Uma “viagem” que rompe as barreiras do limite dos mortais, supera o conceito “universo” e vai além, onde o que sobra é a “cola” que conecta tudo, o Azul permite ir para qualquer lugar existente... Uma cor tão calma e fria... Apesar da visão proporcionada para os viajantes desse “espaço” faz com que a calmaria fique em contraste com a velocidade da jornada por tantas cidades, planícies, planetas, galáxias... Os diversos portais passam por inocentes olhos e retornam... Superam a luz como se fosse apenas uma inocente lebre, a passagem por lá é... Parece que novamente ignorei a história, me perdoe é que essa cor marcou esse momento, a primeira vez em que fui para outro universo, engraçado pensar que o meu próprio não conhecia direito.

Conforme o que se considerava como tempo passasse, uma linha vermelha me orientava para garantir que estaria para o local destinado, devido ao azul enfraquecido aos poucos... O usuário da cor não pertencia mais a esse mundo, nem era o seu verdadeiro mestre então era de se esperar a estabilidade do ambiente. Claro que no momento era somente uma viagem de carro, parou abruptamente, diferente do raio em que o som e a luz não chegam juntos, a alma e o corpo chegam na mesma fração de segundos. Nesse caso a visão de um deserto, e ao fundo uma pequena cidade... Demorei um pouco para notar o calor, apesar da minha mente ter chegado ela ainda admirava o Azul, quando a ficha caiu era como se a água do meu corpo implorasse para ir embora. Ao menos a visão da cidade me deixou motivado para que no lugar de simplesmente cair me esforcei ao máximo andar.

Passos lentos e pesados, a minha boca seca e areia entrava em minhas roupas... Era mais confortável que uma calça. Só desejava uma forma mais rápida, talvez um carro? Algum animal caridoso? Uma técnica rápida? Então, uma tempestade de areia deixou o deserto de cabeça para baixo... Comigo junto, fui propulsionado com tudo até a cidade.

Cai em uma superfície cheia de penas, cercado por rachaduras, e o chão abaixo começou a se elevar. Notei que acidentalmente me sentei em um galo, rapidamente me levantei e peguei o corpo do galo fiquei com lágrimas nos olhos pedia desculpas, tadinho um bichinho tão inocente.

— Que inesperado! O competidor Bursyamo está fora de combate, foi atingido fatalmente pela traseira de uma donzela! Rogo que desça da arena para o próximo participante – diz uma voz do além

O que? Donzela eu? Traseira?... Enquanto eu fiquei envergonhado o meu corpo girava, por que essa confusão sempre ocorre? Com isso notei que o lugar era uma arena de tijolos branca cercada por... Animais? Avistava várias pessoas com características diversas, meia-coelhas, meia-boi, meia-cavalo... Parecia um zoológico, ao olhar melhor o galo, ele era semelhante a uma pessoa também. Encima havia alguns holofotes. E na arena tinha um homem alto, uns 4 metros usava uma túnica negra com detalhes verdes, usava uma máscara que me lembrava das estátuas moais com nariz menor e um queixo bem volumoso, no lugar dos olhos tinha gemas douradas, suas mãos eram enormes eram cobertas por luvas brancas e pareciam ser bem pesadas. Esta figura parece ter notado a minha presença.

— Você — o gigante aponta em minha direção – enfrentar Força agora

— C-Como? E-Estou de s-saída, n-não devo me distrair com essas besteiras, d-desculpe t-tenho que...

Numerosas vozes cortaram a minha fala, coisas como “Que absurdo”, “Como ousa,” “Fracote” ... Me assustaram um pouco, o que me fizeram me encolher.

— Não sabe quem Força é? Honra sentir, na sua frente Força está – Ele aumenta seu tom de voz e estica seus braços, como se vangloriava – O Deus da Força

Um Deus, ali na minha frente, os que os celestiais servem. Aquele cara deve ter as respostas que almejo, quem sabe é o tal do mestre, talvez batalhar com ele deve ser a coisa certa que pensei... Mesmo que a vitória esteja em um patamar impossível.

— Eu aceito... – digo em uma voz baixa

— Foi confirmado! – a voz dos holofotes rasga os meus tímpanos – A Batalha entre a Força e a misteriosa Garota começa... Agora!

Em um piscar de olhos um meteoro se choca ao meu lado, o seu impacto me faz recuar, produziu uma enorme nuvem de poeira e vejo que era o braço inteiro do gigante. Enquanto o braço dele retornava, outro vai em minha direção e se choca com meu corpo, minhas costelas viraram pó. Como as minhas pernas estavam intactas, corri pela arena pulando com a intenção de carregar o Gradus Stabilis, fui recebido com mais meteoros em meu caminho que graças a minha técnica conseguia usá-los para carregar, estranho que mesmo esses impactos levantassem destroços e poeira, eles sempre quase me acertavam. A brecha de seus ataques poderia ficar aparente, e um chute em uma potência alta poderia derrubá-lo, ao menos espero.

— Aura forte, cara legal, destino trouxe, Força gosta disso

— A-Aura? Isso é estática como dizia um...

— Não saber Aura? Garota sem graça

Seus socos continuaram a me pressionar, tive que usar um deles para ir em direção aos céus, queria escalar seus braços, teorizava que ele não poderia me alcançar ali. Parece que ele pensou no mesmo, a pressão se elevou para os céus e seus punhos rasgaram as nuvens enquanto eu pulava entre eles, sentia os pesos dos meus pés... O tal “peso” que o “infinito rubro” mencionou chegou, ficava cada vez mais difícil continuar o ritmo da dança. Praticamente na palma da mão.

Não suportei o peso, fui como um foguete para o chão, vi que estava logo acima da divindade, meus pés chocaram em seu rosto, foi um golpe certeiro. Parece que suas mãos não conseguiram me acompanhar. A eletricidade acumulada se espalha por todos os lados, era um festival de teasers. Dei uma cambalhota e cai no chão, vi que o gigante persistia de pé com a roupa levemente queimada, uma fumaça vazava de seu corpo.

— Como Força derrotado? Não pode ser...

Me aproximei e encostei a mão, ele caiu duro no chão.

— Inacreditável! – a voz escandalosa ataca novamente – A garota derrotou a força, parabenizá-la

A plateia começou com seu barulho, queria ir embora dali. Mas o ser que derrotei podia me falar muitas coisas, era uma escolha difícil. Felizmente ou infelizmente, surgiu dos céus outro ser. O alto som que era o padrão do lugar se tornou silêncio, e todas as criaturas se ajoelharam.

Esse era tão alto quanto o outro, mas não tão robusto. Sua túnica era dourada, e sua máscara lembrava uma gueixa com joias douradas no lugar dos olhos. O céu claro imediatamente ficou escuro, rapidamente cercou a multidão, depois a arena e figura se misturou ao ambiente. Nenhuma luz pôde ser observada, nem sequer o menor dos sons. Dou um passo para trás e bato a cabeça em um cristal, era hexagonal e púrpura com um núcleo amarelo. Outro passo e bato em outro, olho ao meu redor, o horizonte era preenchido por milhares deles. Concluí em destruí-los, pois não parecia ter outra opção, então carreguei a energia calorosa, era a única coisa que podia fazer ali parado, o calor cobria as minhas mãos e as juntei. Uma voz decidiu aparecer, projetada pelos cristais.

— Não o faça, é claro que não pode controlar a Aura

Novamente, a menção dessa Aura, o significado disso ainda era um mistério. Mesmo assim, ignorei a súplica da voz e...

— Infernum Supplicium

A esfera de fogo viajou entre os cristais, suas cores trocaram para um vívido amarelo, não parecia ter tido efeito algum. Seus brilhos intensificaram e atiraram, tentei me esquivar, mas inúmeros lasers atingiram meu corpo, imobilizou os meus braços e as minhas pernas. Caí com tudo no chão, ainda consciente fui poupado da minha miséria e meus olhos se fecharam.

Notas finais
Esse foi o inicio do segundo arco, ainda tem muita coisa para acontecer pela frente.