Casos e Acasos
27 Casos e Acasos - Capítulo 27
Notas iniciais
Quando Regina acordou no dia seguinte, Emma já não estava mais na cama. Ela estranhou, mas achou que a loira havia descido. Depois de um tempo deitada, ela teve certeza de que Emma não estava mais na casa dela, pois seria impossível Emma ficar num completo silêncio.
Henry chegaria depois o almoço e ficaria por um bom tempo na casa da mãe, já que o pai iria viajar.
Regina resolveu se levantar e sentiu o corpo um pouco dolorido devido à noite passada. Nada muito incômodo, apenas uma lembrança de que era bom não provocar Emma Swan. Regina sorriu.
Assim que se levantou, viu um papel vermelho na mesinha que ficava ao lado da cama. Regina achou estranho e pegou o papel.
‘’ Eu sei que não se deve deixar uma mulher acordar sozinha depois de uma noite... bom, você sabe. Enfim, meu pai me ligou e eu tive que vir resolver umas coisas. Você estava a coisa mais linda dormindo e eu não quis te acordar, mas te dei beijo de bom dia, portanto se você ficar chateada, eu também vou ficar por você não ter me dado beijo de bom dia. Injusto, né? Pois é, Regina Mills, a vida é injusta. Rs. Te ligo mais tarde.
– Emma. ’’
– Besta. – Regina falou rindo.
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Pouco depois do amanhecer, Emma havia recebido uma ligação de Alexandre. Ela saiu do quarto para atender, já que não queria acordar Regina.
– Oi pai.
– Emma, assim que puder você pode vir pra casa?
– Claro, mas aconteceu alguma coisa?
– Não, eu só preciso conversar sobre algo com você. Te espero.
– Tudo bem, já já eu to aí. Beijos.
Emma desligou o telefone e ficou encucada. Pra receber uma ligação de seu pai aquela hora, provavelmente não seria boa coisa, mas quando chegou no quarto outra dúvida pairou sua cabeça. Acordar Regina ou deixar um bilhete?
– Se eu deixar um bilhete eu vou parecer uma cafajeste. – Emma pensava. – Mas se eu acorda-la, ela vai querer saber o que acontecer e nem eu sei o que aconteceu. Ok, vou deixar um bilhete.
A loira pegou um bloquinho de papel que ficava em cima de uma mesinha do quarto e começou a escrever. – Que Regina não queira me matar. — Ela terminou de escrever e colocou o papel em cima da mesinha ao lado da cama. Deu um beijo em Regina e foi em direção a sua casa.
Como Regina morava perto, 5 minutos depois ela já havia chegado.
– Pai? Cheguei.
– To aqui na cozinha.
– O que aconteceu? – Emma viu que o pai estava aflito e começou a ficar preocupada. Será que ele havia tido uma recaída?
– Catherine nos chamou para passar o natal na casa dela.
Emma franziu as sobrancelhas. – Eu não acredito que o senhor me tirou de uma cama quentinha e um sono maravilhoso porque não quer passar o natal com sua namorada. – Emma levou na brincadeira, mas parou de sorrir assim que recebeu um olhar de seu pai. Ela sabia que olhar era aquele e entendeu o que ele estava querendo dizer.
– Regina também me perguntou o que eu vou fazer no natal.
– O que você respondeu?
– Que eu iria dormir.
Os dois ficaram em silêncio. Ambos não precisavam falar mais nada para saber o que o outro estava sentido.
– Eu não sei se consigo. – Alexandre apoiou a cabeça nas mãos.
Emma já estava com lágrima nos olhos. – Vai ser nosso primeiro natal sem... – Ela não conseguiu acabar de falar.
– Sem ela.
Os dois ficaram ali na cozinha perdidos em seus próprios pensamentos.
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Regina não ficou muito tempo deitada. Levantou, tomou seu banho e comeu algo rápido. Ainda era cedo, mas resolveu ligar para a mãe.
Depois de 3 toques, Cora atendeu.
– Quem é viva sempre aparece, não é mesmo? – A mais velha ironizou.
– Bom dia para a senhora também.
– Tudo bem, meu anjo?
– Tudo ótimo. E então? Como faremos no natal desse ano? – Regina perguntou.
– Seu pai vai ter que viajar novamente, então provavelmente será como nos anos anteriores.
– O que? Viajar de novo? – Regina perguntou indignada.
A relação com o pai não era das melhores. De alguns anos pra cá ele havia mudado completamente. Vivia viajando, não passava quase tempo nenhum em casa e tratava Cora como nada. Isso pra Regina foi o mais revoltante. Perdera o contato total com ele de alguns meses pra cá. Se ele havia perdido o interesse na família, não seria ela que iria correr atrás.
– Ah Regina, eu não sei mais o que fazer. É sempre isso, sempre isso.
– Eu já falei pra senhora o que deve ser feito. Pede o divórcio.
– Você sabe que não é simples assim. Eu sou casada com seu pai desde que me entendo por gente. Temos uma vida juntos.
– Vida essa que ele fez questão de jogar para o alto, né? Mamãe, já que é tão difícil assim para a senhora se separar de vez, passa um tempinho aqui comigo e com Henry. Ele vai amar.
– Não sei não. Vocês não param em casa. Quando você não ta aí cisma de ir para aquela bendita empresa que nem é mais nossa ou vai dar aula. Henry fica na casa do Daniel com aquela mulherzinha horrorosa. O que aquele homem viu nela?
Regina não deixou de sorrir com aquilo. Cora também tinha um carinho especial por Daniel, mas nunca fez questão de esconder o quão ele escolher mal a mulher com quem havia se relacionada. Inclusive falou pra ele isso, o que rendeu muitas broncas da filha.
– Mamãe, eu já disse para a senhora parar com essa implicância com a mulher e outra, eu estou de férias da faculdade, raramente vou a empresa e Henry vai passar as férias de fim de ano aqui. Daniel precisa fazer uma viajem a trabalho.
– Então vai ser só nós três?
– Bom, é, nós três e mais uma. – Regina corou.
– Como assim mais uma? Não me diga que Henry arrumou uma namoradinha.
– Não dona Cora Mills, não foi ele quem arrumou uma namoradinha.
– Ué, se não foi ele foi quem? – Cora parou de falar por um segundo e foi como se sua cabeça tivesse dado um estalo. – Regina, não me diga que..
– Te espero aqui, ok?
– Estou a caminho daí agora.
Regina desligou o telefone e não deixou de sorrir. ‘’Nós três e mais uma?’’ Nem a própria acreditou no que havia dito.
A morena estava bem. Se sentia leve como a tempos não se sentia, então resolveu fazer uma coisa que não fazia a muito tempo. Preparar o almoço. Regina foi separando as coisas que precisaria e começou a colocar a mão na massa. 1 hora depois Cora estava lá e também ajudava a finalizar a comida.
– Ok, você já me enrolou com todos os assuntos possíveis, agora da pra terminar de contar o que começou pelo telefone?
Regina suspirou e se sentou no balcão da cozinha.
– Tudo bem. O que a senhora quer saber?
– Acho que tudo. – Cora sorriu ao ver a filha sem jeito. Regina raramente ficava assim e ela já imaginava o que estava acontecendo, mas queria confirmar.
– Bom, é que... bom, eu acho...
– Regina – Cora fez a filha olhar pra ela. – Eu não vou te julgar, tudo bem? Sua felicidade é a única coisa que me importa.
Ela acenou com a cabeça e sorriu. Bom, esse era seu medo. Ter o julgamento da mãe.
– Eu estou namorando.
– Com?
– Com a Emma.
Ambas ficaram em silêncio e Regina olhava ansiosamente para a mãe.
– Você está certa do que fazendo, bom, que fique claro que eu não estou te julgando e nada, mas ela é só uma menina.
– Nós já conversamos sobre isso e no início eu estava mais receosa, mas eu sei que o sentimento é recíproco e eu decidi me permitir. Eu não vou me impedir de tentar algo que eu quero, algo que meu coração quer só por medo de dar errado por causa da idade dela. Emma tem uma vida pela frente, mas já é grande o suficiente pra saber o que quer, e eu também sou dona da minha vida, portanto demos as mãos e embarcamos nessa aventura que só o tempo vai dizer se foi à decisão correta.
– Concordo com você e da pra ver o brilho nos seus olhos. Da pra ver que é verdadeiro e se te faz feliz, eu só tenho a agradecer a ela. Henry já sabe?
– Ainda não. Na verdade eu não sei qual é o melhor momento pra falar pra ele. Eu só não queria demorar pra tomar essa decisão.
– Você saberá quando é o momento certo, mas agora me diga, como está sendo? É diferente por ser uma menina?
Regina gargalhou e foi em direção a geladeira pegar água.
– Ah mamãe, com cada pessoa é diferente, mas com Emma é especial. Ela é alegre, é bem humorada, na maioria das vezes mais criança que Henry, mas é o jeito dela. Emma pode estar com 30 anos, mas terá as mesmas criancices e eu amo cada uma delas. – Regina já estava com o copo de água na mão e havia encostado na geladeira. Cora via a felicidade nos olhos da filha e agradecia internamente a Emma Swan por ter proporcionado aquilo a Regina. – Coisas do tipo, como quando ela faz bico quando eu não deixo ela comer tanto chocolate ou quando ela me pergunta se eu vou largar ela se ela ficar banguela. – Nesse momento Cora gargalhou e Regina a acompanhou. – Ela é muito madura quando tem que ser. Tem ótimos argumentos e uma cabeça feita, sabe? Eu e ela sabemos que ela ainda enfrentará muita coisa ainda, mas ela tem uma opinião forte. Uma coisa dela e que ninguém nesse mundo consegue mudar. Ela foi obrigada a crescer muito cedo e isso a transformou, mas não para algo ruim. Digamos que Emma é a pessoa que todo mundo quer ter por perto.
– Se antes eu tinha dúvida, depois de ver você falando desse jeito elas foram embora, mas eu estou curiosa sobre uma coisa. Ela é boa de cama?
Regina cuspiu toda a água que havia colocado na boca e começou a tossir. Cora ria da reação dela, mas não perderia a oportunidade de cutucar.
– Ta de brincadeira, né? – Regina perguntou ainda vermelha.
– Claro que não. Não posso mais ficar curiosa?
– Mãe, Emma da de dez a zero em muito homem por aí. Basta, ok?
Cora ainda ria. – Ok. Cadê meu neto que não chega?
– Ele já mandou uma mensagem. Deve ta chegando.
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– Pai, o que você vai falar para Catherine?
– A verdade.
Os dois estavam sentados no sofá e já haviam decidido que passariam o natal em casa. Juntos. Só os dois, jogando algum jogo que jogariam se a mãe de Emma ainda estivesse ali.
– Vou conversar com Regina também.
O celular de Alexandre tocou e era Catherine convidando ele e Emma para almoçarem na casa dela. Alexandre perguntou a Emma se ela queria ir, mas disse a loira disse que não. Ele assentiu e logo depois foi se arrumar. Perguntou se Emma realmente não se importava dele ir, mas claro que ela não se importava.
Quando o pai saiu de casa Emma resolveu ligar pra Regina.
– Alô. – A morena atendeu e nem viu no visor que era Emma que estava ligando. Emma estranhou porque Regina nunca atendia ela daquele jeito então imaginou que ela estaria chateada por hoje mais cedo.
– Ok, você tá chateada e eu entendo. Me perdoa por ter saído sem ter te acordado, mas eu queria saber o que meu pai queria, mas eu ia te ligar e eu liguei, viu? Vai, diz que me perdoa.
Do outro lado da linha Regina ria. Não estava chateada e nem viu que era Emma que estava ligando.
– Eu não estou chateada, meu anjo.
– Então por que você me atendeu desse jeito? Você sempre me atende dizendo: Já está com saudades, Swan? E você não disse isso.
– Awn meu Deus, tadinha do meu bebê. Você já está com saudades, Swan?
Emma riu.
– Agora sim essa é a minha Regina. Ta fazendo o que?
– Finalizando o almoço e conversando com minha mãe.
– Sua mãe ta aí e você ta falando comigo desse jeito? Ta louca Regina? Ela vai desconfiar.
– Ela já sabe, Emma.
– Ai meu Deus, ela vai querer me matar.
Cora gargalhou e Emma ouviu.
– Fica tranquila que isso não vai acontecer, mas não se esqueça que precisamos ter uma conversinha.
Sim, o celular estava no viva voz.
Emma estava com tanto medo que não sabia nem o que falar.
– Emma, você ta aí? – Foi a vez de Regina perguntar.
– No momento Emma Swan deu uma saidinha. Aqui é a secretária dela, deseja deixar algum recado? – Emma disse isso com uma voz fina tentando se passar por outra pessoa, o que fez as duas mulheres do outro lado da linha rirem mais ainda.
– Senhora secretária, diga para Emma Swan que a namorada dela ligou e intimou ela a aparecer para o almoço.
– Pode deixar que eu aviso a ela. Agora eu preciso desligar senhora. – Emma continuava com a ridícula voz fina.
– Tudo bem secretária. Ah, diga também se ela não aparecer, minha mãe vai pessoalmente buscar ela. Beijos.
Regina desligou e Emma arregalou os olhos. Bom, acho que era melhor ela aparecer.
Emma tomou um banho breve e foi para a casa de Regina. Quando chegou lá Henry também já havia chegado, o que a deixou mais aliviada, pois sabia que ninguém tocaria em nenhum assunto e muito menos Cora vir conversar com ela. Foi um almoço divertido e com várias alfinetadas da parte da Cora. Regina achava engraçado o medo que Emma sentia da mãe, mas pediu a mesma para não exagerar nas brincadeiras. Cora disse que iria dormir um pouco e Henry foi para o quarto.
As duas passaram a tarde vendo filme e no início da noite Henry pediu para ir tomar sorvete com um amigo. Regina deixou e Cora se prontificou para leva-lo até a casa do amigo.
– Então, está tudo bem com seu pai? – Regina perguntou.
– Tá sim. Na verdade eu queria conversar com você sobre isso.
– Pode falar.
As duas estavam na sala. Regina sentada no sofá e Emma deitada apoiando a cabeça no colo dela.
– Você havia me perguntando sobre o natal. Eu vou passar em casa com meu pai. Sós nós dois.
Regina franziu as sobrancelhas, mas ao ver o olhar triste de Emma já sabia o motivo e se batia internamente.
– Você quer conversar? – Regina perguntou e Emma apenas negou com a cabeça e fechar os olhos. Fracas lágrimas desciam pela lateral dos olhos da loira e Regina as secou.
Fez com que Emma se levantasse e a abraçou.
– Tem certeza que não quer que eu fique com você?
– Não Regina. O natal é uma data feliz pra vocês e pra mim passou a ser uma data sem significado. Apenas curta sua tradição.
– Ei, não fala assim. Ela vai estar sempre com você.
– Eu sei, mas é que ainda dói muito, sabe? Ainda mais nessas datas. – Emma já havia quebrado o abraço e estava sentada de frente pra Regina. – Desde que eu era pequena, eu via aqueles filmes infantis em que as crianças colocavam a estrela na ponta da árvore, e então desde os meus 5 anos ela deixava eu fazer isso. Eu ficava tão feliz. Meu pai me colocava no ombro pra eu colocar a estrela e minha mãe falava que duas estrelas iluminariam o natal dela. Eu e a da árvore. – Emma deu um sorriso triste. – No nosso último natal juntas não foi muito diferente. Eu coloquei a estrela e novamente ela falou. Duas estrelas irão iluminar meu natal.
Emma torceu a boca, tentando novamente impedir o choro. Lembrar da sua mãe era uma coisa muito difícil.
– Emma, você vai continuar iluminando o natal dela onde quer que ela esteja. Vem comigo.
As duas foram até parte de fora da casa e olharam para o céu.
– Escolhe uma. – Regina pediu.
– Uma? Uma o que? – Emma perguntou.
– Uma estrela. Escolha a mais brilhante.
Emma olhou pra cima e depois de alguns apontou para uma estrela.
– Aquela.
– Aquela estrela se chamará Ana a partir de hoje e ela será a estrela que iluminará seu natal.
Emma não deixou de ficar emocionada e abraçou Regina.
– Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo. – Emma sussurrava pra Regina, que a abraçada mais forte.
– Eu também amo você.
As duas ficaram mais um tempo observando o céu. Observando a estrela. Observando a estrela que iluminaria o natal de Emma.
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