Daniel estava impaciente que Betty terminasse de conversar com Armando.

Beatriz? Ainda vai demorar? Podemos ir?

—Desculpa, seu Daniel. Já vamos. –foi pegar sua bolsa que esqueceu na salinha

—Betty, e o que conversamos?

—Tchau, seu Armando!

—Beatriz, Daniel é perigoso. –disse segurando o braço dela.

Ela lhe deu uma olhada de cima abaixo.

—Quem sabe eu precise correr estes perigos. Talvez eu não queira que me proteja... (“E sim que me ataque”-pensa)

—Beatriz, é sério. Já vi muitas meninas sofrerem.

—A menininha sabe se cuidar! Ao contrário do que pensa não sou mais nenhuma criança!

Beatriz sai pela porta batendo-a atrás de si, Armando vai atrás, mas só vê Daniel dando-lhe tchauzinho debochado.

—Maldita seja, ela não entende nada!

—_______

Na charrete, Daniel observava cada movimento daquela menina enquanto conversava com ela.

“Como uma menina tão feia pôde ficar tão sexual? Controle-se Daniel, os Mendoza gostam dela, não pode simplesmente agarrá-la, tem que ser gentil, fazê-la cair em seus braços. Não será difícil ela é inexperiente, deve acreditar em príncipe encantado.”

—Veja que bonito.

—Realmente.

—A fazenda dos Valencia é maior que dos Mendoza, temos muitos empregados e maquinário.

Era verdade. Embora, não fosse tão produtiva quanto a dos Mendoza, a fazenda dos Valencia era ainda maior. Ela nunca havia estado naqueles lados.

Daniel não parecia nada com aquele garoto que caçoava dela na infância.

“Por que Armando tinha falado tão mal dele? Não foram amigos de infância? Estaria com ciúmes? Imagina! Ele quer dar uma de irmão mais velho. Acha que é só uma criança. Não são ciúmes!”

—Beatriz! Beatriz!

—Ah, oi seu Daniel. Desculpe, me distraí com a paisagem.

—Realmente deslumbrante! Um dia é pouco para que conheça tudo. E está anoitecendo. Claro se quiser pernoitar na fazenda, podemos...

—Ojojo! Agradeço o convite, mas acho melhor não. Meu pai não iria gostar, tampouco dona Marcela.

—Não precisa se preocupar com Marcela, ela é assim com todas minhas amigas e com as mulheres em geral. Mas eu te levo para casa, mas vou te buscar outro dia para continuarmos o passeio.

—Está bem. –disse tímida.

—Esta semana não prometo, pois tenho alguns compromissos na capital.

—Tudo bem, quando o senhor puder.

Daniel havia deixado Beatriz em casa. Não sem antes entregar-lhe alguns potes dos doces que a fazenda produzia.

—Tenho certeza que sua mãe gostará muito.

—Grata!

—___

No dia seguinte, Armando estava fazendo de tudo, inclusive, mordendo a língua para evitar de perguntar para Beatriz, mas ao se ver sozinha com ela, foi impossível evitar.

-E aí, Beatriz, como foi seu encontro com Daniel?

—Foi legal. Seu Daniel, mostrou-me toda a fazenda dos Valencia.

—Aposto que disse que era maior que a dos Mendoza!

—E é! Mas não tão bonita, mas é maior sim, tanto que não deu tempo de conhecer tudo. Ficamos de combinar outro dia.

—Beatriz, deve se afastar de Daniel imediatamente!

—Por quê?

—Porque sou seu amigo e falo pelo seu bem.

—De novo este assunto? Seu Daniel foi muito gentil e me tratou com muita educação e propôs que fôssemos amigos.

—Daniel não é amigo para uma menina como você! Beatriz, por favor, você vai se arrepender de não me escutar!

—E por que se importa tanto?

—Gosto de você e sempre a protegi, inclusive de Daniel!

—Mas agora posso me cuidar sozinha, ainda mais não deveria se preocupar tanto comigo, já que tantas moças para cuidar. Não quero problemas com a tal Karina.

—Não tenho mais nada com Karina!

—Não?

—Não, ela apenas é professora da escola. Sei que o que viu a deixou decepcionada. Nunca havia feito algo assim aqui. Peço desculpas.

—A escola é sua!

—Não é minha. É de todos. Desculpe-me sim?

—Está bem. –disse, sorridente.

—Amigos novamente?

—Sempre fomos amigos.

Eles se abraçam.

—O que está acontecendo aqui? -perguntou Karina.

—Dois amigos não podem se abraçar?

—Abraçar, sei...

—Sim, abraçar é o que amigos fazem.

—Pensei que escola não era lugar para essas coisas...

—Não é lugar para o tipo de coisas que estava fazendo, mas amigos podem sim demonstrar afeto! –disse Beatriz, cheia de si.

Karina sai batendo os pés.

Depois, Karina revoltada encontrou Betty sozinha na saída da biblioteca.

—Ah, você está aí! Não pense que não sei o que está fazendo. Mas para Armando você é só uma criança, a irmãzinha para ele. Não pense que ele olharia para você de outra forma.

—E o que te importa? Ao menos ele tem algum carinho por mim, diferente do que sente por você.

—É só o que terá, irmãzinha.

—É só o que terá. –disse Betty remedando.

—Infantil e mimada!

—Vulgar e invejosa!

—O que está acontecendo aqui?

—Não é nada! Estava apenas conversando com a menina.

—Pareciam estra discutindo. Disse que deveriam tentar se dar bem.

—Armandinhoo, me leva para casa? Estou cansada e estes livros tão pesados e você sempre tão forte! -disse Betty entregando-lhe os livros e segurando-se no seu braço forte.

—Está bem, vamos! -disse sorrindente, pois finalmente Betty havia sido a amiga de sempre, permitindo sua companhia.

Betty, sentia-se trinfante agarrada ao brago musculoso de Armando.

Karina balançava a cabeça, com raiva e mais ainda ficou quando Betty olhou para trás e deu-lhe a língua.

—Menininha imbecil e ordinária!

—_____

Notas finais
Esta Betty. Logrará conquistar Armando mesmo ele a vendo apenas como sua irmã mais nova?