Castell

10 Zen II - A Fera do Charco Sangrento


Meia-noite. Os hóspedes do castelo de Akane já estavam todos devidamente acomodados em seus respectivos quartos e realizavam os últimos preparativos antes de descansar. Juca e Luke, que dividiam um cômodo, dormiam roncando em uníssono. Já não havia mais movimentação nos corredores, exceto pela parte da duquesa, vestida com uma túnica de linho branco e pantufas de coelhinho. Ela ainda vagava nos andares mais elevados, dirigindo-se ao leito.

Uma brisa fria balançou suas vestes e os fios de seus cabelos quando ela se colocou diante de uma porta. O vento inesperado chamou sua atenção e ela caminhou devagar até o final do corredor, verificando que uma janela estava aberta. Seu olhar indicou desconfiança e então se tornou afiado enquanto encarava a paisagem além.

Então ela disparou, correndo na direção oposta com velocidade sobre humana, atravessando dez metros de corredor num instante e desferindo um soco quando finalmente cessou a investida. Mas o golpe não atingiu seu alvo, uma figura coberta por uma capa escura que conseguiu se abaixar e imediatamente contra-atacou com um gancho.

A mulher não se intimidou e defendeu o golpe com sua mão livre, revidando com uma joelhada. O vulto evitou o novo ataque com um salto para trás, apoiando as mãos no chão e se impulsionando mais uma vez para depois cair em pé. A duquesa avançou novamente, mas seu adversário se adiantou com um chute elevado. Demonstrando sua perícia em combate, ela se defendeu bloqueando com o braço esquerdo e, aproveitando-se da guarda aberta, lançou um soco com toda a sua força no peito do invasor.

O impacto do golpe foi tão brutal que a parede atrás do alvo, a trinta e cinco centímetros de distância, simplesmente explodiu, restando em seu lugar um buraco enorme. A capa saiu voando, mas o homem permaneceu imóvel e, apesar da luminosidade extremamente precária, Akane conseguiu reconhecê-lo. Surpresa, ela deu um passo para trás enquanto ele sorria e esfregava uma mão no local atingido.

—Não pensei que você fosse do tipo que pega leve, Iza.

—O que você queria? Não vou destruir metade do meu castelo só porque alguém resolve entrar na calada da noite, como se fosse um ladrão. – Ela retrucou.

—Acho justo. Mas me comparar a um ladrão não é um pouco demais?

—E isso é jeito de entrar na casa dos outros? Por que simplesmente não veio junto com a Er e os outros?

—Estou só de passagem. Já que você se deu ao trabalho de me propor um desafio, seria muita falta de educação se eu não viesse ao menos lhe dizer pessoalmente que não precisava se preocupar. Vou pegar leve com você quando for escolher meu prêmio por vencer a aposta.

—Até parece. É muita ousadia sua dizer uma coisa dessas, mas pode ficar tranquilo, eu é que vou pegar leve, porque a vitória será minha.

—Como quiser, só peço que cuide bem dos meus amigos, ok?

—Pode deixar. E você, o que vai fazer agora?

—Vou ficar longe do castelo por alguns dias. Graças à última conversa que tivemos, eu finalmente encontrei o caminho pelo qual quero seguir, mas só o poder do Lazuli e o das estrelas não será o suficiente. Eu voltarei quando tiver encontrado aquilo que ainda me falta.

—Você não muda mesmo, não é? Já que é assim, vá logo que eu estou com sono e preciso dormir. – Akane cruzou os braços e fechou os olhos numa expressão levemente impaciente.

—Como assim, não vai nem me convidar para tomar um chá? – Perguntou o jovem, um tanto desconcertado.

—Você é que está falando como se estivesse com pressa para colocar o pé na estrada.

Como de costume, o lorde não sabia se estava tendo uma conversa amistosa ou brigando com a duquesa. Dentre as muitas pessoas que considerava como amigos, ela era uma das poucas que ele tinha dificuldade em compreender, mas, de certa forma, isso não o incomodava. Não que fosse admitir, mas ele realmente se divertia.

No dia seguinte, a duquesa, seu cavaleiro, o tapete e os hóspedes se reuniram no mesmo salão do dia anterior para tomar o café da manhã. Dan, Zen e Luke, de tão lisonjeados que estavam com a hospitalidade da anfitriã, decidiram que desperdiçá-la seria uma imensa falta de respeito e, assim sendo, engoliam vorazmente a comida. Er, por sua vez, limitava-se a mastigar algumas frutas e tomar chá.

—O que foi, Er, está indisposta? – Perguntou a regente do castelo, que mesmo cedo da manhã já estava trajando novamente sua imponente armadura.

—Não, nada disso. Eu só estou, uhhh... guardando espaço para o almoço, sabe? – A garota de vestes vermelhas tentou se justificar, temendo não ter sido convincente o bastante.

—Tudo bem, eu entendo. – Akane deixou o assunto de lado, voltando à sua própria refeição.

—A propósito, ontem à noite, quando eu estava indo dormir, ouvi um barulho muito alto. Parecia até que estavam demolindo uma parede do castelo. O que foi que aconteceu? – Perguntou Dan, descontraído, apesar de tentar expressar alguma preocupação.

—Ah, no mínimo a Akane tropeçou enquanto estava indo dormir e criou uma nova passagem num dos corredores. – Disse Juca, rindo.

—Como assim “criou uma nova passagem”? Quem é que derruba uma parede quando tropeça? – Questionou Zen, abismado e esperançoso de que alguém desmentisse as palavras do homem que em breve seria seu adversário.

—Não há nada com que vocês precisem se preocupar. – A duquesa interrompeu, claramente descontente com o rumo que a conversa estava levando. – Eu apenas cometi um acidente durante meu treino antes de dormir. Seja como for, é melhor vocês terminarem logo a refeição, pois o primeiro desafio começará em 30 minutos.

—Ah, então ela derruba mesmo paredes... – Zen comentou num suspiro, mas sentiu-se um pouco mais motivado ao receber, de Dan, alguns tapinhas nas costas. Isto é, até o ex-mordomo fazer seu próprio comentário.

—Fica frio, Zen, no castelo todos nós temos planos de saúde. Se o pior acontecer, pelo menos você vai receber um atendimento médico bem rápido.

—Nossa, isso me deixa muito mais tranquilo.

Pouco tempo depois, o grupo alcançava o ar livre a partir da saída norte do castelo, o lado oposto ao que possuía as duas estátuas femininas. Uma longa escada de pedra descia até um enorme coliseu oval que, os convidados deduziram, acertadamente, seria o palco de ao menos um dos eventos.

—Vamos descer até a entrada e então explicarei as regras da primeira disputa. Para manter o jogo justo, nem mesmo Juca sabe o que acontecerá daqui para a frente. – Mencionou Akane.

O cavaleiro, que andava despreocupado, ainda estava comendo uma banana que afanara da mesa no momento em que deram por concluído o café da manhã. Mas seu semblante de tranquilidade deu lugar a uma expressão de surpresa e admiração quando ele ergueu o braço esquerdo, apontando para o alto.

—Olhem, não tem alguém lá no topo do castelo?!

—Não acredito que ele ainda está por aqui enchendo o... – A duquesa se virou rapidamente, interrompendo sua frase no meio ao notar que não havia nada de anormal.

—O que é que você estava bebendo agora há pouco, Juca? Era cachaça? Porque eu não estou vendo ninguém. – Ponderou Luke.

—Você é um tapete, é claro que não vê ninguém. – Retrucou o ex-mordomo.

—Não bastou falhar no castelo e ser destituído, agora vai falhar em entender o que eu quis dizer também? – Respondeu o tapete.

—Mas a Akane não me pareceu surpresa. Será que ela sabe quem poderia ter sido a pessoa que o Juca viu? – Argumentou Zen.

—Talvez tenha sido o Cleber. Todos sabemos que ele gosta de aparecer onde e quando menos se espera. – Disse Er.

—Que seja, isso não importa. Vamos logo-

Ao dar um passo adiante, Akane pisou sobre uma casca de banana. A casca da mesma banana que Juca esteve comendo até então. O escorregão foi inevitável e ela caiu, rolando escada abaixo até chegar ao final. Er demonstrou preocupação, Dan e Zen expressaram choque e Luke e Juca se dobravam no chão de tanto rir. Estava na cara que o acidente tinha sido intencional.

—Uma casca de banana? Sério isso? Sério mesmo? – Protestou o ex-mordomo.

—Os clássicos são eternos! – Exclamou o cavaleiro da duquesa, entre suas risadas. Mas elas não duraram muito, pois tão logo quanto Akane se colocou em pé, ela imediatamente começou a subir a escada. Cada passo lento fazia seus pés afundarem na rocha e criar rachaduras no degrau inteiro. Além disso, uma terrível aura vermelha se expandia ao redor da mulher em cujos olhos brilhava um instinto assassino.

—Ferrou! – Luke voou e se escondeu atrás de atrás de Er, deixando Juca sozinho diante de sua senhora. O rapaz se levantou, abriu um sorriso amarelo e ergueu as duas mãos.

—Vamos com calma, Akane. Você não quer perder a aposta, não é verdade? Precisa de mim inteiro para competir.

—É melhor você vencer. – Ela disse com uma voz que agarrava o coração como uma garra gelada e inspirava medo além dos piores pesadelos. – Ou vamos ter uma conversa muito séria.

—Pode deixar comigo, essa era toda a motivação que eu precisava!

O grupo desceu até a entrada do coliseu, onde a duquesa explicou do que se tratava o primeiro desafio entre os dois competidores. O objetivo era procurar, no bosque próximo ao castelo, por uma fera que ela havia capturado dois dias atrás. Embora não houvesse dado maiores detalhes a respeito da natureza da criatura, explicou que se tratava de um animal grande com uma fita vermelha e dourada amarrada em uma de suas garras. Seria declarado vencedor quem conseguisse trazer a tal fita.

Com a ordem de início, Zen e Juca se entreolharam, o representante do dragão disposto a reunir toda a sua força de vontade e se esforçar para sair vitorioso. Já o cavaleiro da duquesa abriu um sorriso confiante e então ambos correram em direção às árvores. Quando já não era mais possível vê-los, Er fez uma pergunta.

—Afinal de contas, que fera você capturou, Akane? É perigosa?

—Se é perigosa? Er, eu capturei a paca mortífera do charco sangrento. É simplesmente um dos monstros mais perigosos de que se tem notícia.

—A paca mortífera do charco sangrento? De verdade?! – Exclamou Luke. – Essa eu não posso perder! Vai ser o massacre da década.

Nisto o tapete saiu voando, ao que Dan gritou “Espere por mim” e pulou em cima, sendo carregado junto enquanto o objeto mágico se elevava aos céus.

Depois de cinco minutos vagando pelo bosque sem saber exatamente o que esperar, Zen concluiu que apenas caminhar por aí não o ajudaria a encontrar seu alvo. Precisava pensar em um plano, mas não era exatamente experiente em rastrear animais. Enquanto fritava alguns neurônios, ele avistou um pequeno coelho branco em cima de um tronco de árvore derrubado e coberto de musgo.

—Ah, olá coelhinho! Será que você não viu uma fera com uma fita amarrada numa das garras?

Zen começou a acariciar a cabeça do bicho felpudo, fazendo com que as orelhas baixassem e subissem a cada movimento de sua mão. A princípio o coelho pareceu não se importar, mas depois da quinta vez ele pulou e mordeu a mão do competidor, que se balançou com violência até que finalmente conseguiu soltar.

—Porcaria de coelho! – O rapaz gritou enquanto chutava o animal em pleno ar, fazendo-o saltar para o alto, acima das copas das árvores e desaparecer no céu. Depois de esfregar a mão ferida com a outra por algum tempo e eventualmente colocá-las nos bolsos, ele lembrou de algo importante.

—É mesmo, o Abraão entregou isso para mim e disse para eu usar quando estivesse com problemas. – Zen puxou uma pílula azul do bolso e encarou o objeto por um momento, segurando-o entre o polegar e o dedo indicador. – Bom, não sei como isso vai me ajudar, mas acho que dá para considerar como um momento de necessidade...

Ainda que um pouco relutante, ele colocou aquilo na boca e depois engoliu. Surpreendeu-se ao constatar que, apesar da cor, o gosto era de morango e, antes de entender o que estava acontecendo, se viu coberto por uma cortina de fumaça. Tossindo muito e balançando os braços ele saiu da névoa escura e se virou para observá-la, tentando entender a situação.

—Tá, pelo visto isso era só para tirar uma com a minha cara mesmo. Tenho que parar de perder tempo e me concentrar em encontrar a fera que Akane trouxe para cá.

Quando estendeu sua mão para analisar melhor alguns galhos partidos ali perto, Zen percebeu algo de estranho. Estava usando luvas, algo que não tinha antes, e não fosse isso o bastante, a manga de suas vestes agora tinha uma cor diferente, camuflada.

—Mas o quê?!

Com uma inspeção mais detalhada ele percebeu que agora estava vestindo um traje leve e confortável, que cobria o corpo inteiro com a exceção da cabeça, ideal para se mover sorrateiramente. Também tinha um cachecol verde-escuro enrolado no pescoço, com uma das extremidades descendo por trás dos ombros até a altura da cintura, e um nunchaku preso ao cinto de cor preta.

—Agora me sinto um refugiado de Naruto, mas acho que uma roupa camuflada não é má ideia num lugar como esse. Quer dizer, se esse cachecol exagerado não estragar tudo...

A cerca de duzendos metros de distância da posição do andarilho, Luke sobrevoava a mata fechada com Dan sentado em cima de si. Mesmo mantendo uma altitude reduzida, o ex-mordomo não conseguia identificar o que estava acontecendo entre as árvores, uma situação que muito o frustrava.

—Que droga, assim não vamos ter como saber quando um deles encontrar a paca mortífera. – Ele reclamou.

—Azar o seu. Quem manda depender demais dos seus cinco sentidos? Eu consigo sentir tudo ao meu redor, é simplesmente impossível eu ser pego de surpresa.

—Ah é? E como foi que o Juca capturou você?

—Mas isso aconteceu porque eu não estava contando que ele fosse me atacar. Eu sabia o tempo todo que ele estava lá. Entenda que simplesmente nada acontece ao meu redor sem que eu tenha ciência, estou sempre atento para perigos que possam-

Nisto, um coelho que descia vertiginosamente em direção ao chão atingiu o tapete exatamente no espaço entre as pernas cruzadas de Dan, empurrando Luke e seu amigo para baixo em alta velocidade.

Com o objeto mágico incapaz de se recuperar a tempo, ele e o rapaz de terno foram ao solo. Quando abriu os olhos novamente, o ex-mordomo tateou ao redor, percebendo que estava sobre alguma superfície macia.

—E depois eu que falho, não é? Pelo menos não nos machucamos na queda.

—É, mas corremos o risco de nos machucar severamente agora. – Disse o tapete, elevando-se novamente. Dan reparou que o kanji no centro dele agora era o que representava a palavra “temor”.

—Do que você está falando?

Um grunhido aterrador vindo de baixo fez ambos sentirem calafrios. O humano lentamente desceu os olhos até se dar conta de que estava exatamente em cima da última coisa que gostaria de encontrar no bosque.

—Ai minha Kamo, é a paca mortífera!

Toda aquela algazarra chamou a atenção de Zen, que começou a avançar cautelosamente na direção de onde vinham os gritos, urros e o som perturbador de algo sendo triturado. Parou depois de meio minuto caminhando, mas ainda assim parecia que os ruídos estavam cada vez mais próximos. Foi então que ele viu, passando ao seu lado, Dan sobre o tapete mágico que fugia desviando dos troncos e galhos e, imediatamente atrás, uma fera de quatro metros de altura e uma boca repleta de presas que derrubava todas as árvores em seu caminho. De relance, foi possível perceber que havia uma fita amarrada numa das garras da besta.

—O que aqueles dois idiotas estão fazendo aqui? Ah, isso não importa agora. – O garoto de vestes ninja disparou atrás deles. – Aquela é a fera de que a Akane falou, e ainda por cima eles precisam da minha ajuda.

Mesmo correndo o mais rápido que era capaz, logo se tornou claro para Zen que não conseguia alcançar a paca. A despeito disso, continuava se esforçando enquanto a vontade de proteger seus amigos em perigo tomava conta de cada fibra do ser. Nisto, uma tela surgiu à sua frente em pleno ar, avançando conforme ele próprio continuava a correr. Ela trazia uma imagem de Abraão, que o encarava de frente, em seu laboratório.

—Olá, se você está vendo essa mensagem é porque usou a minha cápsula especial de transformação. Boa escolha! Saiba que o nunchaku que veio acoplado é mágico e tem uma corrente capaz de se estender ou retrair conforme a vontade do usuário. Tenha um bom dia!

O cientista sorriu e a tela desapareceu. Zen soltou o nunchaku de seu cinto e observou o objeto atentamente. Embora lhe parecesse completamente normal, ele resolveu testar e a corrente de fato se esticou, enrolando-se numa das patas do animal gigante.

—Mas é muita conveniência mesmo! Até parece que ele sabia o que ia acontecer.

Em seu laboratório, Abraão tomava café e comia biscoitos, lendo calmamente um livro em cuja capa era possível ler os dizeres “Spoilers de Castell”.

A corrente então puxou rapidamente e, com um impulso, o rapaz conseguiu saltar e cair em cima da paca descontrolada. Uma vez lá, concentrou toda a sua energia no punho direito e então deu um soco para baixo, causando uma enorme onda de choque e derrubando o monstro. Em seguida, pulou tranquilamente para o chão diante dos olhares estarrecidos de seus amigos.

—Viram só, não foi nada de mais! Eu dou conta disso!

—Zen, cuidado, ele ainda... – Dan tentou avisar, mas era tarde demais, o ninja foi arremessado violentamente para o lado por uma patada. Mesmo assim, não era o bastante para vencê-lo.

—Saiam daqui! Eu cuido disso!

—Mas Zen, essa é a paca mortífera do charco sangrento. – Argumentou Luke, ressaltando o perigo que o animal representava.

O competidor certamente estava assustado, mas se sentia impelido a proteger os outros dois da ameaça iminente. Não sabia se aquela coragem lhe pertencia ou se era um resquício do espírito azul que o ajudou a confrontar Nez, mas naquela altura já não fazia mais diferença. Sua determinação de lutar se tornou forte como aço.

—Não importa, saiam daqui agora!

Enquanto a dupla se afastava o mais rápido que conseguia, Zen se colocou no caminho da paca com um olhar desafiador.

A luta durou meia hora e foi brutal. Ao fim, ambos os combatentes, exaustos e ofegantes, se encaravam, até que o monstro finalmente foi ao chão, derrotado. O próprio Zen, quase desprovido de forças, tombou sobre os próprios joelhos e olhou para o alto, sorrindo.

—Eu... eu consegui...

—É, mandou muito bem cara. Agora, se me dá licença, eu vou pegar essa fita e sair daqui. – Disse Juca, retirando o troféu que garantiria a vitória diante do olhar incrédulo do ninja. – Valeu mesmo, ia dar muito trabalho enfrentar essa paca.

—Espere, isso não é justo.

Enquanto seu adversário ia embora tranquilamente, Zen estendeu a mão, mas não conseguia sequer se colocar de pé e acabou caindo para a frente.

—Filho da...