

— Deve s-ser difícil i-isso...

— Sempre soube que retornaria para uma casa vazia, o mundo continua a girar mesmo independentemente de estarmos fora dele ou não. Como mãe, espero que ele esteja bem, onde quer que esteja... – uma lágrima escorre de seu rosto — Mas e você? Por que está ouvindo o desabafo de uma senhora no meio do nada?

— Eu s-sinto que a-apenas... O meu dever neste local era ouvi-la

— Me ouvir... Você foi oportuno de ouvir a minha voz em outro momento?

— ...

— Palavras podem dizer muito pouco comparado a gestos, ou até mesmo o silêncio, a sua ausência. Concluo que essa não foi a primeira e que nos encontramos, tenho algo para te presentear, já que é um jovem tão doce

Do crochê ela retirou um caco de um cristal vermelho e colocou em minhas mãos. Com isso, o corpo da senhora começou a se desfazer em uma poeira rubra e a girou em torno de meu corpo, meus olhos e cabelos começaram a brilhar vermelho juntamente do item, que viajou para o colar se misturando. A voz da senhora ecoou em minha mente.

— Eu e você, você e eu... Somos a persona um do outro, com a esperança de retornar a origem... O mais puro e intenso carmesim uniu novamente os fragmentos ansiosos. Que eles lhe ajudem a progredir mais um degrau em sua jornada

O cenário se despedaçou, levou junto a caverna de lá, me deixou debaixo da cachoeira. Era como se ela fosse somente uma alteração que veio junto a aquele estranho lugar. Junto disso a sensação estranha desapareceu e sinto uma leveza em meu corpo, bem delicada como se um pequeno peso tivesse saído de meu peito. O ambiente tinha uma neblina bem forte que emanava uma ouço energia energizante e pesada, acompanhada de sons intensos de trovões. Vejo um vulto, parecia ser a mulher lá da floresta, com as mãos atrás nas costas e levemente rebolava seu corpo para os lados, parecia falar algo, mas os trovões a abafavam.

A mulher se aproximou ainda mais, praticamente um braço de distância, gira seu cajado, uma parte da neblina se desfaz, fez uma abertura em forma de um coração, permitiu que nossos peculiares olhos se encontrassem.

Seus cabelos eram amarrados em duas marias-chiquinhas rosas, decoradas com elásticos azuis que lembravam laços. Seus olhos também eram únicos: o direito era rosa e o esquerdo exibia um delicado tom de azul bebê. Abaixo do olho esquerdo, havia uma pequena tatuagem em forma de coração. Seu vestuário consistia em um colar cinza com um pingente em forma de meio coração. Ela usava luvas brancas, e uma túnica que combinava elementos de uma bruxa e de uma bailarina. Com uma silhueta longa e fluida, feita de tecido translúcido em tons escuros, a parte inferior da túnica se transforma em camadas de tule em cores suaves, como rosa, lilás ou azul claro. A parte superior apresenta mangas amplas e fluidas, detalhes decorativos e símbolos místicos. Usava sapatos que lembrava a vestida por palhaços, era branco com listras rosas e tinha uma bola azul na ponta. Empunhava um cajado amarelo com um coração na ponta.

— Boa noite, vermelho

— B-boa n-noite... q-que

— Quem sou eu? Já te falei, não é? Eu sou o am... Como pude ser tão bobinha, tenho que me apresentar direito.

Ela deu um passo para trás, cruzou as pernas, girou 180 graus.

— Aquela que traz luz aos desesperados

Girou novamente, colocou as mãos ao topo da cabeça assim formava um arco

— Traz alegria ao coração as almas errantes

Mais um giro, ela se jogou com tudo em direção ao chão sendo amortecida pelo seu cajado, se sentou no cabo, aproximou um pouco mais, se inclinou e fez sinal de paz e amor em seu olho esquerdo, enquanto mostrava a língua.

— Eu sou o Amor

— A-amor?

— Sim, a bruxa do amor. Vejo que está usando o meu presentinho, então o que acha? – ela ficou de postura reta, cruzou suas pernas e seus braços se apoiaram no cabo do cajado.

— Presente? – olho para o meu pescoço – O c-colar, recebi de um e-estranho, porém não t-tenho vontade de tirar, o que você f-fez?

— Nada, só fiz a minha jogada. Então sentiu alguma coisa aqui? A verdade conseguiu te libertar?

— J-jogada? — não entendi o que ela quis dizer, mas outra dúvida era mais importante no momento – Esse c-colar ressoou com um lo... lugar... então t-tudo ficou e-embaçado

— Incrível. Você pôde entrar em um fragmento real, as memórias póstumas de um ser antigo – Ela disse com um grande sorriso estampado no rosto – Que tal você coletar outros?

— N-não posso fazer i-isso

— Uma promessa com a morte, certo? Quer fazer isso para poder achar o seu irmão? – disse ela com uma voz misteriosa, depois um pouco chateada – Ai ai, sério morte sempre adorou brincar, não importa a reencarnação. Escute esses fragmentos podem te dar poderes de uma forma mais fácil do que quebrar pedras, assim você derrota logo o “inimigo misterioso”

— ...p-porque eu? – falo com indignação

— Por acaso, já sentiu o fragmento, coisas como vozes ou sensações?

Ela olhou diretamente aos meus olhos, os dela ficaram completamente rosa e os meus vermelhos. Depois retornam a suas cores modificadas. Ela saltitou devagar de costas em direção a neblina.

— O vermelho lhe guiou... oh guerreiro você é o único que pode fazer isso, vá viaje entre os universos, vou te ajudar com essa informação, só tem um fragmento em cada universo, e você é basicamente um radar... – a neblina a interrompe.

Ela tirou a cabeça de lá e disse.

— Já ia me esquecendo... — ela dá uma espiada nas minhas mãos — Indigum Archanum

E mais uma vez, desapareceu. Essa pessoa parecia me conhecer de algum lugar, era um déjà-vu esquisito. Nesse momento senti que estava esquecendo de algo importante, parecido com quando deixa a mochila em casa e vai para escola, e só lá descobre, não que isso já tenha acontecido comigo ou algo assim. Uma pedra me acerta nas costas, se despedaçou em vários pedaços, a dor sentida era semelhante a um osso quebrado, me fazendo ficar de joelhos, o que me recordou sobre a chegada daquele celestial e provavelmente Pierrot está sozinho, o que me determinou a levantar ... estava preocupado com ele. Sinto que gostava dele e do seu jeito peculiar, me lembra até um irmão caridoso apesar de ser um cara meio abusado, mas não um sentimento de ter um relacionamento sério, era querer estar ao lado dele, o ouvindo e quem sabe... ter a oportunidade de me abrir com ele...

Da intensa neblina, mesmo que os olhos estivessem impossibilitados de ver o horizonte, o coração podia guiar, a energia emitida por ele pode ser sentida, era eletrizante e intensa parecia estar ocupando um grande espaço... Nesse momento, foi onde o treino vendado conseguiu o seu devido sentido. Não veja, nem ouça ou cheire, apenas sinta. Mesmo assim a passagem até onde ele estava não era fácil, rochas ocupavam o caminho tentando de tudo para impedir o meu caminho e mesmo com o ensinamento era impossível a previsão, tive que suportar as tentativas de imobilização, acertavam e cercavam de várias direções.

Minhas pernas imploravam por clemência, meus dentes já estavam em falta, meus braços não se moviam direito, meu sangue já cobria o rastro, todavia o meu coração estava intacto e podia fazer de tudo para forçar meu cansado corpo a continuar. Mesmo não respondendo direito, meus pés já começaram seus movimentos, elas sabiam o que tinha que ser feito, não se podia ficar parado, de passo a passo, voltagem em voltagem, de metros a quilômetros... Gradus Stabilis me carregou ao meu destino.

O lugar em que a neblina parecia ter problemas em impregnar no luar, tinha o que parecia ser uma gigantesca nuvem de lã, o que só podia indicar que era o local. Quanto menos pensei no que fazer para entrar na fortaleza felpuda, ela somente me engoliu, me revelando seu interior. Era pouco espaçoso e podia ver relâmpagos passeando pelo local e no topo estava ele, Pierrot com sua cabeça grudada, seus olhos se direcionaram para minha direção e abriu um sincero sorriso de satisfação. Sentei-me no chão me apoiando na confortável parede, precisava recuperar um pouco do meu fôlego.

— Conseguiu fazer o que queria? – ele disse com uma voz rouca

— Acho q-que... – meus olhos se firmam na direção dele – Não, tenho certeza que s-sim

— Excelente, a minha lã não aguenta mais essa chuva de pedra... Isso consome muito do meu corpo.

— Você não consegue sentir o inimigo? Assim como fiz para te achar, talvez... eu não possa sentir certo?

— Quer dizer que conseguiu usar o meu treino em prática... Estou orgulhoso, mas infelizmente respondendo a sua pergunta... Não sinto eles

— C-como?

— Parece que ele pode esconder a aura ou algo assim

— Ele? Viu ele?

— Aquele estranho que tentou te machucar? Como um cavalheiro e mestre, tinha que segurá-lo de alguma forma, porém o poder dele me machuca demais e nunca vi um poder que manipula pedras...

— Então como nós vamos...

— Não faço ideia, talvez esperar a neblina cessar para achá-lo da maneira antiga

No instante em que tudo parecia estar perdido, uma ideia passa pela minha cabeça, o selo em minhas mãos... O rosa determinado da Aura, o Índigo receptivo da Mana, o laranja pensante do Psi. O dragão tinha me dito sobre isso, conclui que se não era de conhecimento de Pierrot, só podia indicar que era algo além dele, um tipo de energia diferente. Apesar de a pouco tempo, o encontro repentino com a autoproclamada “amor” confirmou uma coisa. Observei as minhas mãos, as negras luvas mitine tinham um código secreto...

— Indigum Archanum

As bordas douradas brilhavam intensamente, e os botões das costas da minha mão ressonavam juntas em um tom azul claro, em seguida voltam ao rosa.

— O que foi isso? – interrompe Pierrot – Desde quando você usa isso

— Então você não podia às enxergar?

— Espera... será que isso aí é um selo, fofa e perigosa pelo que estou vendo

— E-essa não é a hora

— Só queria quebrar o clima... Vai fazer o que com isso?

— Indigum Archanum – exclamei e a mesma coisa aconteceu, acenderam e se apagaram como um cometa se despedaçando no espaço.

— Tenta incluir mais alguma frase... algo do tipo desativar selo

— Algo a-assim... — falei com uma voz fraca e um pouco hesitante, parecia mais uma piada- Limitador... Indigum Archanum: Desativar

Meu corpo rapidamente se levantou e começou a flutuar... Uma luz azul cobriu o forte, uma energia violenta saiu das minhas mãos, meu colar brilhou fracamente parecendo a visão de Marte no céu... Me senti estranho, como se internamente ocorresse uma mudança, semelhante a transição das estações, do verão para o inverno. E meu olho esquerdo perdeu seu tom rosa, sua pigmentação trocou do delicado e forte rosa, para o calmo e instável azul bebê... Piso novamente no chão, as feridas que obtive na travessa pareciam ter cessado.

— Estranho – fala Pierrot um pouco cego devido ao repentino brilho. – não consigo sentir a sua aura

Era isso não podia sentir a dele também, como se meu conhecimento tivesse resetado, mesmo que eu soubesse e tentasse não conseguia de forma alguma usar, até fiz uns pequenos passos, mas nada da estática acumular. Meu corpo esqueceu do que sofreu tanto para aprender, mas por qual causa? Era repentino, e o pior... A fé que tínhamos nessas estúpidas frases foram diretas ao lixo piorando a situação, se eu falasse para ele... Seria um aprendiz inútil, fui somente um peso para ele, enquanto poderia ir além dos seus objetivos ficou ao meu lado desperdiçando o seu tempo... Como eu contaria? Como? Como? Como!?

— Está... Então... É... Seu p-psi, digo a-aura p-posso s-sen... s-sentir t-tranquilamente...

— Que susto você me deu, então posso contar com você, não é? Vai com tudo tigrão, não tigresa – Pierrot estala os dedos e um buraco se abre na parede.

Isso era péssimo, o que poderia fazer sem treino algum e somente charadas. Não queria de jeito algum perder mais alguém, e como esse sentimento se impregnava no meu próprio ser... Precisava pela primeira vez na minha vida... Ser a muralha, como uma resistente pedra que aguenta as violentas enxurradas da chuva. Se não pode sentir o índigo, o mesmo pode-se dizer do adversário. Em consequência de minha determinação, meu cabelo e meu olho direito brilharam vermelho, materializei esse desejo em palavras.

— Do infinito rubro... proferidas as palavras que a voz proclama, o desejo rompe as barreiras da possibilidade e enfim alcança a realidade... O desejo concederá uma nova forma de defesa, será nomeada como Gravitatis Lapis, a pedra que não teme a persistência da água. Sua característica é atrair pedras semelhante a um imã, podendo usar a força gravitacional para manuseá-las