Cartas para Derek
26 Espera e importância
Notas iniciais
20 de julho de 2012
Derek
Eu até iria me desculpar por ter literalmente procurado pelo endereço da sua irmã na polícia e ido até a casa dela sem avisar nem nada. Eu iria dizer que eu sinto muito que eu fui intrometido, que eu praticamente invadi a privacidade e a vida dela, sem nem saber se eu poderia fazer alguma coisa assim.
Mas eu não vou.
E eu vou ser bem sincero quanto ao porquê.
Eu só queria saber como você estava. E agora que eu sei, está tudo bem. Eu fiz tudo isso pra saber como você estava e eu consegui saber, e Laura me deu seu e-mail e eu demorei um tempo pra criar a coragem de te mandar um, mas agora que eu criei, eu decidi escrever.
Foi mais de meio ano desde que nós perdemos contato.
E eu fiquei todo esse tempo sem nem saber se tu tava vivo, Derek. Eu nem sabia se tu iria lembrar de mim, e tu nem tinha comentado sobre mim pra tua irmã e metade de tudo que eu fiz foi absolutamente no escuro, duvidando de cada passo que eu ia dar e tendo medo de cada momento em que eu abria minha boca pra conversar com ela.
Eu não fazia a mínima ideia de que eu fosse chegar assim longe, de eu conseguisse um jeito de me comunicar contigo, de novo.
E aqui estou eu.
Eu já lhe disse, mas vou dizer de novo, eu tive medo de voltar a falar contigo. Não medo, medo, mas um pouco de receio. Eu não sabia se eu deveria e, se não fosse por Laura — sim, pois foi ela que me disse que eu deveria falar contigo — eu não teria criado o pouco de coragem que me leva por essa carta.
Eu… Eu não sei se nada do que aconteceu entre nós — não exatamente entre nós, mas as coisas que tem a ver conosco — faz sentido. Eu não sei. Eu…
O que que tem entre a gente, Derek?
Será que eu sou muito bobo? Será que eu fico imaginando coisas? Eu… Eu não sei, sabe? Eu não sei se faz sentido toda essa minha vontade de saber de ti, de saber como você está quando eu nem ouvi falar do teu nome pelos últimos meses. E como que eu vou saber que tudo isso é real? Que não passa de uma bobagem na minha cabeça?
E eu tô literalmente me declarando pra você, de uma forma, e eu nem sei como você se sente. Eu nem sei como você é, seu rosto, sua voz. Eu…
Eu não sei, Derek. Eu não sei o que eu sinto, eu não sei se faz sentido, eu não sei se eu deveria sentir isso e eu nem sei se eu deveria estar mandando isso pra você. Mas eu decidi que se não fosse mandar agora, acho que nunca mais mandaria. Se eu não fosse colocar isso pra fora, eu nunca colocaria mais.
Eu só quero saber se isso é estranho, se a gente não tem nada a ver e se tu vai conversar comigo ainda.
Só.
Então, se você não quiser saber mais de nada, só me diga. Eu não consigo mais mentir tanto, e não faz nem sentido, principalmente depois do que eu passei nos últimos dias. E se não ficou claro o que está acontecendo, eu vou dizer de novo:
Derek, eu gosto de você, mais do que um amigo. Eu não sei como aconteceu, nem de que jeito, mas quando eu vi, tu já tava na minha cabeça, e de lá não sai.
Eu quero mais do que isso, mas se tu não pode me dar, fala logo.
E eu sei que isso parece completamente maluco, mas eu prefiro que isso aconteça de uma vez, antes de a gente ficar só levando isso como se nada importasse.
Pra mim importa.
Stiles
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Stiles queria morrer quando ele terminou de escrever para Derek e clicou em “enviar”. Ele sabia que aquilo poderia ser o maior erro da vida dele. Ou pelo menos algum dos erros que ele iria fazer.
Ele parecia maluco por mandar um e-mail como aquele, mas se não ficou claro o que estava acontecendo, principalmente o fato de ele mover mundos e fundos pra saber sobre aquele homem, bom… Se Derek não entendesse que Stiles se importava com ele, talvez seria melhor que eles não se falassem mais.
Stiles tinha jogado todas as cartas dele, tinha feito tudo que queria fazer e tudo que poderia fazer, agora era só esperar.
O difícil era ficar sentado, sem saber o momento em que tudo ia acontecer, esperando por uma resposta. Esperando que Derek, pelo menos, respondesse. Esperando por algum sinal, alguma cosia pra ele seguir em frente, pensar em Derek ou desistir dele.
Era agora ou nunca.
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Derek olhou estarrecido para a tela do computador dele. Coração batendo forte, respiração rápida. As palavras de Stiles rebatiam na sua mente e ele fazia elas, sussurrando e suspirando, com a sua boca.
Ele não sabia se apertava os lábios, se as lágrimas nos olhos dele eram reais, se ele estava feliz ou triste. Ele não sabia se tudo estava acontecendo ou era mentira. Ele não sabia.
Ele olhou para o teto do quarto dele e suspirou.
“Droga.” A voz dele se contorceu ao sair da boca e ele sentiu medo.
Ele sentiu medo da força que as palavras de Stiles tinham nele. A vontade por trás de cada uma delas, os sentimentos, tudo que tinha no coração daquele menino. Daquele homem.
Daquele que fez de tudo pra saber como Derek estava, que foi pra outra cidade, descobriu sobre a vida dele e conversou com a irmã de Derek. Conseguiu superar uma das barreiras de Laura, uma das que Derek demorou meses para superar. Stiles conseguiu isso em minutos.
Derek não sabia se as lágrimas saindo dos olhos dele eram por que Stiles sentia por ele o mesmo que Derek queria esconder, ou se ele se entregou tão abertamente pra Derek sem nem saber como ele era, confiante de que tudo estava bem. Stiles se abriu pra Derek sem nem saber como ele era.
E se isso não era um sinal de mais do que confiança, Derek não sabia o que era.
Derek tinha medo.
Medo de que ele não fosse o bastante, medo de decepcionar Stiles, de ser errado o suficiente pra ele desistir, tinha medo de machucar ele, de ter enganado Stiles e feito ele de bobo.
Mas mais do que tudo, Derek tinha medo de nunca ter a chance de ver ele, de tocar nele e beijar ele. De olhar no fundo dos olhos de Stiles e dizer que ele importava também.
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