Cavalos Selvagens
20 20 "Uma dose de sentimentos"
Notas iniciais

Capítulo 20 — Uma dose de sentimentos
Daniel percebeu que havia algo de errado com o gêmeo mais bagunceiro e irritante do universo, no momento em que tropeçou e ele não o chamou pelos apelidos “carinhosos” e implicantes de sempre. Além desse fato curioso e inédito, ele também não havia sorrido em nenhum momento desde que voltaram das brincadeiras com Blue.
— Você 'tá triste? — Oras, precisava ouvir se ele estava realmente triste ou se talvez estava com dor de barriga. Dor de barriga era algo terrível e o deixava exatamente com aquela expressão de quem comeu e não gostou. Podia ser somente isso. — 'Tá passando mal? Pede um remédio pra Lipa. — Aconselhou ao se agachar ao lado dele.
Denver virou o rosto para o outro lado e observou a janela. O vento batendo nas árvores e as nuvens pesadas em um céu escuro. Parecia muito com o que ele estava sentindo no momento.
— 'Tô com saudade do nosso pai. — Ele deu de ombros. Não queria falar muito sobre o assunto. Depois da conversa com Sebastian, mesmo que ele o tivesse garantido que não aconteceria aquilo com a sua família, a preocupação ainda trazia um brilho úmido aos olhos azuis.
— Você quer voltar? — Daniel se preocupou, exibindo uma surpresa dramática. — Mas aqui é tão legal! Tem o vô, os tios, a Lipa e o Blue. Tem até o Sebastian! — Enumerou nos dedinhos, lembrando-se em seguida da babá e do Papai Noel sem rena.
— Eu gosto daqui, mas eu quero ficar com o pai. — A fala soou baixa e chateada. Não era um mal agradecido, mas queria ir embora e terminar as férias em casa.
— Então vou voltar também! — Daniel determinou. Tinha um bico nos lábios e os braços se cruzaram. — E o Dilan também! — Simples assim, estava decidido. Porque um simplesmente, apesar das brigas e divergências, não ficaria longe do outro.
— Eu também o quê? — O gêmeo citado surgiu na conversa, emergindo dos livros que o avô o havia emprestado. Precisava treinar a leitura nas férias.
— O mano quer voltar. A gente volta com ele pra casa. — Daniel abriu um sorriso de ânimo e incentivo. — Eu 'tô com saudade da mamãe também. — Mordeu o lábio inferior. Pensou se ela também sentia a falta deles. Esperava muito que sim. — A gente vai levar o Blue, né?
— A mãe não gosta de cachorro. — Dilan suspirou, desistindo de ler e rolando na cama. Era como Daniel havia dito, se um fosse, o outro também iria. Eram, cada um, como 1/3 de um todo, e juntando as três partes, estavam completos. — E a Tulipa disse que vai cuidar.
— Então a gente volta no dia do jantar. — Estava decidido, mas esperava que o avô não ficasse chateado com aquela decisão.
Por que a família não ficava toda junta no fim das contas?
* * *
Sebastian leu a mensagem com uma atenção espantosa. É certo que ele amava aquele jeito refinado do loiro e a escrita sempre certinha e floreada, mas não era esse o motivo de estar já há uma meia hora, somente olhando para o visor do celular e relendo a mensagem. Já a havia decorado e poderia colá-la na testa se não soasse tão ridículo, mas bem, ele estava a um passo do mais ridículo dos seres por ficar tão malditamente impactado com as palavras de Simon.
Mas eram exatamente as palavras que desejou ouvir, não que as tivesse ouvido agora, mas foi como se o timbre macio do loiro tocasse seus ouvidos. Podia claramente vê-lo com o ar ansioso e o medo de ser rejeitado, enquanto esperava a resposta e passava os dedos entre os fios sempre tão meticulosamente penteados com gel.
Os cabelos que ele amava despentear.
Um suspiro de constatação deixou os lábios quando girou o corpo e se apoiou nos cotovelos, ainda sem desgrudar do celular. A constatação era que não mudaria: uma vez tolo, sempre tolo. Podia dizer que acreditava naquela nova chance de felicidade, mas ainda precisava ver para crer.
Oras! Mandar uma mensagem era fácil. Ele queria ver se as coisas seriam iguais quando o encarasse naqueles olhos verdes e lindos, porque somente assim se deixaria ir sem pensar. Por enquanto, ficaria com o pé atrás, mas logo saberia se seguiriam juntos ou não.
E saberia no maldito jantar!
Não maldito em completo, maldito em partes. Em partes porque odiava lugares assim. Em partes porque poderiam se acertar e finalmente deixarem aquele passado angustiante de lado.
Em partes porque teria que ser um engravatado por uma noite, mesmo que ficasse gostoso até em um saco de batatas, ainda ofendia até a última geração do ser humano que criara os ternos e gravatas. Mas se fosse para ficar apresentável para toda aquela gente do nariz empinado, tudo bem, ele iria com estilo.
E o estilo tinha um caimento bom e uma cor agradável.
Novamente outro suspiro, mas esse era de cansaço mesmo.
Depois da conversa com o pirralho do Denver, ele entrou em pânico por ter falado aquilo em voz alta. Ainda sentia a falta do pai, mas não era regra que depois do divórcio, eles simplesmente sumissem da vida dos filhos. E deixou claro que não aconteceria o mesmo com o pai embuste do pequeno terrorista. Ele era péssimo aconselhando, ainda mais péssimo com crianças, mas esperava que o menino não ficasse remoendo o episódio pelos cantos ou ele ficaria com remorso. E quando inventara que o pai não voltaria porque havia morrido, tudo só piorou, porque segundo Denver, divórcio matava. Céus! E já não bastavam os outros problemas naquela vida de 21 anos...
Como por exemplo, a mulher fazendo o jantar lá na cozinha.
Mercedes parecia querer anunciar que estava por ali e tinha vindo para ficar; batendo panelas e cantarolando. Um tanto pior que Tulipa, pois com essa ele já estava acostumado. E lá no fundo, doía um pouquinho não se afeiçoar mais à própria mãe, mas ao menos ela estava por perto, maluca como era, ficaria segura sob suas vistas. Ao menos, era reconfortante pensar assim.
Novamente, os olhos negros e puxados se encontraram com o visor do aparelho celular. Ainda era completamente bobo ficar cheio de ansiedade e expectante tal qual o garoto de anos atrás, mas nem conseguia mais se reprimir pelos sentimentos que assaltavam o peito.
— Desgraça de loiro gostoso! — Cobriu o rosto com uma das mãos e abafou a própria frustração ao, mais uma vez, rolar pelo colchão. Ele bem queria era rolar com certo loiro e de uma maneira nada frustrada, mas no momento não era possível.
— De novo esse homem?
A fala da última pessoa que ele gostaria que tivesse escutado seu acesso de fraqueza, estava o encarando com o cenho franzido e as mãos na cintura. Os olhos espiaram pelas frestas nos dedos e, oh, bom Deus! Era agora que o interrogatório começava? Ele definitivamente não estava preparado para ouvir o que a avó pensava sobre seu “caso” com o filho embuste do patrão. E não era como se Emma não tivesse alguma razão, ela preocupava-se com seu bem-estar e só o queria, acima de tudo, feliz, mas é que ainda não entendia certas coisas. As vezes, nem Sebastian entendia o clichê que era a própria vida, que dirá saber explicar.
— Ele tem falado com você, né? — Emma empurrou as pernas do neto para o lado e se sentou na cama ao fazer a constatação em forma de pergunta. O fato é que ali, no quarto, ficava um pouco mais distante da cantoria daquela doida lá na cozinha. Se ela cozinhasse tão mal quanto cantava, era melhor irem pedir comida lá no casarão, caso contrário, dormiriam de barrigas vazias.
— A gente tá conversando. Ajeitando umas coisas aqui e ali. — Comentou disperso ao jogar a perna sobre o colo da avó. — E também não precisa me olhar como se eu fosse a pessoa mais idiota dessa fazenda. — Resmungou ao ser analisado pelos olhos castanhos de Emma. — Eu sei o que eu 'tô fazendo. — A mesma frase a qual as pessoas que não sabiam o que estavam fazendo, costumavam usar.
— Claro, se isso te deixa melhor, eu finjo que acredito. — Ela foi sincera. Não era por implicância, era por preocupação mesmo. — Mas olha, esse filho aí do seu Ivan, deve foder muito bem pra você ainda 'tá gamado assim.
— Vó! — Sebastian rolou os olhos, mas sempre se divertia com as falas ousadas daquela distinta senhora. — Por Deus! A quem a senhora puxou? — E logo ele, repreendendo alguém por ser simples e direto. Havia muito de Emma em seus gestos e falas, mas claramente a repreenderia caso ela soltasse alguma pérola.
— Eu só sei que vou puxar as orelhas daquele branquelo se ele te magoar de novo. — Emma soou resoluta e muito impelida a torcer as orelhas de Simon depois de dar uns bons cascudos naquela cabeça loira.
O filho caçula de Ivan, era um amor de pessoa, mas aquele moço do meio, só ela e Sebastian sabiam da decepção que passaram com ele. Não que não o tivesse avisado, mas adolescentes jamais seguiam o conselho dos adultos, e embora o tivesse sim repreendido por ser bobo e se deixar cair nas garras de um lobo em pelo de cordeiro, os braços continuaram abertos e sempre a acalentá-lo nos momentos ruins.
Emma não os queria juntos pelo motivo de não confiar seu neto ao riquinho metido que era nada mais que uma bela porcaria de homem, mas depois daqueles anos, com Sebastian ainda a pensar no bonitão de olhos verdes, percebeu que não havia o que fazer, se não esperar que aquele relacionamento fluísse da maneira que deveria ter sido desde a primeira vez. Não tinha neto para que ele ficasse sofrendo por homem que tinha zero vergonha na cara de mentir e iludir. Só de pensar, já sentia o rosto esquentar de raiva e mal estar. Era preferível não pensar e esperar o que se desenrolaria.
— Eu deixo a senhora puxar as orelhas do branquelo, caso ele apronte outra. — Não que fosse reconfortante pensar que daria merda uma segunda vez, mas, caso desse, ele mesmo arrancaria uma coisa de Simon Green, e não tinha nada a ver com orelhas.
E era como se Emma fosse sua mãe, afinal, melhor que ela, estava para nascer. A maneira como ela o aceitava e o amava, não poderia colocar em palavras. Devia tudo a ela, porque Mercedes não conseguiria ser tão boa e importante para ele, quando os acontecimentos do passado o abateram.
— Minha Emma. — Ele a apertou nas bochechas fofas ao se sentar na cama. Aquele era o seu sentimentalismo e demonstração de afeto.
— Pelo visto a mensagem aí nesse telefone, foi coisa boa. — Ela tornou a implicar ao afastá-lo do hábito irritante de avermelhar suas bochechas com apertões. Garoto dos diabos!
E enquanto implicavam um com o outro, como sempre faziam, Mercedes escorou-se no batente da porta. Olhos contemplativos e o sabor amargo a envolvendo por ter sido tão péssima mãe.
* * *
Victor fechou a porta do quarto onde os trigêmeos dormiam, com cuidado para que o mínimo barulho não os despertasse. Sebastian o havia procurado para contar sobre o acontecido com Denver. O loiro ficou de coração partido.
O sobrinho era tão pequeno e já sofria com a possível separação dos pais. E além dos sentimentos pesados pelos garotos os quais tanto amava e desejava que jamais sofressem, havia também a irmã.
Cecília era seu maior pensamento. Ele sabia o quanto ela se empenhava naquele casamento e tudo o que ela havia jogado para o alto, na tentativa de ser boa esposa e boa mãe. Ele também sabia o quanto ela se achava péssima nos dois papéis, e aí estava sua maior preocupação. No momento, Victor só queria abraçá-la e garantir que tudo ficaria bem, o que seria impossível, não somente pela distância, mas porque, provavelmente, a irmã rejeitaria seu abraço.
E pensar nisso o deixaria ainda pior.
Estava com insônia, com receio pelo futuro e idealizando um mundo utópico onde a família estava enfim reunida. Não queria mais nada, só precisava deles, vê-los juntos e tê-los sempre perto. Havia sido sempre o maior desejo. Nem riqueza, nem amor, nem sucesso na carreira, embora eles fossem bem-vindos.
E quando pensou em amor, os olhos verdes vagaram pela porta fechada do quarto do cowboy. Não que tivesse se dado conta de que, justamente no “amor”, tivesse pensado em Jackie. Mas ele estava sendo seu porto seguro, além de um parceiro dedicado. Gostava dele, gostava mesmo. Muito. Oh, céus! Tinha sido fisgado pelo homem que o confundira com uma mulher logo quando chegou à fazenda. O destino tinha lá seu senso de humor.
O lábio inferior foi mordido como de costume, antes que se decidisse por averiguar se a porta estaria aberta. Ele havia dito devagar, claro, mas era tão absurdamente pegajoso com quem gostava. E precisava de conforto naquela noite.
A maçaneta foi girada e a porta se abriu, mas tão logo a moveu, Jackie mirou os olhos castanhos em sua figura ainda receosa. Porta aberta e ele não estava dormindo? O que a noite frustrante havia preparado?
— Aconteceu alguma coisa? — O cowboy se ergueu, sonolento. Havia reprimido a vontade de escapulir para o quarto de Victor e se obrigado a dormir, mas o sono chegou tarde, quase naquele momento e agora tinha fugido de vez.
O loiro fez um gesto negativo com a cabeça antes de se aproximar. Estava usando pijamas legais e estampado com diversos cavalinhos. Brega para uns, fofo para ele.
— Victor... — Jackie ia questionar novamente se havia acontecido alguma coisa, mas decidiu que o melhor a se fazer, era trazê-lo para um abraço no momento em que os joelhos dele tocaram o colchão.
Era aquele tipo de conforto que Victor buscava. Era algo além de um parceiro romântico. Era certo como os braços dele o envolviam na cintura e era doce a maneira com a qual ele se preocupava. Era tão bonitinho e suave, que chegou a pensar que algo assim não combinava com alguém como ele; todo grande e as vezes rústico para certos gestos e assuntos. Esteriótipos.
Talvez porque... Porque era somente com ele. Como polos opostos que se atraíam em puro magnetismo e nada podiam fazer a não ser aceitar tal atração. Soava tão bobo e romântico, que chegou a se sentir mais leve.
— Se não quiser falar, não precisa. — A voz rouca de Jackie rompeu o silêncio. O rosto estava apoiado na cabeça loira e os braços firmes na cintura esguia. Se pudesse, roubaria o que ele estava sentindo.
— Eu preciso do seu abraço. É disso que eu preciso. — As orelhas esquentaram com a sinceridade que deixou a própria boca, mas quando é que não corava quando o assunto era o cowboy?
Os lábios de Jackie o tocaram no topo da cabeça, enviando uma onda ainda maior de conforto e dando a ele a constatação do quanto aquilo era certo. Tão certo. Tão bom. Tão eles.
— Ele já é todo seu. — Um sorriso se desenhou com a fala do loiro. Por mais arroubos de sinceridade! Ele não reclamaria, inclusive os guardaria com carinho na memória.
— Então...
Jackie quase se deixou rir e estragar o momento. Era engraçado e curioso como o conhecia tão bem naquele pouco tempo de convivência. E o conhecia bem o suficiente para saber que aquele início de frase, era somente porque ele estava constrangido com sua fala anterior e não sabia o que dizer. E mesmo que não precisasse dizer nada, ele sempre soava afobado tal qual um adolescente no primeiro encontro.
— Então...? — Incentivou, visto que ele apenas ergueu o rosto para encará-lo de maneira acanhada. Os dedos afastaram uma mecha loira para trás da orelha dele e roçaram pela bochecha corada.
— Eu quero muito conhecer a sua mãe. — Um assunto que destoava de maneira gritante com o que estava sentindo, mas era preferível manter algum assunto. Qualquer um.
As sobrancelhas de Jackie se arquearam com a proposta de conversa.
— Quando você quiser. — Foi o que respondeu. — Faz séculos que te convidei pra um domingo de almoço por lá, mas acabei esquecendo. — E esqueceu porque, ainda que não totalmente, estava com a cabeça focada em certo loiro nos últimos dias.
— Será que ela vai gostar de mim? — A insegurança deslizando com as palavras. Algo que queria muito deixar de lado, mas que precisaria trabalhar e muito a confiança para que conseguisse algum resultado.
— E quem é que não gosta de você? — Jackie alargou o sorriso quando Victor rolou os olhos e os desviou para qualquer outro lugar que não fossem os seus castanhos, mas quando entendeu o que havia dito, suspirou. — É sobre a sua irmã...
E como ele parecia sempre saber.
— Jean quer o divórcio. — Soltou o assunto pelo qual havia ido até ali. — E eu sei o quanto ela ama o marido. Tenho medo de que ela tente alguma loucura. — Aquele era o ponto. O mais preocupante deles.
O silêncio reinou por um momento, pois o cowboy sentia a raiva aflorar cada vez que pensava naquele homem nojento.
— Pois quem tem todos os motivos do mundo pra se divorciar, é a Cecília e não esse—
— Jackie... — Victor o interrompeu. — Esquece. Eu não quero falar sobre isso. — Murmurou antes de voltar a esconder o rosto na curva do pescoço do cowboy, como uma criança birrenta lidando com os problemas, pois quando ela acordasse, eles já não estariam mais lá. O que no seu caso, era longe de ser real.
Mas aquele, nunca seria um bom assunto.
E quando Jackie estreitou os braços na cintura do loiro, pensou que Victor era de longe a melhor pessoa que conhecia.
E que estava perdidamente enlaçado pela senhorita.
* * *
Simon ansiou por uma resposta que não veio. Sebastian o faria ter uma crise de ansiedade naquela noite. Ele havia recusado sua chamada de vídeo, desligado a ligação antes que pudesse ouvi-lo e visualizado, mas não respondido.
Tão Sebastian.
E mesmo que fosse o mínimo que merecia depois de tudo, quis compartilhar com ele que agora era um homem livre.
Depois de tudo.
Pamela havia sido tão madura naquela conversa, que custou a acreditar que ela aceitara tão bem o rompimento do noivado. Sentiu admiração por ela naquele momento, mas sentiu-se um verdadeiro canalha por deixá-la. E de fato, ele fazia jus àquele nome. Tinha sido um canalha com ela, com Sebastian e com ele próprio ao não seguir o que realmente desejava fazer. E embora não quisesse remoer o passado, era mais que difícil não pensar em tudo o que estava lá para trás.
A frustração da noite, era por ter levado todo aquele tempo para dar voz ao que sentia. O que reprimiu pelos anos que julgara-se melhor que qualquer coisa que não fosse uma bela mulher e os negócios da empresa. E a ansiedade e apreensão, era algo que merecia por tudo de errado que tinha feito.
Estava tão nostálgico e tão perdido.
Era como uma dose de sentimentos, borbulhando na boca do estômago e amargando a boca.
E mesmo sem as respostas esperadas, desejava que ele fosse ao jantar e pudesse surpreendê-lo com o que havia pensado em fazer ao fim da comemoração.
Os dedos tocaram o pingente de ferradura sobre o trevo dourado e o peito se aqueceu com as lembranças.
Nostalgia era um saco!
Mas no fim, trazia um sabor agridoce de uma possível reconciliação.
Que contraditório!
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