Casa, crias e outras coisas mais
15 Capítulo 15 - Domingos
A caminhada pelo centro havia sido calma, mesmo com todos os tropeços e gritaria dos compradores andado pela rua sem rumo.
Dessa vez algo estava diferente, mudado. Eu parecia não compreender mais minha própria cabeça, chegava a ser assustador. Mas com toda certeza isso só acontecia quando ele estava por perto.
Olhei para Pedro com o taco de bilhar na mão esperando por sua vez na jogada e levantei um copo de gin tônica ao ar com um leve sorriso, brindei a distância aquela noite, incomum e tranquila, do outro lado do balcão.
Pedro se aproximou com passos leves e seu sorriso galanteador. A jaqueta de couro estava folgada em seu corpo, mas em compensação, sua camisa com estampa de leão estava ajustada em seu corpo. Em suas mãos, uma garrafa de cerveja preta…
—Não sei como vocês, mocinhos, conseguem beber essa porcaria com nomes difíceis de soletrar._murmurou sorrindo diretamente para mim.
— Talvez não seja a bebida a “porcaria “, mas sim quem a busca. Como essa cerveja em sua mão, certamente, uma porcaria para uns, mas pra você, uma cabana com cheiro de abraço de mãe…_sorri irônico.
Minhas palavras foram o suficiente para Pedro, que deu o último gole em sua cerveja e colocou a garrafa agressivamente sobre o balcão.
—Então, tá afim de ir uma rodada?_deu as costas pegando o taco de volta.
Apanhei um dos tacos a minha frente e o acompanhei.
—II-
— Me surpreendeu, muito melhor do que eu imaginava — falava Pedro enquanto entrava atrás de mim pela porta da casa. Pena que não possa ser como eu!
— Não se iluda tanto, bonitão._desviei meu olhar para o chão com um sorriso.
As vagas risadas duraram por alguns milésimos de segundos, as mãos de Pedro se esfregavam em ânsia de encontrar conforto ao clima tenso que tomara conta do momento e até que perguntou:
—Onde fica o banheiro?
— Apenas siga reto.
O observei virar as costas, logo me dirigi ao piano da sala, o qual estava uma garrafa de Wiskey envelhecido de cinquenta anos, servi-me de um copo e o devolvi a seu lugar. Admirei os quadros na parada, de meus irmãos e Criados com certa melancolia. Passados alguns minutos, Pedro retornou a sala, rindo como riu maior parte da noite…
—Adorei o seu banheiro, além de bonito cheira…
— Vamos mesmo continuar com isso?_ interrompi.
— Como assim?
— Como assim… — uma risada irônica tomou conta de mim. — Você transa com minha filha dizendo que a ama, depois transa com o irmão dela, e agora quer transar com o pai. Chega a ser engessado, cena de um filme…
— É melhor você parar com isso, ou…
— Ou o que?! — gritei calando-o. Acreditaria que não era nada, se eu não tivesse visto todos aqueles presentes e flores com cartões escritos “te amo”. Mas é isso que você é, típico clichê que usa couro e coturno…
Avançou com um canivete para cima de mim, antes que eu pudesse terminar. Retirei a arma da parte de trás de minha calça e atirei, um tiro bem na testa, certeiro. Vi Pedro caído no chão, próximo a meus pés e seu sangue empoçando meu tapete.
Olhei para trás e vi Bruna parada na porta, com os olhos fixados no chão.
—Livre-se desse corpo._dei as costas.
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