Cartas para um beija-flor
7 Carta 7 – Filha
5 de novembro de 2018
Querido beija-flor,
Eu lembro que, logo no nosso primeiro mês de namoro, você me confessou que já tinha me imaginado segurando o nosso filho no colo. Foi um momento leve e puro. Nunca um rapaz tinha me dito isso antes.
Embora eu sonhe mais com uma carreira de sucesso do que com uma família, eu até que gostei da ideia de um dia te dar um filho. Mesmo assim, não quis te dar falsas esperanças. Eu fui direta como um tiro: disse que não queria ser mãe. Você ficou muito triste, mas se conformou. Disse que, por mim, abdicaria do sonho de ter um filho.
Mesmo assim, você continuou me mandando vez ou outra fotos de belos bebês, quem sabe para me despertar o desejo de ter o nosso daqui a uns dez anos. Quando você viu minha foto de criança, ficou tão doido que exclamou: "Uau, você não só era uma criança bonita, era uma criança de parar o trânsito! Definitivamente não teria filhos feios!". Eu me emudeci. Como não me derreter como sorvete ao sol depois de ler um elogio desses?
Sua preferência era por meninas. Se fosse para escolher o sexo do bebê, seria menina. Tinha até um nome em mente: Eloá. Eu fiquei com aquilo na cabeça. Eloá é um nome muito bonito. Bonito como o nosso amor.
Agora que terminamos, eu te confessei que você já me fez ter vontade de revogar a minha decisão de nunca ser mãe. Você disse: "É? Deve ser porque a minha empolgação é contagiante". Sim, quando você fala do seu desejo louco de ser pai, não tem como não ficar emocionado.
Pra completar, você também me confessou que ontem se imaginou com uma mulher e uma filha. E, apesar do término, na sua mente essa mulher era eu.
Mas veja pelo lado bom: agora que você não namora mais uma garota que não quer ser mãe, há chances de você conseguir uma que queira isso tanto quanto você. Você finalmente poderá realimentar esperanças de ter a sua Eloá.
Só não será comigo...
Com amor,
Da sua eterna flor.
♡
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