Casos e Acasos

30 Casos e Acasos - Capítulo 30


Notas iniciais
Voltamos! O capítulo já estava pronto há algum tempo, mas como estou em semana de provas na faculdade e ainda passei esse final de semana fora, não tive como postar ele. É isso, aproveitem a leitura e obg a todas que comentaram na fic e não desistiram dela, mesmo depois de 6 meses rsss

Emma pegou um táxi e foi até o hospital. Ela ficou pensativa sobre isso. Será que o Gustavo não tinha casa? É claro que ele tinha casa. Gustavo devia ser aquele típico cara viciado em trabalho. Ela não o julgara por isso, apenas era... Estranho.

Depois de aproximadamente 20 minutos ela estava na lanchonete do hospital esperando por ele, que não tardou a chegar.

– Ok, confesso que estranhei sua mensagem. Aconteceu alguma coisa?

– É, aconteceu.

Gustavo estava sem jeito e Emma percebeu isso. Ela já imaginava que algo entre e Zelena não estava bem, mas esperaria ele tocar no assunto.

– Bom, primeiro eu quero saber se você é aquele tipo de pessoa que aceita conselhos ou quer apenas um amigo pra te abraçar e dizer que vai ficar tudo bem?

Gustavo sorriu. Ele sabia que havia feito certo quando chamou Emma para conversar com ele.

– Eu acho que preciso de alguém que diga o quão covarde, idiota e orgulhoso eu sou.

– Acho que você precisa de uma segunda opinião antes de se intitular isso tudo.

– Zelena quer viajar na semana que vem e eu não quero ir por medo de ficar longe do hospital e acontecer alguma coisa.

– Acontecer alguma coisa com quem? Com vocês dois? Eu pensei que vocês dois já tinham... Bom, você sabe.

Gustavo o olhou incrédulo.

– O que? Não. Não é esse tipo de coisa que eu to falando. Você acha que eu ia te chamar aqui pra falar da minha vida sexual com Zelena?

Emma não aguentou. Teve rir. Bom, na verdade ela gargalhou porque Gustavo estava mais vermelho que um tomate.

– Bom, se não é isso qual é seu medo?

– De acontecer algo com os pacientes, Emma. De não tratarem eles direito ou sei lá...

– Ok. Acho que entendi, mas você não acha que estando aqui ou não, tudo pode acontecer? Pode haver um acidente agora com dezenas de envolvidos e você não ser suficiente para salva-los, ou acontecer algo que esteja além do seu alcance, ou outro médico consegui fazer o que você não consiga.

– Eu sei de tudo isso, mas eu não consigo evitar. Eu não sei, é como se.. Eu não sei.

Ele estava nervoso e Emma reparou isso. Gustavo apoiou os cotovelos na mesa e colocou a cabeça entre as mãos.

– Sabe, eu acho que seu medo real não é de deixar o hospital.

Ele levantou a cabeça e a olhou com as sobrancelhas franzidas.

– Claro que é. O que mais poderia ser?

– Olha, que fique claro que desde o momento que você me chamou aqui você estava ciente de que eu falaria o que eu acharia, certo? —
Ele assentiu. — Ok, então vamos lá. Eu acho que você tem medo de se entregar a Zelena. Você pode estar achando que no momento em que a pediu em namoro isso aconteceu, mas não totalmente. Eu não sei o que aconteceu com você, eu não sei do seu passado ou o porque dos seus medos, mas parece que você tem medo de se jogar de cabeça e se acontecer algo, não ter pra onde correr. O hospital é meio que seu porto seguro, você vive boa parte se não sua vida inteira aqui dentro e viajar para algum lugar distante significa se afastar do seu porto seguro. Significa não ter onde se refugiar caso algo de errado. Aqui você só pensa nos seus pacientes, no quanto só a vida deles importa. No quão agradecida fica uma mãe depois de ter ser filho salvo, ou de algum filho que teve a doença da mãe descoberta no início. Então, Gustavo, você não tem medo de algo acontecer que os outros médicos não possam resolver. O seu medo é acontecer algo com você e não ter o hospital para te curar.

Ele a encarou pasmo. Essa era a definição do médico naquela hora. Como Emma havia chegado aquela conclusão? Ou pior ainda, como essa conclusão poderia fazer tanto sentido?

Já na cabeça de Emma, ela pensava em como aquilo se encaixava com outra pessoa também. Emma pensava em como ela havia acabado de descrever sua própria vida, mas deixaria pra pensar nisso depois. Naquele momento era Gustavo que precisava de ajuda.

– E o que eu faço? — Gustavo se viu totalmente confuso, mas pela primeira vez em anos ele se viu numa confusão que o direcionava para a solução de vários dilemas.

– Eu acho que primeiro você deve se perguntar se está pronto pra ir adiante. Zelena não é alguém que merece estar num relacionamento pela metade. Ela não merece alguém que se doe pela metade. Se você acha que não consegue ir adiante, que não consegue ser a pessoa que ela merece ter ao lado dela, então eu serei a primeira pessoa a te aconselhar a acabar tudo. A deixar ela seguir com a vida dela e encontrar alguém que esteja pronto para realmente viver ao lado dela, mas se você Gustavo, estiver disposto a se entregar, a enfrentar seus medos, seus fantasmas por alguém que você quer ao seu lado pelo resto da vida, então eu serei a pessoa a te aconselhar a se jogar de cabeça e a não se preocupar, porque eu tenho certeza que Zelena estará lá em baixo para te impedir de cair.

– Eu não sei o que falar. — Realmente ele estava sem palavras.

– É pra outra pessoa que você tem que ter algo pra falar.

– Eu sei. Obrigado. Muito obrigado.

– Me agradeça fazendo a Zelena feliz, porque do contrário, meu amigo, você precisará de alguém pra te atender nesse hospital.

Ambos riram. Depois daquela conversa um saiu com praticamente todas as repostas para que precisava, mas para outro... Bom, havia mais perguntas do que respostas.


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– Sua salvadora chegou. – Regina falou quando Zel abriu a porta.

– Entra Sis. – Zelena tem chamado Regina assim desde a festa de aniversário da morena. Apesar de antes disso já serem como irmãs uma para a outra.

Regina deu um abraço rápido e um beijinho na amiga e foi entrando. — Que cheirinho bom. – Ela comentou já indo pra cozinha ver o que a amiga estava fazendo.

– Estou fazendo um bolo, só mais alguns minutos e ele vai estar pronto. – Respondeu a Ruiva.

– Maçã? – Regina pergunta se referindo ao sabor do bolo.

– Claro! – Zelena assim como Regina, amava tudo que era de maçã. – Maçãs verdes. – Completou como um aviso e Regina fez uma careta. Ela preferia as vermelhas.

– Ok, pode começar a falar. Quando você cozinha é porque alguma coisa está te chateando.

– É o Gustavo, Rê. – A ruiva falou sentando no banquinho da cozinha, já que Regina assumiu o comando das panelas e foi preparar a calda do bolo.

Zelena começou a contar todos os planos da viagem pra Búzios que ela planejou para ela e Gustavo. Ela estava tão animada em passear com ele na praia, mostrar seus lugares favoritos, seria um momento para eles se conhecerem melhor até, mas as coisas nunca são tão simples.

Agora na sala Zelena com a cabeça no colo da Regina continuava falando.

– Sabe, Regina, eu quero algo diferente. Algo que me deixe sem fôlego, que me deixe com borboletas na barriga e não me deixe com mais dúvidas. No início eu realmente achei que seria assim com Gustavo, mas eu sinto que ele não está pronto, entende? Ele quer tentar, mas não está pronto.

– Zel, eu entendo o que você está passando mais do que você imagina. – Regina finalmente se pronunciou. Tudo que a Zelena falou desde que ela chegou a fez pensar na Emma.

– Como assim?

– Meu relacionamento com Emma anda meio baqueado. Por mais empolgante e emocionante que seja estar com Emma, parece que falta algo, entende? E não falo isso pela idade dela ou por tudo que já aconteceu, mas eu acho que nós duas precisamos nos achar primeiro, sabe? Ao mesmo tempo que ela está comigo ela está longe e eu não sei como agir, na verdade não sei se devo agir de acordo com o que ela demonstra ou de acordo com o que eu sinto.

– E o que você pretende fazer?

– Eu não sei, mas você vai correr atrás da sua felicidade. Você e Gustavo já passaram por muita coisa e acho que estão pronto para seguir essa caminhada juntos. Vocês só precisam confiar um no outro.

– Acho que você tem razão. — A ruiva comentou.

– Mas é claro que tenho.

– Ok, você está passando tempo demais com a Emma.

– Ai Zelena, essa loira mexe tanto comigo. Tanto, tanto...

Regina deu um longo suspiro. Zelena viu naquele momento que era hora de inverter os papéis. Agora era sua hora de ajudar a amiga.

– Regina, me conta o que se passa nessa cabecinha.

Zelena se sentou e colocou a cabeça de Regina em seu colo.

– Não, o assunto é sobre você. Vamos falar sobre você.

Regina tentou se levantar, mas a ruiva não deixou.

– Eu já sei o que tenho que fazer, mas você não sabe. Conversa comigo.

– Eu a amo. Muito. Mais do que eu imaginava, mas eu não sei se temos um futuro. Não do jeito que as coisas vão indo. Emma ainda está muito perdida, muito mexida com a morte da mãe e eu entendo isso, juro que entendo e quero estar ao lado dela para ajuda-la a superar, mas ela não me da espaço e quando da eu fico com medo de ir adiante e ela não ter mais trauma algum e nossa relação avançar a ponto de todos saberem sobre nós.

– Mas todos da vida de vocês já sabem sobre vocês.

– Henry não sabe.

– Aaaaah, então chegamos ao x da questão. Você tem medo da reação do Henry. Mas Regina, ele não precisa ficar sabendo nesse exato momento.

– Emma é intensa, Zelena. Ela sabe o que quer. Ela pode estar meio perdida agora, mas ela não iria se contentar com o nosso namoro parcialmente as escondidas e Emma jamais me faria escolher entre passar meu final de semana com ela ou com Henry.

– Sabe de uma coisa? Eu acho que você precisa ser honesta com você mesma. Com vocês duas. Se você tem alguma dúvida, converse com ela. Veja como ela se sente com relação a isso, talvez vocês cheguem a um acordo.

Regina se encolheu no colo de Zelena e ambas ficaram alí, perdidas em pensamentos.

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Já era fim de tarde quando Regina estava chegando em casa e viu Emma sentada na sua calçada. Ela viu a loira mexendo no celular e de vez em quando ria de algo. Como ela poderia parecer tão menina e tão mulher ao mesmo tempo?

Regina se aproximou mais dela e quando a loira a viu, deu um pulo sua direção, a abraçando forte.

– Cheguei primeiro. — Emma disse ainda agarrada a ela.

– Boa garota. — Regina também a apertou nos braços. As duas precisavam daquele contato.

Assim que se soltaram, elas entraram na casa da morena, mas dessa vez elas não estavam mais sozinhas. Henry e Cora haviam chegado.

– Até que enfim, mãe. Pensei que não voltava mais hoje. — Henry foi até a mãe.

– Eu estava ajudando uma amiga, meu amor.

– Tudo bem. Oi Emma. — A loira o cumprimentou também. — Mãe, eu estive pensando e acho que a senhora precisa de um namorado.

Tanto Emma quanto Regina arregalaram os olhos.

– Eu não preciso de um namorado, Henry. De onde você tirou isso?

Regina tentaria de toda forma acabar com aquele assunto o mais rápido possível.

– Ah, só estive pensando. Seria legal ter um padrasto. Alguns amigos da escola tem e eles falam que são super legais. Você não acha que ela precisa de alguém, Emma?

A loira abriu a boca e fechou algumas vezes, as por fim decidiu falar.

– Acho que ela merece ser feliz, Henry.

Emma até que tentou ir embora, mas Henry não deixou. O garoto parecia ter grudado essa ideia de padrasto na cabeça. Agora mesmo ele falava em como seria legal quando eles fossem fazer piquenique ou ir ao parque. Emma deveria ter seguido sua intuição e não ter saído da sua cama.

– Henry, chega. Eu já disse que não preciso e não quero um namorado. Acabou aqui, entendeu? Agora vá tomar seu banho.

Regina acabou por ser um pouco mais grossa do que o habitual, o que causou estranhamento no filho.
O menino subiu sem falar mais nada e Regina tinha até medo de olhar pra Emma.

– Eu tenho que ir. Meu pai está me esperando.

– Eu te levo até lá.

Antes de ir a loira se despediu de Cora e Henry, desejando a eles um feliz natal.

Quando chegaram do lado de fora, Regina permanecia com o olhar distante.

– Regina, não precisa ter medo de me olhar. Eu não to chateada pela que o Henry disse. Provavelmente frustrada, mas não com raiva ou algo do tipo.

O clima não era dos melhores e a Emma fez a única coisa que ela podia fazer por elas duas naquele momento que era realmente ir embora.

– Feliz Natal Regina. – Ela se aproximou beijando sua testa e logo em seguida foi andando em direção a sua casa.

Notas finais
Opss. Comentem!!!