Catch Me, If You Can
4 São perigosos
Notas iniciais
Contei a ele sobre tudo que acontecera.
Contei desde que sai da faculdade até ser levado ao hospital, o moreno ouvia a tudo com atenção, também falei do motivo ter sido Piper. Porque em um instante ele achou que eu estivesse mexendo com drogas, ou coisas desse tipo, eu neguei tudo. Nunca nem fumei. Disse também as ameaças do tal senhor T.
– RED? – indagou ele coçando o queixo com a barba por fazer. – Já ouvi falar sobre isso, mas não consigo me lembrar.
– O senhor já ouviu falar desses tal RED? – indaguei não entendo muito bem o que outro murmurava para si.
– Sim, tenho uma vaga lembrança. – disse e parecia realmente pensativo. – Só um instante Grace.
Ele se levantou e saiu da sala, pude vê-lo através da vidraça. Ele falou com um loirinho miúdo, que estava em uma mesa, mexendo em alguns papeis. Ele franziu a testa para o que o maior dizia, logo se levantou as pressas indo até umas gavetas. Depois de folhear um pouco, tirou de lá uma pasta, a examinou por um instante e entregou ao maior. Conversaram mais um pouco, o vidro era a prova de som pelo visto, por que eu não podia ouvir nada. Praguejei, mais um homem entrou se juntando aos dois, este era alto e tinha os cabelos castanhos claros. Conversava com os outros dois como se fosse algo serio, só a palavra RED fez tudo isso? Se é que isso é uma palavra.
Eles pararam a conversa e olharam para mim, todos ao mesmo tempo, senti um bolo na garganta, aquilo era incomodo ao extremo. Eles tinham uma expressão um tanto indecifrável, talvez culpa, pena, ou até mesmo surpresa. Voltaram a se entre olhar, o menor deu de ombros, os outros dois o deixaram ali e adentraram novamente a sala onde eu me encontrava. O moreno de antes encarava os papeis em suas mãos, o de cabelos mais claros me fitou, parecia em dúvida. Seus olhos eram claros, pareciam verdes, mas estavam mais para cinzas, talvez as duas cores.
– Senhor... – começou o dono dos olhos verdes, indicando que eu terminasse a frase.
– Jason Grace. – respondi com a voz um pouco mais rouca do que eu queria. – Mas não precisa me chamar de senhor.
– Bem Grace. – o moreno que me interrogou pigarreou. – Os chamados RED são uma gangue de mafiosos.
Engoli em seco, Piper nunca me contará sobre os pais, talvez fosse esse o motivo dela esconder.
– Nós tínhamos policiais na cola deles, mas o perdemos, porém isso já faz mais de seis meses, o caso foi abandonado. – disse ele suspirando após, talvez fosse algo importante. – Mas agora que eles reapareceram, não podemos perder essa pista. É informação sigilosa, mas irei dizer apenas que eles faziam tráfico, temos que encontrá-los.
– Mas o que isso tudo tem a ver comigo? – indaguei e logo me arrependi de ser tão grosso.
– Eles estão atrás de você, mas não acho que possamos fazer isso. – dessa vez quem disse foi o dono dos olhos cinza, do qual eu ainda não sabia o nome. – Usar um garoto como isca? Isso não é possível.
– Tem razão, não podemos fazer isso. – disse o diretor sentando-se na cadeira e coçando a barba rala. – Mas com certeza eles atacaram o garoto mais uma vez se possível.
– Mas então o que podemos fazer? – indagou o que continuava de pé. – Se eles forem atrás do garoto outra vez vão matá-lo não? – ele me fitou e negou com a cabeça. – Afinal, o que diabos você fez?
– Eu acho que... – parecia algo ridículo o que eu iria dizer, e um gangster é um idiota por bater em alguém por causa disso. – Foi por eu ter magoado a filha do tal senhor T.
– Tristan. – falou o moreno na cadeira. – É seu nome, mas ele foi atrás de você por causa da filha. Você fez o que com ela?
– Apenas terminei o namoro, não a agredi ou nada parecido, aquele homem é louco. – eu disse nem eu mesmo acreditava naquilo, serio que ele fez isso? Só por que eu terminei com Piper? – Eu só quero ir pra casa.
– Você é louco? – indagou o moreno de olhos cinza, ainda não sabia seu nome. – Se eles sabem onde você estuda, é obvio que sabem onde mora.
– Mas... – ele tinha razão, Piper me conhecia bem, talvez até Thalia estivesse em perigo. – Qual seu nome?
– Robert Matthew. – disse o que estava de pé, olhei para o que estava na cadeira.
– Charles Patel. – disse ele ainda folheado o arquivo. – Ei. – se virou para Robert. – Hercules não estava com um castigo?
– Não, o senhor ainda não disse qual o castigo. – respondeu ele. – Acho que ele já deve ter chegado, quer que eu vá chamá-lo?
– Quero, pode ir. – dizendo isso o outro saiu. – Você vai gostar do Hércules, ele é muito simpático.
– O nome dele é Hércules? – indaguei não acreditando, até iria rir, mas optei por não. – Como o dos gregos?
– Sim, como o dos gregos, ou seria o da Disney? – o diretor riu, eu queria entender o que dava na cabeça de uma mãe para colocar esse nome no filho, se bem que eu tinha um amigo chamado Perseu. – Mas você deve lembrar que ele tem pouca paciência.
– Ah, Charles correto? – ele assentiu ainda sorrindo. – O que tem esse tal de Hércules tem a ver com o caso?
– Eu tava devendo um castigo pra ele, e você precisa de proteção até que peguemos os RED. – disse ele e eu ainda não tinha entendido muito bem. – Não se importa de ficar na casa dele não é?
– Por que eu teria de ficar na casa dele? – indaguei, eu não iria querer ficar na casa de alguém que eu nem conheço, ou alguém chamado Hércules.
– Sim, não quer mesmo ir pra sua casa não é garoto? – indagou ele sem tirar os olhos dos papeis. – Aqueles caras são realmente perigosos. Eu... – ele suspirou. – Perdi meu parceiro por culpa do senhor T, porém não estou fazendo isso por vingança.
– Eu sinto muito. – o interrompi. Ele me deu um meio sorriso.
– Agora, você tem algum parente por aqui? – indagou ele, se levantando. – Por que sabe este pode estar em perigo também.
– Tem minha irmã, Thalia. – disse, Piper conhecia Thalia, mas ela não fez nada, eles não iram atrás dela. – Mas ela mora um pouco longe, não iram atrás dela.
– Tem certeza? – indagou ele parando perto da porta.
– Tenho, ela vai ficar bem, já liguei pra ela avisando do ocorrido, ela está na casa de minha mãe. – afirmei ao repousar minha cabeça no encosto da cadeira.
Poderia dormir bem ali se a porta não tivesse sido aberta, o cara dos olhos cinza adentrou, Robert. Logo atrás dele entrou outro cara, da mesma altura, mas este possuía cabelos negros e olhos azuis elétricos, como os meus e de Thalia. Sorria despreocupado, ele parecia mais um delinquente que um policial, mas usava a farda. Outro detalhe, ele fumava. Eu chutei que ele seria o tal Hércules, tinha bem cara de Hércules, não o da Disney, aquele era louro e não parecia tão largado.
– Que merda Hércules, eu já lhe falei pra não fumar aqui dentro. – rosnou Charles o que me fez abrir um meio sorriso ao ver o tal Hércules quase engolir o cigarro.
– Foi mau chefe. – disse ele ao tirar o cigarro da boca e apagar no cinzeiro na mesa eu estava vazio até então. – O que o senhor quer?
– Ah, eu estava lhe devendo uma punição não é? – indagou Charles ao guardar os arquivos que estavam em suas mãos numa gaveta. – Bem aqui está ela. – apontou para mim, e os olhos azuis me fitaram. – O nome é Jason Grace e você vai cuidar dele.
– Oi? – indagou Hércules boquiaberto. – Eu tenho que cuidar de pirralho? E por que cuidar? Não sou enfermeira. — devia estar se referindo ao braço quebrado entre outros.
– Mas você já tentou ser. – replicou Robert logo atrás de Hércules, encostado na porta.
– É tentei, mas desisti. – respondeu ele mostrando a língua para o que estava atrás de si. Que fez o mesmo gesto infantil. – Eu não quero cuidar dele.
– Acontece que eu não perguntei, eu afirmei. – disse Charles ao se sentar e tomar um gole do eu parecia ser café. – Ele vai ficar na sua casa até segunda ordem.
– Mas...
– Hércules, eu não iria lhe pedir isso se não fosse serio. – Charles o interrompeu. – Estou dizendo que os RED estão atrás do garoto.
Hércules arqueou a sobrancelhas perplexo. Suspirou.
– Está bem, cuido do garoto. – ele disse e eu não sabia se deveria protestar ou não, afinal eu nem concordei com aquilo. – Consegue se levantar?
Ele já estava de pé ao meu lado.
– Sim. – respondi e minha voz saiu rouca e baixa.
– Ei, posso ir no meu carro ou tenho que ir na viatura? – indagou Hércules enquanto me ajudava a levantar, me apoiei na sua cintura por ele ser bem mais alto.
– Vá na viatura, passe na casa do guri e pegue roupas para ele. – disse Charles ao nos mandar sair com um gesto. – Robert vá com os dois.
– Mas...
– Eu to perdendo minha moral? Se eu disser vá, você não faz perguntas, você vai. – retrucou o moreno sentado-se na cadeira. – Anda sumam.
Saímos da delegacia, fomos até um dos carros e bem eu tive que ficar no banco de trás, me sentia um criminoso. Era noite e eu só podia ver as luzes da cidade, nevava, mesmo que pouco. Eu apenas conseguia fitar os olhos de Hércules sendo iluminados pelas luzes dos carros que passavam por nós, não demorou para que ele acendesse um cigarro. Robert escrevia alguma coisa, que obviamente eu não podia ver o que era. O clima era desconfortável.
– Qual é seu nome mesmo? – indagou Hércules quase que me despertando.
Agradeci mentalmente, aquele silencio estava me matando.
– Jason Grace senhor. – respondi com a voz tremula.
– Ah, ele me chama de senhor. – riu-se o moreno. – Deveria aprender com ele Robert.
– Cala a boca Hércules, ele só é educado. – respondeu Robert e bufou.
– Você não tem mais ido lá em casa Robert. – comentou Hércules.
– E nem vou. – rosnou Robert. – Agora cale a boca, preciso prestar atenção nisso daqui.
Hércules riu e continuamos o restante do caminho em silencio. Ao chegar a meu apartamento apenas Hércules desceu comigo. Peguei roupas nas gavetas e armários, enquanto ele as enfiava de qualquer jeito em uma mala, não protestei, eu costumava fazer o mesmo. Por vezes isso deixava Thalia irritada, mas eu sempre fazia assim, lhe entreguei algumas cuecas e ele as guardou na mala rindo. O olhei incrédulo, do que diabos esse palhaço estava rindo? Agora entendi o por que dele precisar de um castigo. Depois de arrumarmos a mala, fui até a sala de estar, peguei uma sacola de plástico na cozinha e entreguei para ele. Este arqueou as sobrancelhas.
– É para levarmos Mellie. – disse indo até o aquário dela. – Eu não posso colocar ela ai só com uma mão.
– Mellie é seu peixinho? – indagou ele se aproximando.
– Sim, Mellie Vigésima sexta. – ele riu.
– Tudo bem, vamos levar a Mellie. – ele a colocou no saco.
– Me dê a chaves reservas. – disse o moreno antes de sairmos, eu levava Mellie e ele a mala. O encarei franzindo o cenho. – Caso você precise de mais alguma coisa depois. A investigação pode durar dias. Semanas.
Assenti e lhe entreguei, ele trancou a porta e descemos.
Robert e ele conversaram sobre o trabalho durante o caminho, e Hércules fumou mais um cigarro, falavam tão naturalmente. Eu por outro lado tentava não pensar no que estava acontecendo, afinal eu estava preocupado, minha vida mudara drasticamente. Tudo por causa daquela maldita Piper, por que eu não me preocupei em conhecer seus malditos pais. Na verdade eu me preocupei, mas ela me disse que não tinha mãe, e pelo que eu me lembro seu pai viajava muito. Ela parecia triste, então fui estúpido e decidi não perguntar mais. Só queria poder me vingar dela também. Só me trouxe problemas, tanto no nosso relacionamento emocional quanto físico, que raiva. Queria poder jogá-la em uma vala bem funda, assim não teria eu olhar para ela, jogaria o senhor T também.
– Ei, Jason. – chamou Robert. – Já estamos chegando, você precisa de mais alguma coisa?
– Ah, não, mas muito obrigado. – sorri.
– Ai onde você arranjou essa cicatriz na boca. – indagou ele.
– Também queria saber. – Hércules se manifestou.
– Ah, isso. – suspirei, aquilo era humilhante. – Minha irmã mais velha disse que quando eu tinha três anos, eu estava tentando morder um grampeador, e bem deu nisso.
Os dois começaram a rir. Eu corei de leve, era essa a maioria das reações, a de Leo foi a pior ficou fazendo piada por semanas. Quando os dois recuperaram o fôlego, Robert me olhou de cima a baixo.
– Você não me parece muito burro. – disse ele. – O que te deu na telha pra tentar morder um grampeador?
– Eu tinha três anos. – disse irritado. – Nem me lembro disso.
– Ai, eu queria estar lá para rir. – comentou Hércules. – Quantos anos você tem Jason?
– Tenho dezenove. – respondi ainda fitando os olhos cinza de Robert. – Vocês tem?
– Eu tenho vinte e seis. – disse Robert. – Hércules tem vinte e oito.
– Com rostinho de vinte três. – riu-se. – Isso é pra poucos.
Chegamos a casa dele.
Nós nos despedimos de Robert que levou a viatura, me mandou tomar cuidado com Hércules, só se eu fosse um leão. A casa era bem comum, além de pequena. Na entrada havia uma escada de cinco degraus que levavam a varanda, pude ver uma rede a esquerda. O jardim era até bem cuidado, talvez ele fosse casado, ou contratasse alguém. Adentramos a casa e eu podia ouvir o barulho da TV, é talvez ele fosse casado, mas o filme parecia ser de ação. Ele acendeu as luzes e seu olhar parecia, bem muito irritado.
Seguimos pelo pequeno corredor agora iluminado, chegamos à sala de estar e no sofá amarelo estava um rapaz, devia ter minha idade. Tinha cabelos ruivos e bagunçados, talvez por que estivesse ali dormindo. Puder ver seus olhos azuis claros refletindo as luzes da TV, ele se virou pra nós e sorriu. Um sorriso um tanto malicioso, que me fez ficar bem desconfortável, então percebi que o garoto só usava cueca. As sardas cobriam seus ombros e bochechas, até parte das pernas e estavam cruzadas como índios. Sua cueca era azul e nela estava estampado o símbolo de um hospital, duas cobras enroscadas em um cetro. Odiei me por lembrar do hospital, odiei me mais ainda por estar olhando a cueca do garoto.
– Que merda Travis, já lhe falei pra não ficar vindo aqui a toa! – exasperou Hércules deixando minha mala no chão e desligando a TV em seguida. – Vá pra casa!
O garoto sem tirar o sorriso do rosto suspirou olhando para Hércules.
– Mas eu queria... – se levantou vagarosamente e agarrou a cintura do moreno a sua frente. – Hoje.
– Mas acontece que hoje eu tenho visita. – disse ele cruzando os braços sem reação ao avanço do menor.
O ruivo o soltou e veio até mim, seus olhos me fitavam, com certo interesse. Sorria da mesma maneira de antes, senti meu rosto corar um pouco, eu nem havia percebido que Hércules era gay. Ele me rodeou.
– Ele está meio machucado não é? – disse indo novamente até o moreno. – O que você fez com ele?
– Não fui eu quem fez isso. – rosnou Hércules. – Olha ele faz parte do meu trabalho e vai ficar aqui por alguns dias, ou seja, sem Travis vindo aqui a hora que bem entende.
– Qual seu nome? – indagou o ruivo que deveria se chamar Travis obviamente.
– Sou Jason. Jason Grace, e é um prazer. – sorri sendo o ótimo ator que sempre fui.
– Posso ficar com ele Hércules? – indagou o menor. – Ele é muito fofo.
Corei um pouco mais.
– Não, agora se manda. – respondeu o moreno, parecia muito irritado. – Serio Travis, prometo te ligar no fim de semana, agora vai.
– Se você não ligar eu vou aparecer aqui de madrugada. – o pequeno riu.
Vestiu suas roupas – estas estavam espalhadas pelo chão – e foi acompanhado até a porta por Hércules. Eu acho... Não eu tenho certeza de que nunca irei me acostumar com esse nome. Ele voltou à sala bagunçando os cabelos, se jogou no sofá e arrancou os coturnos, fez o mesmo com a farda. Eu não havia percebido, mesmo que aquilo fosse bem chamativo, seu tapete era uma pele de leão. Literalmente, como daqueles de filmes, eu encarei o tapete por alguns instantes. Os olhos como se fossem de vidro, os dentes superiores despontando, e as garras pareciam em bom estado.
– Gostou? – a voz de Hércules me acordou, eu devia estar olhando para o tapete por muito tempo. – Ganhei de presente do meu pai, já que o leão é um símbolo de Hércules. – fez falsete. – Não ligue para o Travis okay? Ele costuma aparecer.
– Não, imagina está tudo bem, e gostei do tapete, combina com o lugar. – não combinava nem um pouco, mas eu não diria isso.
– Pode ficar a vontade, eu já lhe levo ao seu quarto, só me deixe relaxar um pouco. – assenti vendo o maior fechar os olhos. – Acho que está um pouco tarde para jantarmos, aceita um sanduíche?
– Sim, sanduíche está ótimo. – disse examinando o restante do lugar havia uma cozinha e um corredor que possuía quatro portas. – Ah, poderia me ajudar a colocar Mellie de volta no aquário?
– Sim, só um segundo. – disse ele ainda esticado no sofá com os olhos fechados.
Ele deve ter tido um dia cheio, manquei até a cozinha, vou deixá-lo em paz por um minuto. Peguei uma vasilha de vidro que estava ali, e coloquei a Mellie ainda com o saco dentro da mesma. Ela nadava de um lado para o outro desesperada, sorri ao observar, mas eu não podia fazer nada para acalmá-la. Manquei novamente até a sala, onde me sentei no sofá ao lado do moreno, que já parecia dormir. Passei a mão não engessada diante dos seus olhos e nada. Sorri, ele não estava dormindo, só estava cansado. Mesmo que eu fosse o castigo dele, eu não queria incomodar o cara, ainda mais ele sendo bem maior que eu. Devia ter 1,90 e eu nos meus míseros 1,77. Bem eu não iria me preocupar com aquilo agora.
– Não vai falar nada? – a voz dele adentrou meus ouvidos, estava rouca e cansada. – Detesto silêncio Jason.
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