Casualty Of Love
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Boa leitura!
— Vamos dar uma pausa! — Milo falou se sentando na primeira pedra que localizou.
— Não podemos parar! E arriscados. Estamos a pé, e podemos se facilmente alcançados. — Kanon ditou olhando para todos os lados.
A floresta era regada de árvores secas e folhas no chão. Havia musgo e lodo em todos os lugares. Parecia até um pântano de filme de terror, só faltava o lago.
Já deveria ser hora do almoço e em nenhum momento o quarteto havia parado para uma pausa, todos estavam casados, mas Milo fora o primeiro a resmungar.
— Saga! — Shiryu chamou o loiro que segurava sua mão, mostrando todo seu cansaço na voz.
— Kanon! Vamos parar só meia hora! Nenhum de nós vai aguentar mais tempo assim. — Saga falou tocando no ombro do irmão e olhando para os dois menores.
— Tudo bem! — Kanon se sentou no chão olhando a seu redor, não ia abaixar a guarda.
— Aqui fede! — Milo falou com um olhar enjoado para tudo.
—Temos que fazer um plano. Do jeito que estar não da para ficar. Milo e Shiryu não vão aguentar essa rotina! — Kanon falou sério para com o gêmeo.
No momento seguinte Milo levantou com tudo da pedra e foi para de trás de uma árvore, onde o pouco que tinha em seu estômago foi para fora.
— Milo! Está tudo bem? — Kanon foi atrás do irmão.
Milo estava suado frio. Seu estômago ardeu por vomita o que não tinha. Suas bochechas estavam vermelhas mostrando a febre que detinha e seu olhar era nublado.
Kanon conseguiu segurar o irmão antes que o mesmo caísse no chão desmaiado. Milo não estava nada bem, e agora não tinha mais como fingir o oposto disso.
— O que deu nele? — Saga indagou. Havia clara preocupação em sua voz.
— Talvez seja sede, fome ou a pressão caiu! Vamos parar um pouco e retornamos. — Kanon disse. Ele pegou o irmão no colo e seguiu mais adentro a floresta. Assim que encontraram um lugar meio escondido em meio alguns arbusto e árvores, eles montaram acampamento.
Eles não tinham muitos recursos. Apenas um cantinho de água e dois cobertores.
Saga deixou Shiryu ao lado dos dois irmãos, e tratou de amarrar os cavalos, e estenderam os dois cobertores. Em um deles indicou para o moreno descansar, e no outro Kanon deitou Milo.
— Milo... Ei... —Kanon tentou acordar sutilmente o menor.
Lentamente as pálpebras de Milo deram espaço a íris azul. Ele parecia desorientado, e tudo em sua volta parecia girar.
— O que...? — Sua boca estava amarga como fel.
— Você ficou tonto, e desmaiou! Pode ter sido a tensão ou cansaço! — Falou tentando deduzi.
— Acho que sim... — Resmungou. Ele virou de lado e se encolheu. O cansaço realmente caiu e ele acabou dormindo profundamente.
— Saga... — Shiryu murmurou.
— Shii... Descanse amor, tudo ficará bem! — Saga disse aninhando atrás do menor e o abraçado protetoramente. — Vou protegê-lo! — Ele distribuiu beijos pela face do moreno. Eles ficaram deitados trocando carinhos.
O quarteto ficou por algumas horas descansadas. Quando Milo recobrou a consciência e estava melhor, eles retornaram a viagem, mas dessa vez no lombo dos cavalos.
Eles tiveram que aguentar a fome, e apenas dividindo misera água, isso o dia todo. O sol se escondia no horizonte quando eles deixaram a floresta e alcançaram o pequeno vilarejo. O lugar era escondido por todos, e duvidavam que a guarda real tivesse conhecimento de sua existência.
— O que faremos aqui? — Milo indagou. Ele sentia-se cansando e a fome apertava seu estômago, e o estado de Shiryu não era diferente.
— Temos um conhecido aqui! Ao menos poderemos descansar; um banho e comida! — Saga disse.
As pessoas do vilarejo olhavam pra os forasteiros, mas não apresentavam reação. Quando encontravam uma cabana que detinha um mercado na frente, os gêmeos pararam os cavalos e desceram deles ajudando em sequencia os dois menores.
— O que querem aqui, suas pestes! — Uma velha senhora apareceu na porta. Apesar de sua maltrapilha aparência, seus olhos carregavam bondade, diferente de sua voz amarga.
— E bom vê-la Momo! — Kanon disse em seu tom brincalhão.
— Quando aparecem aqui, e por que estão em encrenca. — Ela disse. Seus olhos repousaram sobre Milo, e ali houve um brilho estranho. — Entrem, estão chamando muita atenção!
— Não devíamos seguir viagem? Ela pode-nos entrega! — Milo sussurrou para Kanon e Saga.
— Apesar do jeito grosseiro, ela é uma boa pessoa! — Saga disse indo ajudar Shiryu a subir pela escada precária, dando acesso à varanda que levaria a humilde casa. Sem dizer mais nada a dizer, eles entraram.
A velha os encaminhou para um quarto reserva. — Podem ficar aqui! Tenho água limpa, vou ajeitar para os dois menores se limparem primeiro e preparar algo para vocês comerem! Mais tarde me contam qual a encrenca que se meteram.
— Somos muito gratos, Momo! — Kanon disse. Antes de ela sair, ele olhou mais uma vez para Milo, como se decifrasse algo, e saiu.
— Eh! — Milo exclamou sentindo um arrepio. Todos estavam muito cansados, realmente não poderia ficar escolhendo muita coisa. Se seus irmãos confiavam na mulher, daria um voto de confiança, pois tudo que ele queria era um banho, comer e dormir. Claro... Seu maior desejo era voltar aos braços de Kamus, mas isso parecia um sonho bem distante.
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O clima não era um dos melhores no castelo, na verdade, todos estavam bastante agitados, e tementes do temperamento do imperador. Tentavam o máximo fica longe dele.
— Dohko! Quero que você faça algo! — Kamus andava de um lado para o outro da sala mostrando toda sua impaciência.
O imperador não havia dormido ou comido. Sua mente estava apenas em seu amado, que fora levado de si, pois se negava a pensar que Milo era um traidor. O coração de Kamus estava sangrando. Primeiro ele queria ter Milo ao seu lado e depois ia avaliar por si só se ainda queria o outro.
Kamus tentava se enganar, usando o fato do menor ser traidor para conseguir raciocinar, mas não dava, seu coração era quem mandava.
— Meu imperador, uma patrulha já está seguindo os rastros deles! — O general falou tentando manter a calma, vendo afinal que sua cabeça poderia rolar a qualquer momento.
— Uma patrulha! Fugiram dois ladrões e meu noivo, e você só manda uma patrulha? — Kamus lançou toda a sua raiva para cima de Dohko.
— Infelizmente meu imperador! Não podemos mandar mais, pois estamos sujeitos a um ataque do príncipe Afrodite. Não podemos arriscar as vidas de milhares por uma! O senhor sabe bem disso. — Dohko disse, até ele mesmo, que praticamente criará o ruivo, tremia um pouco, mas de todos ainda tinha um senso de enfrentá-lo.
— Maldição! — Gritou em fúria. Negava em aceitar. Não era exatamente o fato dos gêmeos fugirem, mas por que levaram seu bem precioso... Traidor ou não, Milo era seu. Não conseguia ver sua vida sem ele...
— Senhor! Irei buscar por alguma informação... Mantenha a calma! —Dohko disse fazendo a devida referencia, e saindo antes que o imperador dissesse algo.
Kamus deixou relaxar no trono. Seu olhar era perdido, e mesmo que parecesse frio como mármore, a dor era espantada em seus olhos. Aos poucos ele estava sucumbindo.
— Ele te ama mais que tudo, é você sabe! — Mu falou entrando felinamente na sala do trono.
— Então porque ele foi embora? — Kamus indagou com a voz mansa, cheia de magoas e tristeza.
— Para depois poder ficar com você, pense comigo Kamus, porque Milo iria com os irmãos, se eles já estavam libertos, se é você a quem ele ama. — Mu falou também com o mesmo cansaço que Kamus.
Mu também queria a pessoa amada consigo, nos braços de Kanon, que agora eram os únicos que aqueciam Mu. Não importava o quanto se cobrisse se no final continuava sentindo aquele frio que não lhe abandonava, não enquanto o homem de sua vida estava longe.
— Milo não quer que ninguém saiba que fora ele ao liberta os irmãos, pois ninguém sabe que os mesmos são seus irmãos, indo com os gêmeos, parece que Milo fora levado, no caso sequestrado.
— Até parece piada! Primeiro sequestram meu primo e agora meu amado, o povo vai me ver como um fraco que nem em seu próprio castelo tem as rédeas firmes. — Kamus falou sem levantar a voz, mas seu punho bateu em seu trono.
— Antes o povo pensasse isso! Do que saber que fora Milo que os libertou, se isso ocorrer tudo estará perdido. Você não terá outra escolha a não ser prender Milo e o condenar. Sabe disso. — Mu esperava abrir os olhos do primo para a pouca escolha que Milo tinha.
— Mas isso e o que ele merece, ele me traiu...
— Não! Olhe além de sua bunda uma única vez. Milo te ama mais que tudo, ele estar se adaptando ao seu jeito de vida, mas ama os irmãos, sua única família Shun... Sim Shun o amigo dele mesmo me falou que os irmãos eram a vida dele antes de você, e o que você espera que ele fizesse? Ahhh... Já pensou ver os seus irmãos na forca? Fala sério Kamus! Você mais do que ninguém sabe como funciona as coisas nessa cidade, as nossas leis. Pelo menos dessa vez não magoe alguém que ama. — Mu falou tudo esperando que o primo sofresse menos.
— As coisas... — Kamus parecia tão perdido.
— Eu sei que dói, sei mesmo, e como um vício, e que cada vez mais apodera de seu corpo, e o amor Kamus, o belo e o clichê amor. — Mu falou chegando perto do primo parando na sua frente. — Eu queria poder dizer para onde eles foram ou quando Milo vai voltar ou como vais fazer isso, mas eu não sei, não tenho essas respostas, só tenho a minha companhia e um abraço para lhe dar.
Kamus levantou do trono e abraçou o primo. O imperador soltou um longo suspiro e deixou algumas lagrimas de dor correr pelo seu rosto.
O imperador não sabia há quanto tempo não tinha mais esse conforto familiar. Seu pai sempre fora muito sério e fechado, e sua mãe, a flor mais bela de qualquer jardim, porém morreu muito cedo, levando consigo todo aquele carinho que ele não assumia mais que adorava.
O abraço de Mu não podia fazer muito, mas acalmava e acalentava uma dor que só os apaixonados poderiam entender.
Mu e Kamus não sabem falar quanto tempo ficaram ali, um preenchendo o vazio do outro, mas no fim do abraço, um sorrira para o outro, ambos compartilhavam da mesma dor e não tinham mais porque brigar.
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— Eu quero a cabeça daquele imperador de gelo! — A voz fina ecoou pelo salão. — Aquele desgraçado levou tudo.
Afrodite gritava para os sete cantos de seu castelo, sua revolta era tão grande que qualquer coisa que ele via pela frente ele quebrava ou batia. Ele não queria saber quem era ou o que era ele só pensava em aliviar sua raiva e ira.
— Fico pensando como eles também chegaram lá! — Shura falou em um canto da sala para com Mascara da morte, enquanto ambos assistiam Afrodite se descabelar.
— Informante e claro, afinal acha mesmo que você e o único no mundo que da para trás por ganância? — Mascara da morte falou rindo vendo o delicado homem a sua frente quebrar mais um vaso, aquele Afrodite gostava, iria se arrepender depois.
— Eu quero GUERRA... — Afrodite gritou. — Mascara junte o exército, eles atrapalharam nossa luta, eu quero cabeças rolando e quero agora.
— E o que eu falarei para o povo? Afinal eles têm que se motivar para uma guerra ainda mais com a tal pessoa que você quer ir contra. — Mascara levantou a questão, como sempre pensando em tudo.
O general era fã de uma boa batalha, mas ele não era de por a cabeça e vida de pessoas, por motivos fúteis como Afrodite fazia, ele gostava de causas ganhas.
— Majestade! — Shura falou com um papel em mãos, que havia acabado de receber.
— Diga traidor! — Afrodite ditou batendo o pé.
— Acho que já sei como vamos ganhar o grande imperador Kamus. — Shura falou dando um sorriso de lado. — Parece que os gêmeos fugiram e levaram consigo o noivo do imperador.
— Aquela corja que era do harém dele? — Afrodite indagou mesquinho.
— Anda sabendo muito da vida de Kamus em Flor. — Mascara falou encarando o imperador no qual era leal.
— Ei, nem venha com essa cara de ciúmes você. Sabe que eu amo uma boa fofoca.
— Enfim, até agora ninguém achou o noivo, mas ninguém sabe melhor do que eu os caminhos e os amigos que Saga e Kanon têm escondidos. Se pegarmos esse menino, teremos Kamus em mãos, a essa altura ele vale mais do que o príncipe.
— Essa ideia está me agradando, fico imaginando o que posso fazer com o amado do imperador. — Afrodite ria histericamente. — Mascara preciso pedir duas vezes?
— Não majestade! — Mascara fez uma reverencia e já se colocou a sair da sala. — Shura, vamos de novo temos uma caçada.
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Quando o sol raiva novamente no horizonte, Milo despertou... Não tinha tido uma noite fácil. Agora não sabia se era culpa da tensão, da tristeza ao separa-se de Kamus ou pelo mal estava que vinha sentido desde dia anterior.
Antes mesmo do galo canta ao amanhecer, ele saiu correndo da cama e seguiu para fora da casa, ao pequeno quintal na parte traseira da cabana. O loiro se curvou para frente, e mais uma vez todo conteúdo de seu estômago foi embora.
— Milo? — A voz de Shiryu fez presente. Ele realmente estava preocupado com o outro, não somente pelo fato que era o irmão mais novo de seu amado, mas por que estimava Milo, mesmo o conhecendo em tão pouco tempo.
— Eu... Acho que por vive no castelo me tornei fresco! — Disse rindo, mas não durou muito, pois acabou vomitando novamente. Sentiu-se tonto no final e acabou se escorando na parede de madeira da cabana, tendo o jovem cego ao seu lado.
— Acho que é isso? E se tiver doente? Devemos falar com seus irmãos. — Shiryu sugeriu.
— Não... Eles já têm muitas preocupações, não precisam de mais uma. — Milo disse convicto.
Os dois ficaram ali mais um tempo, e quando Milo sentiu-se melhor, voltaram para dentro. Ele tratou de lavar a boca e foi ajudar preparar o café da manhã.
Alguns minutos depois os gêmeos levantaram, e como tal a velha da casa. Os cinco comeram a primeira refeição do dia, calados. Era algo simples, mas suficiente para abastecer seus estômagos vazios.
— Já pensaram no que farão? Pelo que me contou o imperador virá com todas as forças para cima de vocês. — A velha senhora disse.
— Partiremos hoje! Não podemos fica muito tempo em um lugar só! —Kanon disse sombrio. A verdade que ele sentia imensa saudade de seu príncipe.
— Tomem cuidado! Pois se Shura os traiu, ele conhece seus passos, não é somente com o imperador de Tranaden que terão que lidar!
— Tinha me esquecido disso! Temos que rever nossas rotas. — Saga falou. Ele e Shiryu estavam de mãos dadas, e os dedos do loiro faziam uma doce carícia.
Quando a velha senhora foi levantar para levar as louças na bacia para lavar, Milo levantou: — Deixa que levo! — Falou simpático. Contudo, ele acabou levantando muito rápido. De repente tudo virou borrões pretos e sua volta passou a girar.
— Milo... — Kanon gritou. Mais uma vez, ele foi rápido o suficiente para pegar seu irmão antes que caísse no chão.
— O que ele tem? Não é a primeira vez. — Saga disse aflito.
— Hoje de amanhã estava vomitando! — Shiryu disse. Não queria dar uma de fofoqueiro, mas sentia que era necessário saber.
A velha olhou. — O leve para o quarto, vou dar uma olhada! — Disse séria. Sua idade a dava experiência e conhecimento.
Ainda que desconfiados, Kanon tomou o menor nos braços e o levou para o humilde quarto. Saga e Shiryu seguiram de perto, e assim que Milo jazia deitado na cama, à velha aproximou-se dele.
— Acha que é sério? Alguma doença? — Saga indagou aflito. Já tinha ficado muito tempo longe do irmão, e agora não poderiam perdê-lo para alguma doença.
— Calados! — A mulher disse. Ela apalpou abdômen de Milo, e quando viu a marca de nascença que era três garras, uma carranca formou em sua face. — Ele esteve com algum homem?
— Por quê? — Kanon indagou sem compreende.
— Se aquele imperador de merda o fez mal, mato ele. — Saga bradou.
— O imperador? — A velha pareceu surpresa.
— E... Milo é ou era o noivo do imperador Kamus! — Shiryu explicou.
— Isso explica. — Ela disse terminando de avaliá-lo, e depois ajeitou suas roupas.
— Explica o que? O que ele tem? — Kanon exigiu. Já estavam ferrados, não queriam ver seu pequeno irmão doente.
— Ele está esperando um filho do imperador. Seu irmão é um Kari, ou seja, foi abençoado pelos deuses com a dadiva de gerar. — A velha disse casualmente e saiu do quarto como se não tivesse dito nada demais.
— Oh meu... — Saga exclamou esfregando o rosto. — Se o imperador souber que levamos seu noivo gravido...
— Eu vou matar esse desgraçado por engravidar meu irmãozinho, isso sim! — Kanon rebateu.
Se as coisas estavam feias para eles, agora começavam literalmente a piorar. Teriam que dar a notícia a Milo, mas não tinham a menor ideia de como ele reagiria a isso.
Continua...
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