Casos e Acasos
29 Casos e Acasos - Capítulo 29
Notas iniciais
Aquele era o dia. O dia em que Emma pedia para que pudesse acordar apenas no dia seguinte. O dia em que ela fazia questão de não viver, pelo menos não dessa vez e das próximas vezes que viessem... Aquele era o dia.
Acordou sem ânimo algum, fez sua higiene e seguiu até a cozinha. Emma estava sozinha aquela manhã, porque havia insistido para que o pai passasse a noite anterior com Catherine, já que eles passariam a tarde e a noite juntos.
Viu duas mensagens de Regina no celular e pensou seriamente em ignorar. Aquele dia ela não queria conversar, ou chorar, ou apenas pensar. Ela só queria que ele passasse bem rápido. Ela sabia que não era uma boa companhia principalmente pra namorada, mas também sabia que Regina não tinha culpa e que muito provavelmente estava planejando diversas coisas para que as duas pudessem se distrair. Ela sabia. Resolveu ligar.
– Olha quem finalmente resolveu dar notícias. — Regina logo falou depois de atender o celular.
– Bom dia pra você também. Passou bem? Sonhou comigo? Está com saudades? Essa era a recepção que eu esperava. — Emma resolveu descontrair.
– Bom dia. — Regina falou sorrindo.
– Muito fraco. Você pode melhorar.
– Hum, vejamos, Bom dia, Emma. — Regina resolveu entrar na brincadeira.
– Ok, agora você foi para a estaca zero. Vamos lá, Regina.
– Bom dia para a loira mais gata desse mundo que tem uma namorada incrivelmente maravilhosa.
– Wohohoho, você conseguiu superar até a mim.
– Muito obrigada. Agora preste atenção, seu pai está aí?
– Humm, não. Acho que... Não, não quero pensar no que ele possa estar fazendo.
Regina gargalhou. Era impressionante como Emma conseguia deixar as coisas tão leves, mesmo não estando nos melhores dias. Sim, Regina também sabia.
– Ninguém mandou você imaginar nada. Bom, já que ele não está, nós vamos fazer o seguinte. Você vai tomar um banho bem gostoso, vai tirar esse pijama do Mickey horrível que eu sei que você está usando porque parece que só tem ele e vai vir aqui pra casa, entendeu?
– Não ouse falar do meu pijama, ele pode te ouvir. E eu não to com ele, para sua informação. — Mentira, pura mentira. Emma estava com o pijama do Mickey que parecia ter estado na guerra devido a quantidade de furinhos que ele possuía.
– Ah não? O que você está vestindo, então?
– Humm, eu poderia te falar, mas acho que seria melhor você vir até aqui conferir.
– Não, Emma, você não pode fazer isso. Eu tenho planos, ouviu? Planos. Você não pode fazer com que eu mude tudo.
– Mas eu só disse que você deveria vir até aqui. Quem está considerando isso tudo é você.
Depois de uma breve conversa, Emma havia conseguido fazer com que Regina fosse até sua casa.
Depois de 10 minutos Regina estava lá olhando pra Emma com uma cara de quem fosse cometer um suicídio pelo simples fato da loira estar com O PIJAMA DO MICKEY.
– Eu não sei qual é seu problema com meu pijama. — Emma queria ver até onde sua provocação iria dar.
– Ele é velho. Feio. Surrado. Furado. Fica largo em você e se quiser eu posso passar a tarde falando os problemas que tenho com seu pijama.
– Ok, se o problema é ele, daremos um jeito. — Emma se levantou do sofá, tirou completamente o pijama, ficando apenas com suas roupas íntimas e voltou a sentar no sofá. — Melhor agora?
Regina apenas a olhou. Tinha um tempo que ela e Emma não ficavam a sós e por mais que quisesse Emma, por mais que sentisse saudade, ela vinha respeitando o tempo da loira com relação as datas que se aproximavam, o que fez com que Emma praticamente se isolasse do mundo e hoje, justamente no dia que Regina imaginou encontrar Emma num estado deplorável, ela estava alí, sem nenhuma lágrima, chateação, estava apenas sendo sua Emma de sempre.
– Ainda tem um probleminha, mas acho que esse eu posso resolver.
Regina se sentou no colo da loira e atacou sua boca. Com certeza ela daria um jeito naquilo.
Toda a saudade e desejo estavam sendo depositada naqueles beijos, Emma apertava a bunda de Regina com força, às respirações estavam descompassadas. Ela abriu a blusa da sua morena e começou a descer os beijos desde o pescoço até chegar nos seios dela ainda cobertos pelo sutiã, da bunda de Regina as mãos de Emma foram subindo pelo corpo da sua rainha até encontrarem aqueles pares de seios maravilhosos que ela tinha.
Sem cerimônias, Emma não se preocupou nem em abrir o sutiã de Regina, puxou a peça pra baixou fazendo os seios da morena se arrebitarem, se oferecendo pra ela que logo tratou de abocanhar um enquanto massageava o outro, no meio de chupões e alguns beijinhos, Emma dava leve mordidinhas fazendo Regina gemer de prazer.
Sabendo que a sala da casa que morava com o pai não era o lugar adequado pra se fazer aquilo, Emma segura a morena levantando ela em seu colo, o que causou um riso gostoso em Regina que enquanto era carregada dava beijos pelo pescoço de sua linda namorada. Subiram para o quarto e lá continuaram a se amar e matar a saudade de todos esses dias longe.
As duas estavam deitadas na cama de Emma. Regina com o rosto no peito da namorada e Emma estava fazendo carinho no braço da morena.
– O que você está pensando? — Perguntou Regina.
– Em como eu estaria se você não estivesse aqui.
– E como você está comigo estando aqui?
– Não sei, segura e perdida, com medo, mas... É como se eu pudesse enfrentar qualquer coisa. Não sei.
– Como assim?
– Quando o assunto é você eu sou muito insegura. Eu sempre acho que estou fazendo algo de errado, algo que possa fazer com que você se afaste de mim, mas sempre que estou com você é como se eu fosse capaz de fazer qualquer coisa. É como se eu tivesse força pra ir além de qualquer limite.
– Não sei se entendi.
– Não quero que você entenda. Nem eu entendo.
– Mas isso é bom ou ruim? — Regina levantou a cabeça e a olhou.
Emma torceu a boca — Não sei.
Regina deu um meio sorriso. Se levantou, mas Emma a puxou de volta. As duas voltaram a se beijar, mas dessa vez Regina não poderia ceder.
– Emma, eu tenho planos pra hoje. Se comporte.
Regina tentou se levantar novamente, mas a loira não deixou.
– Eu também tenho planos e neles incluem eu, você e essa cama.
Emma se posicionou em cima dela.
– Mas acontece que hoje, meu amor, seguiremos o que eu planejei.
– E se eu não fizer o que você planejou?
– Você não tem escolha.
– Você vai me castigar se eu for rebelde?
– Com certeza, mas não será do jeito que você está pensando e não duvide da minha capacidade de deixar você de castigo por um LONGO tempo.
Emma entendeu perfeitamente e tratou de sair de cima dela.
– Sem graça. — A loira comentou e Regina apenas riu.
Depois de muito apressar, Regina conseguiu fazer Emma se arrumar. A loira aproveitou e ligou pro pai dizendo que ele poderia aproveitar a tarde com a Catherine, já que provavelmente ela passaria a tarde toda com Regina.
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Zelena estava com Gustavo e os dois estavam tentando decidir aonde passariam o ano novo. Gustavo optou por não viajar para longe, pro caso de precisarem dele no hospital. Zelena queria fazer uma viagem longa.
– Mas Gustavo, é só um final de semana que você vai ficar longe do hospital.
– Em um final de semana muita coisa pode acontecer.
– E se acontecer outros médicos estarão lá para garantir que fique tudo bem.
– Outros médicos são outros médicos. Eu sou eu.
– O que você quer dizer?
– Quero dizer que não confio nos outros médicos.
– Então você não quer ir por que não confia nos outros médicos? — Zelena estava irritada. Muito irritada. Gustavo já estava vendo a tempestade se aproximando.
– Exatamente por isso.
– Então você compre um hospital e fique nele sozinho. Seja o médico, o faxineiro, o recepcionista, o cirurgião, o parteiro, ou eu sei lá o que, já que você não confia em ninguém.
Zelena já estava se preparando pra ir embora, mas Gustavo parou de frente a porta.
– Eu não disse que não confiava em ninguém. — Ele estava incrivelmente calmo. Por um segundo a ruiva se questionou se ao menos eles não iria gritar, ou responde-la da mesma forma, mas ele estava calmo e provavelmente isso a irritou mais ainda.
– Foi o que pareceu.
– Zelena, me desculpa, mas eu praticamente vivo dentro do hospital. Eu vi e vejo coisas a todo instante que me fazem questionar o quão sujo pode ser o ser humano. Incontáveis vezes que vi médicos deixando de atender pacientes só por estarem no horário de almoço, ou ignorar pessoas beirando a morte por causa da sua classe social ou racial. O hospital foi por muito tempo minha primeira casa. As salas cirúrgicas foram minha segunda casa e meu apartamento minha terceira. Eu meio que me sinto responsável pelas pessoas que passam por lá. Eu não espero que você entenda, mas espero que respeite. Não quero brigar com você ou ter que escolher entre você e o hospital.
– Gustavo, eu nunca, nunca faria você escolher entre eu e o hospital. Eu sei perfeitamente o tamanho do seu comprometimento com aquele lugar e só Deus sabe o quanto eu sou grata por ter do meu lado alguém tão incrível como você. Eu respeito sua decisão, respeito você não querer se afastar um final de semana que seja, mas com certeza eu não entendo. Não dessa vez. Porque nas últimas semanas o que eu mais fiz foi entender. Todas as vezes que você cancelou nossos compromissos, as vezes que você pegava plantões extras, as vezes que você optava por dormir no hospital. Pode parecer egoísta e eu sei que você deve estar pensando isso, mas agora é sua vez de entender que você não é o super homem. Você é um ser humano que possui cansaço, estresse, frustração e por mais que tente fazer, por mais que você tente mudar o mundo, não é se matando que você vai conseguir. Não é ficando sem comer, sem dormir, sem respirar um ar que não seja o daquele hospital que você vai conseguir o que você quer. Cuide de você, para que você possa cuidar dos outros. Eu vou pra casa passar o natal sozinha, já que você novamente cancelou o que tínhamos planejado pra pegar o plantão de um cidadão e no final de semana seguinte eu vou para Curitiba com ou sem você.
Dessa vez Gustavo não a impediu de ir embora. Ele sabia que não iria adiantar. Essa era a primeira vez que ele ficava sentido quando alguém disse para ele viver. O próprio considerou Zelena como sua segunda chance e novamente ele deixaria alguém escapar por orgulho?
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– Então teremos um piquenique?
– Gostou? — Perguntou Regina.
– Se eu gostei? Eu... Nossa! Como você consegue?
– O que?
– Ser tão maravilhosa em tudo?
Emma realmente estava maravilhada com o que Regina havia feito. O jardim da casa de Regina estava completamente enfeitado, um toalha no meio do jardim com as típicas cestas de piqueniques estava no centro da toalha e havia diversas almofadas.
Regina sorriu sem jeito. Ela costumava ficar assim quando Emma a elogiava daquele jeito. Era notório como os papéis se invertiam completamente no relacionamento. Regina sempre era a que parecia a adolescente e Emma a mais madura da relação. Bom, elas não viam problema nisso, se é que viam isso.
Já era mais ou menos a hora do almoço e as duas conversavam animadamente enquanto comiam em um clima romântico.
– Opa, temos um problema. — Emma comentou ao ler a mensagem que havia recebido.
Como se fosse combinado, Regina também havia recebido uma menagem.
– Zelena te mandou menagem? — Regina perguntou.
– Não, foi o Gustavo. Por que?
– Porque Zelena me mandou mensagem.
– Então sabemos o que aconteceu. — Emma falou.
– Sim. Vamos chamar eles aqui?
– Não né, Regina. Não sabemos o que aconteceu. E se Zelena tentou jogar um vaso na cabeça dele?
Regina gargalhou. Desde o dia que Regina havia contado que Zelena havia jogado um vaso na cabeça de um antigo namorado, a loira sempre comentava sobre isso. Claro, na maioria das vezes para irritar a ruiva.
– Então o que faremos?
– Faremos o que os cupidos fazem. Vão resolver os problemas.
– Cupidos?
– Sim. Somos padrinhos deles, mas também somos conhecidos como cupidos.
– Ok, cupido. Vai cuidar do seu afilhado que eu vou cuidar da minha, mas não esqueça que no final do dia eu quero você aqui.
– Tudo bem, cupida. Estarei aqui.
– Cupida, Emma? Cupida?
– Ué, e o feminino de cupido é qual?
– Meu Deus, como você chegou até a faculdade?
Emma fez uma careta e cada uma foi cuidar do coração de seus "afilhados".
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