Fazer sexo com Marcela era muito bom, dava muito prazer, ela dizia que o amava e ele apenas buscava o prazer. Apesar de ter carinho por Marcela, pois era como uma prima, na parte sexual era tal como as outras mulheres que conhecia, na hora era paixão, explosão, vontade de chegar, mas quando chegava sentia um vazio, mesmo que fizesse duas vezes. Marcela na cama não era nada daquela mocinha pura que queria parecer para todos e Armando sabia muito bem. Sabia que ela já havia andado com algum da fazenda e desconfiava que até Mário, na época em que não eram noivos e o amigo não era o renovado cunhado apaixonado por sua irmã. Mas isto não importava, nem incomodava Armando, pois apesar de ser interiorano era um homem do mundo, que sonhava bem longe dali, até gostava que Marcela tivesse suas experiências, pois não tinha que preocupar-se em ensinar-lhe tudo. O que lhe incomodava é que ela não abrisse mão da promessa de casamento entre famílias. Será que não percebia que nada daquilo iria dar em boa coisa? Que seriam infelizes? Que não a amava como ela merecia. Apenas se davam bem na cama.

—Será é isso o amor? Apenas esta troca e nada mais? Será que Marcela é a mulher destinada para mim? Por que então não sou tão feliz quanto Calderón? Por que não me sinto satisfeito? Mesmo meus pais vejo-os como se estivessem namorando e mesmo seu Hermes sendo tão bravo e machista olha para Dona Júlia com certo carinho. Beatriz sempre comenta. Preocupa-me este interesse de Daniel em Beatriz. E a pobre é muito inocente para acreditar, depois de tudo que ele fazia com ela na infância.

Lembranças 1—Ai!

Daniel puxa a maria-chiquinha de Betty

–Para com isso, Daniel!

—Por quê, vai chorar? Não chore, que vai ficar mais feia que é!

—O que está acontecendo aqui?

—Pronto! Chegou o Zorro, o príncipe das feias.

—O que fez com Beatriz?

—Ora, nada!

—Ela chora por nada!

—Ele puxou meu cabelo!

—Coisa feia, Daniel! –disse abraçando-a.

—Não disse que o príncipe das feias?

—Por que não se mete com alguém do seu tamanho?


_______Lembranças 2

—Betty é feia! –diziam Daniel, Mário e Freddy

– A menina mais feia que já vi.

—Shiu! Aí vem o Dinho, sabem como ele é chato.

—Antes ele achava graça e até ria junto.

—Mesmo rindo sempre nos repreendeu.

—Ele quer ser o justo.

—Acho bom calar a boca e não falar nada. –disse Daniel

–Não esqueça eu é só a filha dos criados!

—Também sou criado. –disse Freddy.

—O que está acontecendo aqui?

—Nada. Estamos brincando, não é Beatriz?

—Só brincando, patrãozinho.

—Isto é verdade, Beatriz?

— ...Nada do que se preocupar, o de sempre.

—Já lhes disse que não querem que perturbem Beatriz, ela é nossa amiga.

—Sim, senhorzinho. –disse Freddy.

—Dinho, não é nada demais! Sò brincadeira.

—Deixa, Marinho. Dinho não tem senso de humor e gosta de defender a criadagem, de se misturar para parecer bom moço.

—Esta é a criação que tem dos seus pais? Porque os meus sempre trataram muio bem Seu Hermes e dona Júlia e Beatriz sempre comeu em nossa mesa junto a minha irmã e eu. E você Freddy? Quer que eu te lembre que é?

—Não é necessário, patrão.

—Acho bom. Deveria ser o último a se misturar com Daniel!

—Você ficou um chato, um velho no corpo de um rapaz!

Armando arma os punhos e Daniel segue o gesto.

—Não, Armandinho, me ensina a cavalgar, deixa isto. Eles não me fizeram nada! -implorou Betty

—Está bem. –ele sorri. Daniel e Mário debocham, mas Freddy sente-se mal, enquanto, Armando se afasta com a menina ao lado. A menina olha com fascínio e admiração para seu protetor.

—_____

De volta ao presente:

—Sempre a protegi, Beatriz, mas agora quer a companhia de Daniel. Com certeza, como todos, ele está pensando que ela já está pronta. Conheço Daniel, sempre pega estas menininhas da fazenda, mas se ele pensa que vai fazer algo com ela, está enganado! Prometi que sempre a cuidaria e não vai tocar um dedo nela, mesmo que ela queira. E ela não vai querer! Não vai querer ou o mato.

—Ai, Armando! Para de gritar! Me assustou. O que acontece?

—Tive um sonho, Marcela! Horrível!

—Com que sonhou?

—Até isto vai controlar?

—O que tem demais a noiva saber o sonho do noivo?—Tem demais sermos noivos!

—Você não pareceu se incomodar com isso agora há pouco.

—Quer saber? Já está tarde. Melhor que vá embora. E se seu pai acorda e não a vê em casa?—

Está bem. Então, leve-me! Não posso andar pela mata sozinha a estas horas. Sabe-se lá o que pode acontecer?

—O maior perigo mora em sua casa, mas não se preocupe, neste caso é imune a ele!

Marcela não entende ou finge que não entende.


No dia seguinte

—Beatriz, podemos conversar?

—Temos aula agora.

—É importante.

—Se é sobre Seu Daniel.

—É importante!—Está bem, podemos nos falar na saída. Mas seja breve.

—Não sei porque está me tratando assim, sempre fomos amigos.

Se sente um pouco culpada. A verdade é que está chateada e enciumada com ele porque parece enxergar todas as mulheres, menos ela.

"Se eu pudesse te mostrar que não sou nenhuma menina. A verdade é que sou, mas quero deixar de ser, se pudesse ver. Se eu tivesse coragem, mas não o maltrate, Beatriz. Será que está enciumado de Don Daniel? Será que..."–pensa com olhos sonhadores.

Depois das aulas.


—E então?

—Pois bem, podemos conversar. –disse Beatriz

—Olá!

—Don Daniel?

—Daniel, o que faz aqui?

—Olá, Armandinho! Não vim te visitar, cunhadinho. Mas cumprir minha promessa. Beatriz, conforme prometido, vim buscar-lhe.

—Er para onde? –disse constrangida—Para um passeio de charrete até a minha fazenda!Armando fecha a cara.

—Ah, hoje?

—Conforme combinamos.

—Er, é que tenho que ver umas coisas sobre as aulas com o Professor Armando.

—Muito urgente!

—Tudo bem, eu espero. Contrariado, Daniel olhou feio para Armando que foi com Betty para uma salinha. —Pois bem.

—Betty, não entendo o que este tipo faz aqui.

—Ele disse, veio me buscar para visitar sua fazenda. —E é sobre isto que quero falar. Não é bom que ande por aí com Daniel! Ele não é o que pensa.

—Como?—Não precisaria que eu te explicasse, depois de tudo que fazia quando era uma criança.

—Assim como Mário, como Freddy, que me pediram desculpas, ele pode ter mudado também.

—Não! Não mudou!

—Ele não fez gozação comigo, nem pareceu se importar de que eu fosse filha dos criados como diziam. —Você não entende, não é? Daniel é perigoso, sei que sabe se defender, mas...

—Mas o quê?

—Para ele, você é uma menina.

—Por que para você não sou mais a mesma menina de antes? –disse melosa.

—Sim, para mim é a mesma menina que eu protegia das gozações e agressões.

—Não sou a mesma. Eu cresci.

—Não o suficiente. Ainda sinto que devo protegê-la...—Proteger, mas proteger de quê?

—Das intenções de Daniel.

—Que eu saiba ele só quer me levar para conhecer a fazenda dele ou dos pais dele. E posso dizer que foi bem gentil.

—Gentil, gentil, Daniel?

—Sim, gentil. Educado.

—Você não pode estará falando sério! Daniel nunca é gentil com ninguém! Ainda mais com pessoas que considera inferiores a ele.

—Então, pensa que sou inferior por ser filha dos criados?

—Não! Eu não! Para mim não há diferença alguma! Falo de Daniel! Ele pensa assim! Sempre pensou assim. Não se lembra?

—Sim, mas as pessoas mudam.

—Daniel não mudou, Beatriz! Só mudou de tática. Para mim, Dona Júlia e Seu Hermes são como meus tios e você como minha prima ou minha irmã, é isso!

—Sua irmã? Sua irmã! –disse indignada.

—Claro, você sempre foi muito especial para mim. –disse segurando seus braços

–Sempre será a menina que corria atrás de mim, que me pedia proteção. Não mudou nadinha. Já para Daniel você...

—Não sou uma menina?

—Não. é, até é, mas é diferente.

—Diferente?

—Sim.

—Ela não me vê como uma menina?

—Não?

—Quer dizer, sim.

—Sim ou não?

—Sim, mas de um jeito diferente que eu vejo. Ele vê com maldade.

—Maldade?

—Sim, ele quer te seduzir!

—Como me seduzir? E acho que sou dessas fáceis?

-Não quero dizer que é fácil. Mas Daniel é ardiloso. E pode querer te seduzir e sei que não tem experiência nessas coisas.

—Como sabe?

—Ora eu sei, te conheço, sei que não...

—O que conhece da minha vida? Fui para cidade, mudei, conheci pessoas.

—Mas você está noiva de alguém?

—Por enquanto não.