Catch Me
30 Capítulo 30 - True Love
Notas iniciais
– O QUÊ?! — Gritou Tony de seu celular.
– Ai! Será que dá pra não surtar?
– Não surtar?! — Exclamou o moreno junto de uma risada desesperada — Como você não está surtando?!
– Já surtei demais pra uma noite só — Suspirou o rapaz na outra linha.
– E por quê ligou pra mim? — Perguntou Tony curioso — Não se bandeou pro lado dos Aesir? Achei que fossem amiguinhos.
– Eu não vou morar mais lá, preciso estar perto dele. De qualquer maneira te liguei porque preciso de um favor seu — Disse Steve.
– Um favor é...? — Indagou Stark com um sorriso interessado — E o que eu ganho em troca?
– Acho que você não entendeu a parte em que eu disse "favor".
Tony suspirou revirando os olhos. Ele já estava pensando em mil e uma maneiras de pedir à Steve que fizesse de conta que reataram, para ver como Ryan reagiria, mas o loiro na condição que estava não teria mesmo tempo para isso.
– Diga.
oOo
Thor acordara com gritos vindo do andar debaixo. Depois da discussão com Loki o loiro resolvera voltar à dormir para esquecer um pouco dos problemas, mas parece que mais cedo ou mais tarde eles sempre voltavam, e com mais impacto que antes.
Thor levantou da cama rendendo-se aos gritos e saiu de seu quarto curioso para saber o que se passava.
No andar debaixo Frandal encontrava-se sentado ao sofá com as mãos ao rosto num gesto de desespero enquanto no meio da sala Amora e Sif tinham uma discussão.
– Você não é mais a namorada dele! Não tinha o menor direito de fazer isso! — Gritava Sif enfurecida.
– E quem disse que eu preciso ser algo do Thor para conseguir o que eu quero? — Indagou Amora quase no mesmo tom de voz da morena. A diferença era que a voz de Amora trazia consigo um tom leve de deboche — E você minha cara Sif, também não é mais a namorada dele. Ou quer que eu a lembre...?
– Oh não! — Exclamou Frandal segurando Sif à tempo antes que a morena fizesse alguma besteira.
– O que você faz aqui? — Indagou Thor pela primeira vez fazendo-se presente ao local.
– Eu vim te ver — Disse Amora no tom mais cara de pau que conseguiu.
Sif urrou furiosa desvencilhando-se dos braços de Frandal.
– Eu só queria saber se estava bem — Disse Sif para Thor — Mas desculpe, não posso continuar aqui enquanto essazinha ainda está presente.
– Sif, espera — Disse Thor fazendo a morena parar — Não é você quem tem de sair.
Amora arqueou a sobrancelha enquanto todos à encaravam.
– Certo — Disse a loira por fim — Mas isso não acabou.
– É claro que não — Concordou Thor fazendo a loira sorrir — Só vai acabar no dia em que eu perder completamente à cabeça e te enfiar na cadeia. Ou te matar. O que vier primeiro.
Amora fechou a cara pegando sua bolsa em cima do sofá e saindo da Aesir batendo a porta com força atrás de si.
Thor fez um gesto com a cabeça indicando que Sif o seguisse subindo às escadas. Os dois foram até o quarto do loiro e ao trancar a porta, Sif puxou o loiro para um abraço que se aconchegara nos braços da morena.
– Já falou com ele? — Indagou Sif.
– Ele não acredita em mim — Suspirou Thor — Ele me deu um tapa na cara, aquele cretino.
Sif largou o loiro não contendo-se em rir daquilo.
– Acha engraçado? Doeu, viu?
– Acredito — Disse Sif ainda rindo.
– É sério Sif. Ele me disse coisas horríveis. Disse que nosso namoro foi ridículo e que me odiava.
– Ele está se defendendo Thor. Não leve à sério o que ele diz, é uma coisa normal entre pessoas como o Loki que tem dificuldades em lidar com esse tipo de situação e acabam se auto-defendendo com grosseirias. São apenas palavras vazias.
– Ele me pareceu muito certo do que dizia.
– Ele é um arquiteto Thor! A maioria dos artistas são dramáticos.
– Eu estou com raiva dele! — Explodiu Thor — Não me interessa se ele é um artista ou não, ele não tinha o direito de me bater! Sabe como eu fico quando...
– Apanha sem poder revidar — Completou a morena — E por quê não o fez?
– Eu... Por quê... Argh! Não é fácil, sabia? Desde o momento que o conheci não consigo! É como se minhas forças sumissem.
Sif sorriu balançando a cabeça em negação.
– Bem, ele não quer te escutar e está com raiva de você. Aparentemente você também está com muita raiva dele. O que vai acontecer agora?
– Não sei — Disse o loiro sentando na cama frustrado.
– Eu preciso ir. As meninas ainda estão limpando a bagunça de ontém e eu preciso ajudá-las, mas Thor, se proteja daquela vaca da Amora. Da próxima vez pode ser pior.
Thor assentiu enquanto observava Sif sair de seu quarto. O loiro jogou-se na cama olhando para o teto com seriedade. Como todo aquele caos acontecera em apenas uma noite?
oOo
– Tem certeza que ele pode sair? Foi um acidente muito grave para que ele poça ter alta tão cedo — Disse Steve.
– Ele teve uma ótima recuperação, se adaptou perfeitamente bem com o braço novo e as feridas pelo resto do corpo foram leves e já estão cicatrizando, não vejo o por quê dele continuar em observação — Disse Peter.
– Escute ele Steve, ele é o médico — Disse Bucky praticamente desesperado para sair daquela cama.
– Somos todos médicos aqui — Acrescentou o loiro — E minha opinião profissional diz que ele precisa de observação sim.
– Se algo estranho acontecer podem vir que eu o atenderei. Desculpe Steve, mas há outros pacientes neste hospital que estão numa situação pior que a de Bucky. Não podemos nos dar ao luxo de deixar um paciente que já está recuperado ocupando o lugar de um que precisa de ajuda.
Steve assentiu em desistência. De certa forma Peter estava certo. Bucky apresentava uma ótima recuperação e parecia ansioso para poder sair daquele hospital.
– Vamos — Disse por fim.
Bucky sorriu aliviado e com cuidado sentou-se na cama levantando-se aos poucos.
– Consegue andar? — Indagou Steve perto o suficiente do moreno caso ele se desequilibrasse.
– Minhas pernas estão boas Steve — Confirmou Bucky atrevendo-se até a carregar uma mala com roupas suas que Steve havia trazido.
Ao despedirem-se de Peter os dois saíram do hospital indo direto ao apartamento de Bucky que se encontrava como ele havia deixado no dia anterior.
Bucky largou a mala no chão indo com rapidez até o seu quarto onde havia um grande espelho. O moreno olhou a diferença absurda entre seu braço normal e o protótipo esquelético. Ele se sentia horrível.
Steve apareceu logo atrás dele o abraçando por trás beijando seu pescoço e segurando em sua mão. Sua mão metálica.
– Como consegue me olhar assim? — Indagou Bucky com um suspiro amargurado.
– Um braço não define quem você é, nem o que você pode fazer comigo naquela cama — Disse Steve fazendo Bucky rir do comentário infame.
– Se eu perdesse meu pênis faria o quê então? — Riu o moreno.
– Bem... Eu seria o ativo — Disse Steve por fim.
Bucky riu balançando a cabeça em negação. Ele não queria rir tanto num momento tão delicado, mas Steve sempre lhe fazia rir.
– Pode ficar comigo? — Perguntou o moreno — Se não puder tudo bem, sei que você tem seu acordo com Thor de morar lá, mas...
– Shh, Bucky. É claro que eu fico. Acha mesmo que eu ia deixá-lo sozinho depois do que aconteceu?
– Depois do que aconteceu... — Repetiu Bucky amargamente — Eu o quero como meu amigo.
– O quê?
– Podemos continuar a ficar Steve, se desejar, mas agora sou eu quem não quer namorar.
– Mas... Bucky...
– Não se sinta obrigado a me pedir em namoro Steve!
– Eu não me sinto obrigado! — Exclamou o loiro — Bucky me escuta, quando eu te vi naquele chão ensanguentado e prestes a morrer senti como se nunca mais fosse o ver de novo, nunca mais tivesse uma chance de dizer o quanto eu o amo! Você quase me matou do coração! Eu... Sem você eu não seria nada. No momento em que você abriu seus olhos naquele hospital eu queria gritar "sim" quantas vezes fossem necessárias para que não só você, mas como eu entenda que já passou da hora de sermos felizes juntos. Como um casal. Então não me peça para não pedir, por quê de qualquer maneira eu pedirei, quantas vezes forem necessárias.
– Steve... — Foi tudo o que Bucky pôde dizer. Estava demasiado emocionado com a declaração do loiro.
– James Buchanan Barnes. Meu Bucky. Você aceita namorar comigo?
– E-eu...
Bucky sentia sua respiração acelerar-se e seu coração bombear com muita força. O sangue em suas veias pulsavam quente o deixando nervoso, mas nenhuma dessas sensações alcançavam aquela que ele sentia por Steve. Aquele amor que ele agora reconhecia ter tido desde o momento que Steve e Tony se tornaram um casal.
– Sim, Steve. Eu aceito.
oOo
– Ainda não acredito que deu um tapa na cara dele — Disse Bruce pela milésima vez naquele dia.
– Dei, e daria de novo. Ele mereceu — Disse Loki escolhendo uma roupa decente em seu armário.
– Não faz ideia do quanto está sendo injusto.
– Bruce eu ouvi o que ele disse! Não era o que queriam? E mesmo que a versão dele estivesse certa ele me confundiu com aquela nojenta!
– Ele estava drogado! — Argumentou Bruce.
– Para com isso! Para de defender ele! — Exclamou Loki exausto. O moreno pegou seu casaco e saiu do quarto deixando Bruce sozinho.
Loki saiu do Vórtex meio sem rumo. Queria ligar para sua mãe, queria dizer à ela tudo o que havia acontecido. Queria alguém que apoiasse ele sem ser Tony. Não que Tony fosse um mau álibi, mas ele estava sempre contra Thor, não importava o motivo. O problema era que sua mãe estava naquele momento indisponível, havia feito uma breve viagem até Los Angeles e ele não queria ligar para ela para preocupá-la. Ela tinha muito trabalho à fazer.
Loki entrara até a quadra sentando-se numa arquibancada e observando o jogo de basquete entre os rapazes. O jogo por um momento o distraíra muito bem, mas sua atenção acabou voltando-se para a entrada da quadra onde Amora vinha em sua direção.
– O que você quer? — Resmungou o moreno entredentes ao perceber que ela não sairia de sua frente.
– Você sabe o que eu quero — Disse a loira cruzando os braços enquanto dava um sorriso maldoso.
– E já não tem o que queria?
– Eu só vou conseguir isso quando você sair daqui.
– O quê?
– Saia de Columbia Loki. Te dou a quantia que quiser. A quantia exata para que possa voltar à Londres e ter uma vida boa por lá, se quiser banco até a sua mãe.
Loki riu. Uma risada cheia de escárnio e zombaria.
– Você acha mesmo que eu te daria esse gostinho?
– Achei que estivesse evidente de que Thor não o ama mais — Disse Amora venenosa.
– Sei disso, mas se sente-se insegura quanto à essa questão não vou sair para que se sinta melhor. Nem interromper meus estudos aqui, é uma ótima universidade apesar de não ser Londres.
– Você é um patético, traído pelo namorado na frente de todos — Jogava as palavras na cara do moreno — Não passa de um trouxa, igual a Sif.
Loki levantou-se saindo da quadra negando-se a continuar ouvindo aquilo, porém Amora o seguia.
– Não adianta fugir assim, saiba que não aceitando minha proposta farei da sua vida um inferno!
– Mais do que já está? — Indagou o moreno com sarcasmo.
– Não brinque comigo Frost — Ameaçou a loira.
Loki parou de andar pelo Campus virando-se para encarar a loira.
– Você quem é a patética aqui. Pode destruir quantos relacionamentos do Thor quiser, mas você nunca, me escute bem, nunca terá o pleno amor dele.
– Ele me escolheu à você — Defendeu-se.
– Sim, mas foi o que ele fez quando terminou com Sif. Ele vai arranjar outra pessoa logo, é só questão de tempo. Você sempre vai ser a outra — Disse Loki tão venenoso quanto à loira. O moreno virou-se de costas pronto para continuar a andar, mas Amora logo revidou.
– Antes a outra do que o corno.
Loki fechou seus olhos vagarosamente apertando os punhos com firmeza. Quando os abriu se viu assustado ao ver Thor à sua frente.
– O que está acontecendo aqui? — Indagou o loiro olhando de Loki para Amora com preocupação.
– Nada meu amor — Disse Amora aproximando-se do loiro numa tentativa falha de beijá-lo. Thor a empurrou com certa brutalidade a fazendo desequilibrar-se e apoiar-se nos braços de Loki que mais cuidadoso, a segurou.
– Quanta violência com a sua amante Thor, devia tratá-la com mais respeito — Disse Loki com ironia.
– Não tenho o menor respeito por essa mulher — Respondeu o loiro num tom sombrio.
Amora irritou-se empurrando Loki para livrar-se do contato com ele e saiu de perto dos dois furiosa com a atitude de Thor. Havia sido humilhada na frente do inimigo.
– Devia ir atrás dela — Riu o moreno observando Amora afastar-se até virar um ponto amarelo no horizonte.
– Quantas provas mais quer que eu te mostre? — Perguntou Thor incrédulo à desconfiança do moreno.
Loki andou um passo sendo fortemente segurado pelo braço esquerdo o interrompendo.
– Você está querendo outro tapa? — Indagou entredentes.
– Duvido que tenha co-
"Flap!"
Thor virou seu rosto para o lado direito sentindo novamente a ardência de um tapa.
– Me solte! — Debatia-se Loki sentindo o aperto com mais afinco depois da bofetada.
Loki sabia o tamanho da confusão que havia se metido, mas bater em Thor era irresistível.
– Você me paga — Sussurrou o loiro puxando o menor para mais perto. Perto o suficiente para que sentisse o tamanho de sua raiva.
– Cão que ladra não morde — Sorriu o moreno acabando com todas as suas chances de sair ileso.
Um único movimento, foi o que o loiro fez. Um simples joelho, num corpo tão perto, num membro tão perto...
– Uh...! — Gemeu Loki sentindo seu fôlego escapar por inteiro. O moreno se ajoelhou sem forças para nada com as duas mãos cobrindo seu pênis. Thor havia dado um forte golpe em suas partes baixas.
– Isso é pra aprender à calar a boca, idiota — Disse o loiro num sorriso triunfante.
Enfurecido, Loki agarrou a perna do loiro com força o fazendo levar um tombo no chão. Logo o moreno subiu em cima dele aproveitando o momento para dar mais uma bofetada em Thor que dessa vez ficou com a marca dos cinco dedos longos e finos de Loki no rosto.
Thor apelou puxando com força os cabelos de Loki que tentava o arranhar feito um felino dando seu bote. O loiro o empurrou com força para o lado fazendo Loki cair duro no chão, sem reação alguma.
– Ah não... — Desesperou-se Thor indo até o moreno — Loki... Loki, me escute... — Dizia o loiro preocupado enquanto encarava os olhos fechados e adormecidos do menor, porém não passavam de uma mentira.
– Tão sentimental — Repudiou o moreno puxando agora os fios loiros de Thor aproveitando o estado de surpresa do loiro para arranhar o rosto dele.
– Ai!
– Ei! Parem já vocês dois! — Dizia Frandal correndo junto de Bruce até os dois briguentos que ainda tentavam atacar um ao outro.
Frandal segurou Thor o fazendo levantar e se acalmar enquanto Bruce levantava Loki.
– Que cena infantil foi essa?! — Exclamou Bruce — Será que os dois tem noção do ridículo?!
– Ele começou! — Disseram em uníssono.
– Não interessa! — Exclamou Bruce — Vocês são duas crianças cheias de birra um com o outro! Deviam pedir desculpas!
– Tô fora — Disse Loki ajeitando seu casaco e seguindo seu caminho.
– Eu nunca pediria desculpas para aquele idiota — Resmungou Thor seguindo seu caminho pelo sentido contrário.
Bruce suspirou balançando a cabeça em negação. Quando eles aprenderiam?
– Boa tentativa mamãe — Zombou Frandal levando um empurrão de Bruce.
oOo
Já no turno da noite Tony encontrava-se em seu quarto. Passara o dia todo nele num projeto seu. Engenharia era mesmo seu ramo, ele poderia passar a vida toda ali, construindo coisas, mas a campainha do Vórtex tocara o acordando para a realidade, e parece que ninguém naquele lugar atendia.
– Bruce! — Gritou o moreno. Depois de um tempo, Tony percebeu que estava sozinho naquela república e à contragosto desceu para atender seja lá quem fosse.
Stark abriu a porta com uma carranca mudando seu humor drásticamente um pouco mais feliz do que devia. Era Ryan.
– Por quê demorou tanto? — Indagou o loiro adentrando ao lugar.
– Estou construindo uma coisa e detesto quando me atrapalham — Alfinetou o moreno limpando suas mãos sujas de óleo com um pano que ele apoiava em volta do pescoço.
Ryan ficou um certo tempo admirando a situação na qual Tony se encontrava. Ele vestia uma calça jeans apertada junto de uma regata preta que mostrava seus músculos suados. Ele usava um óculos de proteção também e sua testa continha gotas de suor.
– Vai ficar aí me secando? — Indagou Tony sorrindo convencido — Vamos.
Ryan sorriu subindo às escadas logo atrás do moreno. Ao chegarem em frente ao quarto Tony pareceu mais empolgado do que antes.
– Contemple minha obra! — Disse o moreno abrindo a porta de seu quarto.
Ryan ficou impressionado com o que viu. Não estava completo ainda, mas pelos esboços e pelo material utilizado naquele projeto Stark com certeza faria um trabalho perfeito. Digno de um nobel.
– Posso ajudar? — Perguntou o loiro ansioso.
– Claro — Disse Tony dando de ombros enquanto fechava a porta do quarto.
Ryan logo se sentiu mais à vontade retirando sua camisa imediatamente e colocando o óculos de proteção.
"Que Enstein me proteja dessa tentação." Pensou Stark observando o corpo do loiro.
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