Casos e Acasos
7 Casos e Acasos - Capítulo 7
Notas iniciais
– Ei. — Regina falou entrando no quarto. Havia sido informada que Emma estava com o Doutor e esperou por ele sair, para poder entrar no quarto.
– Oi. — Emma sorriu.
Regina se aproximou da cama e ficou de pé ao lado de Emma.
– Que susto você nos deu, hein. Está se sentindo bem?
– Só com um pouco de dor. Eu me lembro de pouca coisa. Só do impacto e depois de tentar ligar pra alguém.
Regina ficou feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por saber que Emma ligaria pra ela, mas triste pela loira não se lembrar.
– Não há nada naquela noite que mereça ser lembrado. Enfim, Henry queria vir te ver.
– Sério? Cadê ele?
– Preferi por mandar ele pra escola, afinal, eu não sabia seu estado.
– Fez bem. Então, em dois dias eu posso sair daqui. Isso significa que estarei recuperada até o dia do jogo.
Emma fez uma cara de sapeca.
– Emma, eu não acredito que você ainda está pensando nesse jogo.
– Regina, por favor. Você não vai negar um pedido pra alguém nunca cama de hospital, né?
Emma tinha que lutar com as armas que tinha e não, não se importava em usar seu estado como desculpa.
– Ah Emma, isso é golpe baixo.
Quando Regina estava falando, Zelena apareceu na porta e entrou no quarto.
– Hey loira, como você está?
Zelena se aproximou e deu um beijo na bochecha de Emma.
– Bem, mas eu só irei ficar melhor quando Regina aceitar meu convite de ir ao Maracanã.
– Quando? No dia do jogo Flamengo e Internacional?
– Sim. Eu já comprei os ingressos, mas ela não quer aceitar. Me ajuda a convencer ela, Ze.
– Mentira que você tem ingressos. Eu também comprei o meu.
Zelena também era torcedora fanática do Flamengo e sempre que podia, ia ao Maracanã.
– Sério? Então vamos todas.
Emma e Zelena ficaram muito animadas e Regina prestava atenção na interação delas falando sobre o time. Realmente era uma coisa muito importante pra elas.
– Regina, você precisa ir. Ou melhor, você vai.
Agora era a vez de Zelena insistir.
– Eu estou perdida com vocês duas.
As três ficaram conversando por mais um tempo, até que tiveram que sair para Mary e Ruby entrarem. Regina falou que voltaria no dia seguinte para levar Emma pra casa.
E assim passou o dia de todos. Sem grandes novidades.
No dia seguinte, Regina apareceu bem cedo no hospital, mas dessa vez, acompanhada por Henry.
– Oi Emma. Como você está? — Henry chegou ao lado da cama que Emma ainda estava e perguntou.
– Eae, garoto. Eu estou bem, e você?
– Estou bem. Minha mãe falou que você vai ficar la em casa, aí a gente pode jogar video-game.
– O que? Eu não vou ficar na sua casa.
Emma fez uma cara confusa.
– Mas é claro que vai. — Dessa vez foi Regina que falou, entrando no quarto.
– Mas é claro que não. Eu posso me virar sozinha.
– Emma, isso não é negociável. Ou melhor, é sim. Ou você fica lá e eu vou ao Maracanã com você e Zelena, ou você fica em casa sozinha e vai ao Maracanã sozinha.
Emma fez uma cara de cachorro de padaria.
– O que? Não. Não acredito que você está fazendo chantagem.
– Bom, é pegar ou largar.
Emma bufou e cruzou os braços. Odiava depender dos outros.
– Tudo bem.
Regina deu um sorrisinho vitorioso.
Elas aguardaram o médico passar para dar a alta, mas antes teve que ouvir todas as recomendações e antes de ir no tal jogo, ela teria que voltar ao hospital.
Elas andaram até o carro. Emma dispensou a cadeira de rodas, porque já se dizia bem para ir andando.
Regina entrou do lado do motorista, Emma no bando do carona e Henry no banco de trás.
– Emma, desmancha esse bico. – Regina falou dando partida no carro.
– Eu não estou fazendo bico. Eu só não gosto de depender de ninguém. Sempre acho que estou dando trabalho.
– Emma, você não vai ficar lá em casa para eu ficar te dando comida na boca. Você vai ficar lá, porque acabou de passar por uma cirurgia e começou a tomar os remédios agora. Você ouviu o que o médico disse. Vai comer como, se não pode fazer muito esforço? Vai passar uma semana comendo pizza? E se os remédios te derem alguma reação?
Emma respirou fundo e descruzou os braços.
– Eu sei que estou sendo infantil. Desculpa. Ultimamente eu tenho sido um porre.
Regina parou no sinal e olhou pra Emma.
– Eu só estou tentando te ajudar.
– Eu sei. Depois do choque de realidade do médico, eu to começando a pensar diferente.
– Choque de realidade? O que ele disse?
– O que eu precisava ouvir.
Emma virou o corpo com uma certa dificuldade e encostou o rosto na janela. Assim que o sinal abriu, Regina deu partida no carro e seguiu em direção a sua casa.
Assim que chegaram, Henry correu pra casa e Regina deu a volta pra ajudar Emma.
– Deixa só eu ir lá em casa buscar algumas roupas. – Emma falou.
– Quer ajuda? – Regina preferiu perguntar. Sabia que Emma precisava de ajuda, mas também saia que Emma era orgulhosa.
Emma olhou pra ela e deu um meio sorriso.
– Quero.
Emma sabia que Regina estava fazendo de tudo para ajuda-la e admirou isso.
Regina acenou com a cabeça e passou o braço de Emma pelo seu pescoço. Foram andando devagar até a casa da loira. Assim que chegaram a porta, Emma pegou a chave no bolso e abriu a porta.
Regina nunca havia entrado na casa da loira e admirou tudo assim que entrou.
– Eu não acho legal você subir escada. Me fala onde fica seu quarto, que eu pego algumas coisas pra você.
Emma acenou com a cabeça e indicou o quarto pra Regina. A loira sentou no sofá e a morena subiu as escadas.
Assim que entrou no quarto de Emma, Regina sorriu. Emma tinha alguns pôsteres de bandas. A cama bem arrumada. Tudo muito bem arrumado. Regina foi em direção ao guarda-roupa e foi tirando algumas roupas.
Depois de pegar tudo, a morena se virou e viu alguns porta retratos em cima de uma cômoda. Um tinha a foto de Emma abraçada com sua mãe. Outra do pai e Emma beijando a barriga já grande da mãe de Emma, por conta da gravidez. Regina admirou as fotos por algum tempo. Eram uma família muito bonita e feliz. Nesse momento o coração de Regina apertou. Nem imaginava o que Emma estava sentindo com tudo que estava acontecendo.
Assim que desceu as escadas, Regina viu Emma sentada no sofá e olhando pra cima.
– Aqui, vê se está bom.
– Confio em você. — Emma falou e sorriu. — Me ajuda aqui.
Emma estendeu a mão para Regina ajuda-la a levantar. Feito isso, Emma parou de frente a Regina e olhou bem no fundo dos olhos dela.
– Eu não sei por onde começar a agradecer. — Regina abriu a boca pra falar algo, mas Emma a interrompeu. — Me deixa continuar.
Regina assentiu com a cabeça.
– Nos últimos meses minha vida virou do avesso e eu não sabia se ainda teria forças pra continuar. Eu me vi perdida. Apesar de tantos amigos, eu me vi sozinha. Recebi todo o apoio e amor deles, mas não me sentia completa, sabe? Eu me vi fora do prumo. Fora dos trilhos, como se nada mais daria certo e eu pedi a Deus uma luz. Achei que ele não estivesse escutado, mas daí você apareceu.
Emma sorriu e Regina também.
– Eu não acredito em destino, mas você ter aparecido no pior momento da minha vida, me faz refletir sobre isso. Graças a você, Regina, eu pude sentir a minha força voltando e eu serei eternamente grata a você por isso.
Regina se aproximou mais e abraçou Emma. Não foi um abraço malicioso ou com qualquer tipo de segundas intenções. Foi um abraço de agradecimento e cumplicidade.
– Saiba que eu sempre estarei aqui por você e pra você.
Regina falou e ambas saíram de lá em direção a casa da morena.
Emma foi acomodada no quarto de hóspedes, ao lado do quarto de Henry.
– Henry, vai tomar banho que daqui a pouco eu vou servir o almoço.
O garoto assentiu e subiu. Regina foi até o quarto que Emma estava para ver se ela precisava de algo, mas a loira já estava dormindo. O remédio já estava fazendo efeito. Regina então saiu e foi terminar o almoço.
A tarde passou sem mais novidades e Zelena, Ruby e Mary ficaram de passar na casa no dia seguinte para visitar Emma.
Quando já estava no fim de noite, Regina pôs Henry na cama e assim que estava saindo do quarto, ouviu Emma resmungar de alguma coisa. Seguiu então para o quarto da loira para ver se precisava de ajuda.
Emma estava sentada na cama só de sutiã e estava tentando tirar a roupa para tomar banho.
– Emma, posso entrar?
Regina bateu no quarto e Emma respondeu que sim.
– Está precisando de algo?
A loira não respondeu. Emma estava sentada de costas pra Regina e estava com a cabeça baixa.
– Emma, tudo bem?
Regina se aproximou e sentou ao lado de Emma.
– Eu não consigo tirar minha roupa
Emma tinha certa dificuldade porque o local da cirurgia ainda doía. Regina sabia que estava sendo difícil pra Emma assumir isso. Sempre fora acostumada a fazer tudo sozinha e depender da ajuda de alguém para tirar a própria roupa, era difícil.
Regina agachou de frente a Emma, levantou o queixo dela e sorriu. Desabotoou o short de Emma com calma.
– Se apoie nos meus ombros.
Emma se apoiou nos ombros da morena e se levantou.
Regina desceu o short de Emma com calma. Não pode deixar de admirar o corpo esbelto que Emma tinha. Pegou uma perna de Emma e a levantou, para tirar uma parte do short e fez a mesma coisa com a outra.
A loira estava ali, somente de calcinha e sutiã. Tinha um curativo no local da cirurgia. Regina tirou o curativo com calma, delicadeza e ficou totalmente de pé.
Emma olhava fixamente para a parede. Estava constrangida e com raiva de si mesma por não conseguir tirar a própria roupa.
– Se vire.
Emma obedeceu e as mãos de Regina foram em direção ao feixe do sutiã branco que a loira usava. Ela o tirou e Emma continuou de costas pra ela. Regina sabia que ela estava constrangida e fez o possível para amenizar a situação constrangedora.
Pegou um lençol que estava na cama e o enrolou levemente no corpo de Emma e fez com que a loira se virasse pra ela novamente. Regina se abaixou novamente e levantou um pouco o lençol, fazendo com que suas mãos fossem para a parte lateral da calcinha de Emma, a descendo.
Emma estava com o corpo coberto pelo lençol e agradeceu mentalmente Regina por ter feito aquilo.
– Eu vou encher a banheira e você tome um banho com calma. Assim que acabar, me chame. Eu estarei aqui.
Regina foi lá e fez exatamente o que falou. Colocou tudo que Emma precisava para o banho ao lado da banheira. Emma não estava totalmente impossibilitada, mas fazer grandes esforços estava fora de cogitação. Guiou Emma até a banheira e ajudou a loira entrar.
– Eu vou molhar o lençol. – Emma falou constrangida, antes de abaixar e sentar na banheira.
– Não se preocupe. – Regina falou despreocupando Emma e foi em direção a porta, mas Emma a chamou.
– Obrigada.
Regina apenas assentiu com a cabeça, saiu do quarto e sentou na cama, esperando Emma a chamar no final do banho.
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