Mais uma vez viam-se deitados na cama de Shura, que tomado pelo desejo de mais uma vez devorar o Italiano, instigado por suas palavras, contemplava o homem que em desalinho e abandono o puxava com quase desespero em busca de seus lábios. Beijaram-se com sofreguidão, o desejo aparente sob as roupas. Ângelo deixou escapar um gemido rouco ao ter seu pau massageado por dentro da calça.

— Ãããh Bello… Tira logo isso… — Abria os botões da camisa que Shura havia vestido.

— Você está atrasado, Cabrón. — Sussurrou de forma marota enquanto aumentava os movimentos.

— Ah maledetto… Me chupa logo de uma vez então. Assim vamos logo naquela merda de empresa e na volta você me come.

Um sorriso safado ornou o rosto de Shura que não conteve a satisfação ao realizar o pedido. Máscara da Morte desmanchou-se em sua boca, chamando seu nome, o que por si só causou deleite ao dono dos olhos esmeraldinos.

Ângelo permaneceu alguns minutos deitado regularizando a respiração, um sorriso satisfeito no rosto. Sentiu os lábios do Espanhol de encontro aos seus e levantou da cama convidando-o para um banho rápido. Shura pensou em sugerir que terminassem aquilo depois, mas ao divisar o brilho avermelhado que dominou os olhos terracota, teve a certeza que não conseguiria recusar. Além disso, ele jamais declinaria um chamado de seu Cabrón, entoado naquele tom rouco absurdamente sensual e seguido do bendito sorriso.

Para o inferno com o senso de responsabilidade! Pensou enquanto seguia Máscara da Morte que o despia.

Levando mais tempo do que seria recomendado para sair de casa, os dois já se encontravam dentro do carro do Italiano seguindo em direção a empresa. Shura olhou o relógio de pulso, soltando um muxoxo e estalando os dedos.

— Fica tranquilo, Espanhol. Você já nem trabalha mais lá.

— Mas você sim, Máscara. Pode gerar problemas para você.

— Shura, se eu não estou preocupado, você também não deveria estar. — Deu de ombros parando no sinal e olhando para o homem ao seu lado. — Além disso é sexta-feira, Bello. A única pessoa que chegava no horário era você… E a June. — Engatou a marcha saindo com o veículo.

Shura ficou em silêncio, sabia que ele estava certo, mas não conseguia deixar de se preocupar. Encarava o Italiano enquanto ele dirigia, suspirando antes de dar um discreto sorriso de lado.

— Caiu muito bem em você. Melhor do que em mim. — Apontou ligeiramente para a camisa.

— Claro que ficou melhor. — Sorriu de lado. — Já falei várias vezes que sua melhor vestimenta são minhas mãos passeando por seu corpo. Qualquer coisa além disso é puro desperdício. — Alargou o sorriso piscando um olho.

Shura balançou a cabeça olhando pela janela do carro, tentando disfarçar o rosto corado.

— Está sugerindo que eu ande sem roupa por aí?

— Não necessariamente. Apenas estou enfatizando o quanto seu corpo nu fica bem moldado com o meu toque.

— Ah Ângelo… — Shura riu. — Não sei como fiquei tanto tempo sem essa sua poesia de botequim.

— Também não sei… — Suspirou. — Ansioso? — Perguntou assim que entraram na rua da empresa.

— Não sei bem se é ansiedade. Apenas… — Recostou no banco do carro. — Estou preocupado. — Sorriu desanimado.

Até aquele momento, não tinha pensado com clareza nas implicações de estar desempregado. Percebeu-se nitidamente desconfortável. Era a primeira vez que acontecia desde que tinha saído da casa dos pais. Lembrou da prestação da casa e do carro, além dos demais encargos que possuía. Já começava a projetar um cenário no qual não conseguiria arrumar um novo trabalho e precisaria bater na porta dos pais com o rabo entre as pernas, voltando a viver com eles. Não tinha uma relação ruim com seus progenitores, muito pelo contrário, mas a partir do momento em que se alcançava certa liberdade na vida adulta, era difícil retroceder em alguns aspectos. Não podia de qualquer forma, descartar essa ideia.

Melhor do que ir para de baixo da ponte. Pensou mordendo a parte interna na bochecha, enquanto aguardava Ângelo estacionar o carro na garagem do prédio da empresa.

Máscara da Morte observou o que julgava ser quase impossível, Shura se tornando ainda mais sério. Conteve a vontade de rir ao ver seu Bello apertar os lábios com força e em seguida se sobressaltar.

— Mordeu a bochecha? — Ângelo perguntou lançando um olhar divertido.

— Como sabe? — Colocou uma das mãos no local.

— Conheço suas manias, Bello. Vem cá… — Abriu os braços. — Já disse que vai ficar tudo bem.

Shura suspirou e sorriu aceitando o abraço, mesmo que não conseguisse acreditar nas palavras dele. Mantiveram-se por um tempo impreciso sentindo o calor um do outro, beijaram-se e antes de sair do carro, Máscara da Morte apertou as mãos do companheiro tentando transmitir segurança através daquele gesto.

Pressionaram o botão do elevador e aguardaram lado a lado até a chegada do mesmo. Assim que ele parou e abriu a porta eles entraram. Shura fitou-se brevemente no espelho arregalando os olhos e sorrindo sem seguida.

— Cogitei brevemente que seria um tanto comprometedor nós dois chegando juntos e mais ainda se os olhos observadores da June notarem que você está com a minha camisa. Ela sempre me elogiava quando eu vinha com ela. Agora, acho que esse chupão aqui no meu pescoço é um indicativo mais potente. — Puxou a gola da camisa em uma tentativa infrutífera de disfarçar a marca.

— Bom… — Sorriu de canto. — Não posso dizer que fomos realmente discretos durante todo esse tempo No geral, acho que o pessoal só espera uma confirmação. Além disso, se me vissem sem camisa, aí sim seria bem suspeito, não acha? — Piscou um olho.

Máscara da Morte lançou um daqueles sorrisos que faziam com que Shura desenvolvesse pensamentos nada castos e a porta do elevador abriu no momento em que cogitavam a veracidade do funcionamento das câmeras de segurança.

— Vou direto ao RH. — Falou saindo do elevador.

— Ok… Estarei na minha sala. Qualquer coisa me liga, estou te esperando.

— Você sabe que não precisa não é?

— Claro que eu sei… — Aproximou-se cochichando em seu ouvido — Mas ainda quero colocar o meu plano em prática e ele inclui especificamente fazer amor com você e gemer o suficiente para compensar a falta da última semana...

— Cabrón… — Falou entre dentes sentindo o corpo arrepiar.

Ângelo afastou-se rindo, caminhando em direção a sua sala. Shura balançou a cabeça, pigarreou e dirigiu-se ao RH. Bateu na porta da sala e ouviu uma voz anuindo sua entrada.

Apesar de toda a burocracia, o procedimento foi relativamente rápido. Assinou os papéis de sua rescisão, entregou o crachá da empresa e ouviu a explicação de como os pagamentos seriam efetuados, assim como, a base de cálculo nos quais os valores tinham sido feitos. Mais uma vez discursaram acerca de sua eficiência, presteza e lamentaram a demissão. Shura ouviu tudo, agradecendo nos momentos em que achou pertinente e foi liberado depois de mais ou menos uma hora.

Comunicou que iria se despedir de alguns colegas e pegar o restante das coisas que ainda restavam em sua antiga sala. No caminho, trocou olhares significativos com Ângelo enquanto ele permanecia de braços cruzados ouvindo Seiya resmungar da lentidão dos computadores. Foi primeiro até a baia de Mu, que parecia nitidamente sem jeito, talvez por ter assumido as funções que antes lhe cabiam, mas que relaxou ao receber o desejo sincero de boa sorte que Shura lhe direcionou enquanto apertava suas mãos.

Aldebaram o abraçou com completa desinibição, arrancando risos de Mu e do próprio Shura. Conversou um pouco com os dois, visto que eram os colegas mais chegados e ao que tudo indicava suspeitavam da sua relação com Máscara da Morte. Seiya aproximou-se do trio e também deu um abraço no Espanhol que falou por mais de uma vez para o rapaz criar juízo. Cumprimentou brevemente os demais colegas, sendo abordado por Marin e June. Ao terminar todo aquele ato social, que o estava exaurindo de forma impensável, finalmente conseguiu entrar em sua ex sala.

Mandou uma mensagem para o celular de Ângelo: “Cabrón, já terminei de falar com o pessoal. Estou aqui na minha sala… Ou ex sala. Mais cinco minutos e estou livre”.

Colocava o celular no bolso quando ouviu um toque, desbloqueou o aparelho e sorriu ao ler: “Já avisei que vou sair mais cedo. Estou indo aí te ajudar… Tenho muito apreço por essa sala.”

Corou ao imaginar os motivos pelos quais ele tinha apreço pelo lugar e ainda sorrindo, olhou mais uma vez para o telefone ao ouvir o som de uma nova mensagem. O sorriso morreu em seguida, respirou fundo, era tempo de arcar com suas decisões. Apertou a junção entre os olhos, em um gesto tão comum a sua pessoa, e que havia repetido diversas vezes enquanto trabalhava naquela empresa. Preparava-se para responder a mensagem quando ouviu a porta abrindo e Ângelo entrou.

— O que houve, Bello? — Perguntou ao ver o rosto sério e o cansaço nos olhos verdes.

— A vida, Cabrón… A vida.

Continua.