Casos e Acasos
13 Casos e Acasos - Capítulo 13
Notas iniciais
Emma e o pai entraram em casa abraçados. O silencio se fez presente até um se sentar de frente para o outro. As lágrimas ainda desciam, mas em menor frequência.
– Você está bem? — Alexandre foi o primeiro a se pronunciar.
– Sim e o senhor? — Emma perguntou.
– Eu tenho tanta coisa pra te explicar. — Ele olhou pra Emma e como a filha permaneceu em silencio, ele continuou. — Quando eu decidi procurar ajuda, eu sabia que se eu te avisasse, eu não conseguiria sair daqui. Eu vejo o quanto você está sofrendo, Emma, e grande parcela disso é minha culpa. Eu não vou te pedir mais para me perdoar, porque o que eu fiz foi imperdoável. Eu só quero que você saiba que em nenhum momento eu te abandonei. Muito pelo contrario. Eu fiz isso por você.
Emma escutava a tudo atentamente e nesse momento ela franziu a testa. O pai sabia que ela fazia isso quando não entendia algo, então ele se explicou.
– Filha, quando você tiver um filho, todas as decisões da sua vida serão baseadas na vida dele. Em como isso o atingirá, e foi isso que eu fiz. Todas as minhas atitudes, querendo ou não te afetam e você sofrer por minha causa estava me doendo demais. Por isso eu resolvi ir procurar ajuda.
– Eu senti sua falta. — Emma abaixou a cabeça.
– Oh pequena. — Alexandre se aproximou da filha e eles se abraçaram novamente. — Eu te amo tanto...
Os dois ficaram um tempo assim. Só abraçados e recuperando o tempo perdido.
– Henry, cheguei. — Regina avisa o filho, mas Henry não da nenhuma resposta. — Henry? — Regina o chama novamente e nada.
A morena subiu as escadas e ouviu bem de longe a voz do filho.
– Vovó, a Emma falou que vai me falar hoje.
– Falar o que, Henry?
O garoto gela ao ouvir a voz da mãe.
– Henry, desliga esse telefone agora, antes que sua mãe desconfie. — Cora avisou do outro lado da linha e encerrou a ligação.
O menino tirou o telefone do ouvido e se virou pra Regina.
– O que foi mãe? — Henry pergunta com a cara mais sonsa do mundo.
– O que a Emma ia te falar hoje?
– Ela ia me falar como eu passo de fase no jogo de vídeo game.
– Tem certeza que é isso? — Regina perguntou e fez a cara que só ela sabia fazer, quando se tratava de descobrir as coisas.
Henry sabia que se não saísse dalí, a mãe ia acabar tirando algo dele, então teve de pensar rápido.
– Mamãe, eu vou lá falar com a Emma.
O menino levantou e se dirigiu a porta, mas Regina o impediu.
– Agora não é um bom momento pra você falar com ela, Henry. Mais tarde você vai lá.
– Ta bem. Então eu vou jogar.
Regina assentiu com a cabeça e saiu dalí.
Henry quando viu que sua mãe já havia saído, deu um longo suspiro.
– Essa foi por pouco. — O menino sussurrou pra si mesmo.
Regina estava prestes a ir tomar banho, quando seu celular apitou. Ela andou até ele, o desbloqueou e a mensagem que leu, fez seu coração aquecer.
"Não te apresentei devidamente ao meu pai. Quando puder, dê um pulinho aqui e traga o Henry também. Beijos.
Emma.”
Regina sorriu. Isso era um sinal de que tudo estava se encaminhando bem. Ela então decidiu que mais tarde iria à casa de Emma.
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Já no final da tarde, Regina e Henry se aproximavam da casa da loira. Como eram praticamente vizinhas, foram andando mesmo.
– Henry lembre-se do que eu te falei. Nada de perguntas.
– Eu já entendi, mamãe.
– Só pra deixar pra claro.
Os dois andaram mais um pouco e pararam de frente a porta da casa de Emma. Regina bateu e logo assim a loira veio atender.
– Regina. — Emma sorriu e a abraçou. Regina estranhou, mas retribuiu o abraço. Foi um gesto de carinho e agradecimento.
Logo depois de se separarem, Emma falou com Henry.
– Ei garoto. Tudo bem?
Eles fizeram um gesto com a mão. O que fez Regina sorrir.
– Oi Emma.
Ela sorriu para Henry e os convidou para entrar.
– Vem gente. Quero que conheçam meu pai. — A loira se aproximou da escada e o chamou. Bom, na verdade gritou. — PAAAI.
– Já to descendo. — O homem respondeu e logo em seguida desceu.
– Pai, essa é a Regina. Regina, esse é Alexandre, meu pai.
Ambos sorriram um para o outro e apertaram as mãos.
– É um prazer, Regina.
– O prazer é meu.
– Pai, esse é o Henry. Filho da Regina e o que perde pra mim no video game.
– Ei, mentira. Ela que fica trapaceando.
Todos sorriram.
– Tudo bem, Henry?
Depois de todos os cumprimentos, todos se sentaram na sala e começaram a jogar conversa fora.
– Henry, qual é o seu time? — Alexandre perguntou.
– Vascão. — Henry deu um logo sorriso, mostrando o orgulho do time.
– Vasco? Emma, você é amiga de um vascaíno? — Alexandre queria implicar com Henry.
Os três começaram a falar sobre times e Regina só observava a interação deles.
– Por falar em time. Amanha é o grande dia. Preparada, Regina? — Emma perguntou pra Regina.
– Grande dia? — Regina franziu a testa.
– Como você esqueceu? Maracanã, Regina.
A morena entortou a boca.
– Então, sobre isso...
– Nem vem, Regina. Você prometeu.
– Eu sei que prometi Emma, mas é que eu já te disse que Maracanã não faz meu estilo.
– Regina, eu to falando sério, se você não for eu vou ficar muito chateada. Poxa, até a Zelena vai.
Regina já tinha decidido que ia, mas queria tirar onda com a cara de Emma.
– Não sei, vou pensar. — Regina falou querendo sorrir e Emma entendeu onde ela queria chegar.
– Enquanto você pensa, eu vou ligar pra Zelena. Pai, o senhor vai adorar a Zelena.
– Emma, pede uma pizza. — Alexandre falou.
– Ah, vou pedir duas. To com fome.
– Não esquece a borda recheada.
Regina olhava pra eles e via que não tinha como Emma ser filha de outra pessoa. Ela era a cara e o jeito do pai.
– Henry, enquanto a pizza não chega, que tal eu te ensinar uns macetes para vencer a Emma no video game?
– Oba. Posso ir, mãe? — O menino se virou pra Regina e perguntou.
– Claro meu amor. Sem bagunça hein.
– Tá mãe.
Eles saíram de lá e como Regina ficou na sala sozinha, pegou o celular para checar alguns e-mails.
– Não acredito que te deixaram aqui sozinha. — Emma falou assim que voltou a sala.
– Eles foram jogar.
– Regina, você está pensando mesmo sobre amanhã? Mas você já havia dito que ia. Na semana que vem eu volto a trabalhar e volto para a faculdade, não vai ter outra chance dessas.
A morena sorriu. Sabia que Emma tocaria no assunto de novo. Ela guardou o celular e olhou para a loira.
– Emma, eu estava brincando. É claro que eu vou. Sou mulher de cumprir minhas promessas.
Os olhos de Emma brilharam. E elas se encaram por um tempo, até Regina sair do "transe".
– Falou com Zelena?
– Falei. Hoje ela está preparando as provas e não vai dar pra vir aqui, mas amanha vamos sair juntas.
– Ta bem. Vamos no meu carro ou no dela?
Nesse momento Emma parou. Ainda não havia falado pra Regina que elas pegariam o metrô, que em dia de jogo, cospe as pessoas pra fora.
– Amanha a gente decide.
Emma cortou o assunto alí e ficaram conversando até a pizza chegar. Depois de muitas risadas e historias, Regina e Henry foram embora.
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No dia seguinte Emma acordou cedo. Não precisava mais fazer curativo, porque o ferimento já havia cicatrizado totalmente. A ansiedade pelo jogo já estava grande. A loira estava na cozinha e estava tão entretida em seus pensamentos, que não viu o pai se aproximar.
– O que domina seus pensamentos, pequena?
– Oi pai. Bom dia. É o jogo de hoje. To ansiosa.
– É só o jogo que está te deixando inquieta?
Emma o olhou e não entendeu a pergunta do pai.
– O que mais seria?
– Não sei. Talvez a companhia pro jogo esteja te deixando assim.
– Emma franziu mais a testa.
– Continuo não entendendo aonde o senhor quer chegar.
– Emma senta aqui.
Ambos se sentaram de frente para o outro.
– Vou ser sincero e direto, tudo bem?
Emma apenas assentiu.
– Você e a Regina. O que vocês têm?
Emma arregalou os olhos.
– Pai, que pergunta é essa? Eu já te falei ontem que Regina é uma professora da faculdade e acabamos virando amigas. Ela me ajudou muito a superar tudo.
– Emma, meu amor. Você e Regina são tudo, menos amigas.
– Pai, eu tenho que subir.
Emma se levantou, mas Alexandre a chamou novamente.
– Filha, eu não estou te julgando. Muito pelo contrário. Eu quero te ajudar a entender o que você está sentindo.
– Como o senhor sabe que estou sentindo algo?
– Emma, eu sou seu Pai. Eu passei um tempo ausente, mas eu continuo te conhecendo melhor do que qualquer um. Eu sei que você preferiria ter essa conversa com sua mãe, mas eu acho que não sou tão ruim assim. — Ele sorriu e fez Emma sorrir também.
– Ta bom. O que o senhor quer saber exatamente?
– O que você sente por ela?
Emma ficou receosa e constrangida.
– Não precisa ter vergonha. — Alexandre logo falou.
– Então, eu gosto muito dela. Muito. Eu quero estar perto o tempo todo.
Emma olhou para o pai e como ele permaneceu em silêncio, ela continuou.
– Quando eu não to com a Regina, eu fico imaginando o que ela está fazendo, se está trabalhando ou com o Henry.
Emma já não olhava mais para o pai e sim para o nada. A cada palavra, era um sorriso bobo.
– A relação deles é tão linda. Regina é separada e a relação com o ex marido é muito saudável. Chega a ser engraçado.
Agora a loira olhou para o pai e o viu sorrindo de lado.
– Eu acho que você sabe muito bem o que está acontecendo e eu quero a sua felicidade, mas eu preciso te alertar que Regina é bem mais velha, tem uma carreira sólida e ainda por cima tem um filho. Você tem que tomar cuidado e saber exatamente o que você quer e até onde pretende ir.
– Eu não sei o que eu faço. Eu tento me controlar, tento controlar o que sinto, mas eu não consigo.
– Emma, dê tempo ao tempo. Não force nada agora e deixe as coisas fluírem. Vai servir tanto pra você, quanto pra ela.
– O senhor fala como se ela sentisse algo.
– Ai minha filha, você é tão esperta e tão inocente às vezes.
Emma fechou a cara fazendo o pai rir.
– O senhor não acha isso estranho? Duas mulheres. Juntas.
– Emma, as coisas hoje em dia estão muito evoluídas. Os rótulos ficaram pra trás. As pessoas só querem ser felizes e eu sou o que mais quero sua felicidade.
Um sorriu para o outro e depois de mais algum tempo conversando, Emma foi se preparar.
A loira optou por um short jeans, um tênis e a inseparável camisa da sorte, do Flamengo.
– Pai estou indo.
– Mas não está um pouco cedo não?
– Está, mas provavelmente a Regina está colocando uma calça, um salto e uma camisa social.
Alexandre caiu na gargalhada.
– Eu gostei dela. Vai lá, vai, apaixonada.
– Pai. — Emma o repreendeu o ele riu mais ainda. Adorava implicar com Emma.
A loira saiu de casa e foi em direção à casa de Regina. Após umas batidas na porta, Henry veio atender.
– Ei garoto.
– Ai Emma, vai ajudar minha mãe.
Emma fez uma expressão engraçada.
– Por que? O que houve?
– Ela fica lá falando que não sabe o que vestir.
– Ta bem. Vou lá.
Emma subiu as escadas e do corredor ouvia Regina resmungar.
– Ei. — Emma bateu na porta que estava entreaberta.
– Ai Emma, eu não sei o que vestir.
– Mas pra que você está se produzindo toda?
A morena estava exatamente como Emma havia falado. Uma calça, uma camisa social e os saltos ao lado.
– Regina, pra que isso?
– Você quer que eu vá com o que?
Emma ria de como o nervosismo havia tomado conta de Regina.
– Ta rindo de que? — Uma Regina totalmente sem humor, perguntou.
– Ei, calminha. Posso mexer alí?
Emma pediu permissão para mexer no guarda-roupa.
As duas ficaram quase uma hora no quarto, até Regina sair com um short também jeans. Uma regata branca e um tênis.
– Nossa, há quanto tempo eu não usava tênis.
– Pronto. Está linda. Você não precisa estar sempre produzida para estar linda, Regina.
Emma falou e sorriu pra Regina, que também sorriu de volta.
– Vamos. Zelena já mandou mensagem.
– Nós vamos no carro dela?
Emma coçou a cabeça.
– Nós vamos encontrar ela.
– Aonde?
– Regina, só vamos.
Elas se despediram do Henry e da moça que tomava conta dele.
– Por que estamos no ponto de ônibus? — Regina perguntou já desconfiada.
– Porque nós iremos encontrar a Zelena.
– Emma, como nós vamos chegar ao Maracanã?
– Pegaremos o metrô e depois o trem.
– O que? Emma, você ta maluca? Você já viu como o metrô e os trens ficam em dia de jogo?
– Regina, por favor, por favor, não vai embora.
Emma fez uma cara tão fofa, que Regina não conseguiria resistir se olhasse por muito tempo.
– Eu vou pro céu por fazer isso por você, Swan.
Emma sorriu vitoriosa e Regina, por mais que não desse o braço a torcer, estava feliz pela insistência de Emma, para ela por junto.
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