Casamento Forçado

27 Fantasmas do passado - I


Monique

Aquelas aulas já estavam me irritando. Eu já tinha aprendido a maioria no semestre passado na minha outra escola.

Fiquei desenhando em meu caderno. Modéstia a parte mas eu desenho super bem.

Finalmente o sinal tocou. Me levantei e guardei meus cadernos.

Fui até meu armário e guardei algumas coisas.

– Oi Monique. — Falou alguém, me virei e vi uma menina de cabelos loiros acompanhada de outras três garotas.

– Oi. — Falei — Vocês são...

– Ah. Sim! Eu sou a Carmen. — Falou ela se apresentando. — Essa é a Denise. — Falou apontando para a garota ao seu lado. — E essa é a Penha. — Falou apontando para uma morena. — E essa é a Amanda. — Falou apontando para uma ruiva.

– Prazer em conhecer. — Falei tentando ser gentil. — Podem me chamar apenas de Nick.

– Então, Nick. Quer sentar com a gente no refeitório até a hora de ir embora? — Perguntou ela. Não gostei muito dela. Mas o que custa aceitar?

– Claro. — Falei acompanhando elas até o refeitório.

Me sentei na mesa delas. Fiquei apenas quieta, a conversa delas era tediosa, elas só falavam sobre garotos, roupas de grife e festas.

Depois de alguns minutos parei de gastar meus neurônios tentando traduzir o que elas diziam.

– Ele é um gato. — Falou uma delas. Acho que era a Amanda.

– Um pedaço de mal caminho. — Falou uma mordendo o lábio inferior.

– Meninas, ele é meu. — Falou a Carmen

– Seu? Ele está casado com a Mônica. — Falou a Penha

– Você sabe que foi forçado pela família deles, não? — Falou a Carmen e eu comecei a prestar atenção na conversa.

– Forçados? — Me meti na conversa e ela me olhou.

– Sim. Pelo o que eu sei, a empresa da família deles estava falindo e o único modo de não fecha-la era eles se casarem e juntarem o dinheiro deles. — Falou a Carmen

– Nossa. — Falei

– Eles parecem ter se acertado. — Falou Denise tomando seu suco. — Estão muito próximos esses dias.

– Impressão sua. — Falou a Carmen irritada.

– Acho que não, fofa. — Falou a Amanda. — Olha ali. — Falou ela apontando para trás de mim. Olhei para onde ela havia apontado e vi as duas garotas que estavam na minha classe. Acho que era Mônica e Magali juntas de uns garotos e garotas que eu não conhecia.

– De qual garoto vocês estão falando? — Perguntei me metendo novamente na conversa.

– Aquele moreno ali. — Falou ela apontando para um garoto. E nossa... Que garoto lindo. Sua pele é morena com cabelos escuros e os olhos mais escuros ainda. Fui tirada dos meus pensamentos pela voz enjoativa da Carmen.

– Tira os olhos dele, gringa. — Falou a Carmen e as outras garotas riram. — Ele é meu. Só meu. — Eu hein? Que garota chata.

– Deveria se acostumar, Carmen. — Falou a Penha. — Todas garotas secam ele.

– Eu não estava secando ele. — Falei em minha defesa.

– Claro que não. — Falou Denise irônica.

– Não mesmo. — Respondi a altura.

Até que escutei o tão esperado sinal. Agradeci mentalmente por sair daquele grupinho chato com essas meninas fúteis, nem eu sou assim.

– Tenho que ir. — Falei me despedindo. — Até amanhã.

– Tchau. — Responderam em uníssono

Peguei um táxi e fui até o apartamento de luxo que comprei antes de meu querido papai — sentiram a ironia?– bloquear meu cartão de crédito. Eu fiz um bom estrago antes de ele bloquear. Comprei coisas necessárias e desnecessárias. Eu sorri imaginando a cena de seus pais vendo as compras dela. Com certeza eles bloquearam na esperança de eu ficar sem dinheiro e voltar para São Francisco.

O táxi parou e eu paguei o taxista. Vi a entrada do apartamento e sorri. Era perfeito. Claro que não chegava aos pés da minha antiga mansão em São Francisco ou da casa de praia que tínhamos mas está valendo.

Entrei no prédio, cumprimentei o porteiro e entrei no elevador no décimo andar (o último), eu não fazia questão de comprar a cobertura mas ela era bem mais cara que os outros apartamentos, então comprei apenas para provocar meus pais mesmo.

Fui tirada de meus pensamentos com a porta do elevador abrindo, passei um cartão na porta e ele abriu revelando a sala de estar.

– Meu Deus. Que lugar lindo. — Falei fechando a porta atrás de mim e jogando a minha mochila no sofá. — E que vista. — Falei olhando pela enorme janela, dava de ver praticadamente a cidade inteira dali.

"A felicidade às vezes parece tão distante.

Mas ficar parada vendo o tempo passar, não vai fazer ela ficar mais perto.

Você só será feliz se correr atrás da sua felicidade."

Lembrei dessa frase que a minha avó paterna me disse.

E é isso que eu vou fazer, vou correr atrás de minha felicidade.

Senti uma pontada em meu coração lembrando de minha avó. Ela era a única pessoa naquela família que eu respeitava e admirava. Ela morreu quando eu tinha nove anos de idade, eu fiquei dias chorando, eu adorava ela, alias, ainda adoro. Que Deus á tenha.

Abri a janela e senti a brisa entrar no apartamento. Fui interrompida de meu momento quando o meu celular começou a tocar. Peguei ele vendo a foto da Dona Annie no visor. Apenas ri sem humor e fui calmamente até a janela e taquei o meu celular na piscina do apartamento.

Depois de um tempo percebi o que eu tinha feito. Eu joguei um Iphone 5S em uma piscina.

– Parabéns Nick! — Falei irritada. — Você é muito inteligente. — Falei bufando. Por outro lado essa mulher desgraçada nunca mais me ligará e atrapalhará meu caminho até a minha felicidade.

~♥~

Mônica

Minha mãe ligou fazendo aquele drama que eu esqueci dela depois que casei. Marquei de almoçar com ela e passar a tarde toda lá.

– DC. — Chamei a atenção dele.

– Que foi? — Perguntou

– Vamos almoçar na casa de minha mãe? — Falei — Ela fez uma drama que eu esqueci dela...

– Tudo bem. — Falou ele

~♥~

– E então? — Perguntou minha mãe enquanto tomava seu suco. — O que andam fazendo ultimamente? — Perguntou a minha mãe, eu arregalei meus olhos e me afoguei com o suco. O DC em vez de me ajudar começou a rir e minha mãe olhou confusa para nós.

– Nada de mais. — Falou ele olhando para mim, eu corei, deveria estar igual um pimentão.

– Vamos ao shopping comigo? — Falou minha mãe e eu agradeci por ela não insistir no assunto antigo.

– Claro. — Falei me levantando e recolhendo os pratos da mesa.

~♥~

Luísa

A Mônica e o DC estavam estranhos. Eu já tinha percebido isso. Será que eles...? Será que eles se acertaram?

Fiquei feliz imaginando isso. Nunca gostei daquela história que o Cebola contava que tinha que derrotar a minha filha antes de namora-la. Que coisa estranha.

Os dois formavam um casal lindo. E principalmente ele não tinha essas besteiras que o Cebola tinha.

Estávamos andando no enorme shopping e os dois sem perceber estavam de mãos juntas.

– Vou lá comprar um milk shake. — Falou DC e foi se afastando da gente.

– Mônica me diz... Vocês estão juntos? — Perguntei e ela olhou assustada para mim

– Claro estamos casados. — Falou ela

– Não estou falando disso. — Falei. — Vocês estão juntos como homem e mulher mesmo?

– É... Estamos. — Falou ela abaixando a cabeça com vergonha.

– Estou muito feliz por vocês. — Falei abraçando ela.

– Vamos entrar nessa loja? — Falou ela me puxando para dentro de uma loja.

Ficamos um tempo provando algumas roupas e levamos algumas.

– O DC está demorando, vamos lá na praça de alimentação ver onde ele está. — Falou Mônica

– Vamos. — Respondi e acompanhei ela até lá.

Quando chegamos procuramos ele, tinha muita gente lá, até que achamos ele conversando com duas garotas. Uma eu reconheci que era a Magali, a outra estava de costas, ela tinha lindos cabelos ruivos.

– Oi meu amor. — Mônica deu um enfase na em "meu amor", com certeza estava com ciúmes da menina ruiva. Ela foi ao lado dele e eu apenas fiquei ali um pouco atrás deles.

– Gente eu tenho que ir embora. — Falou a menina ruiva. Eu escutei a Mônica murmurar um "já vai tarde", ainda bem que ela não escutou.

– Nos vemos na aula Nick. — Falou o DC

– Até amanhã Nick. — Falou a Magali

– Tchau Monique. — Falou a Mônica com um sorriso falso e forçado no rosto.

Monique... Eu adoro esse nome. Então ela se virou para ir embora e eu vi seu rosto. Esses fantasmas do meu passado me persegue.

Não pode ser. Eu achei que já tinha passado essa fase de imaginar ela em todo lugar. Mas era coincidência demais, elas tem o mesmo nome, a cor ruiva dos cabelos, os olhos verdes escuros, o rosto parecido com a Mônica, tudo era igual.

Como um flashback dentro de minha cabeça eu voltei naquela noite, naquela maldita noite.

17 anos atrás

3 horas da manhã.

3ª Pessoa

Eram três horas da manhã e Luísa começou a sentir suas primeiras contrações e um liquido descer entre suas pernas molhando o lençol de cetim, ela acordou suando frio e Seu Sousa acordou desesperado.

O parto estava agendado para três semanas depois desse dia. Não era para nascer hoje.

Seu Sousa pegou a bolsa com as roupas de bebê e ajudou sua amada esposa a descer as escadas. Ela só rugia de dor.

– Calma meu amor. — Falou Seu Sousa enquanto colocava ela dentro do carro. — Nossas princesas irão nascer. Aguente apenas um pouco mais. — Ela apenas assentiu desesperada.

Seu Sousa dirigiu bem rápido para a maternidade. Como era de madrugada não tinha o trânsito comum da cidade. O pequeno trajeto parece que durou uma eternidade para os dois. Assim que avistou o prédio da maternidade Seu Sousa soltou o ar preso em seu pulmão.

Luísa foi para dentro da sala onde aconteceria o parto, ele acompanhou ela.

– Força Luísa. — Falou a parteira. — Já estou vendo a primeira. — Luísa juntou todas suas forças e empurrou. Então um choro de bebê preencheu o local.

– Uma já foi. — Falou a parteira dando o bebê para uma enfermeira limpa-la e fazer os exames de rotina. — Empurra com toda sua força. — Falou ela.

Luísa já estava exausta. Não tinha mas forças. Então apertou a mão de seu marido e respirou fundo procurando as forças necessárias. Ela empurrou novamente e foi possível escutar o choro da outra criança.

– A morena se chama-rá Mônica e a ruiva se chama-rá Monique. — Falou Luísa para o marido. — Esse será os nomes delas.

– Nomes lindos. — Falou ele. — Combinam com elas.

Seu Sousa sorriu alegre ao ver que tudo estava bem. As mulheres de sua vida estavam bem.

Luísa apenas se entregou ao cansaço e se pôs a dormir feliz e realizada.

Perto dali uma mulher loira e alta vestia uma roupa de enfermeira em uma sala de produtos de limpeza.

– Está tudo pronto. — Falou ela ao telefone. — Em alguns minutos quero o carro aqui na frente, não se atrase. — Falou por fim desligando o celular e guardando.

Ela saiu do pequeno quartinho e andou pelo corredor branco onde tinha várias pessoas alegres, algumas amamentando seu bebê. Revirou os olhos com essa cena.

Ela foi até o quarto onde ficavam as encubadoras e observou os bebês, eram todas opções, qual seria?

Então ela viu uma enfermeira chegar com dois bebês em seus braços... Eram gêmeos. Ela abriu um sorriso ao ver a beleza delas. Eram perfeitas.

A enfermeira arrumou as duas em suas encubadoras e saiu da sala.

– Mônica, você ficará aqui. — Falou a enfermeira colocando um bebê moreno na encubadora.

– E Monique você fica aqui. — Falou ela colocando o outro bebê do lado.

A mulher de cabelos loiros observou que não tinha ninguém e se aproximou dali.

Ela ficou encantada com a beleza delas. Ela tinha que se decidir entre qual das duas pegaria, ela foi em direção a morena quando a ruiva abriu os olhos e ela se encantou quando viu. Seus olhos eram verdes claro, ela era perfeita, sem pensar duas vezes desistiu da morena e pegou a outra com olhos claros.

– Vamos Monique. — Falou ela fazendo carinho em seu pequeno rosto vendo ela fechar os olhos com o carinho. — Você vai ter uma vida de princesa. Longe daqui.

~♥~

Luísa acordou com um sorriso no rosto, finalmente veria o rostinho de suas filhas.

– Olá mamãe. — Falou uma enfermeira entrando no quarto com o bebê enrolado em uma manta branca. — Pronta para a amamentação?

– Super pronta. — Falou Luísa feliz

Então a enfermeira desenrolou a pequena menina da manta e Luísa se encantou com a beleza dela. Era moreninha com os olhos de mel. Ela começou a dar de mamar para sua filha com um enorme sorriso no rosto.

– Pronto. — Falou a enfermeira pegando o bebê dela que sentiu falta de segurar sua filha no momento seguinte. — Vou indo embora. Daqui a pouco o médico aparece para te dar alta.

– Eu ainda tenho que amamentar a outra bebê. — Falou Luísa e a enfermeira a encarou confusa.

– Outra bebê?

– Sim, eram gêmeas. — Falou agora Luísa confusa.

– Só essa bebê tinha a pulseirinha com seu nome. — Falou a enfermeira.

– Como assim?! — Falou Luísa desesperada. — Eram duas crianças! Eu quero a outra! Quero as duas!

– Se acalme. — Falou a mulher dando o bebê para outra enfermeira.

– ME ACALMAR? — Falou Luísa irritada. — ME TRÁS A OUTRA! — Falou ela começando a arrancar as agulhas de seu braço.

A enfermeira se aproximou e com uma agulha aplicou um calmante no soro fazendo Luísa se adormecer.

~♥~

– Mãe?! — Falou alguém. — MÃE?!

– O que foi? — Falei em um pulo

– Você ficou ai parada encarando a Monique como se visse uma assombração. — Falou a Mônica me encarando confusa.

– Ah... Não foi nada. — Falei disfarçando. — Só estou cansada.

– Eu te chamei mais de duas vezes. — Falou ela

– Mas então... Essa Monique está estudando com vocês? — Perguntei tentando saber mais sobre ela.

– Sim, ela está na nossa aula de inglês. — Falou a Magali

– De onde ela veio? — Perguntei

– Ela veio de São Francisco, Califórnia. — Respondeu DC

– Que interrogatório mãe! — Falou Mônica. — Vamos embora.

– Vamos. — Falei