Notas iniciais
NOVO CAPÍTULO!!! Lembrem de comentar aí, de me mandar mensagenzinhas - que eu adoro - e de interagir comigo, pessoal!! Eu gosto de discutir a história com vocês e gosto de saber das coisas que vocês curtem - ou não - nas histórias. Ah, lembrem de ler as minhas outras duas fics aqui no Nyah! - Smarty e König - as duas são sterek. Smarty é uma super comédia e König é um drama cheio de sexo - pra quem curte, dá uma olhadinha nelas, comenta e conversa comigo!! Amanhã tem novo cap de König - só pra avisar! =D

Algum tempo depois...

“Oi, mãe.” Stiles disse, calmamente, ao se sentar no chão, próximo à lápide. “Parabéns.” Ele falou, voz baixinha e embargada. Lágrimas caíam dos olhos dele, mas seus dedos, firmes, plantados ao chão, não faziam nada. Elas escorriam sem ele perceber.

“Feliz Aniversário, mãe.” Ele disse, fungando um pouco, e logo limpando o nariz no antebraço. “Eu queria ter trazido o pai junto, mas sabe, ele tem o seu jeito especial de comemorar o teu aniversário — que não inclui uma visita por aqui. E eu, pensando agora, também acho que não deva ser o mais saudável eu estar por aqui. Ou sei lá.”

“A única coisa que eu sei é que eu me sinto bem aqui.” Ele disse calmamente. “Sabe, eu ainda não sei como encontrar o Derek. E eu até peço desculpas por sempre começar as minhas falas falando sobre Derek, mas eu…” Ele parou por um momento, olhou o céu cinzento da primavera. Não tão usual para Beacon Hills nessa época.

“Sabe, eu tentei, mãe, eu liguei para todas as Lauras de São Francisco, tentei invadir os arquivos da polícia — com e sem o consentimento do pai. E eu tentei, tentei seguir e não olhar pra trás, pensar que eu nunca vou ver ele de qualquer jeito, que tudo o que eu senti era um nada, uma coisa sem sentido. Mas eu simplesmente não consigo.”

“O que tem de errado comigo, será? Eu não consigo deixar ele passar. Eu não consigo. E eu não quero deixar ele passar, deixar ele afundar no meio das coisas que eu esqueci, e já fazem aí cinco meses que eu não faço ideia de como ele está. O Sargento Jones disse que eles não podem me revelar mais nada sobre ele, e eu não consigo ficar assim, não sabendo como Derek está.” Stiles respirou fundo e exalou o ar com força.

“Eu deveria simplesmente esquecer, mas eu não consigo. Eu só queria esquecer.”

Ele parou de falar e respirou fundo outra vez. Do céu começaram a cair, lentamente, pequenas gotas de água, mas elas eram tão pequenas que o vento as carregava, um vento frio que passou correndo por entre as árvores e adentrou o cemitério.

Muito frio para a primavera da Califórnia.

Quem sabe até o tempo não estava assim tão alegre.

Stiles tremeu.

“E eu nem acredito que eu menti pra ele sobre meu aniversário. Ou melhor, eu simplesmente nem sabia que tava mentindo naquela hora que escrevi a carta. Por que eu sou assim? Por que eu tenho isso, mãe? Essa doença idiota que mexe com a minha cabeça. Eu…” Stiles suspirou. “Eu não sei por que eu escrevi a carta pra ele falando do aniversário. Eu acho que a minha cabeça simplesmente se esqueceu. E eu juro, mãe, desde o dia em que nós voltamos do médico a primeira vez, e ele falou que seria bom eu manter um diário, eu tenho ele comigo. Sempre escrevendo, sempre.”

“O pior de tudo, é que na maioria das vezes, quase sempre, as únicas coisas que eu esqueço ou confundo são as coisas que tem a ver com você. Hoje é o seu aniversário, e não o meu. 30 de abril. O seu aniversário. Mas o meu cérebro muitas vezes troca as coisas, e eu acabo achando que o meu aniversário é hoje. Assim como eu escrevi na carta.”

“E depois eu fiquei tão envergonhado que tive que inventar uma festa, tive que inventar presentes, e tudo mais, simplesmente porque eu não queria falar que a minha cabeça é toda estragada. E o pior de tudo é que a culpa não é de ninguém senão minha.” Stiles respirou fundo.

“Sabe, às vezes eu gostaria que você estivesse aqui comigo, mãe. Só pra me ajudar um pouquinho, sabe? Só pra me dizer o que está errado e o que tá certo. Pra me dizer quando eu preciso mudar ou quando eu posso continuar sendo eu mesmo. Mas acima de tudo, pra dizer que me ama. Às vezes eu sinto tanta falta de ouvir alguém, do nada, me lembrando que eu sou amado, que tem pessoas que querem o melhor pra mim — e eu não tô nem reclamando do pai, mas sabe como ele é.”

“Eu amo ele com todo o meu coração, mas ele nunca vai substituir você, mãe. E mesmo depois de todo esse tempo, eu sinto a sua falta. E como eu sinto.” Stiles olhou para o céu de novo. As gotas que caíam dele se misturavam com as que lentamente iam descendo pelo rosto de Stiles.

Ele não era um por chorar a toda hora, mas a mãe dele era uma das úncias coisas que fazia ele chorar. Toda vez que ele tentava explicar para alguém o porquê de ele ir visitar ela no cemitério e conversar com um pedaço de pedra, ninguém entendia.

Depois de um tempo ele parou de tentar explicar.

Não havia mais uma mulher na vida dele que mandasse nele, que fosse alguém que ele olhasse todo dia, alguém que dissesse que amava ele — além das palavras, é claro -, alguém a quem ele poderia confiar algum segredo e esconder muitos outros. Alguém pra quem ele poderia ser ele mesmo. Alguém que aceitaria ele do jeito que ele é.

Uma pedra nunca diria não para ele quando ele queria conversar, e nunca diria que estava cansada demais, mas ele sabia que a mãe dele sempre acharia um tempo para ouvir ele também. A pedra nunca brigaria com ele, mas ele sabia exatamente o momento em que a mãe dele estaria batendo no lado de trás da cabeça dele para lembrar que ele tinha que se comportar. A pedra não dizia que amava ele, mas toda vez que ele dizia que amava a mãe dele, ele sabia que, em algum lugar, alguma dimensão, ela estaria dizendo o mesmo.

E esse era o principal motivo pra ele ir conversar com ela no cemitério. Seria estranho demais ele sair caminhando pela rua e conversando com o ar. Ou andar pela casa, conversando com os cômodos — não que ele nunca tenha feito isso. Mas toda vez que ele ia ao cemitério, havia esse sentimento de privacidade, de que eles tinham um momento só para eles ali.

Um momento onde Stiles poderia ser só Stiles.

“Mãe, será que eu devo esquecer ele? Será que eu tenho que desistir e deixar aqueles meses pra trás? Eu sei que eu deveria, sei que a minha vida segue, e eu tô quase de férias agora e depois delas eu tenho meu último ano de escola antes da faculdade e… A minha vida segue, sabe? Mas será que eu deveria deixar ele seguir pra longe de mim também?” Ele olhava atentamente para as inscrições na pedra, mas ninguém respondeu ele.

Ele fechou os olhos para tentar lembrar de alguma coisa que a mãe dele disse quando ele era criança e que ele poderia usar agora. Ele pensou, pensou e pensou. Mas nada vinha à cabeça dele. Ela disse muitas coisas, ele lembra de muitas, ele confunde outras, mas nada parecia ser a resposta. Talvez nada do que ela tenha dito poderia ser a resposta.

Ou talvez a resposta estivesse dentro dele, como ela dizia. No coração.

Como ela dizia.