Notas iniciais
Este é um pequeno prólogo. Espero que gostem! ^^

A velha porta de madeira daquela solitária cabana no meio da mata se abriu num rompante após o pontapé que recebera. De forma brusca, uma moça entrou rapidamente com um homem apoiado em seu ombro. Ela foi com extrema rapidez até o primeiro lugar confortável que viu, um sofá de couro localizado ao meio da sala, deixou o rapaz cuidadosamente sobre ele e voltou com relativa pressa para fechar a porta. Pelo desespero no rosto de ambos, algo parecia segui-los.

— Ai! — grunhia o homem sentindo o ardor da fratura exposta em sua perna esquerda. O osso logo abaixo do seu tornozelo se encontrava atravessado lateralmente na carne, um enorme corte envolvo por uma grossa camada de sangue seco acompanhava o ferimento. Uma pequena quantidade de sangue ainda escorria por sua perna.

Enquanto isso, a mulher, sem hematomas graves aparentes, observava de uma pequena janela se algo se aproximava da região da cabana. Seus cabelos estavam esvoaçados, seus braços e pernas encontravam-se sujos e com alguns relados bem pequenos. O suor respingava do seu rosto como se ela estivesse participado há pouco de uma maratona. A verdade é que realmente podiam comparar a sua fuga a uma maratona, pois se faziam duas horas que Ana, Kevin e seus amigos fugiam de algo que os tragava um por um. Mas o que poderia ser, afinal, se após tantos desaparecimentos, eles ainda não viram nada?

Quando deu por si que deviam ter despistado o que os seguia, Ana suspirou aliviada e se voltou ao amigo sobreposto no sofá.

— Como está? — perguntou, referindo-se ao corte de Kevin.

— Doendo muito! — ele foi verdadeiro como sempre. — Já conseguiu ver aquela coisa?

— Não... — A moça negou com a cabeça. — E é isso que me preocupa. Como podemos nos livrar de algo que não vemos?

— Talvez não há como se livrar... — Kevin conseguiu um olhar assustado da amiga após tais palavras. — Talvez, não importa o que façamos, vamos ter o mesmo destino dos outros!

— Para com essas besteiras! — Ana agarrou fortemente uma das mãos do rapaz e o olhou confiante nos olhos. — A gente vai escapar dessa!

Ele riu, abaixando a cabeça durante um breve momento desconfortável de dor e voltando-se novamente para a mulher.

— Gosto de você porquê desse seu pensamento sempre positivo! — Kevin tocou gentilmente no rosto de Ana. — Mas... me promete uma coisa: se eu também sumir, você não vai desistir de se salvar!

— Você não vai sum...

— Me promete, Jô! — O homem insistiu. Ana revirou os olhos, odiava ter que imaginar a possibilidade da existência da hipótese negativa, por isso a evitava.

Afim de não responder Kevin, ela se colocou de pé num instante e foi outra vez rumo a janela, espreitar novamente. O outro, bufante, pôs-se a pensar em como a tão aguardada viagem entre amigos deles tinha mudado drasticamente o rumo.

— Acho que aquela coisa se foi... — Ana comentou, vendo a extensa área que contornava a cabana completamente limpa. — Então, você precisa começar a pensar mais positivo, não acha Kevin?

Virando-se risonha para o amigo, Ana ficou paralisada ao não vê-lo no estofado. Olhou em desespero pelos arredores da residência, mas ela sabia perfeitamente que Kevin não conseguiria se movimentar com tamanho machucado na perna.

— Kevin?!

Sem obter respostas, só existia uma coisa que poderia ter ocorrido com o amigo: ele devia ter sido mais uma vítima dos inoportunos desaparecimentos sem explicação que pegara todos os seus demais amigos.

— KEVIN!!!!!!!!! — Ela gritou, ajoelhando-se no piso empoeirado e começando a chorar. — Você também não...

CASO 1.4