Já era noite e estava demasiadamente frio quando a caminhoneta do grupo aportou perante a um portão de grades bastante enferrujado. Após este, encontrava-se um caminho cercado por árvores de ambos os lados que levava até uma refinada casa de mármore localizada no ápice daquele terreno montanhoso. A vista de lá, durante o dia, deveria ser espetacular.

No veículo, todos já estavam despertos. Kevin desceu para abrir o portão e foi seguido por Wilson, que saltou num rompante para não vomitar no carro outra vez. Evelyn reclamava de uma terrível dor de cabeça, enquanto Alan dava mais um longo bocejo.

— Não parece nada mau... — comentou este último a respeito da residência.

— Espera até chegar lá e ver por dentro... — Ana disse. — Kevin me mostrou umas fotos dessa casa quando ele e seus pais vinham pra cá quando criança, é uma verdadeira mansão!

— Não vejo a hora de colocarmos a carne na brasa! — retrucou Alan.

— E eu não vejo a hora de tomar um banho! — Evelyn entrou na conversa, olhando com certo nojo para o estado em que ela mesma se encontrava. — Estou um trapo!

Kevin teve alguma dificuldade em encontrar a chave correta para abrir o cadeado, no entanto conseguiu após algumas tentativas e deu lugar para Ana guiar a caminhonete. Como a estrada até a residência era bem próxima, ela passou direto e deixou os rapazes para trás.

— Fecha o portão quando passar! — Falou Kevin para Wilson, que ainda permanecia em posição de vomito do outro lado.

— Meu pai, quantas latas de cerveja eu bebi? — reclamou o mais velho, sentindo um ardor terrível na região abdominal.

— Todas. — respondeu o amigo, iniciando o trajeto até a casa.

Wilson, aparentando estar melhor, passou pelo portão, fechando-o, e também seguiu pelo caminho.

Neste momento, Ana puxava o freio de mão da caminhoneta e tirava a chave da ignição. Quando percebeu que tudo ficou escuro sem a iluminação dos faróis, ela o ligou novamente apenas para deixar os pontos de iluminação acesos. Em seguida, abriu sua porta e saiu logo de frente para a fachada de madeira um tanto sofisticada da casa — e ao lado de um Alan completamente boquiaberto.

— Eu disse... — falou, risonha.

— Meu deus, é incrível! — assentiu o outro. — Eu acho que nunca mais vou embora daqui!

— Que frio! — Evelyn se aproximou dos dois colocando seu casaco. — A casa é linda, mas vamos ficar aqui do lado de fora e quem sabe, pegar um resfriado, ou entraremos?

— Temos que esperar os outros. Kevin está com a chave! — Ana explicou.

Logo, os demais rapazes se juntaram ao trio.

— Tudo parece exatamente do mesmo jeito que me lembro... — Kevin começava a se recordar dos momentos felizes que viveu com a família nos finais de semana que vinham para ali. — A única diferença é que meus pais agora estão mortos...

— Seria ótimo relembrar os momentos bads da nossa vida agora, mas estamos aqui pra nos divertir! — Evelyn comentou, tomando a chave das mãos do rapaz e indo rapidamente para a varanda onde estava a porta de entrada.

Wilson e Alan seguiram a loura. Ana reparou de Kevin ficou algum tempo pensando em coisas de seu passado e se aproximou do namorado, colocando confortavelmente as mãos em seus ombros e chamando a sua atenção.

— Ela está certa, estamos aqui para nos divertir! Não fique remoendo essas coisas.

— Tudo bem, vamos lá! — Ele sorriu, pegando nas mãos da namorada e caminhando para a parte interna da moradia.

Lá, foi inevitável para Kevin não rir da cara de espanto dos amigos ao ver o ambiente luxuoso que preenchia cada centímetro daquele lugar. Eles até tinham parado de caminhar, pareciam ficar envergonhados após entrar de qualquer jeito em um ambiente tão superior.

— Não sejam bobos, podem ficar à-vontade! A casa agora é de vocês! — disse.

— Uhuu! — Alan se jogou animadamente sobre um sofá de plumas próximo e já foi ligando a enorme televisão a sua frente.

— Onde fica o banheiro? — Perguntou Evelyn.

— Tem um no final neste corredor. — apontou o inquilino. — Um no corredor do andar superior, outro na suíte onde dormiremos Ana e eu, e outros dois lá no pátio, do lado de fora.

— Ótimo, ninguém precisa ficar esperando o outro sair quando acordar. — Ana foi irônica, dando um selinho no namorado. — Vou lá fora pegar as malas! Wilson, Alan, sirvam para alguma coisa e venham comigo!

— Shi, já começou a chata... — reclamou Alan, desligando a televisão chateado e pondo-se a acompanhar a moça para o lado de fora.

— Vou tomar um bom banho de no mínimo umas meia-hora! — Evelyn disse, saindo pelo corredor.

— Enquanto isso, eu vou checar se tudo está nos conformes! — Kevin concluiu, pegando sua chave e indo para o andar superior.

***

Do lado de fora, Ana abrira o porta-malas e retirava algumas das bagagens com a ajuda de Wilson. Alan ainda descia o pequeno degrau da varanda, mantendo seus olhos no céu sem estrelas, e se questionava mentalmente que horas devia começar a chuva de meteoros.

Apesar de ser brincalhão e preguiçoso na maioria das vezes, ele também tinha um lado sério e explorador: sonhava em se tornar astrônomo, entender como aquele universo surgiu e descobrir segredos marcantes de outros planetas, além de novas formas de vida e água.

— Ana para pessoa no mundo da lua... — A garota o tirou de seus pensamentos. — Tem muitas malas aqui que não serão carregadas sozinhas!

— Será que a chuva começará muito tarde? — ele perguntou no instante em que se aproximava da moça e tragava algumas bagagens para levar para dentro.

— Não sei. Pra falar a verdade, nem sabia que teria essa chuva de meteoros nessa região!

— O que me preocupa é se estamos seguros ficando aqui...

— O quê? O senhor Alan se preocupando com alguma coisa? — Ana ficou incrédula. — Isso sim está me preocupando!

— Haha, engraçadinha...

— Ei, vocês dois, será que poderiam ajudar a levar alguma coisa? — Wilson os interrompeu. — Já dei duas viagens enquanto ficam ai de conversinha! E temos que acabar isso logo e armar a churrasqueira... Ficaremos aqui por poucos dias e eu quero aproveitar todo o tempo útil antes de retornar a vida monótona de executivo!

Dando conta de toda a equipagem restante, Ana trancou novamente o porta-malas e desligou os faróis do veículo – já que algumas luzes na parte externa da varanda e nos arredores da casa mantinham a área bem iluminada – e o trio partiu.

Notas finais
õ/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.