Casamento de Julho
16 Esclarecimentos
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO
CAPÍTULO XV – ESCLARECIMENTOS
— Então, espera. Deixa-me ver se eu entendi. Damon apareceu exatamente no momento em que Stefan ia te beijar. Os dois começaram a discutir por você e depois de Stefan ser um babaca, Damon deu um soco nele e você fez a idiotice de impedir que ele colocasse aquela versão mais máscula e malvada do Ken da Barbie no lugar dele. Então você e o Damon se pegaram de forma intensa nos fundos do Hawkeye. Depois disso, vocês resolveram fingir que nada aconteceu e foram para casa. No dia seguinte você teve mais uma de suas crises de cólica e o Damon cuidou de você como o príncipe encantado que nós sempre sonhamos, ele declarou o seu amor, você também se declarou e agora vocês estão namorando. — Resume Cait, observando-me surpresa.
Nós estávamos na nova cafeteria da cidade. Aproveitando o dia claro e quente que se fazia, típico do verão de Hawkins, nós nos sentamos no segundo andar, onde ficava uma espécie de deck com uma decoração adorável e bem arejada. Depois de me flagrarem aos beijos com Damon, Ally e Cait não me deixaram em paz até que eu contasse o que tinha acontecido. É claro que eu aproveitei a curiosidade de minhas amigas para conseguir companhias para sair em busca das lembrancinhas do casamento, já que Damon estaria ocupado treinando seus alunos para o campeonato que se iniciaria em alguns dias.
— Não estamos namorando. — Corrijo, tentando conter o sorriso animado que insistia em ficar em meu rosto. — Ainda.
— Uau! — Sussurra Ally, parecendo tão incrédula quanto Cait. Ela bebe um pouco de seu suco e volta a abrir e fechar a boca várias vezes, tentando absorver todas as informações. — Sério. Uau!
— Isso tudo em apenas dois dias? Por que vocês são sempre tão intensos? Passaram mais de vinte anos da vida de vocês tentando se matar. Do dia para a noite, vocês se pegam como dois animais no cio em um beco escuro e simplesmente, de uma hora para outra, estão descontroladamente apaixonados? – Questiona minha melhor amiga, voltando a beber seu café. Ally ri e me encara divertida.
— Ah, vamos ser sinceras. Eu tenho o melhor namorado do mundo, mas depois de tudo o que a Elena contou, eu também me apaixonaria em um piscar de olhos por Damon. Quem não quer um homem lindo, com pegada, amoroso, que nos faz lindas declarações de amor para nós e está disposto a fazer de tudo para nos proteger assim como um príncipe encantado? – Brinca Ally, colocando seu copo de suco sobre a mesa onde estávamos.
— Tira os olhos do meu homem. – Brinco, fingindo lançar um olhar ameaçador para Ally, que ri e ergue as mãos em sinal de rendição. – Mas sendo sincera, você acabou de descrever todos os homens da família Barton. Não é por nada não, mas todos os meus primos são lindos, amorosos, inteligentes, teimosos, corajosos e intensos o suficiente para se arriscar pelas que amam sem pensar duas vezes.
— Isso é verdade. – Concorda Cait, pensativa. – Desde que comecei a ter mais contato com os membros da família Barton, eu percebi que não tem ninguém feio ou normal nessa família. Por isso vocês são tão populares e exalam esse ar de seres inalcançáveis.
— Exagerada. – Resmungo, pegando um pedaço de minha deliciosa torta. Sorrio discreta ao lembrar do vício de Damon em doces.
— De qualquer forma, eu confesso que estou surpresa de vocês não estarem namorando. Se foram rápidos o bastante para se declarar quase dois meses depois de começarem a morar juntos. Quer dizer, eu consigo imaginar muita coisa do que pode acontecer nesse tempo em que vocês ficarão sozinhos em casa enquanto seus pais estão viajando. – Comenta Ally, encarando-me com malícia. Cait também me observa com curiosidade e com aquele sorriso cheio de segundas intenções.
— Não estamos em uma situação muito fácil. Tio Giuseppe e minha mãe meio que estão obcecados com a ideia de que somos irmãos apenas porque eles se casaram. Por mais que a gente insistisse que isso nunca aconteceria, não parece um assunto que eles estão prontos para lidar. Ainda tem o fato de que Damon tem medo de que Kai me use para tê-lo em suas mãos. Damon tem mantido a vida boêmia de dormir apenas uma vez com cada mulher para evitar se apaixonar e colocar a pessoa que ama em perigo assim como aconteceu com Sammy. Então ele me pediu para confiar nele e esperar. Ele quer se livrar de Kai antes de começarmos a namorar. – Respondo as garotas, suspirando um pouco frustrada.
— Isso é fofo e bem romântico. – Afirma Ally, sorrindo compreensiva.
— E frustrante. – Complementa Cait, cruzando os braços. – Eu entendo que não é tão simples assim, mas vocês passaram tanto tempo se odiando e lidando com a tensão sexual entre vocês e agora que finalmente aceitaram seus sentimentos, não podem gritar ao mundo que se amam. Além disso, eu tenho certeza de que vocês não vão conseguir segredo por muito tempo. Nós três sabemos muito bem como nossos homens são populares até demais com as mulheres, principalmente o Damon, que dormiu com mais mulheres do que eu troquei de roupa a minha vida toda.
— Cait! – Ally repreende a amiga, lançando um olhar nada amigável.
— O quê? Eu estou sendo sincera. Elena é super ciumenta. Na primeira vez que ela ver alguma mulher dando em cima de Damon, e eu tenho certeza de que isso vai acontecer, ela vai surtar. E eu espero que isso aconteça na minha frente só para ver o barraco acontecer. – Cait ri divertida e eu reviro os olhos, bebendo minha limonada.
— Você é sempre tão exagerada, Caitlin Snow. Eu não sou tão ciumenta assim. – Respondo e Cait e Ally começam a gargalhar, como se eu tivesse contado a piada do ano. – Eu estou falando sério.
— Desculpa, Elena, mas nós te conhecemos e não é de ontem. Eu já perdi as contas de quantas vezes você já surtou de ciúmes do Damon desde que vocês começaram a morar na mesma casa. Até umas semanas atrás, todo dia você reclamava de uma garota diferente que viu Damon ficando na faculdade e até mesmo chegou a falar para uma das ficantes dele que você era noiva dele só para despistá-la. – Relembra Ally e eu cruzo os braços, sentindo-me atacada.
— Isso é mentira. Eu só comentei sobre como as garotas da faculdade são atiradas e na vez em que eu disse que era noiva dele foi para fazer com que ele me ajudasse com os preparativos do casamento. Nada além disso. – Resmungo e mais uma vez recebo risadas como resposta. — Eu nem sei o porquê de eu ainda insistir em contar as coisas para vocês.
— Ah, por favor, Elena. Nem você mesma acredita nisso. — Acusa Cait, pegando um guardanapo para limpar a boca. — Vamos ser realistas aqui. Você sempre teve ciúmes de Damon. Mesmo de antes de vocês sequer cogitarem a ideia de seus pais se casarem. Eu escuto as suas reclamações sobre como as garotas simplesmente abriam as pernas só de Damon sorrir para elas ou como elas eram capazes de se jogar para cima dele. A mesma ladainha de sempre por mais de três anos.
— Além dela sempre insistir em dizer que Damon é o número sete dela. — Recorda Ally, rindo divertida. — Eu realmente nunca entendi isso.
— E isso não mudou. Vocês sabem que ele foi o meu primeiro sete da minha vida. Depois de brigarmos realmente sério pela primeira vez, em um dia sete, eu acabei caindo em uma cachoeira e quase morri afogada se Stefan não tivesse me salvado. Ele também foi o sétimo a compor a família Barton. Ele estava comigo quando eu descobri sobre a morte do meu pai, que teve o inusitado número sete, minha mãe é a sétima esposa do tio Giuseppe, eu descobri sobre o casamento deles no sétimo dia da semana, depois deles terem passado sete dias em Las Vegas sem nosso conhecimento, na mesa sete do restaurante no sétimo mês do ano. — Relato todas as minhas experiências traumáticas com o número sete. — Eu tenho motivos suficientes para não gostar do número sete.
— Elena, isso é só superstição. — Responde Cait, cética como era de se esperar da cientista. Diferente de mim, minha melhor amiga não é do tipo que acredita em achismos ou acontecimentos que não podem ser provados pela ciência. — Você simplesmente colocou na sua cabeça que o sete é o seu número de azar e por causa disso, acha que todos os setes são sinais de algo ruim.
— Mas temos que admitir que se isso for coincidência, é bastante assustadora como todos esses acontecimentos envolvem o número sete. — Comenta Ally, pensativa.
— Viu? A Ally concorda comigo. — Retruco, abraçando a mais nova de nós. Acaricio a cabeça da garota. — Só você me entende, Allyzinha. Por isso é a minha favorita. Nós iremos nos casar. Esquece o Austin. Ele não é bom o bastante para o anjo que é você.
— Ela não vai aceitar a sua oferta. O Austin tem algo para você nunca será capaz de oferecer a Ally. — Comenta Cait, sorrindo maliciosa. Ally cora violentamente e eu acabo rindo de sua reação.
— Cait! — Ally repreende a outra, tornando a situação ainda mais engraçada.
— O que foi, Ally? Elena não tem o talento para a música igual ao Austin ao ponto de escrever músicas para você. — Provoca Cait, fazendo-se de desentendida. Ally fica ainda mais envergonhada e isso me faz gargalhar ainda mais. — Do que você pensou que eu estivesse falando?
— Nada. — Sussurra Ally, incapaz de nos encarar.
— Você é tão fofa. — Comento, abraçando a garota ainda mais apertado.
— A gente não ia procurar as lembrancinhas do casamento da sua mãe e do pai de Damon? — Questiona a garota, tentando mudar de assunto. Rio e me afasto, olhando as horas. Realmente estava ficando muito tarde. Ainda precisávamos ir para o Hawkeye, ensaiar as apresentações da noite. Não dava para continuar perdendo tempo na cafeteria nova apenas fofocando.
— Você deu sorte, mocinha. — Brinco, afastando-me para fazer sinal ao garçom próximo de nós, que se aproxima rapidamente. — A conta por favor.
— Sim, senhora. — O garçom faz uma rápida reverência e segue para dentro da cafeteria.
— Nós realmente precisamos ir? — Questiona Cait, desanimada.
— É claro que sim. Vocês concordaram em me ajudar. — Respondo, dando de ombros. — Eu não mandei serem como velhas fofoqueiras. Esse é o preço que se pagar por querer saber da minha vida.
— Não pode nos julgar. Nós sempre torcemos para vocês ficarem juntos. E isso finalmente aconteceu. Nós também somos suas melhores amigas. É sua obrigação nos contar todos os detalhes. — Retruca a garota e eu nego, rindo de sua expressão convencida.
Assim que pagamos a conta, seguimos para a avenida das noivas. Eu só esperava que as pessoas não me reconhecessem. Da última vez que estive visitando as lojas dessa avenida, Damon e eu acabamos sendo expulsos de quatro lojas, com todos os gerentes afirmando que nunca mais nos atenderiam.
Em meio a risos e comentários bobos de três mulheres apaixonadas, que não conseguiam parar de seus namorados – ou quase namorados -, nós não demoramos a chegar ao local. Felizmente, não tivemos tantos problemas para encontrar boas opções para usarmos como lembrancinhas da cerimônia que será realizada em dois meses. Eu também já tinha conversado com Damon de manhã e ele tinha dado algumas ideias interessantes para usarmos.
Assim, com a ajuda de Cait e Ally, nós conseguimos terminar de encomendar todas as lembrancinhas rapidamente e até mesmo conseguimos alguns orçamentos de bolo e maquetes de bolo para usar no dia. Eu ainda precisaria discutir o assunto com Damon, já que ainda compartilharmos de ideias opostas quanto ao sabor do bolo e se usaríamos maquete ou o bolo realmente na mesa de doces da festa.
Prontas para almoçarmos e irmos para o Hawkeye, saímos da última loja do dia, pensando no que comeríamos. Estávamos cansadas de tanto andar e o clima quente não ajudava em nada a nos fazer pensar. Então, decidimos almoçar em algum restaurante da avenida mesmo e depois seguirmos para o trabalho.
Enquanto ríamos de um vestido que havíamos visto na vitrine de uma das lojas de roupa, começo a notar a presença de algumas pessoas estranhas que nos observavam discretamente. Apesar de minha memória não ser tão boa quanto a de Damon, eu tinha a impressão de que já tinha visto os cinco homens que nos seguiam pela movimentada avenida no Octógono.
— Cait. — Chamo a garota que também parecia atenta ao que acontecia ao nosso redor. Ela me encara e eu faço o nosso sinal secreto para indicar problemas.
— Eu já vi. — Comenta com seriedade.
— Do que vocês estão falando? — Pergunta Ally, confusa. Diferente de nós, que já estávamos acostumadas a lidar com homens encrenqueiros nos seguindo, a garota não tinha a malícia de identificar perigo com tanta facilidade.
— Estamos sendo seguidas. — Revela Cait, mantendo o tom baixo e calmo. A primeira reação de Ally é querer olhar para trás, mas eu a detenho, apertando seu punho, enquanto balanço a cabeça negando. — Não olha. Eles vão perceber que nós o notamos.
— E o que nós fazemos? — Questiona a mais nova, soando alarmada.
— Vamos aproveitar essa multidão de noivas, madrinhas e toda essa gente em busca de artigos para festa para nos misturar e despistá-los. — Respondo, calmamente. Eu não queria assustar Ally.
— Eles não se parecem com os meus homens, então imagino que eles sejam os amigos de Damon. — Comenta Cait, encarando-me por alguns instantes.
Assim como Damon estava enfrentando problemas com homens perigosos interferindo em sua vida, Cait e Barry também têm enfrentado alguns desafios com uma organização criminosa que deseja obter alguma coisa deles. Infelizmente, a pedido de tia Tasha, Cait não pôde me contar nada sobre o caso em que eles estão envolvidos, mas eu sabia o suficiente para saber que são pessoas perigosas.
— Eles são do Octógono. — Concordo e Ally parece ficar ainda mais tensa. — Não se preocupe, Ally. Esses homens não são nada comparado a força de três membros da família Barton. Nós vamos conseguir despistá-los. Apenas se prepare para correr quando nós mandarmos.
— Certo. Nós vamos conseguir. — Responde Ally, tentando ser o mais positiva possível, como esperado de minha adorável amiga e colega de trabalho.
— Prontas? — Questiono, fazendo sinal para o cruzamento que estava próximo de nós. Cait e Ally assentem, concordando. — No três, nós corremos para a esquerda. Se eu não estiver enganada, há uma rua com um número ainda maior de pedestres e muitas outras ruas que pode confundir esses babacas.
— Tudo bem. — Concorda Cait, respirando fundo. Ela encara as sapatilhas que calçava e suspira. — Eu sabia que deveria ter vindo de tênis.
— Um. Dois. Três. — Conto e ao ouvir o último número, Cait, Ally e eu passamos a correr o mais rápido que conseguimos.
Aproveitamos a multidão que se fazia no cruzamento para nos esgueirar para a rua que eu havia indicado as garotas. Como eu imaginava, não demorou muito para que os cinco homens começassem a nos seguir, correndo tão agilmente quanto nós.
Eu fazia questão de segurar o pulso de Ally e Cait, temendo que elas acabassem se perdendo no meio da confusão. As pessoas gritavam e nos xingavam, furiosas por estarem sendo empurradas e jogadas para serem usadas de obstáculos, mas eu nem mesmo me importava. Tudo o que eu mais precisava naquele momento era garantir que minhas amigas ficariam a salvas desses malditos capangas de Kai.
Em algum momento, entre muitas ruas, esbarrões, gritos e confusão, nós acabamos parando em um beco sem saída. Ally, Cait e eu nos escondemos atrás de uma caçamba de lixo e colocamos as mãos na boca, esperando abafar nossas respirações ofegantes.
— Encontrem-nas! Elas não podem ter ido muito longe! — Grita um dos cinco homens de corpos ameaçadoramente grandes com armas em suas cinturas. — Lembrem-se que Kai quer as três vivas.
— Sim! — Respondem os outros quatro em resposta.
Eu sentia que meu coração estava prestes a sair pela boca. Observo-os cautelosamente, temendo que eles nos encontrassem. Felizmente, depois de alguns minutos de pura tensão e medo, eles continuam a seguir em frente, imaginando que tivéssemos nos enfiado em mais uma das inúmeras ruas daquele lugar.
Permanecemos mais algum tempo escondidas, preocupadas que fôssemos encontradas pelos perigosos homens. Assim que vemos que eles não voltariam, suspiramos aliviadas. Encaro minhas melhores amigas, analisando cada pedaço delas para garantir que estavam bem e solto mais um suspiro aliviado.
— O que... foi isso? — Questiona Ally, ainda ofegante pela intensa corrida que fizemos para escapar.
— Isso foi o que Damon temia que acontecesse com Elena se eles acabassem se envolvendo. – Responde Cait, encarando-me com seriedade. – E então? O que você vai fazer? Vai contar a ele o que aconteceu?
— Não mesmo. Damon já tem problemas demais para lidar e ele é paranóico. Se souber que algo assim aconteceu comigo, é capaz de me escoltar até mesmo ao banheiro. – Afirmo, suspirando.
— Bom, não é como se ele não tivesse razão. Aqueles homens estavam armados, Elena! – Exclama Ally, preocupada. – Você está em perigo. Precisa contar a Damon.
— Não. Eu não vou contar e vocês também não. Estamos entendidas? – Pergunto e as duas garotas trocam olhares, insatisfeitas.
— Elena... – Começa Cait e eu ergo a mão, negando argumentos.
— Estamos entendidas? – Insisto e elas bufam, inconformadas.
— Sim. – Concorda Ally, suspirando. – Mas se acontecer mais uma vez, Damon será o primeiro a saber.
— Não se preocupem. Eu vou dar um jeito nisso. – Respondo, determinada.
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