Casualty Of Love
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Shun amava aquele ambiente, daquele local em particular. Quando ordenara para ele arrumar a biblioteca, foi com satisfação.
Mesmo não sabendo ler ou escrever, tinha uma paixão por livros, ali havia a imaginação de uma pessoa, ou algo que ocorrera há tanto tempo.
Podia ser besteira mais para aquele pequeno menino que veio de lugar e de uma família morta na miséria, ler e escrever pelo menos seu nome era algo como sonho, que ele ainda não desistira de aprender.
Entre uma limpeza de uma janela, Shun não resistira as grandes prateleiras, vagando por elas ficara olhava para cada capa e título sem entender, contudo um livro branco com letras em azul claro lhe chamou atenção.
“O Lago Dos Cisnes” Era o que estava escrito na bela capa com brilho, pena que Shun não podia entender.
Mesmo assim aquele livro era regado de figuras que chamou a atenção do menor, que se perdera imaginando o contesto da história através das figuras tão bem trabalhadas.
Escorrendo pela parede até sentar-se no chão, ele deixou o pano cair, e ficou se divertindo consigo mesmo, com a mente longe que não reparou nada ao céu redor.
— Olha o que vemos aqui! Se não é o pequeno menino! — Uma voz maliciosa chamou a atenção de Shun, que levantou seus belos olhos para aquele homem.
Pelas roupas Shun deduziu que poderia ser um guarda do castelo. Tinha cansado de deparar com o olhar dele sobre si, contudo na sua inocente mente, nunca imaginou que era realmente para sua pessoa.
— Desculpa?! Precisa de algo? — Shun estava com medo. Não gostava daquele olhar tão próximo de si, tanto que nem se dera o trabalho de se levantar do chão.
— Sim, preciso que você pare de roubar coisas do castelo! — O homem tinha um sorriso sádico, quando viu a boca de Shun abrir, em um perfeito de surpresa.
— Desculpa! Está falando com a pessoa errada. Nunca roubei nada daqui ou de lugar algum.
— Ah é! E esse livro em suas mãos? — O guerreiro se aproximava do menor, Shun sentia um calafrio na sua espinha.
— E dessa biblioteca mesmo, eu só pequei para dar uma olhada! — Shun falou com certa vergonha, afinal aquilo não era permitindo, contudo ele não havia feito realmente nada de mais.
— Mas se esse livro sumir e eu falar que vi você com ele, com certeza o imperador não vai gostar nada disso!
— Mas ai seria o senhor que roubou o livro! — Shun constatava o óbvio com sua inocência infantil.
— Claro, um fato pequeno do qual ninguém poderia provar a sua inocência!
Novamente Shun ficara incrédulo com o outro, sua linha de pensamento era divagar mais no ponto que chegara, não gostara.
— Então que tal ser um bom menino e fazer o que eu mando, evitando o desgaste de ambos? Só quero uma rodada de sexo, algo normal para você, não é? — O guerreiro puxou o braço fino de Shun.
— Não! Me solta! — Shun tentava se soltar, contudo o homem era muito mais forte que sua pessoa.
— Fique quieta sua puta! — O guerreiro agrediu a face cálida de Shun, fazendo a mesma ficar marcada e de sua boca com um filete de sangue!
— Não! Isso é errado! — Shun se balançava tentando se soltar! — Não.
— Chega! — Uma terceira voz foi ouvida dentro do local que deveria ser conhecido como silencioso.
— Príncipe Hyoga! — O grande homem falou com um medo na voz. — Pequei esse menino roubando!
— E mentira! — Shun tinha lágrimas nos olhos, contudo ainda havia o livro branco bem preso ao seu corpo.
— Solte-o soldado! — Hyoga ordenou aproximando dos outros dois.
— Senhor? O que farás com o ladrãozinho? — O guerreiro tinha um sorriso mal no rosto que só fizera Shun cair no chão ao ser solto de suas mãos e manter o rosto abaixado.
— Algo que não lhe importa! Apenas saia daqui, se não sobraras para ti! — Hyoga em nenhum momento olhou para o soldado, seus olhos azuis estavam fixos no pequeno ser encolhido no chão.
— Sim senhor! — O homem saiu com um sorriso sádico nos olhos como se houvesse vencido.
— Senhor, desculpa, mas não roubei nada, eu... Só... Queria ver as imagens, eu nem sei ler! — Shun tinha o corpo tremido pelas lágrimas que escorriam pelos seus olhos.
— Ei pequeno, fica calmo! Sei que ele estava mentindo. — Hyoga levantou a face de Shun e delicadamente pusera um pano sobre a ferida da boca do menor que ficara surpreso e vermelho com o ato do outro.
— Obrigado senhor! — Shun colocou sua mão encima da do loiro segurando o pano também ali!
— Vou falar com meu tio isso não vai mais acontecer, confia em mim?! — Hyoga sorria para o menor. De uma forma que fizera o mesmo para de chorar.
— Sim! Confio!
— Ótimo então lhe vejo mais tarde. — Depositando um beijo nos cabelos do pequeno, Hyoga se levantou do chão e saiu.
Shun ficou ali, olhando o belo príncipe sair, alguém digno, alguém que ele nunca teria. Com esses pensamentos só resultou o menor se envergonhar de se mesmo, e sentir o perfume do outro pelo lenço que deixara consigo.
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Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Ele era incapaz de mover um dedo sequer, pois queria evitar a todo custo à dor.
Suas costas estavam dormentes pela dor, mas maior que a dor física era na alma. Ainda não entendia o que tinha feito para adquirir o ódio tão grande daquele homem.
Agora se encontrava trancando em um quarto sem pode falar com Shiryu ou até mesmo receber alimento. Queria odiar aquele ladrão, mas nem isso era capaz.
Mu deixou fica deitado de brusco sobre o leito, e agarrava as cobertas abaixo de si. Seu olhar era pedido e sem brilho.
Ao decorrer da noite e aquele tinha não tinha visto ninguém, nem mesmo seu algoz. A solidão era nesse momento sua única companheira.
Tão perdido em sua mente, Mu demorou perceber o som da porta se abrindo e som de passos no recinto.
Ele moveu minimamente a cabeça, e quando se deu conta de quem se tratavam, seus olhos cresceram em tamanhos descomunais, e ignorando sua dor, ele moveu na cama tentando-se afastar do moreno.
— Não devia está aqui! Kanon não vai gostar! — Mu disse tremendo levemente. De alguma forma o olhar daquele ladrão transmitia ódio.
— Acha mesmo superior a todos, não? Não passa de um principezinho medíocre... Um objeto de valor que somente refere dinheiro. — Shura mostrava um fervente ódio que somente pelo olhar seria capaz de matar. Com sua soberba ele andou até a cama, e quando Mu tentou afastar, ele o puxou pelo pé, e depois segurou pelo pescoço.
Mu gemeu de dor e tentou-se soltar, mas era inútil. Queria que ele mante-se as mãos longe de si, pois sentia asco ao ser tocado por ele.
— Já que seu priminho é tão pão-duro quanto à vida do delicado príncipe, achamos alguém que pagará mais por você. — Shura disse macabramente.
Ele retirou uma corda da bainha da calça, e sem dificuldade começou amarra as mãos de Mu nas costas, e depois rasgou um pedaço do lençol e amordaçou sua boca.
Mu tentou a todo custa livra-se do moreno. Moveu suas pernas, desferido chute, mas no final tudo que conseguiu foi um soco no rosto e estômago. Inclinou para frente em dor, ficando vulnerável, o outro o jogou nos ombros e saiu do quarto.
De alguma forma tudo cooperou. O corredor do castelo de pedras encontrava deserto. Mu remexia tentando se soltar ou chama atenção de alguém, todavia seu intento foi inteiramente sem sucesso.
Shura o carregou sem dificuldade... Logo passou descer por uma escada de pedra, e a mesma levou ao fundo do forte.
Um cavalo estava preparado, e depois de jogar o príncipe como saco de batata, atravessado do corcel negro, ele montou atrás de Mu. Com uma mão guiou o belo animal a galope para longe dali, e a outra manteve o príncipe na cela.
Seus olhos arderam e silenciosamente as lágrimas começaram a banha sua face. Estava cansado de ser tratado como mero objeto de poder e ganância. Ninguém nunca perguntou ao que ele queria desde que nasceram fora as pessoas que decidiam as coisas por ele.
Seus pais, o Clérigo do monastério, seu primo, agora aqueles ladrões. Ninguém percebia que isso o matava aos poucos, que destruir a bela flor que ele poderia se tornar.
Inerte em sua mente não reparou no tempo corretor que passou, só deu conta quando o sol se punha no horizonte, e encontravam em uma floresta coberta por nevoa.
O cavalo negro parou e Shura desceu do mesmo. Não tardou para que três cavaleiros aproximassem. Suas faces estavam cobertas pela capa negra, mas não era preciso ver suas faces para sentir a aura negra que eles exalavam.
Shura foi à diante confiante em deixar Mu no cavalo que ele não teria como fugir. O príncipe não podia ouvir o que eles conversavam, mas seus instintos diziam que não ia gostar.
Manteve seus olhos nos quatro homens, quando percebeu que eles estavam muito distraídos para prestar atenção em si, Mu impulsionou o corpo para cima, suas pernas rodearam o cavalo. Manteve-se abaixando, e quando viu uma brecha, bateu suas pernas ao redor do animal.
O mesmo guinchou e saiu correndo. Mu sofreu um solavanco, e ficou agachado. Como suas mãos estavam presas nas costas, não poderia usá-las como suporte, e isso tornava tudo mais difícil.
Pelo barulho do cavalo Shura e os outros três compradores se alarmaram. Eles moveram rapidamente em sentido ao fugitivo.
Eles gritavam para o príncipe parar, e quem saber assim teria piedade dele, porém Mu não seria idiota em acreditar neles.
O cavalo desvia das arvores correndo sem destino certo. Mu pelejava em fica em cima do animal, mas não estava sendo fácil.
Quando o negro animal seguiu por um terreno íngreme, em um solavanco, acabou jogando o menor no chão, e isso levou Mu à rola pelo barranco abaixo.
Foi parar somente no final do alto barranco, e agora além das costas feridas, tinha vários arranhões e o pé machucado.
Suspirando fundo, ele ignorou a dor, e se levantou. O cavalo o daria tempo, pois os criminosos o seguiriam por um tempo, mas não seria por muito.
Mancando e fazendo careta de dor, ele seguiu floresta dentro. Apoiava nas árvores seguindo a passos lentos. Quando avistou o que parecia uma cratera na terra, escondida por algumas rochas e folhagens, ele desfez seus passos com um galho de árvores, e se escondeu dentro do pequeno lugar.
A noite aproximava, e com ela animais ferozes, além dos criminosos estavam a soltos. A sua melhor opção de sobrevivência era se esconde, mas não poderia dormir.
Mesmo que seus olhos ansiassem em fechar, onde o cansaço, o acumulo de sono e fome, caíssem sobre si, tinha que ignorá-los. Manter-se acordado teria que salvar sua vida.
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— Onde ele está? — Kanon estava possesso. O principezinho havia sumido e isso não era bom.
Kanon sabia que pelo o estado que Mu ele não iria conseguir andar direito. A porta não tinha sinais de arrombamento, logo foi aberta por alguém.
— Saga! — Kanon entrou no quarto do irmão vendo o mesmo sentado na cama com o jovem cego.
— Kanon? O que houve? — Saga se pós de pé conhecia aquela cara, algo de ruim havia ocorrido.
— O príncipe Mu sumiu, e não acho que ele fugira!
— Como assim? Temos um traidor aqui?!
— Acho que alguém que queria se livrar dele logo, pois se não o teria matado. Assim nos levaríamos à culpa, mas não sumiria com ele!
— Agora me fale alguém que não iria quere ele aqui? Afinal nos tínhamos muito a lucrar com ele!
Saga sabia que caminho de pensamento que o irmão estava trilhando, mas não havia ninguém no final daquele caminho.
— Não... — Shiryu falou baixo prendendo o ar, contudo não passou despercebido pelos dois.
— Pequeno? — Saga indagou tocando no rosto do mesmo, olhando bem para aquele belo rosto. — Você sabe de algo que não sabemos?
— Eu... Não! — Shiryu não sabia se falava ou não, estava com medo.
— Shiryu se você sabe de algo tem que nos falar a vida de Mu estar em jogo. Algo de muito ruim pode ocorrer com ele. — Kanon falou sério, contudo não havia raiva em sua voz, afinal sabia que aquele menino tinha seu valor para seu irmão.
— Porque tenho que acreditar em suas palavras? Você o machucou também! Será que ele não esta melhor? — O jovem falou em um rompante. — O que te faz melhor que o destino dele agora?
Kanon engoliu a seco. O menor falava a verdade, muitas das vezes que ficou com o menor não havia sido a melhor de todos.
— Escuta! Nada faz melhor do que eles. Estou também usando Mu como moeda de troca, contudo não desejo o pior para ele como alguns desejam.
— Teve um cara, que veio ontem aqui, ele me culpa por tirar Saga dele, e culpava Mu por tirar você dele. Ele era mais forte, foi por isso que nos fugimos. Ele estava querendo nos machucar! — Shiryu falou de uma vez.
Os dois irmãos se encararam!
— Algo mais? — Saga questionou ao lado do menor.
— Nos ficamos com medo dele. Mu disse que o acertou na cabeça, então ele deve ter algum machucado por lá!
— Shura... — Saga falou com a voz morrendo.
— Como? — Kanon olhou mais sério ainda para o irmão.
— Shura disse ontem que estava com dor de cabeça, além do mais, quem mais aqui nessa fortaleza pensa assim?! — Saga chegou sua conclusão.
— E ninguém o viu desde que o sol nasceu! — A voz de Kanon morria na sua própria boca. — Shiryu, obrigado pela sua ajuda, prometo trazer de volta seu amigo.
Kanon deu as costas e saiu do quarto do irmão.
— O que vai ocorrer agora? — Shiryu segurou Saga pela mão, tinha preocupação em sua expressão facial.
— E melhor você não saber! Não vai gostar da resposta. — Saga deu um beijo na cabeça do pequeno. — Fique aqui, já voltarei!
Assim como Kanon. Saga saiu rápido de seu quarto, dessa vez trancando a porta e levando a chave consigo. Para os dois irmãos que dividiram o mesmo útero palavras não eram necessários naquele momento.
Andando lado a lado eles organizaram um pequeno grupo de homens, mas a certeza que todos de confiança. Obviamente eles não divulgaram suas intenções.
Montados a cavalos e fortemente armados, o grupo de oito pessoas saiu do forte dos ladrões. De alguma forma foram guiados pelos instintos de Kanon. O mesmo não sabia explica, apenas sentia o caminho certo a seguir.
Levaram algumas horas, mas quando finalmente chegaram à floresta separaram em dois grupos. Metade liderada por Saga e a outro por Kanon. Não ouviram gritos, chamados ou correria, eles agiram na cautela utilizando da vasta experiência que adquiriram em anos.
Kanon soltou do cavalo e agachou no chão, tocando a terra mexida. Levou os dedos ao nariz e cheirou. Apontou para os homens atrás de si, e os quatros seguiram a pé por dentro da tensa floresta.
Mais alguns passos e os olhos de Kanon caíram sobre um espécime de cratera na terra. A pessoa ou animal tentou despistar o rastro, mas par alguém experto, não foi difícil perceber.
O loiro fez um gesto para os homens ficaram afastados. Primeiro ele retirou os galhos e quando localizou seu alvo o puxou. Kanon somente não contava que o pequeno começasse a espernear e socá-lo.
— Ei... Mu... Sou eu... Calmo pequeno... — Disse esforçando para segurar os braços do príncipe. Puxou este para seus braços e o tomou fortemente. O pequeno corpo contorcia diante dos soluços dos choros.
— E tudo sua culpa... Seu grande idiota! — O menor choramingou, porém dessa fez não lutava mais contra o ladrão. De alguma forma ter os fortes braços de Kanon ao seu redor lhe dava imensa segurança.
— Sinto muito! Eu lamento o que fiz com você. Pode me perdoa? — Kanon pediu afastando o príncipe minimamente de si e tocando sua face docemente.
— Eu... Quem sabe quando os porcos voarem. — bradou voltando enfia sua face contra o peito largo. Estava com tanto medo. Temia ser vendido como escravo sexual de alguém, ou morto ou pior, nunca mais ver o loiro. Esta última parte foi a que mais o assustou.
— Claro! — Kanon disse suspirando. Agora com Mu em seus braços podia sentir toda tensão deixar seu corpo.
Eles foram interrompidos por sons de cavalos, e logo Saga apareceu. Os homens levavam dois sujeitos desacordados, e Saga segurava a ponta de uma corda, a mesma estava amarrada nos pulsos do traidor.
— Veja quem encontrei! — Exclamou dando uma boa olhada no príncipe nos braços de seu irmão.
— Por que Shura? — Kanon indagou decepcionado. O moreno tinha sido seu amigo por tantos anos, e a traição dele realmente tinha ferido.
— Por quê? — Shura gritou. — Ele era para ser apenas mercadoria de troca, mas ao invés de ganharmos com ele, esta o tomando como sua vadia! — Seus olhos cuspiam ódio.
— Livre-se dele Saga, faça o que quiser, mas não quero vê-lo nunca mais... — Kanon disse virando-se e tomando Mu em seus braços. Carregando o príncipe nos braços rumou para seu cavalo.
Saga deu um aceno para o irmão. Não pretendia matar Shura, ao menos em nome da amizade de anos, todavia iria garantir que ele ficasse bem longe.
Os gêmeos tomaram direções diferentes, porém na certa logo se reencontrariam. A roda da vida começava a mudar para eles, e o amor tocava na porta.
Continua...
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