Casos e Acasos

2 Casos e Acasos - Capítulo 2


Notas iniciais
Oi gente, estou de volta. Então, ainda não tive tempo para responder os comentários, mas li e amei. Assim que tiver um tempinho, eu venho e respondo. Muito obrigada e espero que gostem desse capítulo. Beijos

– Nossa, eu adorei. – Falou Mary.

– Eu também. Só temos que ajeitar algumas coisas, mas podemos levar a ideia adiante. – Zelena argumentou. – E você Regina? O que achou?

– Perfeito. – A morena só conseguia sorrir.

– De quem foi à ideia? – Perguntou Zelena.

– De todos nós. – Falou Emma.

– Na verdade – Killian tomou a frente – A ideia foi da Emma. Nós apenas apoiamos.

Regina não sabia o porquê, mas passou a admirar Emma. Quando escutou que a ideia fora de Emma, seu sorriso só se alargou.

– Gente, está na minha hora. – Zelena falou se levantando. — Tenho um compromisso e não posso adiar.

– Pode me dar uma carona? – Perguntou Mary.

– Claro, vamos lá. Grupo, pode continuar conversando sobre o projeto com a Regina. Podem, né? – Rebecca olhou para a morena.

– Claro que sim. Gostaria de ouvir mais sobre.

– Então beijos.

Zelena saiu da sala junto com Mary.

– Emma, nós também temos que ir. Você sabe como é o trânsito há essa hora. – Falou Ruby.

Neal, Killian e Ruby pegavam o mesmo ônibus para ir pra casa, portanto, iriam juntos.

– Claro, nos falamos depois. – A loira respondeu.

Os três cumprimentaram Regina e saíram da sala.

– Acho que só sobramos nós. – Regina falou.

– Sim. – Emma sorriu timidamente.

– Você gostaria de continuar falando ou prefere deixar pra outro dia?

– Não, por mim podemos continuar. Se você tiver que sair, tudo bem.

– Por mim também, mas podemos ir a uma cafeteria e continuarmos lá, né? Meu corpo clama por um café. – Regina falou.

– Cuidado com os desejos, hein. Hoje meu corpo também clamava por café e olha no que deu.

Regina achou que Emma estava chateada e quando ia se desculpar novamente, Emma tomou a frente novamente.

– Ei, é brincadeira tá? – A loira falou sorrindo.

– Ufa. – Regina suspirou. – Vamos lá.

As duas caminharam até uma cafeteria perto da faculdade. Emma a levou onde sempre comprava seu café de todas as tardes.

Elas fizeram seus pedidos e se sentaram.

– Então Emma, me conte mais sobre essas ideias.

Minutos depois o café de ambas chegou e elas ficaram ali conversando por mais algum tempo sobre o projeto até Regina se dar conta da hora.

– Nossa, já passa das 22:00hs.

– Já prevejo o ônibus lotado. – Emma falou meio exausta.

– Seus pais devem estar preocupados. – Regina falou.

– Uhum. – Emma resmungou com certa indifença.

Regina ergueu uma sobrancelha. – Falei algo de errado?

– Não, não. Vamos embora.

Emma tomou a frente e foi direto ao caixa, mas Regina a impediu de pagar.

– Lembra que eu derrubei seu café? Nada mais justo que eu pagar um agora.

Emma apenas sorriu de lado.

– Você vai pegar o ônibus aqui? – Regina perguntou a Emma.

– Eu vou te acompanhar de volta a faculdade.

– Não, não precisa. Você vai se atrasar.

– Regina, eu não vou te deixar voltar sozinha há essa hora. Vamos. – Emma a chamou e Regina achou fofo esse tratamento da loira com ela.

As duas caminharam de volta e durante o trajeto, Emma permaneceu calada. Regina percebeu que a loira ficou retraída desde que a morena citou os pais dela.

Assim que chegaram, Regina falou:

– Emma, me desculpe se eu falei o que não devia.

– Não entendi.

– Eu sei que você ficou chateada sobre o que eu falei lá na cafeteria.

Emma suspirou.

– Você não falou nada de errado, fique tranquila.

– Tem certeza?

– Sim. Está tudo bem. – Emma tentou sorrir.

– Onde você mora?

– Á uns 40 minutos daqui. Por que?

– Porque eu vou te levar em casa. – Regina falou indo em direção ao carro.

– Não Regina, não precisa. Eu não quero incomodar.

– Emma, eu não vou te sequestrar e outra, você já viu a hora? Tem certeza que prefere ir de ônibus? – A morena perguntou erguendo uma sobrancelha.

– Okok. Vamos. – A loira se deu por vencida e entrou no carro.

No caminho o silêncio se formou, mas um silêncio confortável. Depois de 30 minutos, Emma se pronunciou.

– Não importa a hora, o trânsito já é parte dessa cidade.

– Nem me fala. Você já foi a São Paulo? Também é caótico.

Depois de algumas palavras o silêncio se formou novamente, mas Emma o quebrou novamente.

– Pode me deixar aqui. Eu moro ali naquela esquina.

– Sério? Então somos quase vizinhas. Moro na rua atrás.

Elas sorriram.

– Bom, obrigada pela carona. – Emma falou.

– Por nada e mais uma vez, desculpa pelo café.

– Não se preocupe. Boa noite, Regina.

– Boa noite, Emma.

A loira saiu do carro e Regina foi em direção a sua casa.

Assim que Regina abriu a porta de casa, chamou pelo filho.

– Henry, cheguei. – Regina falou fechando a porta atrás de si.

– Poxa mãe, demorou. – Henry falou descendo as escadas.

– Desculpa meu bebê. – A morena falou indo de encontro ao filho e o abraçando.

– Mãe, já disse pra não me chamar assim. Eu já tenho 10 anos. Sou um homem.

– Desculpa então, meu homem. – Regina enfatizou a palavra. – Já jantou?

– Sim. Adriana preparou o jantar, mas já está lá em cima roncando e de boca aberta ainda. – Henry falou fazendo uma cara de nojo.

Adriana era a mulher que ficava tomando conta de Henry para Regina ir trabalhar. Era super competente, mas tinha a terrível mania de cair no sono enquanto esperava Regina chegar em casa. E o pior de tudo, era que a mulher roncava e ainda se babava toda.

– Essa Adriana não tem jeito. – Regina falou sorrindo. — Já escovou os dentes?

– Sim.

– E os deveres de casa?

– Tudo pronto.

– Esse é meu garoto. Ops, meu homem.

Os dois subiram sorrindo.

No momento que pisou em casa, Emma teve uma surpresa.

– Ora, ora, ora, a margarida apareceu.

– O que você está fazendo aqui? – Emma perguntou.

O homem que estava a sua frente era a pessoa que Emma mais idolatrava no mundo. Seu pai, Alexandre. Eles eram felizes. Emma, seu pai e sua mãe, porém desde a morte de sua mãe, ele havia se tornado uma pessoa irreconhecível. Sua mãe, Ana, havia ficado grávida novamente, mas na hora do parto, devido a diversas complicações ela veio a falecer, junto com aquela que seria irmã de Emma. Depois daí, além de enfrentar a dor de perder a mãe, Emma teve que enfrentar as dificuldades que vinham acontecendo com seu pai. Ele passou a beber, dormia várias noites fora de casa e quando voltava, chegava nesse estado. Um estado deplorável. A sala fedia a álcool e algumas coisas estavam jogadas no chão. Uma completa bagunça.

– Isso é jeito de falar com seu pai? – Perguntou o homem jogado no sofá.

– Eu vou dormir. – Emma falou e foi subindo as escadas, mas ainda conseguiu ouvir seu pai falar: ‘’Boa noite querida filha.’’

Assim que chegou a seu quarto, Emma se permitiu chorar. Estava exausta dessa vida. Exausta de carregar o peso do mundo em suas costas. Conseguira sobreviver com o dinheiro que sua mãe vinha guardando desde que Emma nasceu. Ela dizia que era para a faculdade de Emma. E como trabalhava, Emma conseguia se manter instável financeiramente.

As lágrimas escorriam pela sua face. Era um misto de saudades, cansaço, angustia e decepção.

Emma tomou seu banho e antes de se deitar, sua barriga deu sinal de fome. Emma não queria descer e dar de cara com seu pai naquele estado, mas não conseguiria dormir com fome, então foi até a cozinha. Assim que passou pela sala, a loira viu seu pai largado no sofá dormindo. Ela deu um suspiro, andou até seu pai e lhe deu um beijo. – Até quando hein, pai,? Até quando?

Emma arrumou algo para comer e logo foi para sua cama.

Na manhã seguinte o celular começara a despertar as 06:00hs.

– Ah, parece que eu nem dormir.

Emma resmungou e foi logo se arrumar para o trabalho.

Na parte da manhã Emma trabalhava em um escritório administrativo, que era do mesmo dono do clube infantil em que a loira trabalhava à tarde.

Emma se arrumou e desceu as escadas. Seu pai permanecia dormindo e Emma resolvera fazer um café para o pai antes de sair. Assim que Emma terminou, ouve seu pai reclamando de alguma coisa na sala. Ela então coloca o café na xícara e leva até ele.

– Tome. – Emma entregou a xícara pra ele.

– Obrigada. Eu fiz de novo, não foi? – Ele perguntou envergonhado.

– Sim, de novo e de novo e de novo, como todas as noites. – Emma falou. Não aguentava mais guardar as coisas pra si.

– Filha me desculpe. Eu prometo que isso não vai acontecer novamente.

– Por favor, não faz isso. Não prometa o que não pretende cumprir. Eu já estou cansada de ficar ouvindo essas promessas e desculpas infundadas. Você está sofrendo? Sim, está e você tem sua forma de lidar com a morte dela, mas isso não te da o direito de me causar tanta dor. Você imagina o tamanho da minha dor em perder minha mãe? MINHA MÃE.

Emma gritava. As lágrimas já rolavam pelo seu rosto e a loira não fazia questão de segura-las.

– Eu passei 20 anos da minha vida com ela, Emma. Eu não consigo suportar a ideia de viver sem ela.

Emma apenas suspirou e se encaminhou em direção a porta, abriu, mas antes de sair, ela voltou a atenção para seu pai.

– E eu agora tenho que tentar suportar não só a perda da minha mãe, como a do meu pai também.

Dito isso a loira saiu de casa e deixou seu pai imerso em suas lágrimas e pensamentos.

Já na casa de Regina o clima era totalmente diferente. Apesar de ser cedo, Regina conseguia acordar o filho com facilidade e nesse momento estavam na cozinha fazendo panquecas.

– Ei mãe, vai chegar cedo hoje?

– Não sei meu amor, mas prometo fazer de tudo pra chegar cedo pra gente ir ao cinema ver aquele filme que você tanto quer ver.

– Sério? O filme de terror?– O menino abriu um lindo sorriso.

– Sim e não. Iremos ao cinema, mas não ver o filme de terror. Agora termina de comer para eu te deixar na escola.

Os dois terminaram o café da manhã e assim que Regina deixou Henry na escola, seguiu para a faculdade. Hoje era o dia em que ela ficava por lá da manhã até a noite.

As horas passam voando e quando Regina nota já é noite.

Emma não conseguiu se concentrar no trabalho e pensava seriamente em ir direto pra casa, mas depois do ocorrido de mais cedo, decidiu ir para a faculdade.

Como Emma só teria aula dali a 1 hora, decidiu ir para a biblioteca. Normalmente era um lugar muito frequentado e geralmente estava sempre cheio, mas como a maioria dos alunos já estavam em aula, Emma escolheu uma mesa no segundo andar da biblioteca e sentou bem no fundo. Havia recebido uma mensagem mais cedo de Neal e Killian falando que ambos foram selecionados para um estágio em outro Estado, não atrapalhando as aulas deles. Ficariam fora por quase dois meses. Ruby não iria à aula hoje, então o jeito era ficar sozinha.

Regina aproveitara o tempo livre entre uma aula e outra e decidiu ir até a biblioteca. Sempre ia no horário em que os alunos não estavam, afinal, sempre ficava lotado. A morena pegou um livro e decidiu ir para o segundo andar, queria um pouco de silêncio e privacidade, mas o que viu assim que pisou no último degrau, chamou sua atenção.

Emma estava olhando algo no celular. Os olhos marejados e um sorriso bobo e triste nos lábios.

Regina sentiu um aperto no peito ao ver aquela cena. Ela foi andando em direção a Emma.

A loira notou alguém se aproximando e quando levantou o olhar, viu Regina parada de frente pra ela.

– Hey. – Regina falou.

– Oi. – Emma guardou o celular.

– Posso?- Regina apontou para a cadeira, com intenção de se sentar.

– Oh, claro.

– Então, tudo bem? – Regina perguntou.

– Sim e você? – Emma tentou disfarçar e secar uma lágrima escorrendo, mas foi em vão, porque Regina notou.

– Emma, se você não quiser falar, tudo bem, mas qualquer coisa eu to aqui, ok?

Regina não sabia exatamente o que sentia em relação à Emma. Era um afeto, um carinho tão grande e só fazia 24 horas que as duas haviam se conhecido.

Emma apenas assentiu com a cabeça. Ela estava travando uma batalha interna contra si mesma. Lutando para não desabar ali, na frente de uma quase desconhecida, mas que estranhamente a fazia se sentir confortável.

A morena decidiu não tocar mais no assunto, notando o desconforto de Emma.

– Tenho um convite para te fazer. – Regina se adiantou.

– Que convite? – Emma perguntou levantando a sobrancelha.

– Eu vou levar meu filho ao cinema. Vamos conosco.

– Você tem filho? – Emma arregalou os olhos.

– Sim. Henry. Ele tem 10 anos.

– Ah Regina, eu não sei. – Não quero atrapalhar e também eu tenho aula agora.

– Bom, você decide.

Emma ponderou entre assistir uma aula muito chata, ou passar o resto da noite com Regina Mills e o filho.

– Ok, vamos lá.

Regina sorriu e ambas se levantaram. Quando Regina estava preste a descer as escadas, Emma tornou a falar.

– Regina. — A morena virou para encara-la. – Obrigada.

Regina sorriu. Um lindo sorriso e que fez Emma se perder e viajar por diversas dimensões.

– Sempre que precisar.

Dito isso ambas se encaminharam para fora da faculdade.

Notas finais
E então amores meus? O que me dizem?