Notas iniciais
BAM!! Mais um cap! E - tcham tcham tcham tchaaaaaaaaaam - nós sabemos onde Derek está!! =D

1 de setembro de 2011

Derek

Muito obrigado.

Sério.

Eu tinha terminado de ler a carta e — sei lá se eu estava emocionado ou qualquer coisa parecida — eu meio que chorei um pouquinho. É que, tipo, tem muitas pessoas que se distanciam de mim quando elas descobrem isso, e eu tive medo de falar isso quando nós começamos a escrever.

Eu tive medo.

Eu não sei o porquê desse medo todo — afinal, muitas pessoas não dão a mínima pra isso. Muitas delas não se importam comigo desse jeito, muitas escolhem só me ignorar porque tem algum tipo de medo, e têm muitas outras que seguem na minha vida sem nem sentir a diferença. E sem eu sentir a diferença.

Por isso foi importante pra mim essa tua última carta.

Eu não quero ficar aqui falando um zilhão de vezes sobre tudo isso, mas eu fico feliz que tu pense assim, e eu realmente espero que tu pense assim — porque eu prefiro que as pessoas não mintam. Às vezes é muito mais difícil a gente continuar tendo aquela pessoa na nossa vida e perceber que ela não se sente confortável com a gente, do que não ter ela mais.

Por isso eu te digo, se tem alguma coisa que te deixa desconfortável, ou até mesmo um assunto que tu não queira comentar, me diga.

Olhando pra trás, eu nem percebi o tempo passar tanto, mas nós já estamos de volta às aulas. E eu entrei no meu penúltimo ano de escola, o que eu achei que seria um pouco mais emocionante do que parece, mas tudo bem. Nós quatro somos inseparáveis agora — eu, Scott, Allison e Lydia. Nós não temos todas as aulas juntos, mas no almoço estamos sempre na mesma mesa e nos intervalos nós andamos juntos.

É até engraçado de imaginar esse nosso grupo, pois meio ano atrás a Lydia estava ficando com Jackson, um babaca que foi pra Londres e largou ela. Naquela época que eles estavam juntos eles comandavam a escola. Mas depois ela ficou sozinha, e decidiu abraçar essa veia intelectual dela, e depois veio a Allison, que virou amiga dela e namorada do Scott, e nós todos ficamos juntos.

E é legal. Eu gosto deles e eles gostam de mim e a gente se faz bem.

Bom, e ser amigo da Lydia me fez aparecer na escola, pois o garoto gay mais famoso da escola — Danny — até deu umas olhadas pro meu lado. Não que eu esteja interessado nele e tudo mais. Não que ele seja feio — pois ele não é, e aquele tanquinho prova isso — mas acho que ele não faz meu tipo. Ou coisa assim.

Não que eu saiba exatamente qual é meu tipo.

E não que você precise ficar ouvindo isso, né?

Enfim, queria desejar um bom 11 de setembro — se tem esse tipo de coisa. Eu não sei onde você está, mas talvez o motivo de você estar aí tenha sido esse dia — que eu espero que nunca se repita, porque nós perdemos muitas boas pessoas.

Bom trabalho e continue nos protegendo,

do seu companheiro de cartas,

Stiles

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“Scott?” Os dois caminhavam em direção ao campo de lacrosse. O primeiro treino da temporada iria começar.

“O que?” Scott perguntou em meio aos goles de água que tomava.

“Será que eu sou atraente pros garotos gays?” Stiles perguntou ao seu amigo, cara fechada e dúvida estampada no rosto.

“Eu acho que, huh…” Scott olhou para Stiles, percorrendo todo o corpo dele, sobrancelhas apertadas. “Não sei?”

“Huh? Você me olha de cima a baixo e não pode me dizer se eu sou pelo menos pegável?” Stiles balançava as mãos pelo ar enquanto falava.

“Não sei, Stiles. Tu não faz meu tipo, eu acho.” Scott apontou um mão pra ele. “Eu prefiro cabelo comprido? E escuro, não que o teu não seja escuro. E eu prefiro um pouco mais de protuberâncias nessa região aqui,” ele disse apontando para o peito do Stiles, “e menos nessa região mais aí pra baixo.” E terminou apontando para aquele lugar. Aquele mesmo.

“Tá. Eu entendi. Allison é a menina perfeita.” Ele continuou caminhando e Scott o seguiu. “É que eu não sei se alguém vai me achar, assim, bonitinho, fofinho. Coisa assim.”

“Entendi. Eu só não…”

“Não, Scott, não me precisa me chamar de bonitinho ou fofinho.” Stiles olhou pra ele, sacudindo a cabeça.

“Nem coisa assim?” Scott perguntou, arqueando uma sobrancelha.

“Não, seu boboca.” Ele tentou bater de leve na nuca de Scott, mas ele se virou e pegou a mão do Stiles. Então eles começaram a tentar, desajeitadamente, a se bater em alguma parte do corpo.

“McCall! Bilinski! Parem já com essa mariquice! Danny é o único gay do time e ele parece mais homem que vocês dois juntos!” O técnico do time, Finstock, gritava para os dois pararem de brigar. Eles se separaram.

“Eu acho que isso foi um pouco preconceituoso, não foi Scott?” Stiles pediu para seu amigo, mas antes que ele pudesse responder, uma voz soou de trás dos dois e eles se viraram.

“É preconceituoso sim, mesmo que ele tenha um pouco de razão sobre vocês dois, mas ele acha que essa é a maneira de me incluir no time.” Danny disse, olhando para os dois, mas sorrindo apenas para Stiles. Ele continuou caminhando, porém deu só alguns passos antes de se virar e dizer. “E sim, Stiles, você é pegável. Especialmente quando cala a boca.” Ele sorriu de novo e se virou para continuar o caminho até os bancos.

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10 de setembro de 2011

Stiles

Já lhe disse e vou dizer de novo, eu não tenho problema algum contigo, muito pelo contrário, eu gosto muito das nossas cartas — e tenho certeza que não vai ter algum tipo de desconforto. Exceto se tu falar de circuncisões, como eu disse antes, eu não gosto muito de cortes e tudo mais.

E todas essas dúvidas sobre o que você gosta e quem você gosta são absolutamente normais. Sério, todo mundo tem. Inclusive eu, que já sou mais velho que você e ainda tenho elas. E tenho elas bastante vezes.

É super normal a gente não saber de tudo que gosta, ou ao menos descobrir que gosta de novas coisas. A vida é sempre assim, vai ter um dia que a gente descobre que gosta disso e não daquilo, depois a gente troca.

Um dia a gente acha alguma coisa que gosta da gente o tanto quanto a gente gosta daquela coisa — ou daquela pessoa — e pronto.

E é bom que vocês tenha essa amizade aí pela escola — eu lembrei da minha época na escola e das minhas amizades, quando eu li a carta. E foi bom. Tenho boas memórias daquela época. E você também tem que fazer as suas boas memórias dessa época.

Amanhã nós vamos ter uma pequena homenagem as vítimas do 11 de setembro, aqui em nossa base. Mas eu não estou na minha base por causa daquilo. E minha base não é no oriente médio.

E acho que está na hora de eu te contar aonde que eu estou né?

Eu estou no Kosovo, estacionado no Campo Bondsteel.

Pronto, falei.

Até a próxima carta,

Derek