Casos e Acasos
4 Casos e Acasos - Capítulo 4
Notas iniciais
Resolveram por ficar bem perto da praia. Uma jogava água na outra. Quem passasse pela areia e olhasse aquela cena, pensaria que eram duas crianças irresponsáveis brincando na água. Quando Regina tentava sair da água, Emma a puxava de volta e assim elas ficaram por um bom tempo.
– Ok Emma, eu já estou com frio. – Regina falou com os dentes trincando um com o outro, por causa do frio.
– Eu também. Vamos embora.
As duas saíram do mar e foram em direção a casa pingando água.
– Todo mundo está olhando pra gente. – Regina comentou.
– Por que será, né? – Emma falou e ambas sorriram.
Assim que chegaram na esquina da casa de ambas, elas pararam de andar.
– Eu nem sei como te agradecer. – Emma falou se virando pra Regina.
– Me agradeça sendo feliz. – Regina sorriu.
Uma ideia passou pela cabeça de Emma e então ela falou:
– Em forma de agradecimento, tem um convite pra te fazer.
– Não sei por que, mas estou com medo do que vou ouvir. – Regina comentou e realmente fez cara de medo.
– Bom, não sei se você sabe, mas eu sou Flamenguista, então terá um jogo no Maracanã mês que vem e...
Emma não conseguiu terminar de falar porque Regina a interrompeu.
– Eu não irei ao Maracanã, Emma. Ficar no meio daquela multidão, um empurra, empurra. Nem pensar.
Emma viu que Regina começou a tremer os lábios novamente por causa do frio.
– Olha, eu só não irei usar meus argumentos persuasivos agora, porque você está com frio, mas eu te farei mudar de ideia.
– Veremos.
Regina começou a se encaminhar em direção a sua casa.
– VOCÊ ESTÁ DUVIDANDO?
Emma gritou, já que a morena já estava a uma certa distância.
Regina se virou e continuou andando de costas.
– ATÉ AMANHA, EMMA.
E assim as duas entraram sorrindo dentro de casa.
Emma realmente estava mais leve. Ter Regina ali, ao seu lado, foi como alguém ter enviado ela para tirar o peso que estava em seus ombros. A loira foi direto para o banheiro tomar banho. Pela primeira vez em muito tempo, Emma sentiu aquela fome. Então resolveu pedir uma pizza e logo depois ir dormir, mas a ligação de Ruby mudou todos os seus planos.
– Swan, ta fazendo o que?
– Oi pra você também. No momento comendo uma deliciosa pizza e depois irei dormir, por que?
– Por que duas amigas da minha Vó resolveram vir fazer companhia pra ela e ficar no meio de conversas de idosas não está nos meus planos. Posso ir pra sua casa?
Emma gargalhou.
– É claro que pode. Ah, trás mais uma pizza.
– Ta bom sua esfomiada.
Ambas encerraram a ligação e Emma ficou esperando por Ruby.
Assim que entrou em casa, Regina também foi direto para o banho.
– Se Henry souber que Emma está querendo me arrastar para o jogo do Flamengo, ele vai ficar louco. – Regina pensou.
Henry era torcedor do Vasco, que é como um ‘’Arque-rival’’ do Flamengo. O menino seguiu o pai, que também é torcedor do Vasco. Em jogos de um contra o outro, Henry ficava vermelho, gritava, chutava as coisas e quando o time perdia, ele se trancava no quarto o resto do dia. Foi um sacrifício pra Regina faze-lo entender que aquilo era apenas um esporte e que essas coisas acontecem. Claro que sobrou um esporro para Daniel. Regina falava com ele que não devia incentivar tanto Henry a torcer desse jeito e no fim das contas, o menino ficou menos intenso, porém, ainda fanático.
Depois que saiu do banho Regina estava mais relaxada. Ainda surpresa, por tudo que Emma contou, mas feliz pela loira ter confiado nela. O toque do telefone interrompeu os pensamentos de Regina.
– Alô.
– Mãe, sou eu, o homem mais lindo da face da terra. – Henry falou e ele mesmo começou a rir.
– Oi homem mais modesto da face da terra. Tudo bem?
– Tudo sim. Como amanha é sábado, eu posso convidar a Emma pra jogar vídeo-game comigo?
– Se ela não tiver compromisso, pode sim.
– Obrigada mãe, tchau.
Quando o menino tirou o telefone do ouvido para desligar, escutou sua mãe chamando.
– É assim? ‘’Obrigada mãe, tchau’’? Cadê o ‘’Obrigada melhor mãe do mundo’’?
– Obrigada mãe mais modesta do mundo.
Ambos riram. A relação de Regina e Henry era sempre assim, muito saudável. Claro que existia a hora das broncas, mas na maior parte do tempo era um implicando com o outro. Daniel costumava falar que às vezes Regina parecia mais uma tia que estragava o sobrinho, do que uma mãe, pois nunca tinha visto uma relação dessas antes. Henry era muito inteligente e muito bem educado, e isso facilitava as coisas.
– É assim? – Regina se fingiu magoada.
– Obrigada melhor mãe que existe no mundo.
– Agora sim eu estou feliz. Tenha bons sonhos amor da minha vida.
– Boa noite, mamãe.
Encerraram a ligação e Regina foi se deitar.
Depois de pouco mais de uma hora, Ruby já estava na casa de Emma e a pizza estava na mão. As duas foram para o quarto da loira e ficaram conversando, até Ruby tocar num assunto bem interessante.
– Emma, você já ficou com mulheres?
A loira acabou se engasgando com a pergunta da amiga.
– Que pergunta é essa Ruby?
– Ué, simples, você já ficou com mulheres?
– Não, você sabe que não. Por que?
– Por nada. É que tenho curiosidade. Deve ser interessante.
– Dispenso o convite. – Emma falou e acabou rindo da própria fala e acabou recebendo um travesseiro na cara.
– Pelo amor de Deus né, Emma. Não com você.
– Ah sim. Bom, eu já pensei no assunto, mas nada além de pensamentos. Agora vamos dormir.
– Como assim você me diz que já pensou no assunto e depois vem com essa de dormir. Pode começar a falar.
– Ah Ruby, que saco. Começou há um tempo.
– Um tempo? Tipo quase dois meses?
Assim que Ruby falou, Emma arregalou os olhos. Como ela sabia?
– Mais ou menos isso. Vem cá, você anda lendo pensamentos?
– Bom, só liguei os pontos. Agora faz as contas e vê quem entrou na sua vida nesse tempo.
Emma fez o que a amiga falou. Parou, olhou pra cima e depois se deu conta de quem Ruby se referia. Regina.
– NÃO. Ruby, você é louca?
– Ah Emma, não vem com essa. Você acabou de se entregar.
– O que? Ah, quer saber? Vamos dormir.
– Nada disso. Qual é, Emma. Não confia em mim?
– Não é questão de confiar, Ruby. Eu só não sei o que estou sentindo. Como eu disse, só alguns pensamentos.
– Será que tem haver com Regina?
– Ruby, para de ser maluca. Regina não tem nada haver com a história. Agora por favor, vamos dormir?
E depois de muito custo, ambas pegaram no sono. Emma só depois de pensar muito sobre o que Ruby havia falado.
Na manhã seguinte Regina acordou com alguém dando vários beijinhos no seu rosto.
– Hum, como é bom acordar assim. – Regina abriu os olhos e deu de cara com o sorriso mais lindo do mundo. O do seu pequeno grande homem.
– Bom dia mamãe. Papai ta lá em baixo. Disse que quer falar com você,
– Bom dia meu amor. Vai indo lá e diz pra ele que já vou.
Quando Henry se encaminhou para a porta, Regina o chamou.
– Henry, por que vocês chegaram cedo hoje?
– Mamãe, já são 11:00hs.
Dito isso o menino desceu. Regina não se lembrara de quando foi a última vez que dormiu tanto assim.
Ela tomou um banho rápido, colocou um short jeans e uma camisa de manga e se dirigiu até Daniel.
– Dormindo até essa hora? Milagres acontecem. – Daniel falou sorrindo.
– Nem eu sei o que aconteceu. Então, o que houve.
Daniel explicava a Regina que teria que viajar a negócio e que ele não ficaria com Henry nesse tempo, mas pegaria o garoto para jantar no dia seguinte, já que sua viagem estava marcada para segunda feira. Não era uma grande coisa, mas como ambos tinham a guarda do menino, tudo que acontecesse e alterasse a rotina de Henry, teria que ser comunicado ao outro. Lógico que Regina entendeu. Eles ficaram conversando por mais um tempo, até Daniel se despedir do filho e da ex mulher.
– Mãe, posso ir chamar a Emma?
–Pelo visto você gostou mesmo dela, né?
– Sim. Ela é muito legal. Então, posso ir?
– Não sei, estou pensando. Terá que fazer melhor pra me convencer.
O menino sorriu.
– Melhor mãe do mundo, posso ir chamar a Emma?
– Agora sim. Pode ir, mas volta rápido, está ouvindo?
– Sim senhora.
O menino saiu de lá correndo e foi pra casa da loira.
Henry batia insistentemente na porta e nada. Como não obteve nenhuma resposta, Henry decidiu ir embora. Quando estava saindo de lá, Emma abriu a porta, fazendo o menino se virar. A imagem que Henry viu o fez gargalhar alto.
– Um caminhão te atropelou? – Henry perguntou.
Emma estava com o cabelo pro alto, o rosto com marca do travesseiro, os olhos inchados e um pijama de sapo todo amarrotado.
– Garoto, ainda é de madrugada. O que houve? – Emma ainda falou com a voz rouca por causa do sono.
– Emma, já é hora do almoço. Vim aqui te chamar pra jogar vídeo-game.
– Ih garoto, hoje eu não vou poder. Podemos deixar para amanha.
Nesse momento Ruby passou pela sala chamando por Emma.
– Emma, vem fazer meu café.
– Já vou. – A loira gritou. – Garoto, amanha a gente joga, pode ser?
– Claro. Até amanha então.
Henry saiu correndo de lá e Emma fechou a porta.
– E então? Ela vem? – Regina perguntou assim que viu o filho entrando em casa.
– Não. Ela só vem amanha. Parece que tem alguém na casa dela.
– Alguém? Quem? – Regina ficou curiosa.
– Ah mãe, eu não perguntei né. Mas era uma mulher chamando ela pra ir fazer café.
– Uma mulher?
Regina ficou ali pensando e quando voltou a si, viu que Henry não estava mais ali.
O sábado passou sem mais novidades. Emma e Ruby ficaram mais um tempo na casa da loira e Regina ficou curtindo o filho.
No dia seguinte, domingo, Emma foi até a casa de Regina chamar Henry, afinal, tinham combinado de jogar vídeo-game.
– Hey garoto, vamos jogar? – Emma perguntou a sim que Henry apareceu na porta.
– Ih Emma, eu vou ter que sair com meu pai hoje, porque ele viaja amanha.
– Ah, tudo bem então. Deixa pra outro dia.
Emma já estava se virando pra ir embora, quando Regina a chamou.
– Emma, como Henry vai sair, me faz companhia para o jantar?
Regina estava parada a porta com um short jeans, uma blusa folgada branca e descalço.
– Éer, claro.
Nesse momento Daniel chega para buscar Henry. O garoto se despediu das mulheres e saiu de lá com o pai.
– E então, tudo bem?
Regina perguntou fechando a porta atrás de si.
– Tudo ótimo, mas vai ficar melhor quando você aceitar meu convite de ir ao Maracanã.
– Lá vem você com essa história de novo.
Regina foi em direção a cozinha e Emma a seguiu.
– Regina, o Maracanã é um templo. Por favor, vamos.
– Eu já disse que não vou.
– Bom, eu já comprei nossos ingressos.
– Gastou seu dinheiro a toa, porque eu não vou.
As duas ficaram nessa de ir e não ir até o jantar ficar pronto. Conversaram durante o jantar e depois Emma ajudou Regina a tirar a mesa e lavar a louça.
– Bom, eu já vou indo. Amanha começa tuuuuudo de novo. – Emma falou com uma cara de tédio.
– É. Tudo de novo. Obrigada pela companhia. – Regina sorriu.
– Eu que tenho que agradecer. Depois que você apareceu parece que tudo clareou pra mim.
Emma e Regina sorriram lindamente e ficaram se encarando.
– Você não tem que agradecer nada. Você já é muito importante pra mim menina.
– Sabe que eu acho fofo quando você me chama assim?
– O que? De menina?
– Sim.
– Bom menina, conte sempre comigo.
– E você comigo. Bom, agora eu vou indo mesmo.
Emma se aproximou de Regina e deu um beijo na sua bochecha e saiu de lá, deixando Regina sem saber o que vinha sentindo nesses últimos tempos.
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