Caso 1.4
3 03: Informações
Notas iniciais
Um vento frio já soprava pelas orlas das montanhas ao passo que as primeiras estrelas surgiam naquele céu azul escuro. Agora com os faróis acesos, a caminhoneta do grupo se preparava para entrar num caminho de terra que desviava da via principal.
Pondo a cabeça para fora da janela, Kevin procurava alguma placa que confirmaria se estavam indo no rumo certo. Entretanto, não encontrou nenhuma, até mesmo porque a escuridão que já tomava conta de alguns cantos não ajudava.
— Tem certeza que é por aqui mesmo? — Ana questionou ao namorado confusa. — Não há placa, nem nada que especifique pra onde vai essa estrada!
— Eu... eu não sei bem. Faz tempo que não venho aqui!
Na parte de trás do carro, um grande bocejo alertava que finalmente a bela-adormecida do grupo havia acordado: Alan. Ironicamente, Wilson e Evelyn dormiam abraçados ao lado do moço sonolento.
— Já chegamos? — perguntou ainda boquiaberto, roçando os olhos com uma das mãos. — Nossa! Que fedor de cerveja é esse? Parece que vomitaram no carro!
— Não tente me lembrar disso... — Pediu Kevin com feição de nojo. O outro o olhou desentendido.
Revirando o olhar para a rodovia principal, Kevin viu de relance o brilho do farol de uma motocicleta vindo ao longe em sua direção. Passaria por eles dentro de poucos segundos.
— Está vindo alguém... — disse, saltando do carro com ansiedade. — Vou pedir informações!
Vendo o namorado se distanciar, Ana desligou o carro mantendo apenas os faróis de suporte acesos. Ao virar-se para o banco de trás, levou um susto quando deu de cara com Alan, que devia querer perguntá-la alguma coisa.
— Não me assuste assim, Alan!
— Desculpe... É, por acaso um de vocês vomitou no Kevin? — Ana revirou os olhos com a pergunta. Bem a cara dele querer saber desse tipo de coisa mesmo. — Porque... que papo era aquele de “Não tente me lembrar”?
— Isso que dá ficar dormindo... — respondeu a moça risonha, pretendendo fazer suspense.
— Ah, Ana, não seja chata! Conta logo, o que eu perdi?
***
O motoqueiro atingira uma distância pequena de onde o rapaz jazia parado, aguardando-o. Com o celular em mãos, Kevin balançava-o de um lado para o outro tentando chamar a atenção dele. E ao ver que as setas da motocicletas ligaram e esta veio para o canto da rodovia, ele teve a certeza que obteve êxito.
A moto reduziu drasticamente sua velocidade e parou após um grande chiado — cujo qual deixou as marcas dos pneus meio a pista — diretamente ao lado do jovem, que não escondeu a cara de espanto. Apoiando-se com os pés na estrada, o motoqueiro tirou o capacete, demonstrando ser um jovem provavelmente da mesma idade que ele e seus amigos.
— Oi.
— Oi, desculpe por fazer você parar aqui desse jeito... Sou o Kevin!
— Ah, nada, Kevin. Eu iria entrar na estrada logo a frente mesmo! E Christopher, mas pode me chamar de Chris. No que posso ajudá-lo?
— Então, Chris... você sabe pra onde ela vai? A estrada? — Kevin perguntou com certa fé que teria algo positivo de resposta. E acertou em cheio quando o homem concordou com a cabeça. — Que bom! Por acaso poderia me dizer se é nessa estrada mesmo que fica as encostas rochosas?
— Está se referindo ao parque de pedra e as montanhas que cercam a cidade vizinha?
— Exatamente.
— Sim, é sim! Cerca de 10 quilômetros a frente!
— Ufa! — Kevin respirou aliviado. — Valeu cara, muito obrigado pela ajuda!
— Disponha!
Tornando a ligar seu veículo, o motoqueiro logo partiu dali e até deu uma buzinada para o carro do grupo. Ana buzinou de volta com certa desconfiança — mesmo com o clima escuro impossibilitando uma visão de qualidade e a rapidez com que a moto passara, ela a parecia familiar.
Kevin chegou de volta ao carro todo animado. Entrou com meio sorriso amarelo no rosto direcionado à namorada.
— É por aqui?
— Sim, pode pisar fundo, amor.
E Ana ligou o veículo e adentrou no trecho.
— Ei, ainda falta muito para chegarmos lá? — Alan chamou a atenção do casal para o banco de trás. Ele demonstrava impaciência, o que era (um dos) seus grandes pontos fracos. Dali em diante, caso não chegassem logo, a mesma pergunta se repetiria a cada dez minutos.
— Não, no máximo uns 15 minutos. — Alegou Kevin.
Alan, em seguida, passou um dos braços entre os bancos frontais e ligou o som. Automaticamente conectado à rádio local, o aparelho deu informações de uma tempestade de meteoros que logo mais atingiria aquela região.
— Se nos apressarmos, poderemos ver a chuva de meteoritos! — Comentou em alvoroço o rapaz no fundo.
— Nem vem, a gente perde a chuva, mas eu não corro nessa estrada! — Ana foi curta e grossa.
— Aff... Só espero que não caiam sobre a gente, então, né? — Dizendo isso, Alan se aconchegou no assento, procurou seus fones no bolso da bermuda e foi se distrair um pouco com seu gosto musical.
E ali estava os jovens, cada vez mais próximos de começarem pra valer as suas férias... Infelizmente, também estavam cada vez mais próximos de algo horrível...
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