Catarse.
4 O que eu faço com você?
Escondeu o bocejo com uma das mãos e se recostou mais confortavelmente na cadeira. Tinha bebido demais e a festa parecia não acabar.
Ao que tudo indicava, o setor de compras fazia questão de abrilhantar as festividades com salgadinhos, bebidas diversas e música brega.
Sorriu, ao ver alguns funcionários da empresa dançando e um carrancudo Máscara da Morte ser puxado para a roda de dança. Suspirou! Já tinha dado a sua hora.
Olhou mais uma vez para o celular e visualizou a mensagem de boa noite do namorado. Ele sabia que as festas naquela empresa acabavam tarde e que Shura iria demorar para chegar. Sentiu uma pontada no peito, nem sempre se atrasava por conta das festas.
Respondeu a mensagem, informando que em breve chegaria em casa, sabia que talvez não fosse a realidade, mas sempre ouviu que quando se acredita muito tempo em uma mentira, ela passa a ser verdade.
Levantou da cadeira, e teve seus movimentos acompanhados por Máscara da Morte que abraçado com June, a recepcionista, dançava junto com os demais. Shura se espreguiçou e olhou a mesa de bebidas. Tinha bastante coisa ali. Pegou uma garrafa de rum e encheu o copo até a metade, procurando o refrigerante para completar a mistura. Olhou ao redor e não viu nada.
— Mu, acabou a Coca Cola? — Chamou a atenção do homem que conversava animadamente com Aldebaran.
— Não… tem mais lá na geladeira do segundo andar. Aproveita e desce umas três pra cá. — Sorriu voltando a conversa.
Shura torceu o nariz.
Não queria subir as escadas. Estava bêbado, sonolento e incrivelmente sem vontade de ir embora, por mais que soubesse que já tinha passado do seu horário. Olhou para o copo preenchido pela metade e avaliou se beberia o conteúdo daquele jeito. Vou pegar a merda do refrigerante… pensou enquanto cambaleava um pouco até as escadas.
Mantinha o copo de rum em uma das mãos, e se agarrando ao corrimão subiu para o segundo andar. Já na cozinha tirou três garrafas de refrigerante da geladeira, abrindo uma e preenchendo o copo. Bebeu o drink estalando a língua e sorrindo em seguida.
— Ficou tão bom assim? — Ouviu a voz grossa na porta da cozinha.
— Uhrum… quer? — Esticou os braços entregando o copo.
— Ah eu quero… quero sim…
Máscara da Morte o puxou pela cintura fazendo com que o conteúdo do copo derramasse um pouco no chão. Shura fez um muxoxo e tentou reclamar do desperdício, mas foi impedido pela boca do Italiano que já estava sobre a sua.
Sentiu o hálito quente e a saliva misturada ao gosto das inúmeras bebidas que já haviam consumido. Mordeu os lábios de Máscara e recebeu um gemido em resposta. Separou o ósculo em busca de ar e contemplou aquele olhos castanhos, que possuíam uma tonalidade mutável. O Italiano dava mais um daqueles sorrisos debochados, de que tanto gostava. Suspirou ao sentir seu pescoço ser beijado e mais um pouco do drink cair no chão melando sua mão.
— Máscara… — Suspirou — Estamos sujando tudo… inclusive eu…
— Esse é o problema? — Pegou as mãos do Espanhol e começou a lamber limpando os resquícios de bebida enquanto o encarava.
— Ah Máscara… — Soltou o ar que havia prendido quando sentiu a língua serpenteando em sua pele — O que eu faço com você?
— Tenho algumas sugestões. — Deu um sorriso safado.
Shura se afastou do colega de trabalho, que por alguns segundos permaneceu confuso, mediante a movimentação. Colocou o copo dentro da pia e sorrindo chamou- o com o dedo enquanto saia da cozinha. O Italiano alargou o sorriso e foi atrás do homem que segurava a porta do banheiro. Assim que ele entrou, Shura trancou a porta e o atacou com beijos e mordidas. Com uma das mãos dentro de camisa dele, passava a língua languidamente pelo pescoço, enquanto aproximava cada vez mais os quadris. Máscara o empurrou, virando-o de costas, apoiou suas mãos na pia do banheiro e passou a morder sua nuca. Shura soltou um gemido alto ao sentir as mãos do Italiano em seu membro por cima da calça.
Seu cinto era desabotoado, quando ouviu um barulho do lado de fora e uma voz conhecida. Afastaram-se. Ambos tinham ouvido. Máscara da Morte caminhou até a porta do banheiro destravando o trinco e dando de cara com um corado Mu, que parecia ser escoltado por um enigmático Aldebaran.
Os quatro homens se olharam por alguns segundos, e Shura entrou em umas das cabines do banheiro ao perceber que Mu olhava o volume em suas calças. Sentou sobre a tampa do vaso e colocou a mão no rosto.
O álcool parecia ter se esvaído completamente de seu corpo.
Sua respiração estava pesada. Ouviu batidas na porta e continuou imóvel.
— Shura… Você está bem? — Sentiu um tom de preocupação na voz. — Shura… Mais que caralho Espanhol, fala alguma coisa.
O Italiano se assustou ao ver o semblante sério que o outro homem carregava ao abrir a porta da cabine.
— Paramos aqui.
Pronunciou categórico saindo do banheiro o mais rápido que podia, vendo Mu e Aldebaran na cozinha cochichando alguma coisa, pisando em cima do líquido que havia derramado há pouco de seu copo.
Desceu as escadas o mais rápido que pôde, pegou sua mochila e sem se despedir dos colegas foi embora.
Do lado de fora da empresa, respirou o ar da rua e chutou uma pedra que estava no chão. Precisava ir pra casa, mas ainda sim, continuava a não querer. Olhou o relógio. Ultimamente, nunca sabia o que fazer.
Continua.
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