Casamento Forçado

31 Cupido do amor


Mônica

– Somos gêmeas. — Falou Monique. — Legal, não?

– Irmãs gêmeas? — Falei assustada.

– Sim. — Falou Monique. — Eu e a Luísa já conversamos e ela me explicou direitinho o que aconteceu. — Falou ela olhando para minha mãe. — Desculpa por brigar com você daquele jeito. Eu só estava...

– Você estava nervosa. Eu sei. — Falou minha mãe segurando a mão dela. — Eu também ficaria não é fácil descobrir uma coisa dessas de uma hora para a outra.

– Gente eu ainda estou aqui. — Falei chamando a atenção das duas que me olharam sem graça. — Alguém pode me explicar, por favor, o que está acontecendo aqui?

– Acho que eu já falei. — Falou Monique. — Somos irmãs, irmãs gêmeas.

– Isso eu já entendi. — Falei. — Eu quero saber a história toda.

– Em 1983 eu iria dar a luz a gêmeas, duas menininhas. — Falou minha mãe se sentando. — Então depois do parto eu estava exausta e fui dormir, dar luz a duas crianças de uma vez só não é fácil. — Falou ela se sentando. — No outro dia eu acordei e fui amamentar meus bebês, eu não via a hora de ver o rostinho de vocês duas...

– E então... — Incentivei ela a continuar a história.

– E então a enfermeira chegou com apenas uma criança, que era você Mônica. — Falou ela com os olhos marejados. — Eu fiquei totalmente desequilibrada e a enfermeira me dopou, fiquei dormindo por mais um dia, depois fomos ver as câmeras de segurança com a policia e vimos que uma mulher vestida de enfermeira tinha levado a Monique embora.

– Não conseguiram identificar a mulher? — Perguntou a Monique

– Sim, conseguiram identificar, mas a mulher mudou de país, e você sabe que quando muda de país... — Falou minha mãe.

– Não vai presa. — Completou Monique

– Por que não? — Questionei

– Porque ela tendo duas nacionalidades, no outro país ela não fez nenhum crime, então não há motivos para prende-la. — Explicou Monique. — Mas se ela aparecer no Brasil novamente ela seria indiciada ao crime.

– Então sem nenhuma pista fiquei esses anos todos sem você. — Falou minha mãe olhando para Monique. — Eu senti tanta saudade. — Falou abraçando ela. Eu não esbocei nenhuma reação, ainda estava digerindo a história.

– Mônica, agora podemos conversas a sós? — Perguntou Monique. Quando eu estava pronta para negar a proposta dela minha mãe me interrompe.

– Vai lá, filha. — Falou minha mãe. — Vocês precisam ter uma conversa séria. — Apenas assenti.

Subi as escadas e a Monique me seguiu. Entrei no meu quarto e ela entrou fechando a porta.

– Fala logo o que você quer, irmãzinha.– Falei com sarcasmo.

– Voltar naquele assunto de novo. — Falou ela colocando a bolsa em cima da cama.

– Ah... O assunto que você beija meu marido. — Falei com ironia. — Ou que você beija seu próprio cunhado. É isso irmãzinha?

– Então, irmãzinha... — Falou ela devolvendo o que eu disse. — Eu quero que você converse com o DC. — Falou ela e eu ri sem humor. Quem ela acha que é para me dar ordens. — Eu sei que eu não mereço sua confiança, mas o DC merece.

– Então, era só isso que queria me dizer? — Perguntei tentando fazer ela ir embora do meu quarto.

– Não deixe ele escapar. — Falou ela. — Sabe quando você vai encontrar alguém como o DC? Nunca. — Falou ela.

– Agora que já falou tudo pode se retirar do meu quarto? — Perguntei.

– Só quero te perguntar uma coisa. — Falou ela.

– Pergunte e de o fora. — Falei

– Como você foi parar na parte desativada da escola? Estava me seguindo ou algo do tipo?

– Você se acha muito, não? — Perguntei com sarcasmo. — A Carmen que mandou eu ir e...

– AH! A Carmen. — Falou ela rindo sem humor. — Como podemos ser irmãs? Você acreditou mesmo em uma intriga montada pela Carmen? Sua inteligência é incrível.

– SAI DO MEU QUARTO. — Gritei.

– Você é patética. — Falou ela indo até a porta. — Sua sorte que o DC te ama mesmo... Eu acho que outro homem não aguentaria esses chiliques de ciúmes idiotas que você dá. — Fui até a porta e fechei praticadamente na cara dela.

Me sentei na cama e apoiei a mão em meus joelhos. A Monique tinha razão eu estava sendo patética com o DC. Agora que a Monique jogou tudo na minha cara eu vi o quanto idiota eu estava sendo com ele. Eu sabia que provavelmente era uma intriga que a Carmen queria provocar, mas quando eu vi os dois abraçados eu fiquei totalmente cega pelo ódio.

Peguei meu celular e liguei para ele. Mesmo odiando admitir a Monique estava absolutamente certa em tudo que disse. Eu nunca iria achar alguém como ele.

– Mônica? — Falou ele aflito no telefone.

– DC. — Falei. — Escuta... Vai naquela praça daqui a uma hora. — Falei a ele. — Não se atrase antes que eu mude de ideia.

– Mô... Espera... — Falou ele mas eu apenas desliguei e joguei o celular na cama.

Fui até o armário e me lembrei que não tinha nenhuma roupa. Droga! E eu não poderia ir para casa antes. O que eu iria fazer?

– Droga, nem uma peça de roupa. O que eu faço agora? — Perguntei irritada. Tudo sempre dá errado.

– Ér... Me desculpa atrapalhar mas eu esqueci minha bolsa aqui. — Falou Monique entrando no meu quarto e foi pegando a bolsa dela. — Não pude evitar de escutar a ultima parte da conversa.

– Intrometida. — Murmurei e ela não escutou.

– Vem até meu apartamento, eu tenho roupas, vou ajudar você e o DC a se acertarem. — Falou ela. — Vou ser a cupida de vocês. — Pensei em rejeitar, mas o que eu iria fazer se rejeitasse? Iria pelada?

~♥~

Nossa, quando eu soube que a Monique era de uma família rica não acreditei que era tão rica. O apartamento dela era enorme e tinha segundo andar.

– Eu não sou muito fã de vestidos. — Falou Monique. — Então vou tentar improvisar alguma coisa aqui.

– Tudo bem. — Falei me sentando na beirada da cama dela enquanto ela começava a procurar algo no closet dela. Vi em seu criado-mudo uma foto dela com um casal, provavelmente seus pais adotivos.

– ACHEI! — Gritou ela me fazendo levar um susto. — Veste essa lingerie. — Falou ela me jogando uma cinta e uma calcinha azul.

– Pode ser um sutiã normal. — Falei enquanto olhava a cinta azul.

– Pode apostar que você vai precisar disso. — Falou ela dando um sorriso malicioso para mim, eu senti meu rosto esquentar. — Estou te deixando sem graça? — Falou ela rindo. — Foi mal. — Falou ela tentando ficar séria.

Apenas ignorei ela e fui até o banheiro e vesti a lingerie e sai do quarto.

– Como eu não tenho um vestido veste essa blusa branca e essa saia. — Falou ela me jogando as peças de roupa.

Me vesti e olhei no espelho. Estava incrivel, não poderia negar que ela era mas legal do que eu imaginava. Afinal, sempre brigamos nunca conversamos sem trocar farpas.

– Vamos fazer a maquiagem. — Falou ela puxando uma cadeira para eu sentar. Ela passou uma sombra preta bem escura. — Agora o lápis preto.

– Não, o lápis eu passo. — Falei pegando.

– Porquê? — Perguntou ela confusa.

– Me da uma agonia se alguém faz isso em mim. — Falei passando. Ela passou um batom vermelho em mim.

Ela fez pequenos cachos no meu cabelo.

– Estou pronta. — Falei sorrindo para o espelho e ela começou a me analisar.

– Está faltando só uma coisa. — Falou ela correndo até um armário, de lá ela puxa uma caixa preta.

– Se vira. — Falou ela ficando atrás de mim. Ela levantou meu cabelo e colocou um colar, acho que era de ouro branco.

– M-mas isso deve ser muito caro. — Falei olhando ele.

– Por isso mesmo que se você perder terá que vender um rim para me pagar. — Falou ela séria e eu ri. — Estou falando sério se você perder esse colar...

– Já entendi. — Falei interrompendo ela antes que eu não levasse o colar.

– Onde vocês vão se encontrar? — Perguntou ela

– No parque. — Falei

– No parque? — Falou ela. — No parque vão muitas pessoas... Vocês precisam de privacidade.

– O que eu faço? — Pergunto.

– Eu tive uma ideia. — Falou ela com um sorriso.

– Monique... — Falei receosa enquanto ela pegava seu celular. O que essa louca vai fazer?

~♥~

Monique

O minimo que eu posso fazer pela Mônica é isso, e eu vou fazer. Vou juntar esses dois nem que seja a ultima coisa que eu faça.

Fui até uma das propriedades que meus pais tinham aqui na cidade, eles nunca vieram aqui, nem sei porque tem essa casa ainda.

Liguei para o caseiro que cuidava da casa e mandei ele preparar tudo. Tem que ser tudo perfeito. Nossa, estou levando a sério essa coisa de ser cupido deles.

Fui até a casa da Mônica e toquei a campainha, quando o DC abriu a porta mal deixei ele falar e puxei ele.

– Hei. — Falou ele se soltando.

– Vamos logo. — Falei

– Eu tenho que sair hoje. — Falou ele

– Só confia em mim. — Falei e ele me olhou receoso. — Você não confia em mim?

– Quer mesmo que eu responda? — Perguntou ele e eu revirei os olhos.

– É lindo ver o amor que você tem por mim. — Falei. — Mas entra logo no carro. — Ele cedeu e entrou.

– Mas e a Mônica?

– Eu vou te levar lá. — Falei. — Mas se você fazer alguma bosta você vai se ver comigo.

– Viraram amigas? — Perguntou

– Viramos irmãs. — Respondi

~♥~

Mônica

A Monique preparando uma surpresa para mim. Ironia do destino sim ou com certeza?

Tivemos uma baita discussão e agora estamos juntas como melhores amigas. E o mas incrível é que eu me sinto bem com ela, parece que nos conhecemos a anos.

Estava andando por um jardim lindo enquanto esperava a Monique chegar. Ela praticadamente me largou aqui e saiu.

Até que vi a Monique chegando com ele.

– Boa sorte. — Falou ela. — Vou indo, agora é com vocês. — Então ela foi embora.

– Então... — Falei sem saber o que dizer para ele.

– Mônica eu só queria di... — Interrompi ele com um beijo. Que saudade eu estava desses lábios.