Cartas para Derek

8 Like the fourth of July


Notas iniciais
Gostei desse capítulo!! Mas odiei essa semana pros Spoilers de TW e tal. Divulgaram a lista com os aniversários oficiais, e agora eu vou ter que pirar com a minha fic - aqui o aniver do Stiles é em abril, o oficial é em junho. Mas não se preocupem - a ideia pra esse aniversário já estava planejada antes de ele ser mudado. Ou não mudado. Esperar e ver!=D

8 de julho de 2011

Derek

Sério que você viu um lobo correndo pela reserva? Porque agora que você me falou que você viu um deles eu estou louco pra conseguir ver um também. Mas se depender do que eu vi até agora, me parece que eu não tenho muita chance — eu tenho ido passear de carro todos os dias e até agora os únicos bichos que eu consegui ver de perto foram esquilos.

Eles são bonitinhos, mas nada parecidos com os lobos.

Eu amaria ver um lobo — mas eu acho que já disse isso. Várias vezes. Mas é que eu gosto deles. Eles são o tipo de animal que eu admiro porque eles combinam a força de um predador, que pode fazer de tudo para acabar com a presa — e também com o perigo — ao mesmo tempo em que eles são criaturas amigáveis — à sua espécie — e prezam as ligações entre as famílias. Entre os membros da matilha.

E sabe — eu não queria transformar todas as cartas em alguma coisa triste, mas… — eu gosto de ver isso. Eu nunca tive uma família grande — e por isso mesmo eu tenho essa vontade de juntar a minha família com a do Scott. Eu quero sentir isso também, essa energia entre todos.

Não que qualquer um de nós seria o predador — mesmo que eu imagine que meu pai possa nos proteger do perigo, afinal ele sabe atirar muito bem. Mas eu gosto de pensar que todos seríamos felizes junto.

Aquela coisa de você discutir com alguém da família e poder ir falar mal dele com algum dos outros, só pra vocês terem todos que fazer as pazes depois.

É o tipo de dinâmica que eu sinto falta.

Não que eu não goste da família que eu tenho — a convivência com meu pai é ótima, mas às vezes eu me sinto muito sozinho.

Enfim, chega das minhas tristezas. Vamos falar de alguma coisa alegre?

Essa semana nós tivemos os fogos de quatro de julho por aqui. Dia da independência e tudo mais. Eles foram muito bonitos. Não que eu tenha esse amor por fogos de artifício — especialmente porque eles devem espantar qualquer lobo que poderia aparecer por aqui — mas eles são legais de se ver.

E um pouco de festa faz bem pra todo mundo, né?

Como que vocês comemoraram esse dia por aí? Deve ter alguma importância mais especial pra vocês, eu acho. Não que eu não seja patriota — no entanto, eu deva ser relativamente menos assertivo do que você quanto à esses sentimentos nacionalistas.

Mas eu gosto do dia.

A banda de Beacon Hills fez uma parada pela Main Street — e graças a Deus eu saí da banda há um tempo, não que seja uma coisa ruim participar de uma banda marcial e tal, mas eu não gosto muito daqueles uniformes. Eles são muito feios. Não que eu ache que qualquer coisa honrando a nossa nação seja feia ou não importante — mas eles poderiam fazer uns modelitos melhores? Pelo menos uns usáveis.

Eu sou um ótimo patriota — quando não reclamo das roupas, das músicas, das cores e dos fogos. Se bem que, ser patriota não tem nada a ver com gostar ou não dessas coisas, mas sim apreciar as belezas do nosso país e defender ele com unhas e dentes. Mas como eu não estou do outro lado do mundo, lutando pelos nossos ideais, minha maior ajuda é prover uma pouco de alegria pra quem está aí.

E eu espero estar fazendo um bom trabalho — mesmo que, de vez em quando, eu acabe sentimentalizando demais essas cartas.

Continue defendendo o nosso país

do seu companheiro de cartas — e um patriota que falha em ser patriota,

Stiles

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Derek riu ao ler a carta. Um som gostoso e bastante bom para seus próprios ouvidos — e um som que ele não ouvia muitas vezes da própria boca. Ele se sentia cada vez mais animado com as cartas — e cada vez mais animado com Stiles.

Ou talvez fossem as cervejas que ele acabara de beber, alegrando ele outra vez ao escrever uma carta que depois lhe viria a incomodar os seus ideais de conduta de novo.

Se bem que quando ele estava animado, ele não se importava muito com eles. Ele se importava só com o riso.

E com Stiles.

O garoto era como um raiozinho de sol que aparecia vez ou outra durante os dias ruins, que ultimamente tinham acontecido mais e mais na vida dele.

Era engraçado pensar que ele se comunicava com um adolescente do outro lado do planeta, que era tão diferente de tudo que Derek tinha visto, que era diferente de todas as pessoas que ele tinha encontrado e que, mesmo assim, era alguma das coisas que ele queria mais e mais.

Ele queria mais daquele riso fácil, das histórias despreocupadas e interessantes que o garoto lhe contava — muitas vezes sem perceber. Ele queria saber mais sobre quem ele era, o que fazia, em quem se inspirava e a que aspirava ser. Era alguma das coisas que ele esperava por dias para que acontecesse, uma coisa que ele aguardava ansioso.

E quando acontecia ele sempre ficava com aquele sentimento de ausência. De alguma coisa faltando. O sentimento de que ele sempre chegava quase à completação de tudo que havia acontecido, só pra ele ser despejado de volta ao início. E então ele mandaria uma carta de volta e a espera começaria de novo.

E o ciclo seguia. E seguia. E seguia.

E nunca era o bastante.

Dentro dele, uma onda de calor começava a aquecer o peito, desde o centro se espalhando lentamente para todos os membros, até a ponta dos dedos e os fios de cabelo. Alguma coisa boa de sentir, uma coisa que ele nunca havia sentido antes. Ou talvez nunca havia sentido dessa forma.

Os pensamentos martelavam na cabeça, mas não doíam. Não havia momento ruim ao pensar no garoto.

Tudo era bom.

“Por que você tá sorrindo feito uma garotinha, Hale?” Johnson, colega de quarto de Derek, olhava para ele desde a porta.

“Tô pensando naquela tua namorada abrindo as pernas pra mim.” Derek respondeu calmamente, recolhendo os lábios que sorriam involuntariamente, ao mesmo tempo em que olhou para o homem, levantando uma sobrancelha.

“Babaca.” Os dois soaram seus risos embriagados.

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17 de julho de 2011

Stiles

Nosso Independence Day foi menos festivo do que o de vocês. O meu principalmente. Eu tive um turno de trabalho durante o dia, mas à noite eu honrei a tradição de assistir o filme com os meu colegas. Nós acreditamos que ser patriota não é só assistir Independence Day naquele dia, nem só ouvir fogos, mas defender o nosso país em todos os outros dias do ano — mesmo que às vezes os uniformes tenham cores feias.

E não tem problema em você transformar as cartas em alguma coisa sentimental.

E eu sei o que você diz quando fala sobre as matilhas. Ou melhor, alcateias. Esse é o coletivo de lobos. Não que essa informação importe tanto no momento — e eu acho que eu estou pegando esse hábito de você de ficar incluindo as informações corrigidas enquanto eu falo com as pessoas.

Outro dia eu corrigi um dos meus superiores, totalmente involuntariamente. Não preciso dizer que eles me puniram. Mas eles me puniram — fizeram limpar patentes por uma semana.

Culpa sua.

E eu falo sério.

Primeira vez que eu te ver vou te fazer algum tipo de punição pra que você execute por uma semana também — e acredite em mim, eu sou um soldado e nós sempre honramos nossas promessas.

Talvez não limpar uma privada, pois eu acredito que esse seja um castigo muito pequeno por interferir nos hábitos naturais de um homem.

E olha eu de novo, já estou começando a desviar completamente a atenção da minha escrita também. Basta falar meio ano com um adolescente hiperativo, e eu estou parecendo um também.

Mas eu me divirto com nossas cartas. É uma das boas coisas que acontecem durante a minha semana normal de trabalho.

Nós ainda nem chegamos perto do final delas, mas eu tenho certeza que vou acabar sentindo falta — às vezes nós acabamos tão compenetrados em nossa vida por aqui que a gente acaba por esquecer como as coisas são aí do outro lado.

Por exemplo o quatro de julho. Sinto falta de ver os fogos na praia. Quem sabe um dia eu vou conseguir ver eles de novo. E quem sabe eu possa te levar pra ver eles em São Francisco, não é?

Aproveite as férias.

Derek