Casos e Acasos

6 Casos e Acasos - Capítulo 6


Notas iniciais
Olha eu de volta. Gente, eu to me divertindo TANTO com os comentários de vocês. Sério, vocês não tem noção. Eu fico aqui rindo sozinha, porque vocês são MUITO TOPs! Muito mesmo e eu agradeço demais a todos(as) vocês. Então, eu acabei me esquecendo de colocar a música que queria lá no capítulo passado, então vou colocar aqui hoje. Ouçam só se quiserem, não é nada necessário. Apenas um incremento no capítulo. Então, eu peço pra que vocês prestem bastante atenção na conversa de Emma com o médico, porque por mais que isso seja apenas uma história, eu gostaria de compartilhar coisas da vida real com vocês. Conselhos. Fatos. A verdade por trás das histórias. Me sinto na obrigação, então, é meio que um recado pra vocês também, ok? Ta bom, aqui vem a música: https://www.youtube.com/watch?v=qHm9MG9xw1o Então, não sei quando irei voltar. Talvez no fim de semana, talvez só na terça. Não vou prometer, porque vai depender muito do meu tempo, beleza? Ok, já falei muito. Muitos beijos e vão lá me dar dicas, opiniões e etc...

E na hora que ouviu isso, o corpo de Regina gelou. O medo de ter acontecido algo grave com Emma fez com que seu coração apertasse de tal forma, que nem Regina sabia explicar o que estava sentindo.

– Mas como assim hospital? Como você conseguiu meu número? Olha, eu vou logo avisando que se isso for trote...

Regina não conseguiu terminar de falar, porque o rapaz do outro lado da linha interveio.

– Senhora, aqui é o Sargento Garcia, do corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Isso não é um trote. O ônibus em que a Senhorita Swan estava foi atingido por um caminhão e ela ficou presa nas ferragens do ônibus. Fomos ver se tinha alguma identificação e quando olhamos o celular, ela estava discando seu número. Creio que ela tentava te ligar.·.

Regina ficou por um tempo em silêncio.

– Senhora, ainda está aí?

– Sim, estou. Como ela está? É grave?

– Nós ainda não sabemos o estado em que ela se encontra.

– Me passe o endereço do hospital.

Assim o rapaz fez. Regina correu em casa, ligou para Adriana novamente e assim que a mulher chegou, Regina pegou o carro e foi em direção ao hospital.

– Por favor, você pode me dar alguma informação sobre o estado de Emma Swan?

Regina estava no balcão, falando com uma enfermeira.

– Senhora, me desculpe, agora eu não posso te ajudar.

– Olha só querida, você vai me dizer exatamente o que eu quero saber, porque se não as coisas vão ficar muito feias pro seu lado.

Regina estava com as duas mãos apoiadas no balcão e inclinada pra frente, fuzilando a enfermeira com os olhos.

– Só um minuto que eu vou checar aqui.

A enfermeira engoliu seco e começou a mexer no computador.

– Aqui. Emma Swan. Ela está em cirurgia agora.

– Mas o que aconteceu?

Regina já estava fora do controle.

– Por favor se acalme. Assim que acabar a cirurgia, o doutor virá dar mais informações.

Regina bufou e saiu dali. Os minutos pareciam longos anos. Regina ligou pra Zelena. Um tempo depois a ruiva chegou, mas estava mais calma que Regina. Zelena decidiu por não falar nada por Ruby por enquanto. Pelo menos até o médico informa-las sobre o estado de Emma.

– Regina, se acalma. Você vai acabar fazendo um buraco no chão, de tanto vai e volta. Senta.

– Não da Zelena. Ela já está em cirurgia a muito tempo e isso nunca é bom bom sinal. Se ela estivesse bem, o médico já estaria aqui, mas não, ele ainda está la dentro. Pensa comigo...

Regina continuou a falar sem parar, até Zelena levantar e abraça-la. Só aí Regina parou de falar e aceitou o abraço de Zelena.

As duas já estavam sentadas e mais um tempo depois, o médico veio em direção as duas mulheres.

– Vocês são familiares de Emma Swan?

– Somos amigas, Doutor. Por favor, me diz como ela está.

– Bom, a senhorita Swan chegou aqui em estado grave. Ela teve uma ruptura no baço devido o impacto, resultando em uma grande hemorragia. Nós tivemos que fazer algumas radiografias no abdômen para determinar o que de fato aconteceu, mas nós conseguimos fechar a ruptura e a senhorita Swan passa bem. O estado dela estava mais crítico, mas agora está fora de perigo.

Regina e Zelena respiraram aliviadas.

– Mas e agora? Ela terá que ficar aqui por muito tempo? — Perguntou Zelena.

– Ela terá que ficar por mais 2 dias, para nós observarmos de perto e se tudo ocorrer bem, ela terá alta.

– Nós já podemos vê-la? — Regina estava ansiosa e não disfarçou nem um pouco a ansiedade por ver Emma.

– Hoje não. A paciente passou por uma madrugada estressante e ela ainda está sob efeito da anestesia. Eu recomendo que vocês vão pra casa, descansem e voltem na parte da tarde.

– Tudo bem, Doutor. Eu nem sei como agradecer. — Foi a vez de Zelena falar.

– É apenas o meu trabalho. Com licença.

O Doutor foi em direção a outros familiares e acompanhantes, mas alguns não tiveram a mesma sorte que Emma. Alguns familiares choravam e gritavam, provavelmente chorando a perda de seus entes. Regina e Zelena olhavam para eles comovidas.

– Então vamos, Regina?

– Eu não sei. E se ela acordar? E se precisar de alguém aqui. É melhor eu ficar.

– Regina, a Emma só vai acordar amanhã e eles tem o nosso telefone. Qualquer coisa eles irão ligar. Vem, vamos.

Zelena conseguiu convencer Regina a sair dalí e as duas foram em direção a saída do hospital.

– Eu vou ligar pra Ruby, ela não para de me ligar.

Ambas já estavam de frente a seus respectivos carros.

– Ok. — Regina assentiu e baixou a cabeça.

– Ei. — Zelena se aproximou e levantou o queixo dela. — Ela está bem.

– Eu sei, é que... Não sei. Tive medo do pior.

– Regina posso te fazer uma pergunta e você promete não ficar chateada?

– Iiih, quando começa assim, coisa boa não é. Vai, pergunta.

– O que você sente pela Emma?

Com certeza Regina não esperava por essa.

– Como assim o que eu sinto pela Emma? Quer pergunta é essa Zelena?

Regina estava visivelmente nervosa, fazendo Zelena rir.

– Regina, toda vez que o assunto é Emma você muda. Seus olhos, seu sorriso, até sua postura muda.

– Ainda não entendi aonde você quer chegar. Acho que deve ser o cansaço mexendo com seus neurônios.

– Aham, não entendeu né? Tudo bem. Quando você estiver pronta, você vai me contar.

Regina apenas revirou os olhos e entrou no carro.

– Tchau, Ze.

– Até amanhã Regina. — Zelena falou rindo do jeito que Regina ficou.

E assim as duas foram para suas casas. Regina mais confusa ainda e Zelena ouvindo "esporro" da Ruby, por não ter ligado antes.

Assim que chegou em casa, Regina se jogou no sofá. Seu corpo estava pesado demais para subir as escadas e ir até seu quarto, então decidiu por ficar ali mesmo.

O que está acontecendo comigo?Regina pensou alto.

Conhecia Emma a pouco mais de 1 mês e descobrira alguns sentimentos por ela, que nem Regina sabia que existia.

– Não, claro que não é isso. Emma é só uma menina. Tem 18 anos. Eu tenho 30.

Regina continuava deitava no sofá, mas falando sozinha.

– E desde quando eu sinto isso por mulheres? Ah Regina, pelo amor de Deus. Você está imaginando coisas. Vamos pensar. Quando se está apaixonado você fica:

Com frio na barriga. Bom, quando eu estou perto dela eu fico com frio na barriga. Ok, coincidência.

Regina usava os dedos das mãos para sua ‘’contagem’’ e continuava a falar como se estivesse conversando com alguém. Bom, sua consciência naquele momento era sua maior companhia.

Você quer sempre estar perto da pessoa. Tudo bem, isso confere também, mas Emma é muito legal e todo mundo quer ficar perto dela. Outra coincidência.

Pensar na pessoa todo o tempo. Não, isso, aaah, desisto.

Regina esbravejou e se levantou.

– A quem eu estou querendo enganar?

Regina olhou para o relógio e marcava 04:30 AM. Decidiu por tomar um banho e então, ir se deitar.

Depois do banho Regina passou no quarto de Henry, deu-lhe um beijo e saiu, indo em direção ao seu quarto para finalmente tentar dormir.

Zelena foi o caminho todo pra casa falando com Ruby.

– Mas você já sabe quando ela sai? Se é muito grave? Ela corre risco? — Ruby fazia uma pergunta atras da outra.

– Ruby, eu já falei que ela está fora de perigo. — Zelena falava de forma branda, tentando acalmar Ruby.

– Ai Zelena, o que você fez foi errado. Você não podia me deixar sem notícias.

– Ok me desculpa, mas não adiantaria nada eu te ligar. Eu e Regina estávamos lá.

– É claro que Regina estaria. Não sei por que não se assumem logo.

– Ruby, do que você está falando?

– Ah, vai falar que você não reparou na troca de olhares? Nos sorrisos involuntários?

Zelena sorriu. Então quer dizer que Ruby também havia reparado?

– Bom, eu nunca reparei não. Mas enfim, agora eu tenho que desligar. Amanhã eu do um pulo no hospital pra ver Emma.

Zelena achou melhor se fingir de desentendida, afinal, não seria nada legal essa notícia se espalhar por aí.

Encerraram a ligação e Zelena finalmente chegou em casa. Claro que antes ligou pra Mary, que ficou muito preocupada e disse que também iria ao hospital na parte da tarde.

No dia seguinte, Emma acordou meio desnorteada. Uma dor atingiu em cheio seu abdômen, fazendo a loira se assustar. Ela olhou para os lados e assim que viu uma enfermeira entrar, percebeu que estava num quarto de hospital.

– Bom dia, senhorita Swan.

– Bom dia. Por eu estou no hospital? O que aconteceu?

Emma perguntava para a enfermeira.

– Aguarde só mais um pouco que o doutor já vai lhe explicar tudo. Eu vim aplicar seu remédio. Você deve estar com dor, né?

– Sim. Muita.

A enfermeira deu o remédio a Emma e saiu da sala. Algum tempo depois o médico chegou.

– Bom dia, Emma. Eu me chamo Gustavo.

– Bom dia. O senhor vai me explicar o que eu tenho?

– Sim. Bom, você sofreu um acidente grave ontem. O ônibus em que você estava colidiu com um caminhão. Você não se lembra?

Ao mesmo tempo que falava, o médico examinava Emma. Olhava os olhos, exames de reflexos. Coisas de praxe.

– Eu me lembro de pouca coisa. Só de estar dentro do ônibus. Depois eu apaguei e quando acordei, tentei ligar pra alguém, mas apaguei novamente. Foi tão grave assim?

– Sim. Infelizmente houve vários óbitos. Você chegou com um rompimento no baço e te levamos para a cirurgia. Felizmente conseguimos conter a hemorragia e fechar o ferimento.

O médico explicou tudo para Emma. Todo o processo de recuperação. O repouso teria que ser absoluto... entre outros cuidados.

– Você quer que eu ligue pra alguém? Seus pais?

O médico perguntou e Emma se sentiu mal.

– Minha mãe morreu e meu pai eu não sei onde está a quase dois meses. Então não, não tem pra quem ligar.

Emma já estava cheia de todo mundo perguntar sobre seus pais. Toda vez que isso acontecia, ela era arremetida a todas as lembranças dolorosas que vem tentando esquecer.

– Me desculpe, eu não sabia.

Emma suspirou.

– Não, eu que peço desculpa. Você só está tentando me ajudar e não tem nada haver com meus problemas.

A loira falou e fechou os olhos, respirando fundo.

– Emma, eu sei que não ajuda muito, mas eu sei bem o que você está passando.

– Ah doutor, me desculpa, mas não sabe não. Eu só tenho 18 anos e já passei por coisas que gente de 50 nem sonha em passar.

– Olha. — O médico se sentou na cama. — Eu sei sim.

Ele esperou Emma olhou pra ele e continuou.

– Quando eu tinha 14 anos, meu pai matou minha mãe na minha frente. Sabe o motivo? — Emma engoliu seco e negou com a cabeça. — Porque ela tinha aceitado carona do nosso vizinho. Alguém viu e falou pro meu pai que ela saiu do carro de outro homem porque tinha um amante.

Emma olhava pra ele atenta e nem havia percebido que tinha prendido a respiração.

– Ele chegou em casa e bateu nela. Depois a jogou contra a parede. Ela caiu e bateu a cabeça na mesa. Teve traumatismo craniano.

O médico olhava no fundo dos olhos de Emma.

– Eu não sabia o que fazer e tentei ajuda-la, mas não consegui. Então liguei pra ambulância e vieram buscar ela, mas ela já estava morta. Você sabe por que eu estou te contando isso?

Emma mais uma vez negou com a cabeça. A loira não falava nada. Não se atreveria a interromper.

– Eu quis ajuda-la e não consegui, então a partir daquele dia eu prometi pra mim mesmo que ajudaria outras pessoas. Perdi minha adolescência estudando e me formei em Medicina. Ontem você chegou em estado grave e sabe quantos médicos cirurgiões estavam de plantão?

Emma mais uma vez negou com a cabeça.

– Só um. Eu. Agora eu te pergunto. Se tudo isso não tivesse acontecido comigo, você acha que eu estaria aqui ontem para operar você? Não, Emma, não estaria. Poderia ter outro em meu lugar? Sim, mas será que ele seria capaz de salvar sua vida? Não sabemos, correto?

Emma assentiu.

– O que eu estou tentado te dizer, é que se lamentar não vai ajudar. Não vai curar. Pra tudo se tem um jeito. Sabe o que nós não podemos dar jeito? Curar? Voltar? Na minha mãe. Na sua mãe. Já que isso não vai acontecer, nós temos que seguir em frente. Ter a coragem para se jogar nesse mundo tão louco em que o ser humano não tem o senso do que é ser humano. Nós não estamos numa competição de problemas em que o meu é pior que o seu. Em que minha dor é maior que a sua. Nós temos nossas batalhas e só nós sabemos o quão difícil é pra nós encarar ela de frente. Então Emma, eu te digo: Siga sua vida. Levante cabeça. Vai ser fácil? Nem um pouco. Mas lá na frente você vai ver que o que aconteceu ontem, hoje... Vai te servir pra alguma coisa. Quem sabe você não salve uma vida?

O médico falou e Emma sorriu.

– Me desculpe. Eu não fazia ideia.

– Não se preocupe. Bom, daqui a pouco você receberá visitas.

– Que visitas?

O médico olhou no formulário e falou:

– Olha, hoje você vai receber muita gente.

O médico sorriu e se encaminhou para a porta, mas Emma o chamou.

– E o seu pai?

O médico deu um sorriso de lado e respondeu:

– 12 anos depois do ocorrido, ele deu entrada no hospital por conta de um acidente. Como só estava eu naquela noite, eu o operei e ele ficou bem. Eu estou indo no quarto dele agora ver como ele está.

O médico sorriu e saiu da sala, deixando Emma completamente pasma, porém não permaneceu assim por muito tempo, pois assim que a porta abriu, Emma deu de cara com um dos sorrisos mais lindos que já havia conhecido. O sorriso de Regina.

Notas finais
O que eu quis dizer lá em cima, sobre a conversa da Emma com o médico, é que apesar de tudo, levante sua cabeça e continue caminhando, porque pra tudo se tem um jeito nessa vida, menos pra morte. Se vocês fizeram algo que não deu certo, tentem melhorar na próxima. Deem o máximo de si. Amem mais. Perdoem mais, porque tudo é passageiro nessa vida, minha gente. Enfim, espero que vocês tenham compreendido o que eu quis dizer. Espero vocês nos comentários.