Casos e Acasos
14 Casos e Acasos - Capítulo 14
Notas iniciais
Emma e Regina andaram mais um pouco até chegarem ao ponto de ônibus. O único problema era a fila que dobrava a esquina. Muitos torcedores com a camisa do Flamengo, alguns até que Emma conhecia.
– Nós podemos pelo menos ir de táxi? — Regina comentou.
– Claro. Por que não pensei nisso antes. Vamos lá.
Quando estavam dando a volta, Emma ouviu alguém lhe chamar.
– Emmaaaaaa. Quanto tempo. — Um rapaz a chamou.
– August?
– Sim, loira. Abandonou os amigos né?
– Que nada.
Eles se abraçaram e Emma apresentou Regina.
– E então, quer ir no táxi com a gente?
– Claro, vamos lá.
Emma o chamou e eles foram andando na frente, deixando Regina um pouco atrás. Se a morena já estava irritada, isso foi à gota d'água.
– Emma me chama para o jogo e agora me deixa pra trás? — Esse era o pensamento de Regina.
No caminho até o metrô, Emma e August foram conversando animados e Regina só observava.
– E então, fazendo o que da vida? – August perguntou.
– Bom, de uns meses pra cá ela deu um giro, voltou e girou de novo. Loucura, mas e você?
– Ah loira, sabe como é, depois que a gente terminou eu não quis mais saber de nada, daí tomei um puxão de orelha e tive que voltar para os trilhos.
Eles continuaram conversando e assim que chegaram, August foi de encontro aos amigos e Emma e Regina seguiram para dentro do metrô.
– Ele é legal, né? — Emma perguntou animada.
– Não sei, vocês não me deixaram falar nada. Aliás, esse é o ponto. Me deixaram. Pensei até que iria assistir ao jogo com seu namoradinho — Uma Regina completamente irritada falou.
– Regina, do que você tá falando?
– Do que eu to falando? Emma, você encheu o meu saco para eu vir pra esse jogo e justamente quando eu aceito vir, você nem me da atenção. Era pra ser divertido. Aí você encontra seu namoradinho e pronto.
– Mas Regina, ele não é mais meu namorado, eu só...
– Mas Regina nada. Vamos logo encontrar a Zelena antes que eu de meia volta e vá pra casa.
Emma nunca tinha visto Regina assim. Tão irritada. A loira então se calou e elas foram andando em silencio até encontrarem Zelena.
– Hey meninas. Animadas? — A ruiva toda sorridente perguntou, mas o silencio estranho entre Emma e Regina, denunciou que o clima entre elas não estava o melhor.
Zelena decidiu não perguntar o que houve. Ela engatou num papo com Regina sobre Gustavo e assim ficaram esperando o metrô.
Pelo lado de fora, as três notaram o quão cheio o vagão estava. Quando ele parou, antes mesmo de Regina pensar, elas foram empurradas pra dentro.
Nesse empurra, empurra tentando se manter no lugar, Zelena foi parar quase no outro vagão, e Emma e Regina ficaram juntas. Emma encostada na barra de ferro e como Regina estava quase caindo, Emma não pensou duas vezes em puxa-la pra si.
A loira a pressionou contra seu corpo e Regina segurou os braços dela automaticamente. As duas ficaram sem falar nada, até Emma sussurrar no ouvido de Regina.
– Me perdoa. Eu sempre estrago tudo.
Regina soltou um logo suspiro ao sentir a boca de Emma colada em seu ouvido. Como Regina era menor que Emma, a morena apoiou a testa um pouco abaixo dos ombros da loira.
– Tudo bem.
– Você tem razão. Era pra ser divertido. Prometo que vou fazer de tudo pra reparar esse erro.
Emma falava tudo bem baixo, o que deixava Regina mais fora de si. A morena não sabia o que acontecia com ela quando Emma chegava perto. Seu corpo todo reagia. Ou melhor, Regina sabia sim o que era isso. Sabia que o que sentiu quando viu Emma falando com o tal do August não foi somente chateação por falta de atenção. Foi algo mais profundo. Que significava mais. Na verdade Regina sabia o que sentia por Emma, mas o medo de confessar pra si mesma foi maior. O medo de aceitar um novo sentimento e não ter controle das próprias ações mexeu com Regina, porém o inevitável aconteceu. Sim, Regina é completamente apaixonada por Emma Swan. Bom, ela já havia pensado nessa hipótese quando Emma estava no hospital, mas dessa vez foi diferente. Regina podia ver e sentir claramente o que sentia por Emma.
Com tanta coisa passando pela cabeça de Regina nesse momento, ela não escutava o que Emma falava. Somente sorriu e olhou pra loira.
– Eu to aqui fazendo um discurso e você fica rindo da minha cara? — Emma entrou na brincadeira.
– Ta perdoada Swan. E que isso nunca mais aconteça.
– Sim senhorita.
Ambas sorriram e Regina voltou a apoiar a cabeça em Emma. Alguns minutos depois as três saíram do vagão rindo.
– Quem diria que Regina Mills andaria de metrô? — Zelena comentou de forma divertida.
– Cale a boca, Ze.
– Mas o pior ainda está por vir. — Emma falou.
– Como assim o pior está por vir?
– O trem né, Regina. — Zelena se divertia com as caras e bocas de Regina.
Como era tudo bem perto, as três já estavam na Central, esperando o trem. A sorte é que não teriam que ficar dentro do trem por muito tempo, já que a estação do Maracanã era perto da Central.
Com o trem a única diferença, era que além de parecer que estavam numa lata de sardinha, era que também havia membros da torcida organizada dentro do vagão. Eles cantavam, brincavam e Regina ficou assustada. Ambas foram do mesmo jeito, Emma encostada na barra de ferro e Regina apoiada nela.
Como Regina estava de frente pra ela, Emma viu que um rapaz olhava descaradamente para a bunda de Regina. Isso a estava incomodando, então Emma não pensou duas vezes em virar Regina de costas pra ela. A morena não entendeu nada, então virou o rosto pra falar com ela.
– O que houve?
– Aquele cara olhando pra você. Eu hein.
Emma estava com um bico do tamanho da ponte Rio Niterói, o que fez Regina sorrir. Era engraçado ver Emma emburrada.
– E o que tem ele me olhar? — A morena perguntou arqueando a sobrancelha.
Emma arregalou os olhos.
– Como assim o que tem? Ta ficando doida, Regina? — Emma automaticamente puxou Regina pela cintura, colocando mais o corpo de ambas. — É melhor você sossegar esse facho, porque você está comigo e ninguém vai ficar olhando pra sua bunda.
Depois que falou, Emma ficou da cor de um tomate, notando que havia falado demais.
Regina percebeu e acabou achando fofo. Decidiu não tocar mais no assunto, então entrelaçou os dedos com os dedos de Emma, que estavam sua cintura.
Apesar da muvuca, as duas estavam confortáveis nessa posição, mas não aproveitaram muito, porque já haviam chegado ao Maracanã.
Zelena que escutou e viu tudo o que aconteceu, sorriu, mas no final se martirizou por não ter convidado Gustavo. Agora ficaria de vela.
– Olha, todas juntas, hein. — Emma falou e ambas concordaram.
Emma e Regina permaneciam de mãos dadas desde a saída do trem. Emma passou o braço pelo ombro de Regina e seus dedos entrelaçados com os da morena. Elas foram rindo e brincando até a entrada do Maracanã. Como Emma e Zelena já eram de casa, não levou muito tempo para acharem a entrada.
O Maracanã já estava relativamente cheio e o previsto era de casa lotada. Emma sentou entre Regina e Zelena, então esperaram o jogo começar. Depois de alguns minutos, passou um vendedor de cachorro quente, então Regina deu um salto.
– Eu quero cachorro quente. — A morena falou com os olhos brilhando.
– Se eu fosse você, não comeria esse cachorro quente. — Emma comentou.
– Ah não, eu quero. Sempre tive vontade de comer esse cachorro quente que vende em estádio. Eles parecem tão bons nos filmes que envolvem jogos de baseball.
Zelena soltou uma gargalhada. — Regina, aqui é o Brasil. Não se iluda.
– Ah, vocês são muito estraga prazeres. Da pra chamar o vendedor, Emma?
– Então tá. — Emma foi atrás do vendedor e instantes depois voltou com o cachorro quente para Regina.
A morena abriu a embalagem e colocou um pedaço generoso na boca, mas se arrependeu no mesmo instante. Regina olhou para Emma e Zelena, que a olhavam divertidas.
Regina não deu o braço a torcer e começou a comer o cachorro quente com o pão duro e seco e uma salsicha que parecia ter passado da validade a um bom tempo.
– Deixa de ser orgulhosa e para de comer esse treco horrível. — Emma tirou o lanche das mãos de Regina.
– Se você falar: " Eu te avisei ", você vai virar a bola que esses jogadores vão chutar, ta entendendo?
Regina falou com uma cara tão séria, que Emma nem pensou em rir, mas Zelena não aguentou e começou a gargalhar. Sem que houvesse jeito, Regina e Emma riram juntas.
Quando a escalação do time do Flamengo começou a aparecer no telão, Emma e Zelena começaram a opinar sobre o time. A loira encostou-se à cadeira e apoiou um braço na cadeira de Regina e outro na cadeira de Zelena.
Regina, como de nada entendia de futebol, também encostou-se à cadeira e virou o corpo, apoiando um pouco em Emma. A loira gostou e começou a fazer carinho no braço de Regina, enquanto ela e Zelena continuavam a falar sobre o time.
O jogo havia começado e Regina teve que desencostar de Emma, já que a loira parecia um milho de pipoca em panela quente.
Regina achava graça do fanatismo de Emma e Zelena. Ambas xingavam, gritavam, pulavam e quando havia saído o gol do Flamengo, Regina ficou arrepiada. Todo o Maracanã gritou junto e começaram a cantar músicas do time. A morena teve que concordar que era um lindo espetáculo. O sorriso de Emma não poderia ser maior e Regina ficava feliz por isso. Claro, tirando as parte que Emma pulava e mandava Regina pular junto, sim, foi tudo certo.
O jogo havia terminado e o placar do primeiro tempo permaneceu. Flamengo ganhou de 1x0. Regina nunca havia visto Zelena feliz daquele jeito e ela também estava assim. Aquele clima realmente era contagiante.
Na volta pra casa foi o triplo pior do que na ida. O trem e o metrô mais lotado ainda, mas dessa vez Regina não se importou. Em certo ponto, ambas se despediram de Zelena.
– Vamos parar pra comer algo? Eu to morrendo de fome. — Emma pediu.
– Por que a gente não vai lá pra casa, você chama seu pai e a gente pede uma pizza? O que acha?
– Vamos lá então.
Já era noite quando elas chegaram à casa de Regina.
– Eu vou lá chamar meu pai e já volto. — Emma falou.
– Ta bem. Enquanto isso eu vou pedir a pizza.
Emma concordou e se virou indo em direção a sua casa, mas de repente chamou Regina.
– Não esquece da...
– Borda recheada. Pode deixar.
Emma riu e foi em direção a sua casa.
Assim que abriu a porta chamou pelo pai, mas o mesmo não respondeu. Emma começou a ficar preocupada, mas ao chegar à cozinha, encontrou um bilhete na geladeira.
" Filha, fui jantar fora. Fique tranquila que chego em casa antes da meia noite. Qualquer coisa estou no celular. Beijos, papai. "
Emma ficou encucada... Com quem ele havia ido jantar? Decidiu só mandar uma mensagem avisando que já havia chegado e estaria na casa de Regina. Instantes depois recebeu uma mensagem de volta do pai, com vários corações e uma bonequinha apaixonada. Emma havia achado graça. Como seu pai conseguia ser assim? Tão liberal? Decidiu não pensar muito, então pegou um vinho da coleção da mãe e levou pra casa de Regina.
Emma bateu na porta e logo a morena veio abrir a porta.
– Cadê Henry? Normalmente é sempre ele que vem atender. — Emma perguntou.
– O pai chegou de viagem mais cedo e veio busca-lo. E seu pai?
– Parece que foi jantar fora. — Emma foi entrando na casa.
– Hummm, jantar? Será uma namorada?
– Se for, eu tenho que aprovar primeiro.
Regina riu da forma que Emma falou.
– Ei, pra que esse vinho? – Regina estava sentada na cadeira da cozinha enquanto Emma abria o vinho.
– Sério que você não sabe pra que serve o vinho? – Quando Emma se virou para olhar pra Regina, viu um pedaço de alguma coisa voando em sua direção e acertando seu rosto. — Ai Regina, você é sempre agressiva assim? – Emma perguntou passando a mão no rosto e fazendo careta, enquanto Regina gargalhava.
– Sim, é melhor se acostumar.
As duas já estavam na sala assistindo TV e comendo a pizza. A garrafa de vinho estava menos que a metade e Emma um pouquinho alegre demais.
– Acho que chega de vinho pra você. – Regina falou notando os olhos de Emma meio avermelhados.
– Ah Regina, qual é. Você acha que eu to bêbada?
– Bêbada não, mas ta quase lá.
– Ta bom. Mas me responde uma coisa antes.
– Humm, lá vem.
– Me deixa falar.
– Ok, fala. – Regina já estava se divertindo com a situação.
– Para de rir de mim. – Emma falou e os olhos estavam cada vez melhores.
– Eu não estou rindo de você. Estou rindo com você. – Regina sorria mais leve. Também estava sob o efeito do álcool, mas nada comparado a Emma.
– Aham, sei. Vai me deixar perguntar ou não?
– Pode falar.
– Você já ficou com mulheres?
– Antes de responder, devo supor que você já estava querendo me perguntar isso antes, mas não tinha coragem. Certo?
– Certo. Fiquei com coragem agora. Vai, responde. Você está me enrolando. – A voz da loira já estava arrastada.
– Sim, já fiquei, mas nada sexual. Só uns beijos na faculdade. Por que?
– Por nada. – Emma ficou reta e começou a assistir televisão.
Regina estranhou.
– Como assim, por nada? Você não me perguntou isso à toa.
– Tudo bem. – Emma se virou pra ela novamente. – É que eu queria saber se você ficaria comigo.
Nesse momento Regina se engasgou com o vinho e Emma começou a rir adoidada.
– Eu acho que não entendi. – Regina perguntou tentando entender se era aquilo mesmo que havia escutado.
– Não é exatamente nesse contexto. Eu quero saber se você ficaria com uma mulher assim, como eu. Loira, alta, linda... – Emma falava e gargalhava, então Regina decidiu por um fim a essa conversa, se não iria longe demais.
– Ta ok, Emma. Acho que por hoje já deu.
– Ah Regina, me responde.
– Swan, seu pai está te esperando. – A morena levantou e começou a pegar as coisas que estavam no chão.
– Você ta me expulsando? – Emma se levantou e perguntou.
– Claro que não, mas não se esqueça de que amanha você tem que ir à faculdade acertar as coisas.
– Putz, é mesmo. – Emma deu um tapa na própria cabeça. – Muito obrigada por cuidar de mim, Anjo. Até amanhã.
Emma andou cambaleando até Regina, segurou o rosto dela entre as mãos e lhe deu um selinho. – Tchau meu Anjo.
A loira saiu de lá e Regina continuo na mesma posição. Imóvel.
– Eu acho que esse vinho está batizado ou eu entrei num mundo mágico. – Regina falou sorrindo. Deixou as coisas na cozinha mesmo e seguiu para seu quarto.
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