Notas iniciais
Como prometido, aqui está o capítulo três. Entre sábado e domingo estarei publicando o terceiro. Boa leitura a todos.

Antes que completasse seu raciocínio, sentiu uma mão quente no seu ombro. Virou-se e deu de cara com um par de olhos verdes o encarando. Por coincidência, o tom de verde era da mesma cor do lago que ondulava na sua frente. O loiro lançou uma breve exclamação de surpresa ao ver o noivo na sua frente.

Os dois passaram um tempo sem dizer nada, Reiner não pode deixar de notar o quanto o rosto de Bertholdt iluminado pelo sol, ao mesmo tempo em que sorria, dava um ar divino para ele. Era uma visão impressionante.

Repreendeu-se por ter tal pensamento a respeito do amigo, que agora era casado:

— Estava de te procurando — disse o recém-casado pegando o amigo pelo braço — Annie quer tirar uma foto com o padrinho do casamento.

A última frase o deixou sem palavras e o rapaz apenas assentiu para o amigo. Provavelmente por causa das palavras "Annie", "padrinho" e "casamento".

Não teve tempo de reagir, pois Bertholdt o puxou pelo pulso e o arrastou em direção à festa.

Durante a curta caminhada, Reiner observou a mão do amigo segurando seu pulso: era grande, porém macia e o seu toque era gentil dando um contraste agradável.Seus cabelos negros e a pele dourada se destacavam com o brilho solar que passavam entre as árvores. O sol brilhava com muita intensidade, porém, o sorriso do noivo ofuscava a luz do astro.

Ver Bertholdt sendo banhado pelos raios solares, sorrindo com uma alegria tão pura e segurando seu pulso, fez o coração do padrinho dar um salto digno de uma ginasta artística.

Sem dúvidas a ideia de ver Annie tão linda vestida de noiva o deixava ansioso. Tinha que ser aquilo. Não tinha conexão alguma com o que acabara de ver.

O noivo não largou o pulso dele por nada. Seu toque era familiar para a pele de Braun, por isso, queria toca-lo de volta, segurar sua mão, mas logo desistiu da ideia. Não podia ser normal essa vontade.

Os dois conversavam de forma descontraída e sorriam um para o outro, com certa cumplicidade, mostrando que aquela amizade era muito forte e duraria para sempre. Reiner por um momento esqueceu da dor que sentia e apenas focou no amigo, que aquecia seu pulso com suas mãos.

Quando chegaram na festa, Annie se aproximou e os puxou para perto da mesa do bolo, onde os três tirariam uma foto. O loiro ficou estranhamente triste pela perda do calor em seu pulso. O noivo se dirigiu até a esposa e colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.

Esposa. Agora ela era a esposa de Bertholdt. Um fato que não parecia certo para o amigo do casal.

Seus olhos dourados se afastaram daquela cena. Não conseguia suportar a forma que eles se encaravam. Era doloroso ver a devoção e o carinho nos olhos dos dois. Era doloroso ver Annie acariciando o rosto do marido, que fechava os olhos, apreciando o toque, enquanto correspondia aos seus toque. Era doloroso saber que não era ele a pessoa que recebia os olhares de amor e devoção, ou os toques carinhosos dela.

Aquilo fazia Reiner vomitar.

Os três se posicionaram para a foto: Annie ficou no meio, dando um dos braços para Reiner, que estava à direita da noiva e Bertholdt a esquerda. Os recém-casados aproveitaram e deram as mãos também, o que não passou despercebido para o padrinho, que desviou seu olhar para o chão.

Droga, eu te amo tanto que me assusta. Pensou.

Mas espera, de quem estou falando?

Quando levantou seu rosto e olhou para o lado, notou Bertholdt o encarando com um pequeno sorriso nos lábios. Assim que o encarou de volta, sentiu seu coração perder o ritmo das batidas, de tão acelerado que estava. A troca de olhares entre os dois foi breve, mas deixou o homem musculoso totalmente desorientado e sem ar.

Ouviu alguém o chamando. Era o fotografo pedindo para ele olhar para a câmera e sorrir. Ele o fez, apesar de estar desesperado por dentro:

—Digam Xis! — Gritou o fotografo enquanto o flash de luz preenchia cegava os olhos dos três amigos.

Quando Annie o soltou, Reiner teve que se esforçar para não desmaiar. Para evitar a preocupação dos noivos, inventou a desculpa de que precisava ir no toalete e foi correndo de volta ao bosque até se assegurar que que estava longe da festa. Sentou-se no chão, colocou a cabeça entre as pernas e deu um grito abafado.

O que havia de errado com ele? Aquilo não estava acontecendo. Nunca aconteceu. Seu coração acelerou naquele momento por causa da Annie. Somente ela. Só Annie. Amar a noiva do seu melhor amigo era assustador. Era isso. Tinha que ser. Precisava enterrar na sua mente aquele incidente infeliz e sem significado algum, afinal, era seu amigo de longa data.

Eu me apaixonei por Annie Leonhardt. Eu me apaixonei por Annie Leonhardt. Eu me apaixonei por Annie Leonhardt.

Reiner repetiu esse pensamento para si mesmo como um mantra até que se tornasse verdade.

Notas finais
E então? Estão gostando da história? Podem me dizer suas opiniões :) No próximo capítulo, Reiner talvez perceba que tem algo de errado com ele. Ou não. Até a próxima leitura!