— Eu juro... Foi sem querer... O clérigo ficou irado comigo. — Mu disse contribuindo para que tanto ele e Shiryu caíssem na gargalhada.

Os dias que foram transcorrendo tornaram-se mais brandos. Agora que Mu tinha Shiryu para conversa.

Como os dois ficavam praticamente trancados dentro de casa. Mu que era prisioneiro — e Shiryu que se recuperava — eles sempre estavam juntos.

Por sorte o quarto dos gêmeos era interligado, e isso permitia que eles sempre fossem um para o quarto do outro.

O moreno estava se recuperado dos ferimentos, e mais forte... Sua pele e seus cabelos tinham mais brilho agora que se alimentava decentemente, além de ter uma cama quente para dormir e não ter que fica preocupado em ser atacado.

Mu descobriu que Shiryu era da província de Daicho, seus pais morreram em um acidente quando ele era criança, a casa que vivia tinha pegado fogo, justo na ocasião que ele ficara cego. Desde então tinha sido criado por seu avô, todavia há alguns meses o vilarejo que morava tinha sido atacado por bárbaros, e muitos morreram, e um desses foram seu avô. Ele mesmo cego conseguira fugir, e ficou perambulando desde então, sem ninguém ou ajuda ele fez o possível para sobreviver.

Até que foi encontrado por um grupo de viajantes, e este o sequestrara como escravo para vendê-lo no mercado, mas antes que isso acontecesse Shiryu tinha fugido, e isso o levara se joga no alto mar, e com isso foi parar na praia perto do forte dos ladrões.

— Você gostava muito da sua vida no monastério! — O moreno disse.

Os dois estavam sentados na cama dossel do quarto de Kanon.

— Sim! Eu cresci lá, era o único exemplo de um lar que tiver. Nunca tiver contato com meus pais, e meu primo ia me ver somente às vezes. — Mu disse com olhar penoso.

— Não deve ter sido fácil... — Shiryu disse sendo gentil.

— Nem tanto! Eu não tinha contato com eles... Agora você é diferente. — Mu disse. O dia estava frio, e eles optaram em se embrenha debaixo das cobertas.

— Sinto saudade, mas estou bem! — Falou.

Os dois continuam conversa sobre suas infâncias, aventuras e sonhos. Perceberam que tinham muito em comum. Tão entretidos eles assustaram quando alguém entrou no quarto.

Mu colocou-se na frente do amigo, quando viu que não era nem Kanon ou Saga, e ou um pessoal que levava comida para eles.

— O que foi principezinho? Estou atrapalhando? Pensei que um Acólito declarava castidade, mas pelo visto arrumou um namoradinho. — O moreno alto de músculos definidos ditou quando andava pelo quarto. Seus olhos avaliavam os menores de maneira maliciosa e cruel, levado por certa raiva e inveja.

— Somos apenas amigos! O que deseja? — Mu indagou. Ele manteve a pose superior, mesmo que por dentro tremia de medo. Algum no olhar daquele homem o deixava em alerta.

— Ora! Ele tem garras... Acredito que Kanon devia se mais duro contigo... Ensinar a ser homem... — Shura disse rodando a cama.

— Por favor, saia. Saga não gostará de você aqui. — Shiryu ditou colocando as mãos no ombro do outro. Mesmo sem ver, ele podia sentir a aura vinda do outro, e não era em nada agradável.

— Não manda aqui ceguinho... Saga o ajudou somente por pena... Sua boa ação... Mas não vai demorar a te usa como saco de pancada ou um buraco para prazer. — Disse ácido. Ele seguiu até a cama, rendido por inveja, fechou a mão em um punhado de fios negros, e os puxou.

Shiryu gemeu de dor e tentou inutilmente se solta.

— Largue ele... — Mu gritou indo ao socorro do único amigo, mas tudo que recebeu foi um empurrão com o pé, que o fez caiu do outro lado da cama, e geme de dor, pelo chute no peito.

— Não se meta putinha santa... — Gritou com o acolito, e voltou a puxa Shiryu pelos cabelos. — E quanto a você, sua vagabunda... Fique longe do meu homem... Saga é meu... É você para ele não passa de um rabo magro para saciar... Ele é meu... — Shura bradou.

A fúria brilhava em seus olhos, e de sua boca saia palavras de raiva.

Ele jogou o corpo de Shiryu contra a cama, e levou suas mãos ao pescoço dele, apertando.

Sentindo-se sufocado, Shiryu movia as mãos tentando retirar o outro de si, mas as forças não se comparavam. O ar começava a fica escasso em seus pulmões.

— Larga ele. — Mu gritou, ele olhou no quarto, e pegou um jarro decorado. Sem pensa duas vezes, ele bateu o vaso contra a cabeça do agressor, garantindo que este cambaleasse para trás, caindo atordoado no chão, e Shiryu pudesse respirar.

O jovem cego puxava o ar com força para seus pulmões. Sua face rubra.

— Você está bem? — Mu indagou ajudando o amigo a levantar. Ele olhou para Shura que se recuperava, e sabia que não poderiam fica ali, pois quando o ladrão recuperasse ia atacá-los. Assim, ele ajudou Shiryu a levantar, e aproveitado que a porta estava aberta, saiu do quarto.

Os dois perambularam pelo corredor do forte feito de pedra. Mu sempre olhava para trás garantindo que o atacante não estava atrás deles.

— Quem era ele? — O moreno indagou confuso. Ele estava assustado, visto que mais uma vez tentaram matá-lo. Estava cansado de sempre ter que fica alerta, por que as pessoas o consideravam um saco de pancadas.

Quando Mu viu uma porta aberta ele entrou junto com o moreno, e fechou a porta. Ao olhar ao redor identificou sendo uma sala de dispensa, pois ali parecia aloja alimentos em grande quantidade, além de alguns outros produtos.

— Um dos ladrões... Acho que amigo dos gêmeos. — Não sei bem... Acho que é amigo dos gêmeos... E parece ser amante também... — Mu disse meio amargo.

Shiryu arfava ao que encostou as costas contra a parede.

— Maluco! — Shiryu acabou sentando no chão encostado na parede, e Mu após coloca um caixa de madeira cheia de maças na porta, para travá-la, igualmente se agachou ao lado do amigo.

— Só vamos fica aqui um tempinho... Até o doido desistir. — Disse Mu.

Os dois ficaram quietos, tentando abaixa a adrenalina do perigo.

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Milo abriu os olhos, que naquela altura depois de tanto chora estavam bastante inchados, mas o loirinho sentia um bom carinho em seus fios dourados.

— Milo? — A voz doce soou nos ouvidos do amigo.

Os olhos azuis se arregalaram olhando para o pequeno ser ao seu lado, Shun. O mesmo detinha um sorriso cálido no rosto e os braços estendidos para um abraço.

Shun ficou quieto enquanto Milo o abraçava e voltou a chorar. Sabia o que havia ocorrido com o amigo, e se sentia culpado, todavia não conseguia falar nada compadecido pela dor do outro.

— Shsssss! Tá tudo bem! — Shun tentou acalmar o amigo, mesmo sabendo que aquilo provavelmente fosse difícil.

— Euu... Eu... — Milo não conseguia forma uma frase completa.

O loirinho estava se achando um besta, afinal ele sempre fora o mais forte daquela dupla, que sempre se metia a forte e dava força para Shun, agora o que o amigo deveria esta pensando de si?!

— Eu te amo! E não importa o que tenha ocorrido ou não, estou aqui, para agora e para sempre. — Shun falou com sua doce voz.

A voz de Shun era como de um anjo para Milo, ele era a pessoa que o mesmo precisava naquele momento.

Aos poucos foi se acalmando e pode conversar com Shun direito, os mesmo procuraram conversar sobre assuntos alheios aquele castelo.

Pouco tempo depois Marin se juntou a eles, juntos tiveram uma tarde agradável, onde Milo pode esquecer as dores de sua alma, afinal seu corpo já não doía pela noite que se passara, mas ainda tinha as marcas para comprovar o ocorrido.

— Shun, você não deveria estar trabalhando? — Milo indagou enquanto os três estavam sentados na cama, comendo frutas.

— Não! Não hoje. O imperador mesmo me deu ordens para ficar com você! — Shun falou sorrindo e tentando mudar de assunto rápido com Marin.

Contudo aquele pequeno fato não havia saído tão fácil da cabeça de Milo, no entanto o jovem não querendo tocar no assunto, assim como seu amigo também não, se manteve calado e voltou a interagir na conversa.

Com aquele pequeno momento Milo sentia como fazia falta, Shun em sua vida. Havia feito à escolha certa de não trocar de lugar com o menor, se ele não tinha mente para isso, Shun nunca teria isso aquecia o peito de Milo, quem sabe aquilo não fosse à tabua de salvação para sua mente?!

— Milo? Milo?! — Shun estalou os dedos perto do rosto de Milo no quarto despertou de seus pensamentos.

— Sim! Hã?!

— Um guarda acabou de deixar isso para você. — Marin falou trazendo uma bandeja conhecida na visão de Milo. — O imperador mandou mandar! — A ruiva colocou perto do loiro na cama!

— Eu não quero! — Milo se afastou da bandeja como se houvesse uma cobra.

— Pelo menos veja o que é ingrato! — Jabu falou do outro lado do quarto, Milo o olhou com uma cara de incrédulo.

Milo já sabia o que havia ali, não precisava abrir, mas sabia que todos naquele bendito quartos estavam doidos para saber o que o imperador mandara para o loiro. Cansado dos olhares sobre si, Milo levantou o pano o qual cobria as diversas joias que o mesmo havia visto mais cedo.

— Meu deus! — Marin falou boba. Nunca havia visto tantas juntas e só de uma vez. — Milo! O imperador realmente gostou de você.

— Eu já disse para ele que não queria isso. — Milo ditou pegando a bandeja e levando-a para o meio do quarto a pondo no chão. — Quem quiser algo daqui fique a vontade, não é do meu interesse.

Milo no final de suas palavras chutou a bandeja fazendo todas as pedras, colares, anéis, braceletes e afins, rolassem por todos os cantos. Seu olhar não demonstrava nada.

A passos calmos o mesmo saiu do quarto, se dirigindo para o banheiro, depois daquilo estava precisando de um novo banho. Shun foi atrás de Milo junto com Marin.

Assim que o grupo sairá do ambiente, vários jovens correram no chão pegando alguns dos itens que estavam ali. Um deles fora Jabu que pegou uma pulseira cheia de pedras brilhantes.

Jabu era quem iria atender o imperador naquela noite e a pulseira combinava perfeitamente com sua roupa. Poucos minutos depois de pronto os guardas vieram para guiar o jovem presunçoso, que sairá do quarto de cabeça em pé como sempre.

— Imperador! — O mesmo se curvou quando viu o ruivo em sua imponência perto da janela.

— Jabu! — Kamus olhou para o mesmo, já havia enjoado do jovem, contudo ele era o que mais lhe agradava em vários pontos, embora sua cabeça só estivesse em Milo desde a noite passada. Porém o imperador sabia que algo estava errado com o jovem e também sabia que aquele não era o momento de confrontá-lo. — Jabu! — Kamus exclamou andando em passos felinos até o mesmo tocando no pulso do outro.

— Sim! Meu Rei? — Jabu não seguia o olhar do imperador, apenas tentava ser agradável, como sempre.

— Como conseguiu essa pulseira! Eu dei a Milo! — Kamus sabia cada joia que havia naquela bandeja e aquela que Jabu usava era uma delas.

— AAAAA! Meu senhor, ele não gostou muito dos presentes, chutou a bandeja e disse para todos os jovens que estavam lá que ficassem com aquilo, pois ele não queria! — Jabu não mentia, mas sua foz dramatizava tudo.

O sangue ferveu no corpo de Kamus.

— Saia! — Kamus ordenou virando de costas para o concubino.

— Como?! Imperador? — O jovem nunca havia visto o outro daquela forma.

— Já mandei! Saia! Agora! Ou queres ser punido! — Kamus ainda não encarava o outro e sua voz estava fria.

— Sim... Senhor! — A passos rápidos Jabu deixou o quarto com um tremendo medo do imperador, e um sorriso sarcástico no rosto.

Jabu imaginava que certo loirinho não iria se sair muito bem no próximo encontro! Aquilo se chamava eliminar a concorrência!

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— Maldição! — Kanon bradou enfurecido quando ele andava pelos corredores do castelo. Ele tinha ido ao próprio quarto ver o príncipe, tinha até levado pão recém-tirados do forno com uma jarra de suco de laranja para ele, levado por seu bom humor, mas o que viu estregou seu dia, ou melhor, o que não viu... Mu não achava no quarto.

- O que foi? — Saga perguntou rindo do irmão que soltava fogo pelas ventas. — O príncipe o destratou de novo?

— Antes fosse! Eles simplesmente sumiram.

— Como assim?

— Sim, seu protegido e o príncipe... Aposto que eles fugiram... Quando achá-lo jogarei novamente no calabouço. — Kanon disse em fúria. Ele estava pronto de um ataque.

— Eles não devem ter ido longe... Ninguém os deixará fugir. — Saga disse fechando a expressão. Os gêmeos saíram juntos pelo castelo de pedras, indo até as entradas e saídas da cidade dos ladrões.

Em todos os pontos que foram os guardas falaram a mesma coisa que não tinha visto os dois, e os de mais pessoal, ninguém os viram.

— Como simplesmente eles evaporaram? — Kanon gritou em raiva. Eles estavam quase duas horas procurando os menores e nada.

— Senhor... — Um jovem aproximou cauteloso.

— Sim? — Saga ditou. Mesmo que estava angustiado como o irmão, ele conseguia controla mais seu temperamento.

— Tem um mensageiro do imperador de Tranaden no portão. Ele falou que pode entrega somente a um dos líderes. — O rapaz disse em baixa voz, mostrando seu respeito e temor diante dos dois ladrões mais famosos.

— Eu vou vê-lo, de repente me acalmo. —Kanon disse.

— Verei no quarto, talvez eles voltaram. — Saga falou. Os gêmeos tomaram caminhos diferentes.

Quando Saga retornou ao seu aposento seus olhos arregalaram, suspirou mais calma.

— Onde os dois estavam?

Ele fechou a porta atrás de si e se aproximou dos dois menores que estavam sentados na cama dele. Eles pareciam como gatos medrosos.

— Nós... Só sairmos para andar pelo castelo. Estávamos entediados, não fizemos por mal. — Mu ditou. Ele sabia que o melhor seria conta à verdade, mas duvidava que os gêmeos acreditassem neles em vez do amigo de anos.

— Passearam? Como ninguém viu vocês? — Saga disse desconfiado ao que andava pelo quarto avaliando os menores.

— E a verdade! Por que mentíramos? — Shiryu disse reafirmando as palavras do amigo. Eles tinham ficado por horas na dispensa, e quando consideraram que era seguro resolveram retorna.

— Uhh...

— Saga achou... —- Kanon dizia bruscamente quando entrava no local, e ao ver os dois menores parou. — Leia! Oque aquele maldito imperador está pedido. — Entregou para o irmão a mensagem, e com passos firmes seguia até Mu.

Seus olhos eram cravados sobre o príncipe, e este recuou com claro medo. Segurou Mu pelo braço e o puxou para seu quarto. — Cuidarei dele!

— Kanon, vai com calma. Eles não fizeram nada de errado. — Saga disse tentando abranda seu irmão. Sabia que furioso Kanon poderia ser terrível.

— Sei cuidar dos meus assuntos.

Assim, Kanon deixou o quarto levando o menor consigo. Sem cuidado jogou Mu contra a cama.

O príncipe encolheu claramente com medo. Teve receio que o outro resolvesse ir até o final dessa vez com o estupro que tentara algumas semanas atrás ou pior, o matasse.

— Por favor... — Implorou.

— Vocês nobres achavam que somos otários... Um lixo a ser descartado. Seu amado primo desde pagar só saber-nos ameaçar com a morte... Ensinarei as consequências das decisões dele. — Kanon era guiado pela raiva do sumiço momentâneo de Mu e pela mensagem de Kamus.

O menor virou de brusco esperando o terror. Quando a cinta de couro bateu em suas costas, ele gemeu de dor. Na sequencia que veio, ele mordeu o lençol abafando seus gemidos de dor, e deixando que as lágrimas tomasse sua terna face.

Não contou quantas chibatadas levará, apenas sentia sua carne sendo rasgada e sua alma despedaçada. Quando finalmente a surra parou, sua mente vagava para o inconsciente devido à dor, mas maior que seu corpo era seu coração que sangrava.

— Eu... — Kanon disse assustado. Como ao se acalmar percebeu o estrago que tinha feito. Ele moveu para perto do príncipe, mas este recusou seu toque.

Mu encolheu na cama ao ouvir o estrondo da porta se fechando. Deixou que as lágrimas banhassem a face, e sua consciência foi embora, até que finalmente adormeceu.

Continua...