Catarse.
15 Estar apaixonado é uma merda!
Ouvia com certa frequência de sua Nonna que a paciência era uma virtude. Reprimia a vontade de gargalhar alto sempre que escutava a frase, uma vez que, a família italiana de sangue quente tinha tudo, menos paciência. E deixando claro sua origem caminhava de um lado para o outro no meio da sala de sua casa, como se o movimento imprimisse uma força sobrenatural a suas atitudes e o tornasse capaz de controlar todos os sentimentos que transbordavam.
Já havia perdido as contas de quantas vezes tinha olhado para a tela do celular. Por mais de uma vez escreveu uma mensagem, e apagou em seguida. Não sabia o que seu Bello estava fazendo no momento. Implicitamente tinha deixado no ar que conversaria com o esposo, mas não tinha convicção de que era isso que ocorria naquele instante. Além disso, nada garantia que ele não mudaria de ideia no meio do caminho. Afinal, já nem trabalhariam mais juntos, então, ele poderia apenas esquecer de sua existência e continuar sua vida com o loiro bonitão com quem dividia a casa.
Jogou o celular no sofá, tinha vontade de esmurrar a si mesmo por estar tão entregue aquele homem. Queria acreditar em Shura, em suas promessas, mas sua insegurança falava mais alto que qualquer senso de racionalidade que pudesse evocar.
Olhou para o celular em cima do sofá, suspirou cansado imaginando que seria melhor consumir toda a sorte de bebida alcoólica que encontrasse em sua casa e no dia seguinte mandar uma mensagem discreta ao maledetto Espanhol. Caminhou até o pequeno bar localizado em um canto da sala e serviu-se de uma dose de whisky, já levava o copo aos lábios quando ouviu o celular tocando. Abandonou a bebida de qualquer forma em cima do móvel e atendeu o telefone tentando não transparecer a ansiedade que o corroía:
— Bello? — Atendeu estranhando a ligação, Shura nunca tinha ligado para ele.
— Oi Cabrón… Esperava outra pessoa? — Riu ao ouvir o tom de incredulidade na voz do outro.
— Bom… Estou sempre esperando por você, mas não imaginei que me ligaria… — Sorriu ao ouvir o riso de Shura.
— De fato não sou um grande fã de ligações, mas… — Mordeu os lábios antes de perguntar. — Você está ocupado?
— Não pra você. — Não pôde conter a resposta honesta.
— Você ainda lembra do meu endereço? — Sorriu largamente ao ouvir a resposta.
— Claro, Bello. Como esqueceria.
— Eu sei que está um pouco tarde, mas eu quero te ver. Será que você poderia vir aqui? — Inconscientemente prendeu a respiração.
— Chego em no máximo quarenta minutos. — Respondeu desligando o telefone em seguida.
Shura sorriu olhando para o aparelho, soltando o ar que havia prendido sem sequer perceber. O bom senso o dizia que deveria esperar mais um pouco, o esposo, ou melhor o ex esposo acabara de sair, mas ansiava pela presença de Ângelo. Precisava ver aquele homem, conversar, finalmente resolver todas as questões mal acabadas que existiam entre eles. Foi sincero quando disse que Shaka deveria procurar a felicidade e estava certo que a sua era ao lado do tal Máscara da Morte.
Riu voltando para o quarto, vestiu uma bermuda de algodão preta e uma blusa do mesmo tecido e cor, pendurou a toalha de banho no suporte do banheiro.
Sentou no sofá da sala e em meio a escuridão aguardou a chegada de Ângelo, enquanto tentava organizar os pensamentos e o que diria a ele.
Máscara da Morte saiu de casa o mais rápido que pôde, sequer lembrou da dose de whisky que havia deixado sobre o bar. Entrou no carro tentando conter parte da ansiedade que o acometia. Ao que parece Shura havia conversado com o esposo, mesmo assim, não queria criar grandes expectativas, por mais que internamente já tivesse desenvolvido todo um panorama acerca da situação.
Estar apaixonado é uma merda!
Pensava enquanto manobrava o carro, retirando-o da garagem e partindo em direção a casa do Bello.
Passados trinta minutos ouviu a campainha da casa tocando, não pôde evitar de passar a mão pelos cabelos e ajeitar a roupa. Balançou a cabeça sorrindo ao perceber suas atitudes e abriu a porta dando de cara com o belíssimo par de olhos castanhos e o sorriso, o bendito sorriso que há pelo menos três meses nublava seus pensamentos e tirava seu rumo.
Mediram-se durante um tempo indeterminado, Máscara da Morte sem saber muito bem como reagir já que não sabia com precisão o que o Shura desejava e ele por simplesmente estar preso no sorriso sedutor de Ângelo. Percebeu a incerteza do Cabrón quando o viu olhar vacilante para dentro da casa. Respirou fundo, grande parte das atitudes até então tinham sido iniciativa do outro, estava mais do que na hora de mostrar a ele que aquela não era uma caminhada solitária.
— Entre Ângelo, estamos sozinhos… — Deu passagem.
— Deixo os sapatos aqui? — Questionou um pouco sem jeito.
— Onde você quiser… — Sorriu.
Máscara da Morte tirou o sapato e as meias deixando ao lado dos que julgou ser de Shura e entrou na casa. A memória da primeira vez que esteve ali o arrebatou e não conteve o sobressalto ao sentir os braços do Espanhol ao redor de sua cintura e a voz rouca em seu ouvido.
— Não sei o que você fez comigo Cabrón… — Sorriu — Mas acho que nunca senti tanto a falta de alguém…
— Eu digo o mesmo Bello… — Acompanhou o sorriso — Esses foram os dias mais angustiantes dos quais consigo lembrar. — Passou os braços por cima dos de Shura.
— Eu conversei com o Shaka e… Eu sei que seria mais digno esperar, mas não aguentava mais. Eu precisava te ver. — Suspirou — Eu sou seu Ângelo. — Sentiu um leve estremecer vindo do corpo do outro. — E não estou falando apenas de sexo, mesmo que aprecie muito essa parte. Eu… gosto de você Cabrón, de verdade. — Corou levemente. Máscara girou o corpo sem sair do abraço, ficando de frente para Shura.
— Sempre achei enlouquecer a facilidade com que esse rosto sério fica corado. — Roçou levemente os lábios. — Você é lindo!
— Não coro com facilidade… — Passou o polegar na bochecha do Italiano. — Você que me torna uma grande bagunça. Além disso… não sou muito bom com palavras.
— Pode até não ser, mas quando decidi falar, sabe muito bem o que dizer. De qualquer forma… — Sorriu passando o indicador pelos lábios de Shura. — Sei de outras atribuições em que essa boquinha é primorosa. — Passou a língua pelos lábios dele.
— Ângelo… — Falou entre dentes.
— Não me importa quanto tempo faz que seu ex foi embora. Eu quero você. — Aproximou-se surrando no ouvido de Shura. — Quero que você me foda do jeito que só você sabe e compense esses dias que ficamos separados e… — Olhou nos olhos de Shura. — Quero sentir o quanto você gosta de mim, enquanto eu rebolo gostoso no seu pau.
Shura engoliu seco, aproximando os corpos, a excitação aparente.
— Eu vou te devorar Cabrón…
Ângelo sorriu ao identificar o brilho que emergia daquele olhar. Muito mais do que as mãos que agora passeavam pelo seu corpo e espalhavam aquele calor gostoso tão conhecido, aqueles olhos sempre lhe transmitiam mais, muito mais. Shura era quente em todos os sentidos, mas aquele par de olhos verdes, que nunca desgrudavam dos seus, eram capazes de lhe incendiar em segundos. Jamais foi imune a eles, mesmo que pudesse afirmar sem sombra de dúvidas, que existiu um tempo em que tentou com todas as suas forças. As ordens não verbais, expressas nas orbes verdes, faziam com que perdesse o juízo e sentisse vontade de gozar simplesmente ao sentir o peso deles sobre si, pedindo mais, exigindo mais e dedicando cada vez mais.
Shura era quente, não existia equívoco nisso, e era algo transcendental. Desde a primeira vez, no momento do primeiro beijo quando sentiu que seria devorado, sentiu-se desde então consumido diariamente pelo fogo que saía daqueles olhos tão exigentes e se era para ser devorado por alguém, o inferno sabia que só precisava se deixar queimar por aquele malledeto Espanhol.
Continua.
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