Notas iniciais
Só o titulo já diz tudo

Julia estava com muita raiva, não conseguiu lidar com os baixinhos da turma. Ela disse com fogo nos olhos:

–Aqueles pirralhos não entendem nada de moda! A minha sorte foi que a minha irmã pelo menos se interessou no assunto.

–Nós já tentamos de tudo pra dar um suplemento educacional nessa molecada, e não deu em nada! –diz Kaito

–Acho melhor desistir da ideia. Se a gente não consegue educar esse baixinhos com algo importante pras missões é melhor não insistir. –diz Nicolle

Sarah pegava um ultimo livro na sua bolsa e um mapa que tinha feito no computador, ela olha para os amigos e diz:

–Não desistam ainda! A esperança é a ultima que morre. Quem sabe eu faça um milagre com esses baixinhos.

Sarah chega perto das crianças que corriam sem parar. Elas a olham e imediatamente se sentam nos lugares na sala de aula improvisada no quarto de Shina (Que sinceramente parece um mini dojo). Sarah abre o livro e mostra o mapa. Ela começa a falar:

–Primeiramente, gostaria de agradecer a Shina por oferecer o quarto dela como sala de aula. Agora eu mostrarei para vocês culturas variadas.

–Sarah, no que isso vai ajudar? –pergunta Luiza

–Quando se sabe os costumes de outros locais, você provavelmente não irá pagar mico ou fazer algo ofensivo naquele território. Uma ótima coisa pra vocês aprenderem. –diz Sarah sorridente

–Eu já gostei disso! E por onde nós começamos? –pergunta Anna

–Que tal começarmos por lendas? –pergunta Sarah

As crianças fazem um sinal positivo, indicando entusiasmo.

–Ótimo! Alguém tem alguma lenda boa para começarmos? –pergunta Sarah

Todos levantam as mãos. Sarah fica super feliz com isso. Eram várias lendas de diferentes lugares, des de mula sem cabeça até Jack ‘O’ Lantern. Li levanta a mão e pergunta:

–Sarah, porque os tanukis são tão importantes na nossa cultura?

–Bom, a começo tenho que esclarecer pra Ponyo que tanukis é o modo de chamar os guaxinins por aqui. Tanukis tem muitas lendas, entre elas a lenda deles serem animais metamórficos, ou seja, que mudam seu corpo para parecerem algo que não são. Não só tanukis, mas raposas e alguns tipos de gatos também são considerados animais metamórficos. –explica Sarah

–Sarah, tem um jeito de chamar esses tanukis que se transformam? –pergunta Shina

–Tem sim, é uma música que toca no filme Pon Poko. Ela era mais ou menos assim: Tanuki-san, Tanuki-san, vamos lá fora brincar? Oh, você está ocupado! O que é isso que tu comes? Por um acaso é uma ameixa? Dei-me um pouco! – canta Sarah em seu tom fofo.

As crianças imitam a canção rindo muito. Sarah conta a lenda dos guardiões das florestas preservadas, os Totoros. Totoros são criaturas de estaturas diferenciadas, podem ser brancos, azuis ou cinzas. Eles gostam de brincar com crianças, e embora não falem, mostram de certa forma entender os sentimentos humanos bons. Ponyo logo quis se encontrar com Totoro, pensando como seria legal ser amiga de um animal assim.

Sarah havia liberado os pequenos para brincarem um pouco. Seus amigos estavam boquiabertos, se perguntando como ela conseguiu controlar aquelas ferinhas. Julia arrisca perguntar:

–O que foi que você fez pra eles ficarem quietos e te ouvirem?

–Foi simples: Eu fui boazinha e de braço firme com eles, e eles foram gentis comigo! –diz Sarah sorrindo

–A velha regra da gentileza que gera gentileza funcionou de novo! –diz Hibiky

–Pois é! Acho melhor você programar assuntos novos pra tratar com eles, porque se eles gostaram do seu modo de ensinar, provavelmente vão te cobrar mais! –diz Iris rindo

O grito de Shina pode ser ouvido, os maiores saem e vão para o pé da cachoeira para ver o que acontecia. Shina gritava sem parar:

–EU PEGUEI! EU PEGUEI!

–Pegou o que dona Werehog? –pergunta Savio só pra sacanear

Shina abre as mãos cheias de poeira e fuligem. Ela olha e pergunta:

–Cadê o bichinho preto que eu peguei?

–Bichinho preto? Por acaso não era uma barata ou algo do tipo? –pergunta Julia meio enojada

–Não, era uma bolinha preta com olhinhos! –diz Shina meio triste

–Ah, era um Dustbunnie! São pequenos seres de poeira e fuligem que ficam em casas abandonadas até apareceram novos donos! Às vezes eles se escondem no meio da mata e se são pegos deixam nossas mãos sujas de poeira! –explica Sarah sorrindo

–Eles são fantasmas? Que legal! –diz Rolf admirado

–Não, eles tão mais pra entidades. Além disso, depois do que a gente passou lá na mansão abandonada você ainda vai achar fantasmas legais? –pergunta Sarah

–Claro!- diz Rolf sorrindo e mostrando a língua

Os maiores voltam para dentro e deixam os pequenos se divertirem. Ponyo vê um caminho de sementes de canforeira e vai atrás deles, se afastando do grupo. Ela encontra com duas criaturinhas parecidas com coelhos e um pouco com ursos bebes, um era branco quase transparente e o outro azul bebe. Ponyo se aproxima e as criaturinhas correm dela. Ela vai atrás passando por um caminho fechado de arbustos do seu tamanho até uma canforeira.

Entre as raízes da canforeira havia um buraco e lá tinha uma semente, Ponyo abaixa-se para pega-la, mas cai no buraco que parecia um escorregador. Ela entra numa caverna com o chão de terra, até que bem iluminada, cheia de pequenas plantas. Uma criatura de pelos cinzas, orelhas de coelho, corpo semelhante a de um urso adulto e bigodes de gato dormia numa abertura na parede.

Ponyo sobe em cima da criatura, ela roncava muito alto com sua enorme boca. Tinha olhinhos miúdos por causa do sono. Ela acorda sonolenta e Ponyo lhe pergunta o nome. Ele (Ponyo chegou a conclusão de que seria macho) diz algo como TO-RO-RU mas ela entende Totoro. A Criatura volta a dormi e Ponyo adormece em cima dela.

Sarah procurava por Ponyo muito preocupada. Ela chamou, mas não teve resposta.

–Como é que uma ruivinha dessas some assim? Aquele cabelinho de fogo devia se destacar no meio da floresta! –diz Rolf tentando fazer piadinhas com o momento

–(Soco na cabeça de Rolf) Seu idiota, não vê que isso é sério?! –diz Kaito para seu irmão

–(Batida com o bastão na cabeça de Rolf) É, a Sarah é prima mais velha da Ponyo, e ela nunca deixaria a coitada na mão! –diz Shina

Sarah vê o caminho de sementes de canforeira e o segue entrando no apertado caminho entre os arbustos.

–Ai, vou ter que ir ao estilo Lara Croft! –reclama Sarah

Uma parte do caminho estava um pouco mais alta e Sarah pode se levantar. Ponyo estava dormindo num monte de folhas que recobria o chão. Sarah a acorda e Ponyo pergunta aonde estava Totoro. Ponyo conta para todos o que viu, Sarah diz a ela que a pequena era muito sortuda de ter visto uma entidade tão poderosa. Pingos de chuva caíram na testa de Alex.

–Xiiiiiiii, melhor a gente ir pra dentro, parece que vai chover! –diz Hibiky

–Ahhhhhhhhhhhhhh! Chuva agora não! Vai acabar com a minha chapinha! –grita Julia desesperada

–Nossa, como se o mundo dependesse do seu cabelo! –diz Rolf

–Tsc. Como se o mundo dependesse da sua taradisse! –rebate Julia

Sarah olhou para seu relógio e disse:

–É melhor eu voltar pra casa logo, prometi pra Clarice que iria ajuda-la a trainar pro teatro mais tarde e não quero me atrasar. –diz Sarah

–Clarice? Quem é essa? –pergunta Savio

–É a empregada que cuida do meu avô, ela é muito legal comigo e me ensinou coisas básicas pra ser dona de casa! –diz Sarah

–Opa, eu vou na frente! Adoro quando a Clarice penteia meu pelo! –diz Ash pulando do sofá

–Opa, o seu gato fala?! –pergunta Shoran assustado

–Gato não moleque, raposa esquilo! –grita Ash

–É, por causa de um feitiço o Ash tem a capacidade de falar. Ele não gosta muito de fazer amizade com garotos, mas vive querendo a atenção de garotas, quase como o Myau do Fantasy Star, só que muito mais inteligente. –Explica Sarah

Ash sai correndo na frente, já que era de sua natureza adorar a atenção de garotas. Ponyo pega o guarda-chuva preto de Sarah e pega o cor-de-rosa dela. Elas se despedem dos amigos e vão pelo caminho da floresta pegar o ônibus.

Quase ninguém ia por aquele caminho por medo, mas era um caminho bonito. A chuva ficava mais intensa, a ponto de ter raios (detalhe que enquanto isso, Hibiky e Nicolle se assustam e se abraçam com medo dos raios), Ponyo segurava forte na mão de Sarah, que estava suada pelo arrepio.

Sarah ouve passos, ela levanta um pouco o guarda-chuva e vê a criatura da qual Ponyo deu a descrição, ela se assusta, mas consegue olha-la nos olhos. Ele esperava por algo. Sarah empresta para a criatura o seu guarda-chuva, pegando o de Ponyo para as duas não se molharem. A criatura gosta do barulho que as gotas d’agua fazem no guarda-chuva, então um mega pulo, fazem as duas meninas saírem do chão e derrama um monte de gotas nos guarda-chuvas. Uma luz vinha rápido para lá, quando se aproximou, foi possível ver que era um gato-ônibus com um monte de patas, de cor caramelada e dois ratinhos presos em sua placa. Ele tinha um enorme sorriso, Sarah o chama de Nekobus. Totoro agradece o guarda-chuva com um pacotinho feito de folhas de bambu e amarrado por cipós. Ele entra no Nekobus e os dois somem no meio do mato, logo depois o ônibus chega.

Sarah conta o que aconteceu para seus amigos na escola. Todos ficam boquiabertos com a história.

–Sarinha, meu amor, você sabe o quão sortuda você foi né? –pergunta Julia

–Eu sei! E o melhor de tudo foi esse presentinho que ele deu. Eu não abri porque eu queria ter alguma prova de que eu estou falando sério, até porque, tanto os meus nós quanto os da Ponyo desmancham fácil. –diz Sarah

–Abre logo Sarah! –dizem Carol e Natasha juntas

Sarah abriu o embrulho e dentro dele havia sementes de árvores variadas. Giovana olha para as sementes e tem uma ideia.

–Que tal plantar essas sementes num canteiro perto da sua casa Sarah? Você sempre disse que queria ter um jardim de árvores perto de casa!

–Boa ideia! Mas essas árvores demoram muito tempo pra crescer, eu vou esperar uma vida inteira pra vê-la enormes! –diz Sarah

–Mas acho que vai valer a pena. Na minha antiga casa, eu plantei uma Sakura para embelezar minha casa na primavera, mesmo que eu tivesse que esperar muito, eu ainda queria ver as flores dela. –diz Koga

–Tudo bem! Aposto que se eu planta-las, Totoro poderá me visitar! –diz Sarah sorridente

Depois da aula, Sarah e Ponyo plantaram as semente num canteiro próximo de sua casa. Ponyo queria ver logo as árvores enormes saindo das sementes, mas Sarah disse que iria demorar muitos anos para elas ficarem enormes iguais as da floresta.

À noite, Sarah escuta um barulho estranho e acorda, em seu quarto estavam alguns Dustbunnies que lhe indicavam para fora, ela olha pela janela e vê Ponyo do lado de fora, correndo para o canteiro atrás de Totoro. Sarah corre para ir junto.

As duas meninas pararam perto de Totoro e dançaram com ele, conforme iam dançando, as sementes iam brotando e crescendo até virarem uma única e enorme árvore. Totoro convida as duas meninas ,por meio do corpo, a fazer um passeio num objeto voador que ele usava, as duas pulam e se seguram forte em Totoro e saem voando pelas plantações e voltando para o topo da árvore, onde tocaram ocarina até as duas pegarem no sono novamente.

Ambas acordam em suas camas sem entender nada, mas foi só saírem de casa para ir para a escola que elas viram as árvores num tamanho médio no canteiro. Ou seja, nem tudo aquilo foi só sonho, o que as deixou felizes.

O grupo fazia um treinamento do lado de fora da casa de Botan, Natasha estava junto e vibrava a cada golpe que seu irmão dava. Sarah usava um delicado vestido amarelo, o que despertou a curiosidade de Savio.

–Por que você tá usando esse vestido? –pergunta Savio

–É porque meu avô disse que iria vim ver o meu treinamento, por isso eu resolvi usar esse vestido! –diz Sarah com um enorme sorriso que não conseguia tirar do rosto

–Você vai lutar de vestido mesmo? –pergunta Rolf com um olhar pervertido

Sarah lutava com sempre, mesmo de vestido, e fazia isso porque a saia do vestido era longa e ótima para ela lutar. O celular de Sarah toca e Ponyo atende.

–Prima! É pra você! –diz Ponyo

Sarah atende e seu sorriso logo vira uma cara de preocupação e tristeza. Ela desliga e sentasse quase chorando.

–O que foi Sarah? Por que ficou triste de repente? –pergunta Natasha

–Meu avô... Ele desmaiou lá na biblioteca. Ele tem câncer no coração, e o quadro dele pode piorar. –diz Sarah com pequenas lagrimas se formando em seu rosto

–Então ele não vem? –pergunta Ponyo com uma carinha tristonha

Sarah faz não com a cabeça. Ponyo então começa a chorar e Ale a abraça para consola-la. Rolf, para mostrar que sua falta de sentimentalismo era enorme, diz:

–Não se preocupe! Se seu avô morrer você ainda tem seus pais!

–(Pisa no pé de Rolf) IDIOTA! Você não tem coração? –pergunta Ponyo com muita raiva e tristeza

–AI! Qual é pirralha? Pirou é? –diz Rolf se enfurecendo

Rolf acaba por ficar com raiva e bate no rosto de Ponyo. A marca da mão ficou nítida no rosto claro da pequena, que lagrimejava muito e estava morrendo de raiva, tanta raiva, que morde o dedo de Rolf e sai correndo pelo caminho da floresta.

Sarah tenta impedi-la, mas a pequena acabou sumindo de seu campo de visão. Sarah fica muito brava e dá um tapa na cara de Rolf dizendo:

–Se imbecil! Por que você fez isso?!

–Você devia parar de mimar aquela menina! Ela tá muito mimadinha pro meu gosto! –grita Rolf

–Escuta aqui, eu não mimo a Ponyo, ela só agiu assim porque vocês sabem muito bem que eu sou órfã de pai e de mãe e que meu avô é minha única família por aqui! Eu o amo demais e a Ponyo sabe melhor do que ninguém que eu sofreria demais se ele morresse! –diz Sarah com os olhos completamente escuros de raiva

Rolf cala a sua boca e Kaito dá um sermão para seu irmão. Todos passaram a procurar a pequena, mas ninguém a achou, Sarah estava com o coração pesado por causa da preocupação, até que Natasha achou a fita de cabelo de Ponyo.

Sarah então ouve o choro de Ponyo, sozinha e assustada. Ela corre para o caminho onde Ponyo viu Totoro pela primeira vez e faz um pedido: “Eu desejo ver Totoro! É um caso de vida ou morte, Ponyo está perdida!”.

A passagem para o buraco na canforeira se abriu e Sarah foi para toca de Totoro, onde o encontra dormindo. Sarah sobe em cima dele e o acorda. Ela diz:

–Por favor Totoro, é uma emergência! Minha prima se perdeu na floresta e eu não sei o que vou fazer! Se ela morrer eu... (Choro alto)

Totoro limpou as lagrimas de Sarah com a ponta de uma de suas garras e sorriu. Ele a leva para o topo da árvore e rugi para chamar Nekobus. Nekobus com seu jeitinho, pede para Sarah entrar e a leva para onde Ponyo estava. Ela se encontrava no meio de uma clareira, chorando muito.

Quando as duas se encontraram, abraçaram-se fortemente. Nekobus então resolve leva-las para ver seu avô, e ele não perceberia, já que com Nekobus, as duas se tornavam invisíveis. Por sorte, o avô das duas estava bem. Elas votam cheias de felicidade e alivio para seus amigos, que vem Nekobus e acreditam de vez na história de Totoro.