Casa, crias e outras coisas mais
14 Capítulo 14 - Maressa
Eu sou uma centenar. Geração Z. Nasci com a evolução da tecnologia e entre a aceitação social. Nos chamam de Geração Liberdade. Somos conhecidos por nossa liberdade e por sermos mimados egocêntricos.
Faço o que posso para não sentir nada. Sexo, remédios, bebidas. Qualquer coisa para me livrar da dor. Me livrar da ausência do meu pai, de todo amor que depositei em pessoas que não retribuiram.
Fui estuprado por seis homens e dois dias depois estava na aula como se nada tivesse acontecido. Isso deve doer bastante né? A maioria nunca se recupera de coisas assim e eu tipo: "Vamos a uma festa!".
—II-
Esther já não era mais a mesma desde o último acontecimento na casa. O suicídio de Larissa não apresentava motivos claros, e com certeza, foi algo muito repentino.
Clis, a Empregada tinha algo a ver com isso, não sei ao certo como, mas tinha. Seu sumiço é um grande carimbo de culpa pregado em sua testa.
Uma pequena passada pela morte, foi isso que aqueles malditos comprimidos ofereceram a pobre mulher. Não tinha muitas ligações com a vadia, mas também não desejava que morresse assim.
No seu funeral, Pete estava no chão, sua primeira infectada, a que ele mais amava dentre todas nós estava morta agora. Deve ter sido difícil ver a menina de pele oliva brilhante agora ficar com a pele acinzentada e os lábios tão roxos quanto uma tempestade que antecede um furacão. Tanta beleza, agora transformada em podridão... Podridão que servirá de comida para terra e seus vermes.
—III-
Estava sentada em minha cama, sobre os finos tecidos persas que ganhara de Bruna a um ano atrás. A mansão estava em completo silêncio, em luto, o clima tenso não é com toda certeza o que mais me agrada.
Magnólias negras estavam à frente da casa junto ao laço negro que Pete pendurou na porta principal...
— Oi. — disse Bruna com em tom suave enquanto entra quarto a dentro.
— E ai, o que cê tá fazendo aqui? — perguntei incomodada.
— Eu só vim pra te dizer que estamos de olho em você...
— De olho em mim? — interrompi Bruna — olha bem se eu ia ao mínimo me preocupar com alguém como ela. Poupe meu tempo, que por sinal é precioso, e saia daqui.
— Sim, sairei, mas saiba que ainda não confiamos em você!
Um olhar penetrante foi o suficiente para que ela parasse de falar e saísse do meu quarto.
Aquela acusação me deixou incomodada e um tanto quanto curiosa, sabia que algo estava acontecendo e cedo ou tarde, o pior estaria por vir...
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