Notas iniciais
=D Mais um cap. pra vocês, YAY! Lembrem de comentar, porfavorzinho, eu gosto dos comentários e eu preciso deles como combustível pra continuar escrevendo - mas não comente se você só for me mandar postar o próximo capítulo, pois eu sei que tenho postar. Comente sobre o que você gostou ou não, mande uma pergunta pra mim, pode até pedir sobre a minha vida. Me divirta com o comentário que em troca eu dou mais uns caps pra vocês E lembrem, amanhã tem novo capítulo de Smarty!

Excertos de um diário…

20 de dezembro de 2011

Fazem mais de vinte dias que eu estou aqui no hospital, mas a sensação é de que eu estive nessa cama pelos últimos anos. A falta do ar puro, de um dia na academia, de correr pelos campos ou de simplesmente conversar com as pessoas daqui, me deixa maluco.

Não que eu não converse com ninguém — Laura me liga todos os dias, nós nos mandamos e-mails e, logo mais, quando eu puder usar o meu computador pessoal, nós vamos nos falar mais também.

Mas eu sinto falta das coisas simples.

Derek

–---------------------------------------------------------------------------------------------

27 de dezembro de 2011

Meu aniversário foi há dois dias atrás — sim, eu faço aniversário no Natal, e melhor presente eu não poderia ter — finalmente eu vou sair desse quarto e ir para um outro. Não que a troca de um pelo outro seja assim emocionante, mas o novo quarto tem uma janela.

Coisas simples.

Minhas costas ainda doem um pouco, mas a maior parte dos cortes, causados pelos estilhaços da bomba, já se fecharam. O médico me fez ir até um espelho ontem, para ver as marcas vermelhas na minha pele, pois ele disse que é importante que eu consiga me ver do jeito que eu estou agora.

E eu preciso me aceitar.

Eu não sei se vai ser muito complicado aceitar que as minhas costas estão, e estarão, cobertas de cicatrizes.

Elas vão ser uma marca das coisas que eu fiz e nada mais.

O problema é a minha perna esquerda.

Quando a bomba explodiu eu fui arremessado alguns metros. Pelo menos foi o que me disseram. Eu voei por cima de um carro e caí longe, e minha perna foi retorcida em alguns lugares. O médico disse que eu vou conseguir voltar a caminhar, mas dificilmente eu vou me mover com a agilidade que eu tinha e é possível que eu precise usar uma bengala.

Por que na hora de um combate eu vou poder usar uma bengala...

Isso se eu conseguir voltar.

Derek

–------------------------------------------------------------------------------------------------

5 de janeiro de 2012

Ontem a Laura me disse que um garoto ligou para uma das vizinhas dela — Laura Hastings — procurando por Laura e Derek Hale. Ela disse que conhecia eles mas que não divulgaria nada sobre a família pois sabia como eles — a gente — eram discretos quanto à vida deles.

A mulher não conseguia lembrar do nome de quem ligou, mas ela disse que era alguma coisa com S.

Laura estava um pouco ressabiada ao me contar a história, por pensar que seria algum repórter que acabou descobrindo o que aconteceu por aqui e queria fazer uma entrevista com ela. Mas ela estava mais preocupada com o fato de ela ter dificuldade em se misturar com as pessoas, socialmente, do que com ele descobrir sobre meu paradeiro.

Mesmo assim, eu não culpo ela.

No entanto, eu sei quem era. E não era um repórter.

Acho que só uma pessoa teria ligado para saber como eu estou. Ou pelo menos é o que o meu coração espera que tenha acontecido.

Eu espero que pelo menos ele tenha conseguido terminar o projeto dele, parecia ser uma coisa importante e eu até me sinto mal por não ter conseguido ajudar ele.

Me sinto até um pouco bobo de não colocar o nome dele aqui.

Stiles.

Eu não sei o que eu sinto por aquele garoto — o que eu sentia, pelo menos.

Mas como provavelmente nós nunca mais vamos nos encontrar, eu não alimento esperanças.

Derek

–----------------------------------------------------------------------------------------

14 de fevereiro de 2012

O dia dos Namorados não poderia vir em uma hora mais inoportuna. Não que eu esteja pior, pois não estou, minhas costas finalmente pararam de doer constantemente e eu comecei a fisioterapia.

Os médicos daqui de Paris, onde eu tenho ficado desde o atentado, são bastante ativos e me ajudam, mas ficar nessa cidade, nesse dia, sem ter ninguém, é bastante triste.

Não lembro de passar um dia desses sem pelo menos alguém pra mim.

Todos os anos em que eu estive servindo, esse era o meu final de semana para folga, e eu sempre era o soldado que sairia nesse dia. Não por que eu tinha uma namorada, não, mas porque eu iria sair para algum lugar, geralmente ficar uns dias numa praia da Itália, encontrar uma garota italiana para passar esses dias comigo e aproveitar a companhia dela.

Eu não sei o porquê de eu sentir essa necessidade, de encontrar alguém pra mim, nesse dia. Mas eu acho que tem a ver com toda a minha infância, com minha mãe me dizendo que esse dia era o dia para o amor e para as pessoas ficarem juntas.

Que nesse dia muitos romances iam começar e muitas paixões para toda a vida iriam se firmar.

Eu sempre tive esse sonho, mas nenhuma das minhas paixões do dia de São Valentim se tornaram realidade.

E agora, com meus sentimentos direcionados pra uma pessoa diferente, que talvez nem sabe se eu estou vivo — e que eu definitivamente não deveria estar gostando — eu nem sei mais o que pensar sobre as possibilidades de encontrar alguém pra vida toda.

É estranho pensar que eu possa ter encontrado essa pessoa e o destino tenha feita ela desaparecer.

Ou eu ser quase explodido em mil pedaços por uma bomba.

De qualquer forma, o destino não parece de acordo com minhas expectativas.

Derek

–-------------------------------------------------------------------------------------

22 de fevereiro de 2012

Hoje faz um ano desde a primeira carta.

E eu nem tenho as cartas aqui comigo, mas eu lembro do dia.

Eu não queria pensar no que isso significa, se é que significa alguma coisa. Mas se eu consigo lembrar essa data, que parece até tão não importante, é porque ela importa, sim.

E eu não queria que importasse.

No fim, eu vou acabar esquecendo ele.

O mais difícil, no entanto, é você esquecer alguém que você nunca viu, alguém a quem você não tem uma cara pra lembrar. Alguns diriam que isso é fácil, mas com o tempo nós sempre acabamos por nos esquecer dos rostos, nos esquecemos da voz e do cheiro, mas as palavras…

As palavras ficam com nós pra sempre.

E, do Stiles, eu só tenho as palavras.

Derek

–------------------------------------------------------------------------------------------

17 de março de 2012

Ele acreditam que logo eu vou poder voltar a trabalhar. Pelo menos com alguma coisa.

Meu general, Kingston, disse que eu tenho um lugar sim, no Kosovo. Ou em qualquer outro lugar que as tropas estão. Eu tenho um lugar guardado por tudo que eu fiz por nosso país — se eu ainda quiser um posto.

Mas eu não tenho mais chances de estar no campo de batalha.

Eu não sei o que eu tenho que fazer a partir de agora.

O que eu vou ser?

Um aleijado, manco, que não tem serventia com armas e anda por aí fazendo nada pelos quartéis? Alguém que não faz nada a não ser ocupar espaço dos que precisam se mover rapidamente e defender o país?

Eu não sei o que eu tenho que fazer.

Queria pelo menos ter alguém pra me dizer que eu posso fazer alguma coisa, que eu ainda sou importante.

Mas ninguém tem coragem de me olhar no olho e dizer isso.

E eu não culpo eles por não conseguirem.

Derek