Cartas para Derek

25 Quando seu nome escapa dos meus lábios


Notas iniciais
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E-mail de Laura para Derek

Derek

Eu quero saber o porquê de você nunca ter me contado sobre Stiles? Aquele garoto é maluco por ti, como aquilo aconteceu? E quando?

E por que eu não fiquei sabendo?

Sabia que ele veio até São Francisco? Ele pediu pro pai dele encontrar meu endereço, ele dirigiu até aqui, me achou e veio falar comigo, ele veio pedir de você. Ele veio encontrar uma maneira de saber como você está, Derek.

Ele é uma coisa de outro mundo.

Eu quero saber mais sobre ele.

E quero que você me conte.

E, se você quiser saber, eu aprovo.

Laura

*ele deixou escapar que ele não faz ideia de como você é e eu menti pra ele dizendo que não tinha nenhuma foto sua no meu telefone. E quando ele não tava olhando, eu tirei uma foto dele.

Vou querer um bom presente de Natal, só avisando.

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Derek passou o dia trabalhando com papéis e estava pronto pra deitar na cama e morrer dormindo, após tomar um banho. Ele iria checar o e-mail que Laura mandou pra ele, que ele tinha visto chegar em sua caixa de entrada, mas não queria abrir no trabalho, e depois ir dormir.

Ele não fazia ideia do que ela estava falando, quando ele abriu a correspondência.

E ele começou a tremer quando leu o nome dele. A respiração ficou presa, por um instante, pra depois ele exalar e tentar respirar profundamente. O coração batia forte e as mãos pareciam indecisas. A mente voava a milhares de quilômetros por hora.

Ele veio encontrar uma maneira de saber como você está, Derek.

Derek leu e releu. De novo e outra vez. Ele não conseguia acreditar nas palavras, não conseguia acreditar em Laura. Ele ficou sem saber o que fazer.

Não sabia se lia tudo de novo, se respondia Laura, se pensava ou não. Ele ficou debatendo o que fazer até que ele percebeu que havia um anexo.

Ele baixou o arquivo para seu computador e na hora de abrir ele respirou fundo. Ele sabia que era um foto que Laura havia tirado, a primeira que ele ia ver do garoto. A primeira vez que ele poria uma cara ao nome que assombrava os pensamentos dele.

Ele clicou.

A respiração dele parou e um sorriso se abriu nos lábios dele.

Derek olhava para a foto, borrada, do garoto. Ele estava sentado, olhando para a rua. Vestia um canguru vermelho, que deixava um pouco de cor no rosto dele, cabelo curto e sorriso aberto. Derek olhava para os detalhes da cidade, esquecida, ao fundo, e as pintas na pele dele.

De Stiles.

Ele olhava para o formato dos lábios, os cílios, os olhos escuros.

Ele olhava para o garoto, e não conseguia parar de olhar.

Ele não conseguia.

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Dizem que, às vezes, o amor encontra a gente sem a gente nem perceber. Que o amor escolhe uma maneira inusitada de se infiltrar em nossa vida, e, quando a gente menos espera, ele dá as cartas e o jogo está feito.

A gente nem se dá conta de que o amor nos controla.

Ele chama as jogadas, ele domina a nossa mente. Ele escolhe os melhores momentos para aparecer, e os piores também. Ele não diz que sim nem que não, ele só diz “vai”.

Ele não obriga, mas também não dá outras chances.

Ele é imprevisível.

E, imprevisivelmente, eu me apaixonei por alguém. Alguém que eu não sabia nem o rosto, alguém que se aproximou de mim de uma forma inesperada, inusitada. Alguém que não disse sim nem não, só chegou e fez seu lugar. Alguém que não me obrigou a nada, mas não me deu qualquer outra alternativa.

Quando Stiles entrou na minha vida, eu descobri que o amor não é uma coisa, o amor é uma pessoa.

O amor é a aquele que faz a diferença no teu dia, e quando ele não está lá, você sente que, um pedaço seu, falta. O amor é aquele momento em que você não tem o que fazer a não ser sorrir da sua vida, e percebe que essa seria a melhor coisa que você já fez.

O amor é aquele movimento do vento que acaricia os teus cabelos, o sol que beija a tua pele, o cheiro das flores que perfumam o ar e os pássaros que criam os sons da trilha sonora da natureza. O amor é o carinho e o calor de um braço a roçar no teu, os pelos se eriçando quando você se sente à beira do abismo.

O amor é o abismo.

E meu abismo se chama Stiles.

E eu só percebi o quão fundo ele era, quando eu estava em queda livre, há muito tempo, sem nem perceber.

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Quando Derek deitou na cama, os sorriso ainda brilhava no rosto dele. Ele não conseguia tirar a imagem do garoto, sentado, mirando ao nada, à disposição dos olhos de Derek, à merce da mente dele, que vagava imaginando Stiles.

Derek não conseguia pensar em outra coisa.

E naquele momento, no quarto escuro, sozinho na cama, ele começou a relembrar todos os sonhos que ele teve. Aqueles sonhos que não tinham um rosto pra ele saber quem era.

Ele começou a capturar cada imagem daqueles sonhos, que ainda estavam guardadas na mente dele, e colocar Stiles em cada um deles. E cada vez mais, aqueles sonhos pareciam muito mais do que sonhos, mas desejos, insaciáveis, desejos que Derek, mais do que tudo, começava a rezar para que se tornassem reais.

Ele via um garoto beijando ele, e Stiles apareceu na mente dele, sorriso no rosto, pressionando seus lábios nos de Derek, o calor da boca se espandindo, as mãos dele correndo pelas costas de Derek, enquanto ele sentia os cabelos curtos de Stiles nos dedos dele.

Ele via mão apalpando os músculos de Derek, mãos compridas, com dedos finos e brancos. Ele via aquela mão indo aos poucos, caminhando lentamente pela perna dele, percorrendo o caminho até o centro de Derek, brincando.

Ele via alguém com a boca no membro dele, e na mente de Derek, as mãos dele roçavam na cabeça com pouco cabelo de Stiles, ele sentia aqueles lábios sugando ele, fazendo sons abafados. Ele sentia o calor correndo pelo corpo dele, as mãos longas de Stiles apalpando Derek.

As imagens se misturavam na cabeça dele, sonhos e fantasias se transformavam numa coisa só. O corpo de Derek pulsava com as imagens, ele sentia se mexer dentro dele, ele sentia.

As mãos percorreram o corpo, até que se agarraram no membro de Derek,que ele mexeu pensando em Stiles. Pensando nele tocando em Derek, sugando Derek, tomando o controle de Derek ou se oferendo para ele.

Derek só pensava nele, e quando o nome de Stiles escapou da boca dele, ele sabia que não tinha mais escolha.

O amor não obriga, mas também não deixa escolhas.

Stiles nunca me deu nenhuma escolha, eu era dele, e nem sabia.