Casamento Forçado
26 Nova aluna
~♥~
DC
Os raios que ultrapassavam a fina cortina queimava minhas pálpebras, eu acordei mas me recusava a abrir meus olhos e me deparar com a realidade, que aquilo tinha sido apenas um sonho. Cara, que sonho louco. Eu e a Mônica juntos... Isso era praticadamente impossível, nós brigamos desde que eu me conheço por gente. Não sei o motivo ou a razão de brigarmos tanto.
Tentei me mexer para evitar que o sol batesse em minhas pálpebras, já estava ardendo muito, tentei me mexer mas alguma coisa me impediu.
Abri meus olhos e vi a Mônica praticadamente em cima de mim. Sua cabeça estava apoiada em meu peitoral, seus braços rodeavam meu corpo e sua perna estava por cima da minha.
Demorei um tempo para assimilar tudo.
Então tudo foi real... Não foi apenas um sonho.
Um sorriso abitou meus lábios. Tirei os fios de cabelo que caiam em seu rosto. Comecei a fazer um cafuné em seus cabelos.
Fiquei pensando até onde essa paz duraria.
Estávamos falando de mim e a Mônica juntos.
– Bom dia. — Falou ela quase em um sussurro despertando-me dos meus pensamentos.
– Bom dia. — Respondi
– Já está na hora da escola. — Falou ela olhando o relógio.
– Ah... Não. — Resmunguei me virando para o lado oposto dela me cobrindo com um lençol — Me recuso a ir pra escola.
– Vou tomar banho. — Falou ela. — E depois o senhor também vai.
~♥~
Mônica
Entrei na banheira e senti todos os meus muculos se relaxarem.
Minha vida finalmente estava boa. Estava perfeita. Eu não me sentia assim a muito tempo. Acho que nunca. Nem com o Cebola... Meu Deus! O Cebola! Eu não terminei nosso "relacionamento", só estávamos dando um tempo até isso tudo acabar.
Resolvido, hoje mesmo vou terminar nosso "namoro". Eu achava que ele era a pessoa certa, tanto, que eu esperei até aquela história de me derrotar antes de ter um relacionamento. No final ele não conseguiu o que pretendia. Então eu conversei com ele e consegui fazer ele desistir dessa ideia absurda. Afinal, nossos tempos de crianças já acabaram faz alguns anos.
Saí da banheira quando percebi que o vidro do espelho estava embaçado. Fiquei tempo demais. Me levantei e senti a brisa fria encontra meu corpo nu. Odeio frio.
Me sequei rápido tremendo de frio e coloquei minha roupa. Fiz uma maquiagem rápida. Eu queria estar linda hoje.
Respirei fundo e saí do banheiro. Acordar o DC não é uma das tarefas mais fáceis. Me lembrei da ultima vez que fui acordar ele e acabei jogando um balde de água nele. Não sei o porque de brigarmos tanto.
Olhei no quarto e ele não estava. Olhei na varanda e ele estava encostado na cerca de proteção olhando a cidade. Nossa... Eu era cega de não perceber o quanto ele era perfeito. A algum tempo atrás eu tentava entender o por que das meninas da escola caírem aos pés dele. Agora eu entendo.
– Ér... Vamos? — Falei chamando a atenção dele.
– Fazer o que? — Falou ele entrando dentro do quarto. — Vamos.
~♥~
Monique
Eu estava jogando as ultimas roupas que tinham em meu guarda-roupa em minha mala. Peguei meu casaco xadrez e coloquei por cima de minha roupa.
– You can't just leave the house, daughter! (Você não pode simplesmente sair de casa, filha!) — Falou a senhorita Annie na porta aos prantos.
– Don't call me daughter! (Não me chama de filha!) — Gritei com lágrimas nos olhos.
– Yes, you're my daughter! (Sim, você é minha filha!)– Falou ela chorando. — Don't believe what Johnny said. (Não acredite no que Johnny disse.)– Ela tagarelava em meu ouvido. Coloquei a última roupa dentro da mala e fechei ela.
– I discovered all! (Eu descobri tudo!) — Falei colocando meus óculos escuros. Não queria que ela visse que eu estava chorando e sofrendo com isso. Ela não merecia nem minhas lágrimas. Eu saí do meu quarto sendo acompanhada por ela.
– Você vai mesmo largar sua vida aqui na Califórnia para ir para um fim de mundo? — Falou ela agora em português limpando suas lágrimas. Provavelmente ela disse em português para os empregados ali presentes não soubessem o que estávamos discutindo — Pois eu digo que você não aguenta um dia no Brasil, sem sua vidinha de luxo aqui.
– Bye, Bye. — Falei ignorando tudo que ela disse. Desci as grandes escadas com um pouco de dificuldade por causa da minha grande mala.
– Você é apenas uma pessoa mesquinha. — Gritou ela e eu olhei para cima. Como ela podia ser tão falsa? — Isso é apenas uma fase de negação, eu aposto que em alguns meses você já estará aqui na minha casa rastejando para voltar a ter sua vida de antes.
– Aí que você se engana, senhorita Annie. — Falei sarcástica. — Eu nunca mais coloco os pés aqui.
– Eu não deveria ter ficado com você. — Falou ela negando. — Se eu tivesse pegado a outra a história teria sido bem diferente. — Como ela pode ser tão fria? — Você custou uma fortuna. Ingrata! — Eu estava contando até dez mentalmente para não agarrar no pescoço dela e mata-la ali mesmo. — Você nunca teria essa vida de luxo no Brasil, eu te tirei do buraco no qual você nasceu!
– Você estragou minha vida. Sua desgraçada! — Eu gritei indo até a grande porta principal. — Até nunca mais! — Falei batendo a porta tão forte que por pouco não acabou quebrando.
Só foi eu sair daquela casa que eu me senti mais leve. Minha vida ali foi um inferno. Um completo inferno.
Nunca desde que eu nasci tive algum tipo de carinho ou amor por parte de meus "pais".
Em partes ela está certa, eu sou uma pessoa fútil e mesquinha. Eu fui criada assim, não poderia ser diferente.
Aquela família era apenas de aparências. O casamento deles era apenas uma faixada, eramos a família mais rica de todo estado. Fora de casa eram apenas carinhos e sorrisos, mas dentro de casa... Eles brigavam dia e noite.
Cada passo que eu dava na calcada meu sorriso aumentava. Sentir a brisa em meu rosto e o sol quente da Califórnia era a melhor sensação. Sensação de liberdade. Meus cabelos ruivos se balançavam juntos ao vento.
Fui próxima à pista e fiz sinal e um táxi parou em minha frente. Nunca tive problemas com isso, afinal, quem iria negar carona a filha do renomado empresário Johnny Rick Smith?
Entrei no táxi e segui para o aeroporto internacional. Queria sair o mas rápido possível do país antes que a senhorita Annie Bayer Smith ligasse para o senhor Johnny Rick Smith, como ele prefere ser chamado, viesse atrás de mim... O que eu duvido muito pois ele deve estar muito ocupado com seus projetos para perder tempo comigo.
Paguei a corrida de táxi e saí do carro. Fui até a área de embarque e mostrei meu passaporte para a atendente. Tirei minhas pulseiras de ouro para passar no detector de metais. Andei em meio as várias pessoas que passavam ali.
"First call for flight three hundred and fifty." (Primeira chamada para o voo trezentos e cinquenta).
Escutei isso e meu coração acelerou. Era agora ou nunca.
Andei até o avião e subi as escadas. Me sentei na primeira classe na janela.
Eu iria achar ela, iria achar minha mãe biológica nem que fosse a ultima coisa que eu faria nessa vida.
~♥~
Mônica
Entrei na escola, me despedi do DC e fui procurar o Cebola. Eu quero tirar esse peso da minha consciência. Estou me sentindo uma vadia traidora.
Procurei por alguns lugares e não achei. Onde ele estava?
Fui até o ginásio e achei os meninos jogando futebol.
– Cebola! — Gritei e ele olhou para mim ofegante. — Preciso falar com você.
Ele sussurrou algo no ouvido do Cascão e veio em minha direção.
– O que foi? — Perguntou ele limpando o suor da testa.
– Quero falar com você... em particular. — Falei e ele assentiu
Andamos até as arquibancadas do ginásio, um pouco mas afastado do campo.
– O que aconteceu Mô? — Perguntou ele
– E-e-eu... — Respirei fundo e reuni minha coragem. — Eu quero terminar com você. — Falei rápido.
– Como? — Falou ele. — Por quê?
– Eu estou gostando de outro homem e não acho certo prender você e ele. — Falei e ele olhou para baixo.
– É o DC? — Falou ele com amargura na voz
– Sim, é ele. — Falei
– Como você pode fazer isso comigo? — Falou ele irritado. — Eu falei que deveria ter te derrotado antes. — Falou ele. — Se não isso não estaria acontecendo.
– Não tem nada a haver com isso Cebola. — Falei. — Eu simplesmente não amo mais você. Eu só tenho um carinho, um carinho de amigo, um carinho de irmão.
– Isso não vai ficar assim. — Falou ele andando até a saída. — NÃO VAI MESMO. — Gritou ele quando já estava mais longe.
Apenas saí do ginásio. Ele tinha que entender que eu não amo ele. Eu já estava mas aliviada.
O sinal soou pelo colégio. A chatice começou. Peguei meus livros e fui correndo até a minha sala. Eu tinha aula de inglês e a Magali estava na mesma aula. Ainda bem.
Me sentei na cadeira ao lado da Magali.
– Bom dia. — Falei
– Bom dia. — Falou ela. — Tem uma aluna nova.
– Legal. — Falei
– Oi alunos. — Falou a professora de inglês. — Hoje temos uma aluna nova.
Então entrou uma menina ruiva ela usava uma touca preta, um óculos de sol, uma camisa branca com as mangas pretas e um short da mesma cor das mangas.
– Se apresente. — Falou a professora enquanto ela tirava os óculos de sol.
– Bem... Eu sou Monique Smith. — Falou ela. — Tenho dezessete anos.
– De qual colégio você era? — Perguntou a professora.
– Colégio Internacional da Califórnia. — Falou ela olhando para baixo.
– An American here in our college? — Perguntou a professora. Ninguém entendeu nada.
– Yeah! I'm from San Francisco, California. — Respondeu ela. — I can sit in my chair?
– Of course. — Respondeu a professora e ela se sentou na penúltima fileira. Eu não gostei dessa nova aluna.
– Não gostei dela. — Murmurei para a Magali
– Me parece simpática. — Falou Magali sorrindo. — Podemos falar com ela no recreio.
– Acho melhor não... — Falei
– Deixa de besteira. — Falou a Magali. — Você nem conhece ela.
– É... Eu não conheço. — Falei olhando ela mexer em seu material escolar.
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